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"Sob o nome genérico de glossário, nesta página são apresentados trabalhos que reproduzem termos de uma língua de especialidade ou que explorem um campo lexical da língua geral." Mini-Glossário 7 As expressões idiomáticas relacionadas ao tema da morte Alessandra Paola Caramori[1] e Valdemir Monteiro Bento[2] Resumo: I modi di dire sono un punto dell'universo del linguaggio figurato molto ricco e, attraverso essi, possiamo identificare le specificità di ogni lingua e le difficoltà di traduzione. Le locuzioni legati al tema della morte sono state quelle che hanno messo in dubbio il modo in cui lavoravamo nel nostro dizionario bilingue dei modi di dire (portoghese - italiano, italiano - portoghese) presentandoci il problema delle corrispondenze tra le due lingue e dei rimandi, ma dall'altra parte, ci hanno aperto una nuova strada per l'organizzazione del vocabolario. As reflexões sobre as expressões idiomáticas relacionadas ao tema da morte são fruto do trabalho de elaboração do dicionário bilíngüe (italiano-português) de expressões idiomáticas. Justifica-se a realização de tal dicionário o fato de que, embora existam diversos dicionários de expressões idiomáticas em português e também em italiano, não há obras bilíngües em língua portuguesa e italiana nessa área. É importante, porém, estabelecer critérios precisos de organização da estrutura desse dicionário e verificar se este satisfaz às necessidades dos usuários. As expressões idiomáticas são, segundo Casares[3], aquelas "combinações estáveis de dois ou mais termos funcionando como elemento oracional e cujo sentido unitário não se justifica como simples soma do significado normal dos componentes". Não incluímos no nosso trabalho de pesquisa os provérbios, os ditos e as lexias compostas. O corpus de nosso trabalho é constituído pelo Dicionário de expressões idiomáticas metafóricas italiano - português em que estamos trabalhando desde 1993. De 1990 a 1992 tínhamos elaborado, junto com outras duas pesquisadoras, como trabalho final para o curso de especialização em tradução na Universidade de São Paulo, o Dicionário de expressões idiomáticas metafóricas português - italiano. O corpus das expressões para esse trabalho já tinha sido estabelecido por Martha Steinberg e Sidney Camargo na sua obra Dicionário de Espressões Idiomáticas Metafóricas Português - Inglês. A partir do dicionário de expressões português - italiano foi feita a inversão dos verbetes, e começou-se uma nova etapa de pesquisa. Foi aí, então, que, em contato com dicionários de expressões em língua italiana como os do Lapucci[4], Quartu[5] e Turrini[6], o nosso dicionário inchou. Dos 1300 verbetes que constavam no dicionário de expressões português-italiano, chegamos, em meados de 1998, a 2300 expressões no dicionário italiano- português. Nesta primeira versão de 1998, o que mais nos chamou a atenção foi o tamanho de certos verbetes, onde aparecia uma grande quantidade de correspondentes em português e de remissivas. Logo nos demos conta de que esses verbetes destoavam da maioria dos outros. Eis alguns exemplos: ACQUA bere, non sapere che (L) <> Andar às CEGAS/ Não saber a QUANTAS anda/ Não saber que BARCO tomar: Com a nova crise financeira, estamos todos andando às cegas. Vide: Non sapere a che SANTO votarsi/ Non sapere che SANTO baciare/ Non sapere che PESCI prendere/ Non sapere dove battere la TESTA/ Andare a TENTONI/ Non trovare VIA d’uscita/ Brancolare nel BUIO.### ANNO mai, rimandare all’ (L) <> Ficar ou mandar para as CALENDAS gregas/ Deixar para o DIA de São Nunca/ Quando a GALINHA criar dente: O presidente mandou o pagamento da dívida do país para as calendas gregas. Vide: Rimandare q.c. alle CALENDE greche/ Rimandare al GIORNO del giudizio/ Fare una cosa il DÌ di San Bindo/ Quando le QUERCE faranno limoni/ Quando canteranno GALLI di gesso/ Quando verrà PASQUA per il venticinque aprile. MANI in mano, stare con le (Z) <> Estar ou ficar de BARRIGA pro ar/ Estar ou ficar de PAPO pro ar/ Coçar o SACO/ Ficar ou estar à toa na VIDA: Enquanto toda família trabalha como louca, Carlos passa os dias de barriga pro ar. Vide: Grattarsi la PANCIA/ Stare con le MANI alla cintola/ Stare a PANCIA all’aria/ Far la PENTOLA a due manici/ Girarsi i POLLICI/ Avere la SPALLA rotonda. CASINO, fare o combinare un (Z) <> Fazer ARTE/ Aprontar UMA das suas/ Fazer o DIABO a quatro/ Pintar o SETE/ Pintar o CANECO/ Armar um BANZÉ/ Armar um FUZUÊ: As crianças estão sempre fazendo arte quando estão juntas. Vide: Combinare un PASTICCIO/ Combinarne di tutti i COLORI/ Combinarne QUALCUNA delle sue/ Combinare un GUAIO/ Fare o combinare un CASINO/ Fare il DIAVOLO a quattro/ Fare un QUARANTOTTO. CIELI, andare ai sette (L)<> Estar nas NUVENS/ Não caber em SI/ Transbordar de ALEGRIA: Maria está nas nuvens com o presente que ganhou. Vide: Toccare il CIELO con un dito/ Sentire al terzo o al settimo CIELO/ Non stare nella PELLE/ Non gli tocca il CULO la camicia/ Non stare o non entrare nei propri PANNI/ Andare in BRODO di giuggiole. GIORNI, non avere tutti i suoi (L) <> Não BATER bem/ Não REGULAR bem/ Não bater bem da CABEÇA/ Não regular bem da BOLA/ Bater os PINOS/ Ter um PARAFUSO a menos / Ter uma TELHA a menos/ Ter um PARAFUSO frouxo ou solto/ Sofrer da CACHOLA: Não leve o João muito a sério, ele não bate bem. Vide: Essere un po' SVITATO/ Mancare d'una ROTELLA/ Mancare qualche o un VENERDÌ/ Essere TOCCO/ Avere battuto la TESTA da piccino/ Esser caduto dal SEGGIOLONE/ Averci scritto SALE e tabacchi (sulla fronte)/ Non avere le ROTELLE a posto. Percebemos que estas expressões poderiam ser agrupadas por temas que constariam no final do dicionário, facilitando a consulta e ampliando a compreensão do usuário. As expressões que constam no verbete ACQUA bere, non sapere che poderiam ser todas elencadas sob o conceito de indecisão; aquelas do Anno mai, rimandare all' sob o conceito de adiar; aquelas de MANI in mano, stare con le sob o conceito de ociosidade; aquelas de CASINO, fare o combinare un sob o conceito de confusão; aquelas de CIELI, andare ai sette sob o conceito de felicidade e aquelas de GIORNI, non avere tutti i sob o conceito de estupidez.. De proporções exageradas eram os verbetes referentes ao tema da morte: ADDIO alle cose del mondo, dire (Z) <> Dizer ADEUS ao mundo/ Entregar a ALMA a Deus / APAGAR/ / Ir para o BELELÉU/ / Bater a(s) BOTA(S) / Ir para a CIDADE dos pés juntos/ Espichar ou esticar a CANELA/ Ir comer CAPIM pela raiz/ Largar a CASCA/ Tomar o CHÁ da meia noite/ Dar o COURO às varas/ Descer à COVA ou à TERRA ou ao TÚMULO/ DESCANSAR/ DESENCARNAR/ Passar DESTA para melhor/ EMPACOTAR/ Fechar os OLHOS/ Vestir o PALETÓ ou PIJAMA de madeira/ PIFAR/ Virar PRESUNTO/ Ir para o ALÉM ou para o outro MUNDO: Infelizmente a semana passada, minha tia Maria, por um ataque de úlcera fulminante, foi desta para melhor. Vide: Tirare o lasciarci o rimetterci le CUOIA/ Tirare le CAlZE o il calzino/ Andare a ingrassare i CAVOLI/ Vedere l’ERBA dalla parte delle radici/ Passare a vita MIGLIORE/ Andare al MONDO di là/ Andare all’altro MONDO/ Chiudere gli OCCHI/ Andare a ingrassare i PETRONCIANI/ Dare l'ultimo o stremo sospiro/ Essere SOTTOTERRA/ Salire alle STELLE/ Arrivare l'ultima o la sua ORA/ Andare alle BALLODOLE/ Dire ADDIO alle cose del mondo/ Rendere l' ANIMA a Dio/ Lasciarci o rimetterci la BUCCIA/ CREPARE/ SPEGNERSI.. Só que quando elencamos essas expressões, acrescidas de suas definições, atributos e nível de linguagem (por ex.: pop. gíria) que constavam de suas fontes, percebemos aí uma riqueza de elementos passíveis de classificação: Seguem então as expressões, adicionadas de suas variantes, explicações e antecedidas de um glossário das fontes:
Temporalidade Partimos para a análise a partir da categoria semântica temporalidade, estabelecendo o critério anterioridade (pré-morte) e posterioridade (pós-morte). Fixamos uma variação de –5 a -1 para graus de distância entre a pré –morte e a morte (quanto mais distante anteriormente ao momento da morte mais baixo o valor); grau 0 para o momento da morte; e de 1 a 5 para o grau de distância entre a morte e o pós-morte (quanto mais distante posteriormente ao momento da morte mais alto o valor). Chegamos então ao seguinte quadro:
COLOQUIAL VS FORMAL Já que o princípio fundamental da estrutura lingüística é o da oposição, outra hipótese de análise é a do nível de linguagem, variável de acordo com a classe social do falante e da situação lingüística. Seria muito fácil estabelecer que expressões tais como andare a ingrassare i CAVOLI, o , vedere l' ERBA dalla parte delle radici e CREPARE são coloquiais ou informais. Já as expressões rendere l' ANIMA a Dio e SPEGNERSI são claramente formais ou cultas. Já outras, tais como essere SOTTOTERRA seriam um tanto ambíguas quanto ao nível de registro. Chegamos então à conclusão de que seria impossível manter o dicionário na sua antiga organização e se fazia necessária uma reestruturação para a criação das listas temáticas. Foi, a partir daí, colocada em cheque tanto a microestrutura (já que o critério das correspondências e das remissivas precisava ser revisto) quanto a macroestrutura do nosso dicionário. A maneira como organiza-se o material das obras lexicográficas condiciona a sua macroestrutura. O dicionário semasiológico, conforme afirma Haensch[15], organiza-se por significantes, já o dicionário onomasiológico, por conceitos. Normalmente os dicionários semasiológicos apresentam seu material em ordem alfabética, enquanto que a estruturação dos dicionários onomasiológicos segue critérios variados. A onomasiologia é, segundo Mattoso Camara[16], "um método de pesquisa que consiste em reunir as expressões de que dispõe uma língua para traduzir determinada noção. Parte-se assim dos significados capazes de ter expressão lingüística para se chegar às formas lingüísticas correspondentes." O nosso dicionário que era todo organizado semasiologicamente, em ordem alfabética, passou a ter também uma parte (as listas temáticas) organizada onomasiologicamente, ou seja, partindo-se das idéias para chegar-se às expressões. Uma nova perspectiva abriu-se, basta agora trabalhar duro para concluir a obra.
BIBLIOGRAFIA GERAL AMENDOLA, João. Dicionário Italiano-Português. São Paulo Hemus, 1976. ARTHEBER, Augusto. Dizionario comparato di proverbi e modi proverbiali. Milano, Hoepli, 1972. BARBOSA, M.A. "Da Microestrutura dos vocabulários técnico-científicos" in Anais do VI Encontro Nacional da ANPOLL, 1989. CAMARA Jr, J. Mattoso. Dicionário de lingüística e gramática. Petrópolis. Editora Vozes, 1981. CAMARGO, Sideny & Martha Steinberg. Dicionário de expressões idiomáticas metafóricas português-inglês. São Paulo, EUP, 1980. CASARES, J. Introducción a la Lexicografia moderna. Madrid, 1977. CASCUDO, Luís de Câmara. Locuções Tradicionais no Brasil. Rio de Janeiro. Funarte, 1977. DEVOTO, Giacomo & Gian Carlo Oli. Dizionario della lingua italiana. Firenze, Le Monnier, 1982. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, s.d. FORCONI, Augusta. La Mala Lingua. Dizionario dello “slang” italiano. I termini e le espressioni gergali, popolari, colloquiali. Milano, Sugarco Edizioni, 1988. HAENSCH, G et altri. La Lexicografía. De la lingüística teórica a la lexicografía práctica. Madrid, Editorial Gredos, 1982. HERRERA, Owaldo. A Grande Análise Dos Provébios. São Paulo, A Busca, 1983. LAPUCCI, Carlo. Dizionario dei modi di dire della lingua italiana. Milano, Garzanti, aVallardi, 1993. MARTIGNON, Roberta. Dizionario pratico della lingua italiana. Milano, Mondadori, 1987. MEA, Giuseppe. Dicionário de italiano-português. Porto, Porto Editora, 1980. MICHAELIS. Moderno Dicionário da Língua Portuguesa. São Paulo. Melhoramentos, 1998. NASCENTES, ANTENOR. Tesouro da Fraseolgia Brasileira. Rio de Janeiro, Nova Fronteira,1986. NATALE, Francesco Di et Zacchei, Nadia. In bocca al lupo! Perugia, Guerra, 1997. NEVES. Orlando. Dicionário Popular de Frases Feitas. Porto, Lello & Irmão, 1991. ORTÍZ ALVAREZ, María Luisa. As expressões idiomáticas dentro da obra lexicográfica in Revista Brasileira de Lingüística, vol. 9, nº 1, 1997h PRATA, Mário. Mas será o Benedito? Dicionário de provérbios, expressões e ditos populares. São Paulo, Globo, 1996. PROVENÇAL, Dino. Perché si dice così. Milano, Hoepli,1966. QUARTU, B.M. Dizionario dei Modi di Dire della Lingua Italiana. Milano, Biblioteca Universale Rizzoli, 1993. RADICCHI, Sandra. In Italia: modi di dire ed espressioni idiomatiche. Roma, Bonacci,1985. RIBEIRO, João. Frases feitas. Rio de Janeiro. Livraria FranciscoAlves, 1960 SILVA, Euclides Carneiro da. Dicionário de locuções da língua portuguesa. Rio de Janeiro, loch Editore, 1975. SILVA, Euclides Carneiro da. Dicionário da gíria brasileira. Rio de Janeiro, Bloch Editores, 1973. SIMÕES, Guilherme Augusto. Dicionário de expressões populares portuguesas, Lisboa, Perspectias & Realidade. s.d. SPINELLI, V. et CASASANTA, M. Dizionario completo italiano-portghese(brasiliano) e portoghese (brasiliano) - italiano, Milano, Ulrico Hoepli, 1980. SPITZER S.J. , Carlos Dicionário Analógico da Língua Portuguêsa. Porto Alegre, Globo, 1953. TAGNIN. Stella O.. Expressões idiomáticas e convencionais. São Paulo, Ática, 1989. TURRINI, Giovanna e altri. Capire L'Antifona. Bologna, Zanichelli, 1995. VIOTTI, Manuel. Novo dicionário da gíria brasileira. São Paulo. Ind. Gráfica Bentivegna, 1956. ZINGARELLI, Nicola. Vocabolario della lingua italiana. Bologna, Zanichelli, 1999. [1] Mestranda da área de língua e literatura italiana da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. [2] Mestre na área de língua e literatura italiana da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. [3] CASARES, J. Introducción a la Lexicografia moderna. Madrid, 1977. [4] LAPUCCI, Carlo. Dizionario dei modi di dire della lingua italiana. Firenze, Vallardi, 1979. [5] QUARTU, B.M. Dizionario dei modi di dire della lingua italiana. Milano, Biblioteca Universale Rizzoli, 1993. [6] TURRINI, Giovanna e altri. Capire L'Antifona. Bologna, Zanichilli, 1995 [7] FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, s.d. [8] FORCONI, Augusta. La Mala Lingua. Dizionario dello “slang” italiano. I termini e le espressioni gergali, popolari, colloquiali. Milano, Sugarco Edizioni, 1988. [9]LAPUCCI, Carlo.op. cit.. [10] NEVES, Orlando Dicionário popular de frases feitas. Porto, Lello & Irmão, 1991. [11]QUARTU, B.M. op. cit.. [12]RADICCHI, Sandra. In Italia: modi di dire ed espressioni idiomatiche. Roma, Bonacci,1985. |
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