“A antropologia é um procedimento de certa forma terrorista. Antropólogos muitas vezes redigem suas pesquisas sem sequer relê-las às pessoas com quem havia falado. O cinema é o veículo que permite realizar a etnografia, esta antropologia partilhada... É esse o milagre do cinema, partilhar com muitos as mesmas emoções”. As palavras de Jean Rouch, o antropólogo-cineasta que vislumbrou o cinema como meio de compartilhar a antropologia, inspiram nossa prática de pesquisa e realização audiovisual e a construção deste espaço.
Antropologia compartilhada, o blog, é uma realização coletiva – iniciada por um grupo de pesquisadores que têm como interlocutores os realizadores de cinema e arte das quebradas. Uma ocupação na rede, construída a partir de relações que temos tecido nos últimos anos, com gente que pensa o cinema como meio de transformação, intervenção, provocação.

Filmes etnográficos

LÁ DO LESTE

 

Lá do Leste, do lugar onde a cidade termina (ou começa), chegam rimas, gestos e cores que marcam  o espaço. A experiência periférica urbana é a base e o motivo da produção dos artistas de Cidade Tiradentes, que cresceram junto com o distrito paulista e em suas obras dialogam com seus desafios e sonhos. O filme segue a vida e as transformações do street dance, do grafite e do rap neste lugar que é considerado o maior complexo de conjuntos habitacionais populares da América Latina, espaço marcado pela exclusão, no qual a população orquestra suas dificuldades com dinâmicas próprias de sociabilidade, moradia, e apropriação do território.

 

Ficha técnica:

NTSC, cor, 28 min, LISA/FAPESP, 2010.
Direção, pesquisa e roteiro: Carolina Caffé e Rose Satiko Gitirana Hikiji
Montagem e roteiro de montagem: Karine Binaux Teperman
Direção de fotografia: Rafael Nobre

Direção de fotografia da câmera-bastão e produção local: Daniel Hylario

Produção: Movie&Art

Co-produção: Laboratório de Imagem e Som em Antropologia (LISA-USP); Instituto Polis e W.S. Produções

Produção: Paulo Dantas.

Produção executiva: Carolina Caffé e Rosana Shimura

Técnico de edição: Ricardo Dionisio (LISA)

Animação (grafite): Andre Farkas e Arthur Guttilla

Trilha sonora original: Thomas Rohrer

Design sonoro pós-produção de áudio: Ewelter Rocha e Mauro Darcio

Imagens adicionais (câmera-bastão): Daniel Hylario, Bob Jay, Michele Fleury

Assistente de fotografia: André Peniche

Som direto: Tomires Ribeiro

Assistente de pesquisa e produção: Nathalie Ferreira

 

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CINEMA DE QUEBRADA

 

Em Cinema de Quebrada, jovens moradores da periferia de São Paulo apresentam o cinema como meio de expressão e de reflexão. Nas quebradas, fazem e exibem vídeos, questionando as representações midiáticas da periferia e construindo novas imagens a partir de suas experiências.
O filme é resultado de uma pesquisa realizada pela antropóloga Rose Satiko Gitirana Hikiji, desde 2004, sobre a produção audiovisual realizada a partir das periferias brasileiras por seus próprios moradores. Da pesquisa e do filme também participam pesquisadores de Iniciação Científica, orientados por Rose Satiko. Acompanhando festivais de cinema, como o Festival Internacional do Curta-Metragem em São Paulo (e a mostra Formação do Olhar), oficinas de vídeo (entre elas, aquelas promovidas pelas Oficinas Kinoforum de Realização Audiovisual), e o trabalho de jovens realizadores em suas próprias comunidades, a pesquisadora teve acesso a um universo de produções e questionamentos que tem como objeto ora a própria periferia e suas representações (nem sempre consideradas representativas pelos seus moradores), ora o mundo, olhado a partir das lentes de quem vive “do outro lado da ponte”. Dentre os coletivos que apresentam suas idéias e imagens no documentário, estão alguns pioneiros do “Cinema de Quebrada” em São Paulo, como o Filmagens Periféricas (de Cidade Tiradentes, ZL) e o Arroz, Feijão, Cinema e Vídeo (Taipas, ZN). Também protagonizam o filme grupos da Zona Sul, que atuam tanto na produção como na divulgação do cinema e de outras formas artísticas nas quebradas, como o Arte na Periferia, o Núcleo de Comunicação Artística (NCA) e o Cine Becos. Os realizadores e exibidores de quebrada apresentam também seus olhares sobre a periferia e o centro – e as pontes e barreiras entre estes espaços . Em suas falas e filmes, percebe-se a força de uma reflexão inédita, em que o cinema é meio de relação e de transformação.

 

Ficha técnica:
NTSC, cor, 47 min, LISA/FAPESP, 2008.
Direção, pesquisa e fotografia: Rose Satiko Gitirana Hikiji
Roteiro e Edição: Karine Binaux Teperman
Finalização: João Claudio Sena
Trilha sonora original e Design sonoro: Ewelter Rocha
Música adicional: Despetalar (O Encanta Realejo) Composição: Aline Reis
Pós -produção sonora: André Ferraz (Estúdio Música Bacana)
Imagens adicionais: Giuliano Ronco, Paula Morgado, Juliana Biazetti
Produção: Laboratório de Imagem e Som em Antropologia (LISA-USP)
Apoio: Fapesp

 

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PERIFERIAÇÃO

 

Documentário sobre a movimentação artística, política e cultural de grupos de jovens moradores em periferias de São Paulo, na zona oeste (Favela do Sapé), zona norte (Brasilândia) e na zona sul. Por meio da música, da produção audiovisual e outras formas de expressão, os jovens anseiam por mudanças nas comunidades em que vivem ou na sociedade como um todo.

 

Ficha técnica:

NTSC, cor, 33 min, LISA, 2009.

Direção, pesquisa, fotografia e edição: Marina Chen

 

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