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Há
um quadro de Klee que se chama Angelus Novus. Representa um anjo que parece
querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados,
sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse
aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos
uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única,
que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos
pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos.
Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta
força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o
impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o
amontoado de ruínas cresce até o céu. Esta tempestade é
o que chamamos progresso.1 O
filme Que bom te ver viva2 e o vídeo Os 15 filhos3
buscam colaborar com o desafio proposto pela reconstrução histórica
e democrática no Brasil. São trabalhos que trazem a reflexão
da memória política de período recente, segundo a narrativa
das testemunhas, acerca daquilo que é avesso à compreensão:
a tortura e o desaparecimento político durante a ditadura militar. A idéia
envolvida nestes filmes é a de que as emoções expostas por
meio dos relatos, se devidamente interrogadas, podem proporcionar um sentido para
o inexplicável da repressão. Os sentimentos, compostos por sobras,
fragmentos, interditos e despojos, mobilizam as marcas de uma experiência
na qual "o equilíbrio é impossível, de modo que o sofrimento
é garantido para o resto da vida" (Estrela. In: Murat)4.
A insistência sobre os restos do vivido sob a ditadura tem o objetivo de
extrair uma arqueologia fúnebre, que nos possibilite construir explicações,
à materialidade remanescente dos porões de tortura.
Em Que bom te ver viva, filme longa-metragem, intercalam-se os desejos
e traumas de uma personagem anônima, interpretada pela atriz Irene Ravache,
com os depoimentos de oito ex-presas políticas brasileiras que viveram
situações-limite: a tortura e a prisão. Mais de vinte anos
depois, como vivem essas mulheres? Em sua resposta, mais do que descrever e enumerar
sevícias, o filme mostra os sentimentos que elas viveram, e ainda vivem,
por terem sobrevivido àquelas experiências. Diante de uma sociedade
omissa, seus relatos resistem à idéia do esquecimento, não
por serem uma plataforma política, mas por constituírem a única
forma de dar continuidade às suas existências.
"Detesto fazer as denúncias, mas não
posso viver sem fazê-las", é a fala da personagem central do filme
(Irene Ravache. In: Murat). Os 15 filhos, vídeo curta-metragem,
reúne depoimentos de filhos de militantes políticos de esquerda
que nasceram ou viveram sua infância no período da ditadura militar.
No Brasil se tem, de certa forma, pouco conhecimento dos crimes cometidos durante
aquele período, porém menos ainda se ouviu sobre o que ocorreu com
os filhos dos que lutaram contra o regime. Os bebês, as crianças,
os adolescentes de então, hoje carregam dentro de si os traumas
da violência política; e são
eles que narram suas memórias neste vídeo.
O filme e o curta documentarial, com suas propostas
cinebiografemáticas, fazem transparecer que apesar do (re)conhecimento
público e notório
das violações aos direitos humanos,
ainda não nos inteiramos o suficiente para compreendermos este passado
recente. Hannah Arendt, ao tratar da ruptura entre passado e futuro causada pelo
impacto do totalitarismo, aponta para o empobrecimento da experiência e
a debilidade da memória em uma sociedade herdeira de regimes de exceção:
Estamos
ameaçados de esquecimento, e um tal olvido – pondo inteiramente de parte
os conteúdos que se poderiam perder – significaria que, humanamente falando,
nos teríamos privado de uma dimensão, a dimensão de profundidade
na existência humana. Pois memória e profundidade não pode
ser alcançada pelo homem a não ser através da recordação
(Arendt 1997: 131). Para
evitar a falta de significações do passado na reconstrução
de democracias nascentes, Arendt propõe o recurso à modalidade do
pensamento que permite o desvelamento das experiências vividas, ou seja,
a compreensão. O sofrimento pelo qual passamos em nossa existência
somente pode ser absorvido e transformado em experiência se pudermos conceder-lhe
publicidade, o que nos filmes se traduz com a narrativa em condições
de liberdade, com a possibilidade das vítimas e testemunhas serem ouvidas
e vistas pelos outros. A compreensão é uma "atividade interminável,
a maneira especificamente humana de estar vivo" (Arendt 1993: 39). É por
isto que nos causa grande impacto o testemunho dos sobreviventes nestes filmes.
No caso dos relatos sobre os desaparecimentos forçados, a situação
fica ainda mais aguda, pois é "difícil aceitar uma morte que não
é material; e mais difícil ainda é a imaterialidade da vida"
(Tessa. In: Soares et Nehring), diz Tessa Lacerda sobre o pai que nunca conheceu.
É a constituição do vazio na história – "os desaparecidos
são um hiato em minha vida, um período entre parênteses" (Criméia.
In: Murat). Apesar de, em vários momentos, as narrativas se constituírem
por meio de detalhes aparentemente triviais (a lagartixa na parede da cela, o
olhar de um desconhecido no assalto ao banco, uma fotografia antiga do pai com
3 anos de idade, a bandeira vermelha no quarto da mãe etc.), são
estas minúcias dos relatos que permitem a inserção do espectador
na história política da época, a compreensão dos sentimentos
envolvidos. A importância
das particularidades estão em não permitir que se transforme algo
real em mitológico, inversão ocorrida em muitos trabalhos de historiadores,
na abordagem da história oficial e mesmo na visão de boa parte da
esquerda. Tomamos o termo mito como "a solução imaginária
para tensões, conflitos e contradições que não encontram
caminhos para serem resolvidos no nível da realidade (...), que cria um
bloqueio à percepção da realidade e impede lidar com ela"
(Chauí: 9). O uso do mito encontra-se tanto na história que se procura
impor, para que se esqueça aqueles tempos e não se construam as
narrativas – "contra a ficção do Gênio maligno oficial se
impõe o minucioso relato histórico e é de boa mira neste
alvo que depende o rigor do discurso"5 –, quanto no imaginário
que criamos para nós mesmos a fim de suportar o inexplicável da
tortura – "para mim, meu pai era como um herói de gibi" (Gregório.
In: Soares et Nehring). Não se trata, é claro, de desmerecer as
ações de grande coragem daqueles jovens que se propuseram, em situação
de extrema inferioridade, a enfrentar a repressão movidos por ideais. No
entanto, tratá-los hoje como parte de um mito somente contribui para nos
afastar da possibilidade de compreensão de suas lutas. "Esse negócio
de guerrilha e tortura, hoje, parece um conto de fadas. E isso nos distancia da
realidade. Para meus sobrinhos, filho e amigos deles, eu sou uma espécie
de contadora de estórias" (Criméia. In: Murat). Do contrário,
há ainda o risco do constrangimento, como assinalado em um dos depoimentos
de uma filha que não conheceu o pai, desaparecido, de se criar "uma imagem
gigantesca que até oprime" (Tessa. In: Soares et Nehring). A identificação
entre a sociedade atual e os eventos passados e a produção de significados
para o tempo presente e futuro depende do conhecimento dos sentimentos, desejos
e aspirações dos seres humanos envolvidos. Sejam eles as vítimas,
presentes nos filmes, sejam os carrascos, que no processo de transformação
da história em mito aparecem em confortável situação
de monstros. Eram homens. Tinham e têm endereços, possuem uma vida
cotidiana, vivem em famílias e, principalmente, sabem de parte da história
que as vítimas e a maior parte da sociedade desconhecem. Nos
filmes podemos ainda observar que o uso de imagens de arquivo, tais como fotos
de pessoas mortas ou torturadas, salas de tortura etc, praticamente não
são utilizadas. É como se estes documentos não tivessem o
que dizer, foram usados várias vezes em outros momentos e, por outro lado,
parecem já ter sido banalizados pelas imagens semelhantes das delegacias
e sistema penitenciário atuais. Será que eles não perderam
sua importância enquanto verdade documental, se foi habituando aos seus
horrores? O que vemos, fora o depoimento das personagens, são fotos dos
locais por onde as pessoas envolvidas passavam, tais como o estacionamento da
DOI-CODI6, em São Paulo; ou então, os caminhos atuais
que os sobreviventes dos filmes percorrem atualmente em seu cotidiano: sindicato,
hospital, moradia, cinema, restaurante etc. Por
outro lado, a publicidade criada por estes filmes, o espaço e o tempo público,
objetivada pelas narrativas, mostra que a relação entre memória
e esquecimento demanda a existência também do documento. Este desempenha
a função de dar a força que irá se contrapor às
imposições do esquecimento. Esse tipo de documento se distingue
do documento histórico tradicional, precisamente por trazer as histórias
pelo depoimento direto de quem as viveu. A memória das violações
aos direitos humanos formatada por políticas de Estado, passagem do tempo,
ideologias, o cansaço do ressentimento, se vê reduzida aos livros,
arquivos e placas comemorativas, desprovida dos recursos que dispõem os
relatos e narrativas de recombinar finais e começos, alterar pausas, rebobinar,
sem qualquer subordinação a ordens pré-concebidas. Esses
entrecruzamentos da narrativa capacitam a memória como o (re)colher e o
(re)criar de reflexões críticas alternativas à continuidade
programada das instituições. Estes
aspectos subjetivos indicam não uma preparação para a montagem
de um filme sobre histórias individuais, mas um cuidado para apresentar
o concreto da história, remontada a partir da perspectiva da emoção
e do sentimento e objetivando o registro material da época. Claudine Haroche,
pesquisadora francesa do conceito de ressentimento, observa a relevância
dessa abordagem para a análise política:
O ritmo, o
tempo dos sentimentos individuais, a maneira de sentir, de reconhecer os próprios
sentimentos, de manifestá-los e, talvez ainda mais, de sufocá-los,
negá-los, calá-los e recalcá-los são essenciais para
a elucidação dos mecanismos políticos (Haroche: 344-5). Talvez
uma das questões que percorre o filme seja: o que resta desse passado no
presente? O fato é, e os filmes nos mostram isso, que mesmo diante do horror
a vida continua e expressa isto por meio da existência cotidiana. Aquilo
que menos conhecemos dos tempos de repressão, os detalhes e sentimentos,
aparecem em primeiro plano nestes filmes; é o plano do trivial, das pessoas
comuns, que nos aproxima, via humanização das personagens envolvidas,
ao incompreensível. Beatriz Sarlo, pensadora argentina, ao fazer analogia
dos eventos do nazismo com a ditadura militar argentina mediante a análise
do filme Shoah7, define este processo de relacionamento
dos tempos, entre memória e esquecimento:
(...) Justamente
por poder restituir uma noção concreta de tempo que o esquecimento
oblitera num fluxo de desastres cuja repetição os condena a perderem
seu caráter individual e, portanto, a se integrarem num relato convencional,
repetitivo, hipercodificado: uma narração cuja letra conhecida destrói
o estranhamento e a distância (Sarlo: 41). Daí
a importância da idéia de arqueologia, já suscitada no início
deste texto; ela se encaixa aos trabalhos em questão por sua prática
de reconstruir o ser a partir do osso ou, neste caso, de compreender os eventos
históricos por meio dos fragmentos narrados pelas testemunhas e sobreviventes.
Os filmes em questão não se propõem a finalizar os relatos
com alguma espécie de proposição conclusiva ou instrução
para a ação; antes, eles mantém seu caráter narrativo
e impulsionam no espectador um processo reflexivo, uma abertura sobre como podemos
ressignificar o horror da tortura e do desaparecimento e assassinato políticos
em um sistema democrático. Pode-se observar que o relato de como os sobreviventes
das violações aos direitos humanos é recebido nos tempos
atuais difere em cada indivíduo, mas em geral sofre de uma recepção
constrangedora. Nas palavras da ex-presa política Estrela Abohadana:
Existe
um grande silêncio quanto à tortura. Não sobre o relato de
como se faz uma tortura, isso me parece que foi muito explorado. Há um
silêncio de como as pessoas que foram torturadas vivem isso internamente.
Então, as pessoas até suportam saber que você foi torturada
e até sabem o que é uma tortura. Mas o que elas não suportam
ouvir é como que você se sente e qual foi sua experiência emocional
interna diante da tortura (Estrela. In: Murat). Parece
haver duas reações básicas aos relatos sobre a tortura e
a violência política: por um lado, com mais freqüência
por parte de pessoas menos esclarecidas politicamente, mas não somente
estes, se considera a retomada dos fatos do passado como um ato de revanchismo
ou ressentimento – "quando a gente fala dessas coisas parece que somos rancorosos:
'não consegue esquecer', 'já vem falar de novo neste assunto'
" (Rosalina.
In: Murat) –; por outro lado, e aqui se inclui principalmente as pessoas que se
solidarizam com as vítimas, ocorre um sentimento de compaixão tão
forte que chega a constranger a pessoa que faz o relato – "ninguém quer
ouvir, ou aqueles que escutam se mobilizam tanto que gera um constrangimento.
De modo que você se pergunta: qual o direito que você tem de mobilizar
tanto uma pessoa?" (Estrela. In Murat). Dessa forma, as memórias doloridas
daqueles tempos acabam por ser reduzidas à dor, apenas emoções,
sem expressão pública no novo espaço institucional de retomada
democrática, construído justamente sobre a denegação
delas. Se durante a ditadura o embate político de resistência necessariamente
ocorreu por meios clandestinos, se privando da cena pública, hoje, a memória
daqueles que sofreram com a repressão, que procuravam transformar a coisa
pública, se vê reduzida à cena privada das lembranças
dos sobreviventes, testemunhas e seus familiares – "a tortura não é
uma questão épica, é feia e, portanto, as pessoas têm
medo de pegar essa bandeira, que ficou então com os familiares, o que deixa
a coisa com um jeito de caça às bruxas, meio isolado, tipo aqueles
caçadores de nazistas" (Rosalina. In: Murat). Quando
se trata do conhecimento, essencialmente subjetivo, produzido pela memória
de passado doloroso, nunca se pode dizer que já se sabe de tudo, nem mesmo
se pode resignar a ter um conhecimento parcial, que ao mesmo tempo é inimigo
da memória. Aceitando-se o saber em partes, incompleto, aceita-se o esquecimento
forçoso gerador de recalque e ressentimento. E o consentimento do esquecimento
leva ao passo seguinte, que não é necessariamente o da repetição
(um novo golpe militar, outro regime de exceção, a tortura etc.),
mas a renúncia de valores que a repressão esforçou-se por
destruir (Sarlo: 42). Diz um dos relatos: "a sociedade me deve alguma coisa, pois
se não tivesse deixado o golpe acontecer eu não teria sofrido isso"
(Janaína. In: Soares et Nehring). Juntamente com o esquecimento, que desloca
problemas públicos para a esfera dos assuntos privados, ocorre o esfriamento
das relações democráticas e o investimento na política
sofre considerável redução. Portanto, a volta às questões
do passado autoritário, não é uma mera ação
de reconstrução de memória factual ou de repressão
às vítimas, em uma simples presentificação do passado.
Quando estes filmes respondem à pergunta sobre o que resta do passado no
presente, eles realizam um trabalho prospectivo. A partir do relato sobre o que
foi feito, possibilita-se a reflexão do pensamento, e consequentemente
a novidade da ação criativa, sobre o que se pode fazer. Trata-se
de realçar a "pulsão que se dirige ao que fomos e ao como fomos
e ao que deixamos de ser e ao que e como seremos daqui em diante" (Sosnowski:
15). Há
um paradoxo no testemunho dos sobreviventes: se, por um lado, é imperativo
a narrativa, por outro, há a percepção angustiante dos narradores
de que a fala não pode expressar completamente a experiência vivida.
O interlocutor parece não estar preparado para ouvir aqueles assuntos ou
para capturar toda a dimensão do real, alguns sequer podem ouvir os relatos
com atenção suficiente. Se é verdade que o luto da experiência
somente pode ocorrer através da narrativa, o dilema do sobrevivente ainda
persiste no caráter irreconciliável da mediação entre
a experiência e a narrativa. O trabalho de luto realizado pelos relatos
públicos funcionam pela troca do objeto que foi perdido, por um objeto
substituto que, de certa forma, é indiferente ao processo desencadeado.
Nestes termos, parece que chegamos a uma aporia: a narrativa propicia o luto,
mas não resolve o sentimento de perda nos que sofreram com a violência
política. Para o real do corpo torturado, memória física,
não há deslocamento. O real do corpo torturado é para sempre,
como cicatriz. No entanto, nutrindo-se de uma recordação enlutada
que tenta superar os traumas da ditadura, a prática da narrativa dos sobreviventes
leva consigo a semente de uma energia restauradora de uma alegria passada, hoje
impossível. Tal
como o anjo benjaminiano da história, que olha para o passado, na imagem
dos escombros e ruínas, num esforço para redimi-los, enquanto é
empurrado para frente pelos ventos dos novos tempos,
existe uma relação com um objeto
perdido,
um olhar retroativo necessário para que estas pessoas possam aferir o momento
vivido como tempos passados, distantes e mortos, como que fornecendo uma materialidade
ao objeto perdido, para daí realizar o luto e colocar-se diante das novas
implicações do tempo presente. Assim, a aporia da perda indica que
o luto inclui um certo apego aos traços do passado, uma esperança
de salvá-lo, a partir da qual se realoca, a cada momento da narrativa,
um lugar para o que se perdeu e outros lugares para o que se tem agora e o que
se pode ter no futuro. Somente o enfrentamento com o luto pode abrir um espaço
para a produção de desejos que não sejam apenas sintomas
de perda. A única possibilidade de não repetição eterna
dos sentimentos de horror da tortura política é a própria
apresentação pública daqueles horrores. O desejo pelo luto
torna-se um luto pelo desejo (Avelar: 258-9). A
importância da compreensão do horror da ditadura
está no fato de que tais eventos deixam
marcas não somente nas vítimas, mas em toda a sociedade, na medida
que postergam os traumas e abalam nossa confiança nas instituições
e relações políticas, do mesmo modo que criam a dúvida
com relação aos valores e pre-conceitos, prejudicando nossa capacidade
de ação. Nas sociedades com herança autoritária, a
democracia é ameaçada pela eliminação da memória
e também pela perda de seus valores. O que procuramos demonstrar neste
texto é que a opção da narrativa, ao re-significar os conflitos
do passado com as experiências do presente, fornece publicidade àquilo
que corrói a sociedade, por dentro, abrindo a possibilidade de uma ação
política inovadora e criativa, dentro de um agir democrático. |