AGRADECIMENTOS


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É bom apresentar um trabalho e ter tanta gente por agradecer. Uma lista exaustiva seria maior do que o volume que ora se apresenta. É bom salientar, também, que, nem todos, dos abaixo arrolados, endossariam todas as afirmações da tese e muito menos suas lacunas e equívocos.

A pessoa mais digna de agradecimento é Janice Theodoro da Silva. À orientadora, à amiga e ao piloto do bucentauro historiográfico dos descobrimentos, vai o meu obrigado. Em geral empregada como metáfora, a expressão seguinte é absolutamente fática : sem Janice não haveria esta tese. Ela foi paciente e afetiva, mas, acima de tudo, foi correta. Correta mesmo quando não era mais necessário sê-lo.

Também muito devo ao companheiro das galés bibliográficas, Dr. Sérgio Bairon Blanco Sant 'Anna , debatedor incansável, crítico arguto, hábil retórico da ciência de Michelet e amigo na plena acepção da palavra. Seu apoio teórico, fraterno e cibernético foi central nesta obra.

Agradeço muito em particular à Dra. Elisa Angotti Kossovitch , tão semelhante em saber a Sor Juana e Clavijero, generosa e douta, amiga importante em vários momentos, especialmente com o seu nominalismo pertinente.

A dra. Laura de Mello e Souza, com seu poder taumatúrgico, curou várias escrófulas do trabalho. Seu curso e nossos contatos posteriores foram decisivos, livrando-me de várias "persistências ínferas"....

Uma parte importante da pesquisa foi financiada pela FAPESP e outra pela Capes, pelo que sou grato.

Muitos outros, com gratuidade e afeto colaboraram nesta empreitada. A estes agradeço em particular : a D. João da Cruz OSB (in memorian) que trouxe tanto das minhas luzes beneditinas ; ao Pe. Hélio Abranches Viotti SJ, o mais dedicado estudioso da figura de Anchieta ; ao Dr. Serge Gruzinski , de quem ouvi tantas novas "epistèmes chartistes" ; ao Dr. João Adolfo Hansen , o melhor hermeneuta que conheço e suas ricas sugestões ao trabalho ; ao Dr. Héctor Bruit, bem mais honesto que o Ordinário dominicano de quem ele tanto gosta ; aos funcionários do Archivo General de la Nación, no México, que forneceram tantas luminárias para os labirintos escuros e infindáveis daquela prisão; e à profa. Vera Maciel Barrozo, que não concorda com nada do que digo, mas gosta muito de mim e, por fim, ao Dr. Amos Segalla, que me mostrou que é possível fazer da cultura formal um lugar divertido.

Também foram fundamentais as aulas dos doutores : Nicolau Servcenko, Francisco Murari Pires, Hilário Franco Júnior; Pe. Milton Valente SJ (in memorian) ; Helga Iracema Landgraff Piccolo ; Beatriz Vasconcellos Franzen; José Alberto Baldissera e , particularmente, as aulas da Irmã Eloísa Travassos Alves que me ensinou a garimpar com paciência e método.

Amigos arcanos meridionais são dignos de nota : Simone, companheira antiga de jornada e convicta do cartesianismo do seu universo de Pirandello e a Virgínia ,que acaba de descobrir que o faiscamento pode render mais do que a lavra.

Agradeço igualmente aos amigos da fase paulistana que me toleraram neste período : Renata Sant'Anna (alma boníssima); Margareth P. Ferreira (crítica atilada e pedagoga brilhante) ; Sônia Ramalho (oposição aristotélica ao meu platonismo) ; Carlos Pelicia (contraponto feliz e epicurista ao meu pretenso estoicismo); Fernando e Lídia ( família como uma pereira umbelífera e afetiva); Mauísa (que acredita no que faz) ; Carolina Mota ( junção de Terpsícore e Melpômene) e Tereza Mota ( filha de Érato) ; Dante e Beatriz Galleanni (os únicos católicos com menos de 50 anos que eu conheço) ; Zeuler (um portento do saber de Brunelleschi e amigo de Babel) ; Brenden (vento boreal lacustre cheio de interioridades ) ; Rodrigo e Ana Lacerda ( uma ponte agradável entre a cerâmica e o bardo inglês ) , Valderez (valquíria biófila e habilíssima na língua de Chaucer) e meu colega Henrique, que como o duque Próspero da Tempestade faz de seu mundo "ducado suficiente". Agradeço em especial à Marinez, ela sabe o porquê.

Há também trabalhadoras incansáveis como Isabel Gomes , que faz mais pela cultura cozinhando do que eu fiz escrevendo. Há em especial Maria José, rica na sabedoria mineira e fundamental na minha vida paulistana. Várias vezes ela lembrou-me que havia vida fora destas páginas.

À Rose, alma gêmea, inimiga do conceito central desta tese (Representação), agradeço por vários motivos. Só me resta redargüir, querida irmã : a lenda ganhou matéria! Também meus irmãos de sangue e afeto colaboraram de muitas maneiras : Adão, César, Renato, Marisa e Adriana. Entre eles, na úbere umidade germânica de São Leopoldo, aprendi muitíssimo.

Por fim, há meu pais, Renato e Jacyr, causa primeira deste esforço. A eles dedico esta pesquisa. Única referência permanente no meu mundo, tentei ser digno em relação a tudo que me foi dado. Obrigado.

DESCULPAS

Há um pedido formal e pouco ortodoxo de desculpas. Por anos tratei da vida e da obra de missionários, índios, autoridades e dezenas de personagens que fizeram a América do XVI. Sentado na poltrona , algo omissa , da pretensão antropológica moderna, apontei seus defeitos de forma seca. Observei vidas e acusei violência e intolerância nelas. Analisei ideais associando-os a maquiavelismos corporativos ou planos conspiratórios das ordens religiosas. Cortei com faca gélida a vida caleidoscópica e plena de ardores, de tantos homens do XVI. Historiador, estabeleci ilações que soariam estranhas ou até ridículas aos olhos dos meus analisados.

A estes homens, em particular Anchieta e Mendieta, companheiros de dezenas de noites e manhãs, amigos fraternos a quem não pude dar a possibilidade de defesa ou a réplica que suas inteligências notáveis fariam, eu peço desculpas. Mesmo discordando de métodos ou de posturas filosóficas, restará sempre minha admiração por quem vive intensamente a idéia que abraçou. A estes homens abnegados e, em particular, às multidões de índios que viveram no espaço americano, a todos os beneficiados e a todas as vítimas da ação da Igreja, eu peço desculpas.

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