USP

METAS POR SUB-ÁREAS DO DEPARTAMENTO

1. TEORIA POLÍTICA e PENSAMENTO POLÍTICO

Nos últimos anos, a teoria política contemporânea vem se tornando objeto privilegiado de atenção da sub-área de teoria política e pensamento político, especialmente algumas das correntes que se situam na fronteira da disciplina, como as teorias da justiça e as várias vertentes de democracia deliberativa e de republicanismo. Desenvolveram-se assim duas novas linhas de pesquisa, denominadas Teoria Política Contemporânea e Teoria Política Normativa, que têm por objetivo investigar as ferramentas conceituais e sínteses teóricas atualmente em produção no mundo. Paralelamente, vem crescendo o investimento no estudo do pensamento político clássico grego e romano e aumenta o interesse pelas grandes contribuições do período medieval tardio, a partir do século XIII.

Na perspectiva de médio e longo prazo, a sub-área de Teoria Política não só pretende aprofundar e ampliar as linhas de pesquisa já amadurecidas – relativas à teoria política moderna e ao pensamento político brasileiro e latino-americano – como desdobrar os seguintes campos, ainda incipientes, mas com todas as condições para crescer nos próximos anos:

1- Direitos Humanos, Cosmopolitismo e Justiça Internacional: o investimento de esforços de pesquisa dirigidos para questões de justiça e democracia no âmbito da sociedade internacional e das relações internacionais tem por trás a suposição de que as questões de pobreza, desigualdade socioeconômica, igualdade política e tolerância têm uma dimensão internacional crescentemente importante nas circunstâncias do mundo contemporâneo. A teoria dos direitos humanos, que tem se voltado para algumas dessas questões, ainda tem uma séria deficiência que a fragiliza perante muitos de seus críticos: a indeterminação no que se refere a quem está sujeito às obrigações impostas pelos direitos enunciados na Declaração Universal. A resposta tradicional – os sujeitos dessas obrigações são Estados nacionais, arranjos institucionais domésticos e as autoridades que estão a sua frente – já não pode ser considerada satisfatória. A linha de pesquisa em vias de ser criada na área de teoria política tem por meta investigar, no plano normativo, a existência, o significado e o alcance de obrigações de justiça que transcendem as fronteiras nacionais e, em combinação com outras áreas do conhecimento (sobretudo a de relações internacionais), as condições para o cumprimento dessas obrigações no plano internacional.

2- Metodologia Teórica em Ciência Política (Reconstrução de esquemas conceituais): Esse tema resulta da percepção da necessidade de submeter-se a tratamento mais sistemático e rigoroso os conceitos presentes no exame das grandes tendências do pensamento político e dos autores clássicos normalmente realizado no Departamento. Seu objetivo consiste em estudar, à luz das contribuições mais gerais da teoria da ciência, esquemas analíticos (como as teorias dos sistemas, as teorias do desenvolvimento político, as teorias da cultura e do comportamento político, a historiografia política e das idéias) ou, alternativamente, conceitos nucleares (como racionalidade, poder, legitimidade).

2. POLÍTICA BRASILEIRA e POLÍTICA COMPARADA

O objetivo principal do Departamento na sub-área de Política Brasileira e Política Comparada envolve a consolidação das linhas de pesquisa surgidas no último decênio e, em segundo lugar, a estruturação de pelo menos uma nova área emergente.

Atualmente o Departamento apresenta pelo menos um projeto de pesquisa devidamente estruturado nas seguintes áreas:

  1. Relações entre economia e política;
  2. Estruturas do Estado, do federalismo e da relação entre poderes;
  3. Sistemas partidários e eleitorais;
  4. Políticas públicas;
  5. Comportamento eleitoral e opinião pública;
  6. Cultura política e associativismo.

Há uma clara ênfase comparativa nos projetos desenvolvidos nessas áreas, o que, espera-se, possa ser conservado no próximo decênio. As estruturas, instituições, processos, atitudes e comportamentos observados no contexto local são estudados com base no que se conhece sobre o tema em outros países. Essa ênfase comparativa apresenta-se como uma das características marcantes da disciplina no plano internacional.

Pode-se dizer que essa sub-área do Departamento se encontra consolidada. Atualmente, há quatro Projetos Temáticos da FAPESP coordenados por pesquisadores seus. No tocante às perspectivas desse grupo importa, portanto, aprofundar e ampliar as pesquisas nesses mesmos temas. Entende-se que isso só pode ser feito pela ampliação do número de pesquisadores e docentes envolvidos, pela ampliação das interações com seus pares e, por último, por meio de inovações institucionais.

Um aspecto importante da organização dessa sub-área consiste no esforço para consolidar núcleos que articulem projetos de pesquisa de amplo alcance e congreguem pesquisadores seniores e juniores e estudantes de pós-graduação e graduação, na forma de laboratórios de pesquisa. O primeiro deles, em fase de constituição, é dedicado ao estudo de partidos, eleições e cultura política.

Embora não constitua uma área, na medida em que esta não pode ser dissociada da pesquisa sobre temas substantivos da ciência política, existe uma preocupação crescente com a formação em métodos e técnicas de pesquisa, principalmente na sua vertente quantitativa. Considera-se esta formação de vital importância para o cientista social, uma vez que a disciplina acumula um notável crescimento do uso de modelos matemáticos e da análise estatística em várias áreas da Sociologia e Política. Neste sentido, espera-se não só a ampliação do número de cursos destinados a qualificar os estudantes para a leitura e a interpretação da produção acadêmica em ciências sociais que utilizam algum tipo de formalização matemática e estatística, mas igualmente a articulação com centros de treinamento de excelência na área, no Brasil e no exterior. No Brasil identificamos como parceiros prioritários o Instituto de Matemática e Estatística e a Faculdade de Saúde Pública da USP e o curso de Métodos Quantitativos oferecido pela UFMG. No exterior o objetivo é envio de alunos de pós-graduação para estágios de treinamento no Inter University Consortium for Political and Social Research (ICPSR) e no Institute for Social Research (ISR). Pretende-se ainda propiciar aos alunos de ciências sociais um ambiente educacional adequado para o aprendizado de softwares profissionais de análise de dados, vitais para o desenvolvimento de atividades de pesquisa na área da ciência política. O diagnóstico que sustenta a proposta nessa área é a de que existe uma demanda, não atendida, de treinamento nas técnicas de análise quantitativa nas Ciências Sociais e na utilização das ferramentas estatísticas de uso corrente que tem efeito multiplicador nas demais áreas de pesquisa.

Em conseqüência, as metas do Departamento nessa sub-área são:

  • Manter a excelência de sua produção acadêmica em política brasileira nos temas citados acima, por meio de integração de jovens pesquisadores com bolsas de recém-doutor ou pós-doutoramento e pelo recrutamento de novos docentes especializados nas linhas de pesquisa acima mencionadas. O fundamental para a sub-área é aumentar sua densidade acadêmica, isto é, ser capaz de atrair docentes e pesquisadores que permitam ao Departamento aumentar a sua contribuição científica nesse campo, sempre buscando a sintonia com a melhor produção científica internacional.
  • Dedicar-se de modo sistemático à ampliação e consolidação da abordagem comparada das pesquisas realizadas na área.
  • Manter os seminários de pesquisa mensais em política brasileira e política comparada, iniciados em 1997, com a participação de docentes, pós-graduandos e bolsistas de iniciação científica. Na medida em que algumas linhas de pesquisa ganhem maior densidade, o seminário poderá ser desmembrado de forma a permitir maior especialização temática. Os seminários buscam constituir um ponto de referência intelectual e acadêmico para a área, fazendo com que estudantes e professores discutam trabalhos e pesquisas em curso no Brasil e no exterior.
  • A estratégia quanto à formação em métodos e técnicas de pesquisa será alterada. A sub-área continuará a oferecer cursos que propiciem a formação básica em métodos e técnicas de análise de dados. Esses cursos, no entanto, terão seu formato alterado, na medida em que se vinculem de forma mais clara a temas substantivos. Estudantes interessados em treinamento mais aprofundado e especializado em métodos e técnicas de análise de dados serão estimulados a buscar cursos fora do Departamento, seja na própria USP, seja em programas especializados oferecidos por outras universidades.
  • Constituir, como base desta política de treinamento em métodos e análise de dados, laboratórios de pesquisa estruturados em torno de bancos de dados organizados pelos pesquisadores da sub-área. Exemplos de iniciativas neste sentido são os esforços feitos para tornar disponíveis, para fins didáticos e de pesquisa, bancos de dados comparativos sobre regimes políticos e crescimento econômico, assim como bancos eleitorais, de opinião pública, de produção legislativa e votações nominais restritos ao Brasil. Trata-se de uma inovação institucional que se pretende implantar, mas que depende muito fortemente de apoio e infra-estrutura adequados para que dê frutos.
  • Incentivo à iniciação científica como forma de treinamento inicial de pesquisa para alunos com inclinação acadêmica e como estímulo a continuarem sua formação na pós-graduação. Espera-se que os laboratórios acima mencionados possam se constituir em pólos de organização das iniciações científicas, constituindo-se desta forma em um vínculo de integração mais efetiva entre a graduação e a pós graduação.
  • Manter o estímulo ao estabelecimento de intercâmbio com grupos de pesquisa estrangeiros envolvidos em esforços de análise comparada.
  • Manter a política de contar com a colaboração de pesquisadores visitantes estrangeiros com boa formação e produção em política comparada.
  • Estimular estágios de pós-doutorado no exterior, dando-se prioridade aos contratados mais recentemente.

3. RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Nos anos recentes a sub-área de política internacional vem construindo uma produção acadêmica e de recursos humanos significativa Esse crescimento qualitativo levou o Departamento a fixar a meta de consolidação do ensino e da pesquisa das relações internacionais no seu interior, de acordo com o seguinte plano de ação:

  • Compor, mediante uma política de contratações adequada, um corpo docente e de pesquisadores que assegure a sua institucionalização efetiva como um centro de excelência nacional, que deverá ter por base a pesquisa coletiva e a alta qualidade de seu ensino.
  • No campo da pesquisa, deverá ampliar e consolidar a reflexão de pesquisa sobre os atores não-estatais sociais e políticos que vem emergindo no sistema internacional, num diálogo com as contribuições e a produção intelectual sobre as instituições estatais já existentes no Departamento.
  • Na produção de recursos humanos, o Departamento, embora com uma sub-área de relações internacionais quantitativamente pequena, tem produzido recursos humanos de muito boa qualidade, a maior parte dos quais se encontram alocados profissionalmente em iniciativas públicas ou privadas. É objetivo da sub-área fortalecer uma produção de mestres e, sobretudo, de doutores, compatível com a demanda crescente de recursos altamente qualificados nesse campo de conhecimento.
  • No aspecto do relacionamento inter-institucional, trabalha-se para tornar sistemática a cooperação em iniciativas voltadas para a formação e a pesquisa. Isso deverá dar-se em dois níveis: no âmbito nacional, com centros de excelência em política internacional; e no âmbito internacional, coerente com a política de internacionalização do Departamento, com centros da América Latina, Estados Unidos e Europa de tradição e qualidade em pesquisa e reflexão em relações internacionais. A institucionalização de um programa de cooperação e intercâmbio de professores e estudantes, junto com o desenvolvimento de projetos científicos em comum, revela-se uma via eficaz para atingir essa meta em ambos os níveis.
  • No plano dos recursos de infra-estrutura tem-se primeiramente em vista a consolidação de um acervo bibliográfico denso e atualizado na área de relações internacionais.
  • Consolidar e expandir a pesquisa e a formação no que concerne à política externa e às relações internacionais no âmbito latino-americano.

Elaborado em outubro de 2003 e revisto em março de 2005.