Francisco
Marshall e
Francisco
Murari Pires
Apresentação
1.
Introdução
Do
ponto de vista epistemológico, é necessário que se distinga o estudo do herói,
tal como inaugurado na própria antigüidade, do estudo sistemático do mito do
herói, da forma como proposto a partir do século XIX e até hoje em
desenvolvimento. No primeiro caso, como nas tradições dominantes até o século
XIX, aspectos de carisma, liderança e grandeza são diretamente contemplados,
fazendo-se, muitas vezes, a correlação possível com a situação dos poderes
e lideranças políticas do plano histórico, inclusive de um ponto de vista crítico
(como, e.g., no caso de Luciano de Samósata),
mas freqüentemente expressando admiração. Esta tradição, muito
diversificada, estende-se até a obra de Thomas Carlyle (On Heroes, Hero-worship and the Heroic in
History), publicada em 1841, e que exatamente consolida um plano de
descrição e celebração da grandeza de lideranças, em sua relação histórica
com as tradições do herói, inclusive as religiosas. Este tipo de leitura, aliás,
não obstante a evolução da crítica humanística, continua a ser praticado até
os dias atuais, como ideologia política ou ingenuidade hermenêutica.
Um novo capítulo inaugurou-se com as obras de Edward Tylor (1871) e
Johann Georg von Hahn (1876), quando o mito do herói passou a ser submetido a
um tratamento analítico mediado por métodos e categorias típicos do
cientificismo do século XIX, em que, pondo-se diversas mitografias em contexto
comparativo, esperava-se obter leis e padrões de recorrência. No primeiro caso
(Tylor), era buscada a correlação entre os mitos de heróis e estruturas
mentais recorrentes; este foi um princípio efetivo para todas as demais
abordagens do mito do herói desenvolvidas no âmbito da psicanálise, em
especial na obra de Otto Rank, discípulo de Freud[1].
Von Hahn, por seu turno, enfocando especialmente o mundo ariano, dá início ao
trabalho de decomposição dos episódios recorrentes dos mitos de heróis,
identificando similaridades visando a descrição de padrões e tipologias. A
descrição dos episódios e sua ordenação em uma estrutura tornaram-se, após
isso, um padrão da análise, reafirmado e modulado em vários momentos, mas até
hoje eficiente como critério para o indiciamento da presença, no todo ou em
parte, do mito do herói.
Nesta fecunda vertente do humanismo, que terminou por envolver vários
campos da Lingüística, da Antropologia, da História, da Psicologia, da
Sociologia e da Ciência Política, deve-se destacar, acima de tudo, o marco
referencial de Vladimir Propp (1997; original: 1928), célebre por sua análise
estrutural do conto maravilhoso russo, onde o herói aparece em meio à sucessão
dinástica. A estrutura de episódios de Propp afasta-se um pouco do padrão
histórico do mito do herói, mas o método de análise, de tipo estruturalista,
é basicamente o mesmo praticado por folcloristas no Ocidente, tal como no caso
de Lord Raglan (1956), da escola mito-ritualista de James Frazer, a quem devemos
um dos mais abrangentes trabalhos de compilação e análise comparativa do mito
do herói. Este tipo de abordagem, decompondo a estrutura de episódios e
identificando os elementos comuns ou universais em contextos mitográficos
variados foi desenvolvido também por De Vries (1963), Binder (1964) e Sellier
(1970), entre outros. Nem sempre há concordância na quantidade de episódios
destacados e em sua definição, mas há elementos recorrentes que asseguram ao
menos um núcleo consensual de momentos da trajetória do herói. Aqui não
caberá realizar esta síntese, por razão de espaço e por ser ela própria um
dos objetivos do presente projeto de pesquisa.
Abordando o mito do mago também a partir do mesmo viés de segmentação
da estrutura episódica recorrente, o trabalho de Butler (1993) oferece uma
referência comparativa a mais, evidenciando o quanto o mito de herói e seus
correlatos pertence a uma tradição cultural mais ampla, firmemente plantada em
estruturas de narrativa reproduzidas em plano trans-histórico. Esta tradição
de estudos tem, mais recentemente, um corolário na obra de Alan Dundes (in
Segal, 1990), o qual, ao examinar o paradigma atual da análise do padrão heróico,
compara e sintetiza criticamente as mais relevantes propostas de decomposições
episódicas (Von Hahn, Rank e Raglan). A partir deste paradigma, como
folclorista, Dundes volta-se para uma das problemáticas mais pródigas e
arriscadas dos estudos do mito do herói: a vida de Jesus, um tema cuja moderna
abordagem historiográfica vem se desenvolvendo desde o princípio do século
XIX, com a obra de David Friedrich Strauss, Leben
Jesu (1835, cf. Dundes in Segal, 1990: 183), não sem grandes riscos e
problemas, como diagnosticado por Schweitzer (1968).
Antes
de Dundes, a biografia de Jesus Cristo já fora posta em plano histórico e
comparativo, junto a biografias de heróis, também por Moses Hadas e Morton
Smith (1965), os quais trouxeram para o estudo do mito do herói a análise dos
gêneros literários relacionados à memorialização e celebração do herói
no contexto da Roma imperial: a biografia e a aretalogia. Este segundo gênero,
desaparecido junto com muitos costumes sociais da Roma antiga, tratava da
celebração de biografias de Deuses e heróis, com fins lúdicos e didáticos,
muitas vezes como récitas em banquetes e festividades; assegurava, por isso
mesmo, divulgação bastante significativa. A biografia, por seu turno, surgida
no alvorecer do Império Romano e logo consolidada como gênero, sob a pena de
Plutarco e outros seus contemporâneos, especializou-se como formato próprio
para a perpetuação das memórias e narrativas que aqui diretamente nos
concernem: vidas de heróis. Ao contrário do ensejado por Momigliano (in Finley,
1989: 166-95), entretanto, interessa-nos aqui não a proximidade entre biografia
e história, mas sim as correlações com outros suportes de memorialização,
como a épica, o drama e os evangelhos, narrativas relacionadas ao mito do herói.
Além
da biografia e da aretalogia, um terceiro gênero, típico da Antigüidade
Tardia, pode nos levar ao encontro dos dados biográficos de tipo heróico: o
panegírico e formas correlatas de encômio, onde exatamente se destacavam os
feitos e virtudes de autocratas e de autoridades eclesiásticas, tendendo a se
aproximar de padrões de celebração e memorialização típicos do mundo
greco-romano. Dirigidos a cristãos e pagãos, e igualmente escritos por cristãos
e pagãos cientes de sua identidade (como, e.g.,
Juliano e seu panegírico de Constâncio), estes discursos abrem-nos a
possibilidade de se verificar intromissões de significados entre classicismo e
cristianismo, relacionados à trajetória de glória imperial e, por
conseguinte, flertando com o mito do herói. Cabe aplicar a este corpus
documental os princípios do método comparativo, em busca dos episódios e
referências que nos esclareçam quanto à presença ou não do mito do herói,
e, em caso positivo, em que grau e com que impacto social e histórico.
A
reflexão contemporânea sobre o mito do herói está informada não apenas por
estas tradições hermenêuticas desenvolvidas no campo dos estudos de mito e
folclore em plano comparativo, mas também pelos interesses advindos de outros
campos das Ciências Humanas, notadamente da Ciência Política e de certa
vertente da historiografia relacionada à história política (Félix &
Elmir, 1998), interessadas, especialmente, nas categorias de liderança construídas
sobre a plataforma de significados oferecida pelo mito do herói, em uma tradição
plenamente atuante como ideologia política, inclusive no Brasil contemporâneo.
Efetivamente, o estudo do mito do herói oferece como resultado códigos de
informações extremamente proveitosos para a compreensão de múltiplos
contextos, em especial aqueles em que se destaca algum grande líder, ocasião
em que logo aparecem, cooperantes, as ideologias de poder presentes no mito do
herói.
É
essa recorrência do mito que exatamente confere o grau de relevância histórica
e social para seu estudo ostensivo, pois permite que se desvelem, a partir das
matrizes conformadas na antigüidade, os princípios que regem a transmissão
deste código de ideologização do poder para contextos históricos
posteriores, até a contemporaneidade. Abre-se o campo, ao final, para a
posterior decifração dos diversos horizontes de recepção do mito do herói,
com o que muitas vezes mais se evidenciará o caráter seminal da experiência
histórica clássica e sua permanente atualidade.
2.
Interrogações Críticas
Nesse
século e meio de investigações modernas, de meados do XIX a fins do XX, por
variados enfoques analíticos e hermenêuticos (historiográficos, psicológicos
ou psicanalíticos, antropológicos e etnográficos, folclóricos, literários),
a teleologia dos estudos orientou-se primordialmente por determinar o padrão
biográfico estrutural (seqüência dos episódios típicos de vida) subjacente
(e, portanto, supostamente determinante) às tradições narrativas que
memorizaram os mitos, as lendas e as histórias de inúmeras figuras heróicas
da Antigüidade.
O
empenho analítico foi sempre desenvolvido no sentido de constituir
epistemologicamente o padrão heróico, quer primeiro o estabelecendo por operações
indutivas a partir de um dado corpus documental reduzido (recorte empírico
de conjuntos seletivos de tradições documentadas), quer logo também ampliando
seus horizontes de constatação por aplicação a novos conjuntos documentais não
contemplados de início, num movimento de aspirações universalizantes.
Tratou-se, essencialmente, de identificar os traços ou elementos tópicos
comuns ou similares empiricamente constatáveis nas tradições de episódios
biográficos das mais variadas figuras heróicas, com destaque especial para as
tradições históricas (míticas ou lendárias) dos heróis fundadores (de
cidades, reinos, dinastias, impérios, religiões, instituições culturais).
Assim aproximaram-se e correlacionaram-se as histórias (mitos e lendas) de Sargão
de Accad, Moisés, Édipo, Perseu, Ciro o Grande, Cipselo, Rômulo e Remo, Jesus
Cristo, Judas Iscariotes ... e muitos, muitos outros personagens, cujas tradições
biográficas constatassem a manifestação do padrão heróico a estruturar suas
respectivas memorizações de narrativas “biográficas”. A ambição
epistemológica por que se mobilizaram tais estudos foi a de apreender
empiricamente o arquétipo original subjacente e fundante de todas elas, assim
atualizado historicamente nas mais diversas, e mesmo afastadas (espacial e
cronologicamente) culturas e povos. Algo como o arquétipo do imaginário heróico
da humanidade, pelo qual respondem as narrativas tradicionais de todas essas
culturas e povos.
Paralela
à constituição epistemológica do padrão caminha sua consciência crítica,
quer, por um lado, no sentido de afirmar ou corroborar sua consistência e
operacionalidade investigativa uma vez postulada sua universalidade como a
resolução de tese hermenêutica para as similitudes e identificações
constatadas, quer, por outro, a antes apontar ainda suas limitações,
especialmente metodológicas de derivação, quer por insuficiências quer por deficiências analíticas. O que nos
leva a uma série de interrogações.
Assim,
de fato, tem-se propriamente um ou o padrão heróico, ou antes
proposições de padrões originariamente distintos (Hahn, Rank, Raglan)
e, ainda, recompostos, recombinados
e mais ou menos sinteticamente reformulados (Butler, Sellier, Poucet, Dundees,
Cornell)?
Os
distintos padrões tendem a atrelar-se a seus precípuos recortes empíricos de
documentação, sendo a eles mais propriamente adaptados ou condicionados em sua
aplicabilidade? E qual o alcance desta aplicabilidade? Antes restrito, assim
implicado na medida em que sua melhor precisão e rigor vale mais ou menos para
cada figura heróica dependendo de sua maior ou menor afinidade ou similitude
com uma figura heróica modelar que o fundamenta? A tendência é a de que os
mitos de memorização clássica grega (dentre eles especialmente o de Édipo)
projetem tais modelos? De uma figura heróica para outra a constatação da
atualização do padrão varia em maior ou menor grau, não apenas em termos de
presença contra ausência de determinados tópicos, mas também de diversas
ordenações seqüenciais na trama de alguns deles?
Por
outro lado, o padrão universal postulado é antes avaliado não pela sua
plenitude integral de estruturação episódica, mas sim pela verificação de
apenas um ou outro de seus tópoi
constituintes (a criança exposta, o nascimento de uma virgem, a amamentação
por animais...)? A validade da verificação “universalizante” deste tópico
singular projeta ou induz ou mesmo implica a do padrão como um todo, a qual,
todavia, não se verifica empiricamente?
Qual
a consistência, em termos de historicidade (moderna versus antiga), de
conceber-se a estruturação episódica do padrão segundo uma seqüencialidade
linear que responde por uma idéia de cronologia biográfica da figura heróica?
Assim, a somatória compósita dos diversos relatos que narram fatos (míticos,
lendários ou históricos) respeitantes a uma dada figura (referida pelo nome Édipo,
por exemplo), supõe a eles subjacente uma concepção fundante de “vida ou
biografia” por ordenação de seqüenciamento cronológico linear que aparece
apenas fragmentaria e parcialmente memorizada naqueles distintos relatos, que
assim se complementariam e suplementariam na memorização da “vida” do herói?
E
estariam os relatos dos mitos, lendas e histórias das figuras heróicas supondo
uma cronologia estruturadora do seqüenciamento das distintas etapas de
temporalidade de vida ou existência das mesmas? Respondem tais relatos episódicos
tópicos por nossas categorias de acontecimentos e de períodos?
Para
a inferência indutora dos acontecimentos ou fatos típicos da “vida” do herói
a partir dos diversos relatos que os documentam, a análise inevitavelmente
opera por procedimentos redutores dos informes memorizados - quer obliterando
especificidades diferenciadoras entre eles quer ignorando as distinções de óticas
sobrepostas por que se narram diversamente os acontecimentos (sejam pelas falas
dos diferentes sujeitos-personagens representados ou narrados sejam pelas
memorizações dos distintos sujeitos-autores dos textos memorizantes em sua
historicidades específicas) – antes assimilando, por supressão das diferenças,
apenas os informes referenciadores de um suposto fato unívoco homogêneo?
Em
termos mais gerais, os mitos, assim estruturados em conformidade com a tese do
“arquétipo”, supõem estruturas psíquicas profundas, universais,
panculturais, a-históricas (assim como a linguagem?), produtos de uma forma
particular de pensar ou (des)organizar o tempo e o cosmo e ao mesmo tempo
estruturas ordenadoras da matéria do pensamento (ver Mauss, Lévi-Strauss,
Vernant...)? Ou, do contrário, são produtos da cultura também e mesmo em
termos dos arcabouços que os sustentam e organizam? Há culturas sem mito? É
possível falar em mito na (pós-)modernidade?
Outras
interrogações procuram situar a problemática da categoria do heróico no âmbito
das representações ideológicas das figuras institucionais de poder, consoante
suas diversas dimensões históricas de memorização. O polo de reflexão
inaugural respeita certamente à Antigüidade, quer Oriental quer Clássica.
Todavia, não se restringe exclusivamente a ela, pelo que intenta-se ampliar a
área da reflexão por outras temporalidades cujas representações acerca da
questão do poder assumam configurações de similitude, quer concordantes quer
dissonantes, com os delineamentos
da categoria do heróico na sua configuração histórica antiga.
3.
Proposições e Atividades
A
teleologia do presente projeto não postula, de princípio, nem a pretensão de
asseverar ou corroborar a consistência epistemológica do padrão heróico (em
o aperfeiçoando no sentido de superar as deficiências e insuficiências ainda
vigentes em suas formulações atuais) nem de negar ou recusar sua validade
investigativa. Pensamos orientar o desenvolvimento do mesmo realizando o
percurso investigativo-analítico também no sentido inverso ao tramado pela
epistemologia de constituição do padrão. Este partiu dos diversos textos
memorizadores das histórias heróicas, reduziu suas diferenças e mesmo
eliminou suas (alegadas) contradições, para alcançar no fim a estrutura
padronizada da vida do herói. Desejamos, paralelamente, percorrer também o
caminho de volta, partindo do cabedal hermenêutico dos padrões constituídos e
retornar à leitura dos distintos textos memorizantes, apreciados pelas
especificidades diferenciadas de suas singulares determinações históricas de
memorização. Aos ensejos desse retorno hermenêutico, promover uma reflexão
dialética de crítica mútua entre esses dois polos documentais (corpus
de textos originais e cabedal de interpretações modernas). A priori, portanto,
não vislumbramos eliminar informações, mas sim, antes, valorizar o tesouro
que elas compõem ensejando um enriquecimento das múltiplas apreensões de
sentidos que cada figura-nome heróico projeta pela multiplicidade de feitos e ações
conexos de sua fama memorizante, especialmente voltado para o resgate da
historicidade de cada precípua memória que os suporta historicamente.
Mesmo
estando em contínua transformação, recebendo as cargas de informações e
determinações próprias de cada contexto histórico, o culto de heróis desde
sempre esteve investido de um caráter coletivo, ligado à veneração comunitária
de certo ente sacralizado cujo poder protetor e propiciatório poderia atingir
toda a comunidade cultora. O temor e reverência pelo espírito de mortos
ilustres, assim como a expectativa pela permanência de poderes positivos –
protetores ou purificadores –, movia parentes e vizinhos aos altares de
mortos, celebrados, muitas vezes, como heróis, e sempre agregando comunidades.
Este caráter comunitário permitiu aos cultos de heróis assumir posição
central nos processos de reorganização da vida coletiva que levaram, na época
arcaica, à emergência da polis (Snodgrass, 1980; Polignac, 1984; Whitley, 1986
e Alcock & Osborne, 1996).
Assim,
pretendemos examinar o imaginário social e político relativo à figura do herói
(em sua gama variada de apresentações: rei, guerreiro, sábio, mártir), como
mito de sustentação de lideranças em plano político (ideologia do poder) e
religioso (veneração e culto, messianismo, martírio, magia e sabedoria).
Consoantemente alimentar a reflexão mais ampla sobre o mito do herói, operada
no seio do humanismo contemporâneo, compreendendo as sociedades antigas e também
sua recepção em plano trans-histórico.
Um
dos primeiros passos do projeto visa justamente a constituir o corpus documental
dos textos originais em traduções para a língua portuguesa, valendo-se quer
de traduções já existentes quer de novas (ou dos textos faltantes ou de revisões
críticas das atuais traduções). No mesmo sentido, pretendemos disponibilizar,
também em traduções para a língua portuguesa, a leitura de excertos e
passagens significativas das obras modernas que teorizaram a elaboração do
padrão ou que as abordaram sinteticamente por reflexões críticas.
[1] Mesmo tendo renegado a ascendência freudiana, Rank tornou-se uma referência na interpretação psicanalítica, onde encontraremos duas referências cruciais nas obras de Joseph Campbell (1973) e do helenista e mitógrafo, também de vertente junguiana, Karl Kerényi (e.g., 1995 e 1998).
em construção / under construction