Horácio

Dédalo e Ícaro - Jan Boeckhorst (1605-1668)
Bayerische Staatsgemäldesammlung, München
Image from Eichstätter
Dr. Peter Grau
Odes
 

Ícaro: II.20

Pela primeira vez, ver-se-á potentes asas levar aos ares o poeta, simultaneamente homem e cisne.
Não permanecerei mais ao solo; superada a inveja, abandonarei as cidades.
Não, não morrerei, eu, por ti convidado, caro Mecenas, apesar de minha origem modesta; não, não ficarei prisioneiro das águas do Estige.
Já a pele rugosa toma minhas pernas; já o alto de meu corpo toma a forma de pássaro branco, penas lisas brotam entre meus dedos e sobre meus ombros.
Já, mais rápido que Ícaro, filho de Dédalo, ponho-me a voar, pássaro melodioso, pelas bordas do Bósforo de águas mugidoras, pelas Sirtes africanas e pelo campos Hiperbóreos; serei conhecido na Cólquida, entre os Dácios, que não querem simular medo dos Marsos, entre os Gelões, nos confins do mundo; mais civilizados, os Íberos, os ribeirinhos do Ródano aprenderão meus versos.
Em minhas obséquias, na ausência de meu corpo, nada de cantos fúnebres, nada de lágrimas que enfeiam, nada de choros; poupa o gritos e livre-me das honras vãs da tumba.

Horace. Odes et Epodes. Texte établi, traduit, prfacé´et annoté par François Richard, Paris, Garnier, 1944, p. 90-93
 

Heros

   em construção / under construction