“A antropologia é um procedimento de certa forma terrorista. Antropólogos muitas vezes redigem suas pesquisas sem sequer relê-las às pessoas com quem havia falado. O cinema é o veículo que permite realizar a etnografia, esta antropologia partilhada... É esse o milagre do cinema, partilhar com muitos as mesmas emoções”. As palavras de Jean Rouch, o antropólogo-cineasta que vislumbrou o cinema como meio de compartilhar a antropologia, inspiram nossa prática de pesquisa e realização audiovisual e a construção deste espaço.
Antropologia compartilhada, o blog, é uma realização coletiva – iniciada por um grupo de pesquisadores que têm como interlocutores os realizadores de cinema e arte das quebradas. Uma ocupação na rede, construída a partir de relações que temos tecido nos últimos anos, com gente que pensa o cinema como meio de transformação, intervenção, provocação.

Artigos

Sentidos da imagem na quebrada e na etnografia

Rose Satiko Gitirana Hikiji

 

Resumo: Este trabalho propõe uma reflexão sobre os sentidos da imagem para jovens moradores da periferia paulistana que nos últimos anos têm se envolvido no movimento de apropriação, divulgação e debate do audiovisual como meio de expressão. Questões semelhantes às pautadas por este fórum são mobilizadas no cotidiano destes jovens realizadores e exibidores de cinema da quebrada: é para eles fundamental ter acesso ao conhecimento sobre o cinema, debater criticamente a linguagem cinematográfica ou televisiva, desenvolver experimentos audiovisuais em diversas linguagens, questionar as relações de poder nas esferas de produção de imagens e conhecimento.
Produzir uma etnografia – escrita e audiovisual – com estes jovens implica refletir e deixar-se afetar por suas concepções acerca das imagens. É essa reflexão afetiva/afetada que trago para o debate.

 

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Imagens que afetam: filmes da quebrada e o filme da antropóloga

Rose Satiko Gitirana Hikiji

 

Resumo: A comunicação discute o encontro etnográfico a partir da proposta de realização de um vídeo com jovens cineastas e exibidores da periferia paulistana. O audiovisual é pensado como objeto sensível que afeta pesquisadora e sujeitos de formas diversas. O filme etnográfico é o meio deste encontro. É a possibilidade de compartilhar a Antropologia, vislumbrada por Jean Rouch. É uma forma de extensão do eu em direção aos outros, como notou David MacDougall. Mas não é o único objeto que afeta. Os sujeitos que encontro são, eles próprios, realizadores de imagens. Protagonizam um crescente movimento de produção audiovisual na periferia de São Paulo. Seriam suas produções, o “cinema da quebrada”, “filmes em primeira pessoa”, que Bill Nichols contrapõe aos próprios filmes etnográficos? Ou meio de extensão de cada realizador (em geral, coletivos), para as quebradas e centros? São, certamente, filmes que afetam, provocam, desviam o lugar olhado das coisas, são pontos de fuga.

 

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Um Caso de Antropologia Compartilhada

Rose Satiko Gitirana Hikiji

 

Publicado no Jornal da USP no dia 22 Novembro 2008, este artigo de Rose Satiko Gitirana Hikiji trata da experiência da produção de Cinema de Quebrada, um filme etnográfico que aborda a produção audiovisual da periferia paulistana.

 

Leia o artigo em: http://espaber.uspnet.usp.br/jorusp/?p=716

 

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“De dentro do bagulho”: o vídeo a partir da periferia

Clarisse Castro de Alvarenga e Rose Satiko Gitirana Hikiji

 

Artigo publicado na Revista Sexta-feira (nº 8 - Periferia). “São imagens da periferia, na periferia, feitas pela periferia. É desse último movimento, que tem crescido consideravelmente nesses últimos ano, que trata esse artigo: o que acontece quando pessoas e grupos que outrora desempenhavam o papel de homens filmados - o lugar que ocupavam até então na historiografia do cinema brasileira - passam a enfrentar a condição de realizadores de suas próprias imagens…”

 

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Ficção e Documentário no Cinema de Periferia

Nathalie Maykot Ferreira

 

Resumo: Este estudo abarca alguns dos caminhos seguidos por jovens da periferia de São Paulo que, de forma independente, ensinam, produzem, distribuem e exibem vídeos nas comunidades em que vivem. Essa pesquisa faz parte de outra mais ampla, realizada pela professora Rose Satiko e por seus orientandos, que pretende estudar a produção audiovisual periférica a partir da perspectiva da antropologia visual.

 

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O break na cidade de São Caetano do Sul: identidades e identificações de dançarinos de rua

Letícia Yumi Shimoda

 

Resumo: Trabalho apresentado no seminário “A pesquisa nas quebradas: inicições, encontros, partilhas”, realizado no Laboratório de Imagem e Som em Antropologia (LISA) no dia 28 de setembro de 2009. Tendo em vista  que o break se originou nos guetos norte-americanos, se espalhando e ganhando adeptos em periferias e favelas de centros urbanos em todo o mundo, o trabalho problematiza de que forma se deu a sua inserção numa cidade considerada de “primeiro mundo” e com a ausência de favelas e periferias espaciais. Para tanto, aborda-se o modo como os sujeitos se identificam enquanto pertencentes ou não de classes sociais desprivilegiadas e de que forma associam essa condição à  prática da  dança de rua.

  

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Pontos de vista em documentários de periferia: estética, cotidiano e política

Gustavo Souza da Silva

 

Resumo: Este trabalho investiga os fatores que alicerçam os pontos de vista da produção de documentários de periferias. Desde o final dos anos 1990, vê-se o crescimento da realização de filmes e vídeos encabeçada por oficinas, escolas livres e coletivos independentes. Tal produção é marcada por uma heterogeneidade em formatos, narrativas, temáticas e opções estéticas. Diante dessa multiplicidade, o foco desta pesquisa volta-se para os documentários, pois essa modalidade fílmica tem uma importância vital nessa produção. Quarenta documentários realizados entre 2000 e 2010 compõem o corpus da tese, evidenciando, também, uma diversidade de pontos de vista sobre pessoas, espaços, histórias, sociabilidades. Partindo da ideia de que o ponto de vista no cinema remete tanto à significação do plano como à sua exteriorização, por meio da análise desses filmes formulo como hipótese a ideia de que estética, cotidiano e política estruturam os pontos de vista da produção documental periférica. Para testar essa premissa, a ferramenta metodológica utilizada é a análise fílmica que privilegia imagem, texto e som. A discussão sobre estética, cotidiano e política acena para a necessidade de se debater a questão da autoria e as composições do documentário – dois pontos importantes para o entendimento das dinâmicas de produção e efeitos de sentido dos documentários de periferia.

 

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