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Mare Nostrum. Estudos sobre o Mediterrâneo Antigo

2011, número 02

I - Editorial

Este é o segundo número da Revista Mare Nostrum - Estudos sobre o Mediterrâneo Antigo.  Esta edição apresenta alguns estudos diferentes entre si, tanto pela temática, quanto pelas abordagens. Mas ainda assim, os textos aqui apresentados tocam a problemática propostas pela revista. Uns mais explicitamente, outros menos. Assim no artigo Plínio, o Antigo, e a Descrição de Roma como capital do Mundo (Mediterrâneo?) de Ivana Lopes Teixeira, a discussão sobre os significados do Mediterrâneo para o projeto de poder imperial romano está presente na discussão sobre a visão de Plinio o velho da Itália com centro espacial e ideológico do Mundo dominado pelos romanos. Já no artigo O Estrangeiro e o Autótone -Dionísio no Mediterrâneo, de Leandro Mendonça Barbosa, é a discussão sobre integração das cidades antigas que se faz presente, como pano de fundo de um estudo sobre as narrativas do nascimento e viagens do Deus Dionísio, possível representante da interação e simbiose entre as póleis helênicas e os estrangeiros. Já no texto de Jorwan Gama da Costa Junior, O Posicionamento Farisaico e Essênio frente ao Domínio Romano, discute-se as razões da resistência à integração quando o autor analisa os fundamentos culturais e políticos dos dois mais fortes grupos político-religiosos da elite judaica na Palestina, de forma a explicar as dificuldades da política imperial romana, recusada por motivos diferentes pelos dois grupos. O Quarto artigo, Romanização e os séculos XX e XXI de Bruno dos Santos Silva, de natureza historiográfica faz uma revisão da historiografia sobre Romanização e mostra as mudanças de modelos e paradigmas pelas quais passaram os estudos e explicações sobre o domínio político e cultural dos romanos sobre os outros povos do Mediterrâneo e da Europa antiga.

E finalmente, nesta edição, temos na seção laboratório a tradução de um texto de W. V. Harris, O Mediterrâneo e a História Antiga. Este texto era originalmente o capítulo inicial do livro Rethinking the Mediterranean, uma publicação dos trabalhos apresentados na conferência de mesmo nome na Universidade de Columbia, em 2001. W. V. Harris é Shepherd Professor of History e é diretor do Center for Ancient Mediterranean na Universidade de Columbia. O presente texto de W.V.Harris realiza uma avaliação crítica dos usos recentes da ideia de Mediterrâneo pela historiografia da Antiguidade, centrando suas atenções no impacto que o livro Corrupting Sea de Nicholas Purcell e Peregrin Horden teve sobre no começo do século XXI. Acreditamos ser um bom ponto de partida para o debate sobre o papel da ideia de Mediterrâneo nos processos de integração e criação de fronteiras que estão por trás das formas de história com as quais a academia no Brasil está mais acostumada, como História Antiga, Antiguidade, ou Mundo Greco-Romano.

E por fim há quatro resenhas: A History of the Archaic Greek World de John M Hall  por Juliana Caldeira Monzani,  The Fall of Rome and the End of Civilization de Bryan Ward-Perkins por  Gustavo H. S. S. Sartin, Framing the Early Middle Ages de Chris Wickham por Uiran Gebara da Silva e Rome’s Cultural Revolution de Andrew Wallace-Hadrill por Fábio Augusto Morales. Todas as obras resenhadas se conctituem em estudos recentes e de grande fôlego ou perspicácia que tentam lidar com processos de integração e crise nas sociedades do Mediterrâneo Antigo.

 

II - Artigos

1. Plínio, o Antigo, e a Descrição de Roma como capital do Mundo (Mediterrâneo?)

Pliny The Elder and the description of Rome as capital of the World (The Mediterranean?)

Ivana Lopes Teixeira

 


RESUMO: O objetivo deste artigo é apresentar algumas considerações de Plínio, o Antigo, sobre a cidade de Roma como capital do mundo, e da Itália como centro do Império Romano, a partir da leitura da História Natural, relacionando estas considerações com alguns paradigmas historiográficos sobre o mundo clássico e mediterrânico. Parte destas considerações dizem respeito a pesquisa de doutorado em desenvolvimento na FFLCH/USP sob orientação do Prof. Dr. Norberto L. Guarinello, denominada  “A noção de identidade romana em Plínio, o Antigo, e a História Natural como um ‘projeto’ político-pedagógico”, e parte é fruto dos encontros do Laboratório de Estudos do Império Romano e Mediterrâneo Antigo, LEIR-MA/USP, em torno da problemática das fronteiras e da integração dos povos antigos no/do Mediterrâneo, como paradigma historiográfico.

PALAVRAS-CHAVE: Plínio, o Antigo, Roma, Itália, Império, Mediterrâneo.

ABSTRACT: The aim of this paper is to present some of Pliny the Elder’s reflections on the city of Rome as the capital of the world and of Italy as the center of the Roman empire, based on readings of the Pliny’s Natural History. It also aims to connect Pliny’s reflections with some historiographical  paradigms on the Classical World and the Mediterranean. Part of the thoughts expressed in this paper comes from a PhD. level research, called “The Notion of Roman Identity in Pliny the Elder, and the Natural History as political-pedagogic ‘project’” developed at the Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, in the Universidade de São Paulo, under the supervision of  Prof. Dr. Norberto L. Guarinello. The other part is a result from the debates over the problematic of the boundaries and the processes of integration of Ancient peoples in the History in/of the Mediterranean, that took place at the meetings of the Laboratório de Estudos do Império Romano e Mediterrâneo Antigo, LEIR-MA/USP.

KEYWORDS: Pliny the Elder, Rome, Italy, Empire, Mediterranean.


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2. O estrangeiro e o autóctone: Dionísio no Mediterrâneo

The foreigner and the autochthonous: Dionysius in the Mediterranean

Leandro Mendonça Barbosa

 


RESUMO: Tratar da questão mítica do nascimento e da vida do deus Dioniso é o que propõe este artigo. A intenção é trabalhar os conceitos de estrangeiro e autóctone em uma mesma unidade, na tentativa de construir um panorama, de como o culto e a própria imagem de Dioniso difundiu-se nos ambientes mediterrânicos Grécia e Ásia Menor.

PALAVRAS-CHAVE: Dioniso, autóctone, estrangeiro, religião grega

ABSTRACT: To deal with the mythical question of the birth and the life of the god Dionysus is what is considered this article. The intention is to deal wit the the concepts of foreigner and autochthonous in one same unit, in the attempt to build a picture of how the cult and the proper image of Dionysus was spread out in Mediterranean environments of Greece and Asia Minor.

KEY WORDS: Dionysus, autochthonous, foreign, Greek religion.


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3. O posicionamento farisaico e essênio frente ao domínio romano na Judeia

The Political Stances of the Pharisees and Essenes concerning the Roman domain in Judaea.

Jorwan Gama da Costa Junior

 


RESUMO: Neste artigo, objetivamos apresentar de que forma a configuração das facções político-religiosas judaicas, em especial os fariseus e esssênios, obstaculizavam o processo de dominação imperial romana na Judeia. A fim de que possamos alcançar nosso objetivo, analisaremos passagens das obras de Flavio Josefo: Guerras Judaicas e Antiguidades Judaicas.

PALAVRAS-CHAVE: judeus, romanos, dominação imperial, facções político-religiosas.

ABSTRACT: We aim, in this article, to show how the way of the configuration of jewish politic-religious factions, specially the farisees and essenes, raised difficulties to the roman imperial domination in Judea. To reach our main point, we will analize passages of Josefo's books: Jewish War and Jewish Antiquates.

KEYWORDS: jewish, romans, imperial domination, political-religious factions.


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4.Romanização e os séculos XX e XXI: a dissolução de um conceito

Romanization and the 20th and 21th centuries: the dissolution of a concept.

Bruno dos Santos Silva

 


RESUMO: Este artigo pretende traçar um panorama sobre o papel do conceito de Romanização nos estudos relativos aos contatos entre romanos e os povos de regiões para além da península Itálica. Procuraremos analisá-lo tendo como pano de fundo as transformações que a própria disciplina História sofreu desde o século XIX. O artigo visa entender como as mudanças de paradigmas, do Estado-Nação às identidades, afetaram os usos e os significados deste conceito..

PALAVRAS-CHAVE: Romanização; Império Romano; Províncias; Estado-Nação; Identidades.

ABSTRACT: This paper intends to sketch an overview on the role of the concept of Romanization in the studies about the contact between the Romans and the people from regions outside the Italian peninsula. The analysis of this concept will be made with the changes the discipline of History has been passing through since the 19th century as its background, aiming at how the paradigm changes, from the Nation State to the Identity models for antiquity, impact the uses and meanings of that concept. .

KEYWORDS: Romanization; Roman Empire; Provinces; Nation State; Identities.


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III - LABORATÓRIO

1. O Mediterrâneo e a História Antiga

The Mediterranean and Ancient History

William V. Harris

Tradução de Camila Aline Zanon

By permission of Oxford University Press. URL: www.oup.com OUP Material: pages 1-48- The Mediterranean and Ancient History from "Rethinking Mediterranean" by Harris W (2005). Free permission.


RESUMO: O objetivo deste artigo é lidar com duas questões bastante difíceis que podem ser esquematizadas de modo um tanto simples. Como deve ser escrita a história do Mediterrâneo antigo – se é que ela deve ser escrita? E seria o mediterranismo de muita utilidade para o historiador da antiguidade, ou, diferentemente disso, ele é algo perigoso (e, na verdade, um primo do orientalismo)?

PALAVRAS-CHAVE: Império Romano, Mediterrâneo, Conectividade, Integração.

ABSTRACT: The aims of this article is to deal with two very difficult questions that can be framed quite simply. How should the history of the ancient Mediterranean be written—if it should be written at all? And is Mediterraneanism of much use to ancient historians, or is it alternatively something of a danger (and in effect a cousin of Orientalism)?

KEYWORDS: Roman Empire, Conectivity, Integration


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IV - Resenhas

1. Jonathan M. Hall, A History of the Archaic Greek World ca. 1200-479 BCE. (Blackwell History of the Ancient World). Malden: Blackwell Publishing. 2007. 321 p. ISBN 978-0-631-22667-3.

Autora da resenha: Juliana Caldeira Monzani

 


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2. Bryan Ward-Perkins. The Fall of Rome and the End of Civilization. Oxford and New York: Oxford University Press, 2005. xii + 239p. ISBN 0-19-280728-5.

Autor da resenha: Gustavo H. S. S. Sartin

 


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3. Chris Wickham. Framing the Early Middle Ages. Europe and Mediterranean, 400-800. Oxford: Oxford University Press, 2005. Pp. xxviii+990. 13 maps. ISBN 10:0-19-926449-X; 13:978-0-19-926449-0

Autor da resenha: Uiran Gebara da Silva

 


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4. Andrew Wallace-Hadrill.  Rome's Cultural Revolution.   Cambridge/New York:  Cambridge University Press, 2008.  Pp. xxi, 502; 16 p. of plates.  ISBN 978-0-521-89684-9; 978-0-521-72160-8

Autor da resenha: Fabio Augusto Morales

 


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