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Projeto-Piloto no. 20173 – Inventário Nacional da Diversidade Linguística/INDL:

“LEVANTAMENTO ETNOLINGUÍSTICO DE COMUNIDADES AFRO-BRASILEIRAS DE MINAS GERAIS E PARÁ”

Coordenadoras:

               Profa. Dra. Margarida Maria Taddoni PetterÁrea de Minas Gerais

Profa. Dra. Márcia Santos Duarte de Oliveira – Área do Pará

Universidade de São Paulo – USP

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – FFLCH

Departamento de Linguística – DL

Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas – DLCV

 

I. Objetivo Geral

O objetivo deste projeto é elaborar um banco de textos orais coletados em duas comunidades quilombolas de Minas Gerais – Tabatinga (Bom Despacho/MG) e Milho Verde (MG) – e uma do Pará – Jurussaca (Tracuateua) – para avaliar a eventual presença de traços de línguas africanas, a partir da comparação de dados atuais com trabalhos publicados sobre a ‘linguagem’ daquelas regiões. Mais especificamente, as metas desta proposta são:

·         levantar a história dessas comunidades por meio de pesquisa em fontes escritas e orais;

·         examinar a permanência de línguas/culturas africanas em espaços afro-brasileiros;

·         coletar textos de diferentes gêneros de discurso (narrativas, explanações, descrições, falas rituais, cantos, diálogos, conversas, fórmulas de cura, lendas, adivinhas, provérbios);

·         organizar um banco de dados histórico, linguístico e cultural sobre as comunidades investigadas;

·         organizar um glossário dos termos de origem africana e/ou termos próprios da fala desses moradores;

·         descrever, visando a análises, aspectos morfossintáticos da variante oral do português identificada nas comunidades;

·         comparar aspectos descritivos e análises do português falado nessas comunidades com outras descrições/análises realizadas em outras comunidades quilombolas do sudeste e nordeste brasileiro; comparar ainda esses aspectos com descrições/análises já realizadas sobre a variedade culta do português falado no Brasil;

·         realizar uma amostra da organização social dessas áreas.

 

A coleta, armazenamento e análises preliminares dos dados são norteados pelas seguintes hipóteses: (i) o português falado por essas comunidades afro-brasileiras apresenta distinções significativas se comparadas ao português falado em outras regiões do país; (ii) essas distinções podem estar associadas ao contato com línguas africanas; (ii) o estudo da organização social pode apontar para características comuns existentes em sociedades do oeste africano.

II.  Justificativa

 

O Projeto-Piloto IPHAN/USP 20173 é parte de um conjunto de ‘Pilotos’ que integram o Inventário Nacional da Diversidade Linguística – INDL - DECRETO Nº 7.387. Por meio dos projetos pilotos, objetivou-se testar uma metodologia para o INDL, e para o tal criou-se um Grupo de Trabalho da Diversidade Linguística – GTDL – com a intenção de produzir conhecimento, documentar e salvaguardar as diversas línguas faladas por cidadãos brasileiros.

O projeto que apresentamos pretende examinar a permanência de línguas africanas em quilombos, espaços históricos de busca de liberdade do africano escravizado, que se transformaram em comunidades quilombolas hoje

 

A escolha de duas comunidades de Minas Gerais foi orientada pelo levantamento de estudos publicados, que atestam nesta região a existência de comunidades que conservaram traços lexicais de línguas africanas. A urgência do recontato com essas comunidades é evidente, tanto para o inventário da diversidade linguística, quanto para a compreensão da história das línguas e povos africanos no Brasil.

A escolha de uma comunidade do Pará foi orientada pelo levantamento cartográfico dessa comunidade e pela ausência de inventário linguístico. É prioritário o conhecimento etnolinguístico dessa e de outras comunidades para o inventário da diversidade linguística brasileira; a compreensão da história das línguas e povos africanos no Brasil depende da compreensão das comunidades afro-brasileiras no norte do país.

A investigação sobre a línguaum aspecto de grande importância e poucas vezes lembrado quando se estudam as culturas africanas no Brasil – favorecerá o resgate da tradição oral e dos valores africanos de modo que as formas de linguagem identificadas sejam consideradas comoreferência cultural brasileira”, dentro do escopo do INDL, de contribuir para o “reconhecimento das comunidades linguísticas brasileiras na nova imagem plural que o país constrói para si mesmo”.

 

III. A Língua Inventariada

 

A língua inventariada no projeto-piloto “Levantamento Etnolinguístico de Comunidades Afro-brasileiras: Minas Gerais e Pará” – IPHAN/USP – recebe a denominação de ‘português afro-brasileiro’:

 

O português afro-brasileiro designa aqui uma variedade constituída pelos padrões de comportamento linguístico de comunidades rurais compostas em sua maioria por descendentes diretos de escravos africanos que se fixaram em localidades remotas do interior do país, praticando até os dias de hoje a agricultura de subsistência. Muitas dessas comunidades têm a sua origem em antigos quilombos de escravos foragidos e ainda se conservam em um grau relativamente alto de isolamento. Dessa forma, o português afro-brasileiro guardaria uma especificidade no universo mais amplo do português popular rural brasileiro (ou, mais precisamente, norma popular rural do português brasileiro), não apenas pelas características sócio-históricas próprias às comunidades em que ele é falado, mas, sobretudo, pelas características lingüísticas que o distinguiriam das demais variedades do português popular do Brasil (ou melhor, da norma popular brasileira).

                                                                                               Lucchesi (2009(a):32)

Ao se referir à ‘norma popular rural do português brasileiro’ – em que o português afro-brasileiro se insere com certa especificidade – Lucchesi  aponta para a importância de se distinguir, no Brasil, dois tipos de ‘norma linguística’ em oposição: uma norma linguística culta e uma norma linguística popular, ou vernácula – ver Lucchesi (2006).  Essas duas ‘normas’ são parte, segundo o autor, de ‘sistemas linguísticos distintos’ que compõem o português brasileiro.

No tocante à norma popular rural do PB (em que se insere o português afro-brasileiro), enfatizam-se ‘comunidades de fala’ que têm seus próprios sistemas de julgamento de formas ‘certas’/‘erradas’ e esses julgamentos não se colocam a partir de comparações com outra norma, como a culta – ver Lucchesi (2002), (2006).

 

IV. Pesquisa de Campo e Metodologia

 

 

 

Casa Típica de Jurussaca

 

 O trabalho de campo foi realizado por pesquisadores, monitores e pelas coordenadoras das áreas de Minas e Pará. Os pesquisadores/monitores tiveram a tarefa, em campo, de se revezarem a fim de registrar, em vídeo e áudio, as informações coletadas. Ao todo, o projeto-piloto soma 11 visitas: (1) Minas Gerais: 3 visitas às comunidades de Tabatinga  (Bom Despacho/MG) e 3 visitas à cidade de Milho Verde (MG); (2) Pará: 5 visitas à comunidade de Jurussaca – área bragantina do Pará.

A ida ao campo é essencial para a coleta de dados linguísticos e de tradição oral. As viagens foram preparadas em equipe, sob a responsabilidade das coordenadoras da pesquisa.

A metodologia adotada neste projeto segue, em parte, a metodologia que se vê descrita em Lucchesi (2009(b)). Adotou-se a opção de recolha de amostras de fala em cada comunidade por meio de entrevistas (conduzidas pelos pesquisadores em campo) realizadas na casa dos informantes ou em lugares específicos da comunidade.

     

  

 Pesquisa de Campo

 

·         Sobre a Transcrição dos Dados

 

Os dados coletados em áreas de Milho Verde (MG), Bom Despacho (MG) e Jurussaca (PA) e que são apresentados neste site, foram transcritos de acordo com a “Chave de Transcrição do Projeto Vertentes” – Transcrição Grafemática. Essa ‘chave de transcrição’ se vê em:

http://www.vertentes.ufba.br/images/paginas/projeto/chave_de_transcricao.pdf

Esta proposta de chave de transcrição tem orientado os trabalhos de transcrição ortográfica dos inquéritos realizados no âmbito do Projeto Vertentes do Português Popular do Estado da Bahia. Optou-se pela transcrição ortográfica em detrimento da fonética, porque aquela possibilita uma melhor visualização do texto, atendendo igualmente às necessidades da análise. Contudo, diferentemente do procedimento adotado em outros projetos (cf. NURC, por exemplo), a transcrição ortográfica é aqui adotada como um instrumento efetivo para a análise, ou seja, ela é feita no sentido de que possa fundamentar a coleta dos dados a serem analisados, diminuindo o recurso à gravação. Desse modo, a transcrição deve mobilizar os recursos disponíveis para uma reprodução mais fiel das características lingüísticas da fala do informante.

2. Concepção e considerações prévias

O critério básico é o de se registrarem os fatos lingüísticos que se observam na fala do informante e que constituem marcas específicas do seu dialeto, tanto no nível fônico, quanto no morfossintático (ausência de concordância ou de nexos gramaticais - preposições, complementizadores, etc. -, objetos nulos, quebras no encadeamento sintático dos enunciados, etc.); serão excluídos apenas alguns fatos que, mesmo em desacordo com a ortografia oficial, podem ser considerados gerais no português do Brasil, com o intuito de não sobrecarregar o texto transcrito.

       

·         Trecho Exemplificando a Transcrição Grafemática

5. O texto deve ser pontuado com moderação.

6. Usar colchetes para indicar trecho sobre qual não há certeza na audição.

    Ex.: INF: Ah, pra passeá, [eu] saio.

[....................................................................................................................................]

8. Palavra desconhecida, ouvida nitidamente na transcrição/revisão, também deve ser grifada em itálico.

   Ex.: ... levava água no carote.

9. Se o documentador fizer algum comentário durante a fala do informante, sem interromper o seu fluxo sintático-discursivo, deve-se indicar com reticências a continuidade desse fluxo do informante, intercalando a fala do documentador.

    Ex.: INF: Naquela época, eu saía muito...

           DOC: Ah, legal!

          INF: ... com os camarada pras festa.

        http://www.vertentes.ufba.br/images/paginas/projeto/chave_de_transcricao.pdf

As transcrições das entrevistas e os áudios digitalizados das áreas inventariadas estão armazenados no ‘banco de dados’ deste site

Todo o trabalho de transcrição foi feito por 81 alunos da disciplina: “Introdução aos Estudos de Língua Portuguesa II/2010” (IELPII) da FFLCH/USP – Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas. (VER GRUPO DE PESQUISA). Duas turmas dessa disciplina (que prioriza, em sua ementa, estudos sobre a oralidade do português falado no Brasil), sob a liderança da Profa. Márcia S. D. de Oliveira, foram inseridas no projeto-piloto não apenas apreendendo técnicas de transcrição da oralidade (trasncrevendo dados das comunidades inventariadas),  mas ainda sendo apresentadas a aspectos da pesquisa de variedades do português brasileiro ainda pouco conhecidas. Cada aluno foi supervisionado por um monitor do projeto que assegurou ainda uma revisão final de cada trecho transcrito.

 

·         Metodologia da pesquisa

A coleta do conjunto de dados foi efetuada por meio de viagens de campo, prioritariamente, e por pesquisa documental.

As idas a campo foram preparadas por extensa pesquisa bibliográfica sobre as comunidades estudadas. O material consultado confirmou o fato já conhecido: nas regiões sob análise, nos quilombos atuais, com elevada população afro-descendente, fala-se uma variedade de português regional, possivelmente utilizando um léxico de origem africana, em situações de comunicação específicas. Sendo assim, a pesquisa foi direcionada pelo objetivo de coletar dados linguísticos e culturais por meio de entrevistas e questionários sociolinguísticos, fundamentalmente. Esses dois instrumentos permitem registrar o dialeto de português em uso e possibilitam verificar o emprego de termos não correntes no português brasileiro padrão.

As indicações do Grupo de Trabalho da Diversidade Linguística – GTDL/INDL –propuseram que na coleta do léxico da comunidade inventariada fosse utilizada a ‘Lista Swadesh’.

A lista de palavras Swadesh (Swadesh word list) foi desenvolvida pelo linguista Morris Swadesh e é uma ferramenta de comparação linguística. Swadesh desenvolveu uma lista de 207 palavras (a lista completa) contendo palavras de partes do corpo humano, fenômenos naturais, além de outras palavras que considerou básicas para propósitos comparativos. Essa relação foi estabelecida rigorosamente a partir de três critérios formulados por Hymes (1962): a palavra deve referir-se a uma noção comum (de uso corrente), universal (existente em todas as sociedades conhecidas) e historicamente persistente (resistente ao empréstimo). Essa lista contém o que se convencionou denominar de vocabulário básico (Bonvini, 2008: 108).

No entanto, o léxico de uma língua contém, além do vocabulário básico, outros termos que se distribuem em outras categorias, como pertencentes a um vocabulário comum ou a um vocabulário especializado. O vocabulário comum é aquele que está aberto a todas as noções, não é limitado a uma categoria de objetos e é constituído de termos que poderiam ser aplicados aos diferentes contextos da vida quotidiana. O vocabulário especializado contém um conjunto de termos reservados a domínios delimitados e específicos de conhecimentos ou de atividades e empregos (Bonvini, 2008: 117-118). É nessa categoria que se incluem, principalmente, as palavras levantadas em nossa pesquisa. O léxico inventariado em Minas Gerais e no Pará pertence ao vocabulário especializado, pois se refere a manifestações culturais (danças, festas, atividades), como se comprovou sobretudo no Pará,  ou distingue-se do conjunto lexical usado no país, e faz parte da identidade do falante de uma área de afro-descendentes, no caso de comunidades de Minas Gerais. No caso das palavras de origem africana presentes no português falado no Brasil, os trabalhos publicados confirmam que a maior parte deste léxico pertence ao vocabulário especializado (Castro, 2001; Bonvini, 2008; Alkmim e Petter, 2008).

Tendo em vista essas considerações sobre as características do léxico a ser inventariado e levando em conta que nas comunidades quilombolas estamos lidando com variedades de uma mesma língua, e que não faz sentido, portanto, buscar correlatos para uma dada palavra em uma ‘outra língua’, julgamos que a aplicação da Lista Swadesh como recurso metodológico para obtenção do léxico dessas comunidades não seria uma boa opção. Assim sendo, utilizaram-se outras estratégias para o levantamento lexical em cada área investigada, conforme se apresenta a seguir.

1. Minas Gerais

A região da Tabatinga, em Bom Despacho, abriga a chamada Língua do Negro da Costa (denominação mencionada por Sônia Queiroz em Pé Preto no Barro Branco,1998), ou como é mais conhecida pelos falantes, “gíria da Tabatinga”. A língua da Tabatinga caracteriza-se pela presença de um conjunto lexical de origem banta que é utilizado dentro da estrutura morfossintática do português falado na região. A investigação realizada nessa região teve dois objetivos: (i) identificar o léxico e (ii) verificar a vitalidade de seu uso.

Para o levantamento desse léxico utilizamos as seguintes estratégias:

- gravação de entrevistas entre falantes da língua;

- gravação de entrevistas entre documentador e falante da língua;

- questionário a partir de campos semânticos: alimentação, corpo humano, parentesco, vestuário, animais e profissões, para provocar nos falantes a lembrança de termos que porventura não tivessem ocorrido nas entrevistas gravadas e que fossem do conhecimento dos usuários da língua.

Tendo em vista que o léxico da Tabatinga já havia sido investigado por Queiroz em 1982, embora só tenha sido publicado em 1998, o objetivo deste projeto piloto foi o de verificar o estado atual do uso dos termos registrados na pesquisa de 1982. Já se tinha o conhecimento, portanto, do conjunto do vocabulário e buscava-se verificar se ele ainda participava da fala da comunidade e em que medida ele estava transformado. Pôde-se constatar que há muitos termos do vocabulário comum e especializado (cf. Bonvini, 2008), e algumas palavras do vocabulário básico.

Para verificar a vitalidade do uso deste léxico foi utilizado o questionário que será apresenta abaixo. A análise dos dados obtidos por este instrumento será apresentada em trabalho acadêmico em preparação.

QUESTIONÁRIO SOCIOLINGUÍSTICO

USO DA “LÍNGUA DO NEGRO DA COSTA” EM

TABATINGA E CRUZ DO  MONTE- BOM DESPACHO/MG

 1. Nome:

2. Idade                                local de nascimento

3. Sexo:  (  ) M            (   ) F

4. Estado civil:

5. Religião:  

6. Cor :      negro ( )

branco ( )

mulato  ( )

pardo (  )

outra

7. Escolaridade

8. Profissão

 9. Residência

Tabatinga (  )                                 Cruz do Monte (  )

10. Você já morou e outras cidades? Se sim, quando e por quanto tempo?

11. Existe uma fala diferente em sua região?  Sim (  )    Não (  )

12. Como você chamaria essa fala?

13. Você conhece essa fala?

14. Você fala  (   )   e / ou entende   (    )  essa linguagem?

15. Como você aprendeu essa língua? 

16. Quando e com quem?

17.  O seu conhecimento da língua é:  (   ) muito bom     (   ) bom              (  ) regular

18. Você sabe de onde veio essa língua?

19. Você pode dizer algumas palavras nessa língua?

20. Em que situações você a utiliza?

(  ) com amigos

(  ) em casa

(  ) escola

(  )  mercados, lojas  (situação de compra)

(  ) bar

(  ) rua

(  ) trabalho

(  ) cerimônias religiosas   . Quais? 

(  ) festas tradicionais

(  ) Outras

21. O que leva você a usar essa fala?

(  ) para brincar, zombar     (  ) para não ser entendido   (  )

22. Você ensina para alguém essa linguagem?   (   )  sim      (   ) não

23. Você acha importante manter essa fala?  Por quê?

  

2. Pará

Na área de Jurussaca, a investigação sobre o léxico centrou-se em uma ‘Lista Específica’, adaptada a partir de uma lista já existente sobre ‘Termos da Marujada’: Cecim (2003).

Cecim (2003) é uma Monografia intitulada “Glossário da Marujada” que apresenta um vocabulário etmológico de uma manifestação tipicamente da região de Jurussaca: a região bragantina. Trata-se da ‘Festa da Marujada’. Segundo Cecim (2003: 9-10):

“A Marujada de Bragança possui a mesma origem da Irmandade de São Benedito, conhecido carinhosamente como o SANTO PRETO. Segundo a tradição, em 1798 os senhores da época, a pedido dos seus escravos, concordaram com a “organização de uma Irmandade e foi realizada a primeira festa em louvor de São Benedito, ...”. Na ocasião, em sinal de reconhecimento, os negros escravos dançavam de casa em casa dos seus benfeitores. Essa prática tornou-se freqüente nos anos seguintes, “ficando como praxe (...) essas exibições coreográficas”.

O vocabulário etmológico de Cecim (2003) nos chamou a atenção por ser um ‘mini-dicionário cultural’ dessa área do Pará. Logo, em campo, procuramos verificar se as palavras da ‘Lista de Cecim’ teria alguma palavra diferente no corpus da fala da comunidade de Jurussaca. Constatamos que não; todas as palavras conhecidas pelas pessoas de Jurussaca são as mesmas palavras da lista.

Abaixo, apresentamos a ‘Lista Cecim’ aplicada em Jurussaca. No projeto piloto constatamos que algumas palavras (ou expressões da listas) não eram conhecidas pelos moradores de Jurussaca, embora a cidade de Bragança seja bem próxima da comunidade e muitas pessoas até participem da Marujada anualmente. Decidimos não listar estas palavras (expressões), pois o trabalho não foi exaustivo, devendo esta tarefa ser feita em uma etapa posterior de forma mais detalhada com toda a população.

LISTA DE TERMOS DA MARUJADA (por ordem alfabética como apresentada por Cecim (2003)

Abertura da festa

Abraço na igreja

Alvorada

Autoridades

Bagre

Banjo

Barraca

Barracão

Barracão da marujada

Barracão de dança

Bastão

Bendito

Blusa branca

Cabeça de linha

Capitão

Capitoa

Castanholas

Cavaquinho

Chamados

Chapéu da maruja

Chapéu do marujo

Chorado

Chote

Círculo maior

Círculo menor

Conselho da marujada

Contra-dança

Dança da Marujada

Dança da roda

Dança de velhos

Dançar a maruja

Dançar a Marujada

Dançar com os pés descalços

Dia de nascimento

Enfeites

Enfiando o bagre

Escrava(o) do santo

Fita a tiracolo

Fita com laço

Flor no chapéu

Granchê de duble

Grupo da marujada

Igreja de São Benedito

Irmandade da Marujada

Irmandade da Marujada de São Benedito de Bragança

Irmãos

Jogo do braço

Lundu

Lundum

Mandrião branco

Manobras

Marcação das palmas

Marcha

Maruja

Marujada

Marujas promesseiras

Marujas velhas

Marujo

Masuca

Masunga

Mazurca

Meia lua

Milagre

Milagre da salvação

Música

Música de tambor

Músicos

Palmas

Pandeiro

Pés descalços

Presidente

Procurador

Produtores da marujada

Promessa

Promesseira

Rabeca

Retumbão

Reverência

Rito do almoço

Ritual da marujada

Ritual da roda

Roda

Saia rodada em tom azul

Saia rodada em tom vermelho

São Benedito

Segunda cabeça de linha

Sub-capitoa

Tambor grande

Tambor pequeno

Teatro museu da Marujada

Terceira cabeça de linha

Tocadores

Uniforme azul e branco

Uniforme das marujas

Uniforme dos marujos

Uniforme vermelho e branco

Valsa

Vice-capitão

Vice-capitoa

Viola

Violino

Virada dos pares

Xote

Sugerimos ao INDL, como orientação metodológica, que pesquisadores, em futuros editais ligados a comunidades afro-brasileiras, atentem para a ‘ocorrência’ de possíveis ‘listas lexicais’ nas regiões inventariadas, realizando, então, um cotejo entre essas possíveis listas e o léxico das comunidades sob enfoque.

Por ser o projeto piloto um levantamento etnolinguístico de Jurussaca, nos preocupamos, como aspecto metodológico, em responder questões pontuais sobre a comunidade. Logo, não preparamos um questionário externo para ser respondido por cada morador da comunidade, mas organizamos, previamente, um ‘roteiro de questões’ que nortearam boa parte de nossos trabalhos de campo. Este roteiro nos auxiliou no inventariado etnolinguístico de Jurussaca.

 

ROTEIRO PARA O INVENTARIADO ETNOLINGUÍSTICO DE JURUSSACA

 

A - Identificação

Nome da Comunidade:

Origem do nome:

Localização:

Município:

Identificação Territorial

Qual o caráter jurídico das terras da comunidade?

Qual é a área atualmente ocupada?

Há conflitos (ou houve)?

 

B – Aspectos Sócio Culturais

 

·         Caráter Geral

Acerca da reconstrução da origem e trajetória da comunidade, enfocar a época de sua constituição até o momento atual, tais como: tipo de etnia; forma de obtenção da terra; aumento e diminuição da comunidade; ano de instalação e número de pessoas na época.

Quais são as maiores preocupações que envolvem a comunidade?

Quais são as lendas e histórias locais que povoam a vida das pessoas locais?

As pessoas fazem uso de alguma nomenclatura específica do local?

Como aconteciam os casamentos na comunidade? Se de fora da comunidade, qual a origem do noivo(a)? Eram permitidas uniões entre parentes (primos, etc.)?

Como se dava a educação dos mais velhos e como é tratada hoje em dia esta questão entre os jovens?

Quanto às escolas, a partir de quando foram postas à disposição da comunidade?

Qual é a religião das pessoas?

Qual o nome do fundador da comunidade?

Na comunidade se conhece, hoje, algum descendente do fundador?

Quem nasceu na comunidade?

Quem não nasceu?

Quem gostaria de morar em outro lugar?  Se gostaria de morar em outro lugar, por quê?

Sua casa na comunidade é própria ou alugada?

Você tem parentes morando fora da comunidade? Sim/Não/Quem?

Você participa de alguma associação?

Costuma participar dos eventos que envolvem a comunidade?

Costuma frequentar locais e atividades fora da comunidade

 

C- Aspectos Socioeconômicos e Funcionais

 

Quais as expressões culturais mantidas pela comunidade?

A comunidade se dedica a alguma festividade religiosa ou de outro tipo? Qual o tipo? Qual é a época do ano?

Descrição pormenorizada.

Qual o grau de escolaridade da comunidade?

Qual a sua profissão da comunidade de modo geral?

Qual é a principal profissão  que se exerce na comunidade de modo geral?

As pessoas da comunidade têm carteira de trabalho? 

As pessoas da comunidade têm mais de um emprego?  Descrever.

Descrever renda mensal.

 

  • Atividades Desenvolvidas

Na agricultura:

Tipo de organização do trabalho (individual, familiar, etc.)

  

D - Condições de Saúde

 

As pessoas da comunidade sofrem de alguma doença?

As pessoas da comunidade sofrem de algum tipo de deficiência?

As pessoas da comunidade estão passando por algum problema de saúde?

As pessoas têm algum plano de saúde?   

As pessoas usam medicamentos caseiros ou industrializados? 

Quando as pessoas precisam de atendimento médico, onde elas o procuram?

As pessoas procuram benzedeiras?  

 

V. Comunidades de Minas Gerais: Tabatinga (Bom Despacho) e Milho Verde

Sob a coordenação da Profa. Margarida T. Petter, uma equipe de 6 monitores-pesquisadores do Projeto IPHAN/USP empreenderam pesquisa nas comunidades quilombolas nas regiões de Tabatinga (Bom Despacho) e Milho Verde no Estado de Minas Gerais. Os monitores-pesquisadores são: Jéssica C. Nacci, Thamirez Santos, Everton M. Simões, Luana V. Soares, Vanessa B. Valentini e Elisa Bordon.

Bom Despacho fica a 156 km da capital mineira, Belo Horizonte. Encontra-se na região do Alto São Francisco e é banhada pelos rios Lambari e Picão. Esta região abrange as nascentes do rio São Francisco atingindo o Lago de Três Marias.

 

     http://pt.wikipedia.org/wiki/Bom_Despacho

 

·         A Rua da Tabatinga

 

Na região de Tabatinga e Cruz do Monte se encontram os falantes da chamada ‘Língua do Negro da Costa’ ou ‘Língua da Tabatinga’. Sobre essa língua e o ‘povo da Tabatinga’ tem-se o importante trabalho da Profa. Sônia Queiroz em seu livro: “Pé Preto no Barro Branco” – Queiroz (1998):

A análise das gravações mostrou ser a estrutura gramatical da Língua do Negro da Costa integralmente tomada ao português. Evidentemente, trata-se de uma variedade regional do português [...]

.........................................................................................................................................

Constituída fundamentalmente de léxico “africano” e gramática portuguesa, a Língua do Negro da Costa repete essa estrutura no nível da formação vocabular: os semantemas são quase todos “africanos”, ao passo que os morfemas [...] são todos portugueses. [...]

..........................................................................................................................................

[...] o caráter de código secreto da Língua do Negro da Costa, com que, aliás se casa muito bem a denominação de “gíria”, garante a seus falantes total impunidade. [...]

                                                                                                 Queiroz (1998: 78, 79, 94

 

·         Dona Fiota

 

Em 1981, havia cerca de 200 pessoas que falavam a língua. A falante mais tradicional da língua é dona Fiota, filha de dona Joaquina Caria e de um dos falantes mais antigos da Língua do Negro da Costa, chamado Zé Caria (ou Zacaria).

Dona Fiota é a maior conhecedora da língua nos dias de hoje, embora já tenha dedicado muito de seu tempo ensinando a outras pessoas interessadas em aprendê-la.

Atualmente existe uma coleção de livros didáticos chamados Histórias da Dona Fiota que abordam questões acerca da cultura negra e da Língua do Negro da Costa.  Tem como finalidade o uso pedagógico nas escolas da região.

 

Dona Fiota

 

Dona Fiota no Jornal

 

As festas de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito são tradicionais na Tabatinga, quando saem os ternos e guardas, que são grupos compostos por homens e mulheres paramentados com cores de sua comunidade e, em cortejo, vão dançando e cantando ao ritmo de tambores, gungas e sanfonas. Levam à frente as bandeiras em homenagem aos santos de devoção.

  

·         As Comunidades de Milho Verde (Serro, MG)

 

Milho Verde é um distrito com aproximadamente 1.000 habitantes, metade vivendo na área urbana. Faz parte do município de Serro, e situa-se nas vizinhanças de Diamantina – Patrimônio Histórico da Humanidade –, na região do Alto Vale do Jequitinhonha.

Ainda no município de Serro, encontra-se a comunidade do ‘Ausente’ uma comunidade quilombola dispersa, subdividida nos lugares denominados Papagaio, Massangana, Ausente de Cima e Ausente de Baixo. De acordo com informações obtidas através de depoimentos dos próprios moradores, os habitantes da comunidade do Ausente se originam da comunidade do Baú.

A comunidade quilombola do Baú está localizada no distrito de Vila Pedro Lessa, próximo a Milho Verde, município de Serro, no Alto Jequitinhonha, e faz parte da mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte. Existem ao menos 44 famílias na comunidade, totalizando 234 habitantes.

As manifestações da cultura afro-descendente ocorrem em apresentações da guarda dos catopés, liderada anteriormente pelo morador do Ausente Antonio Crispim (falecido em 2008) e pelo morador de Milho Verde Ivo Silvério.

  

Há ainda a festa da marujada e o grupo dos caboclinhos – manifestações populares com força cada vez menor entre a população mais jovem.

VI. Comunidade de Jurussaca – Município de Tracuateua/Pará

Sob a coordenação da Profa. Márcia Santos Duarte de Oliveira, uma equipe de 6 monitores-pesquisadores do Projeto IPHAN/USP envolveu-se com a pesquisa e documentação sobre a comunidade quilombola de Jurussaca/PA. Os monitores-pesquisadores foram 4: Jair Cecim, Ednalvo Apóstolo Campos, Eduardo Ferreira dos Santos, e Francisco João Lopes. Outros 4 monitores-pesquisadores também se associaram voluntariamente ao projeto-piloto na área de pesquisa e documentação em Jurussaca: Wânia Miranda, Raquel Azevedo da Silva, Ricardo Silva e Maria Célia Barros Virgolino Pinto.

No tocante ao projeto-piloto na área de Jurussaca, queremos mencionar ainda a participação de Jair Cecim e Jonas V. Fernandes em pesquisa e coleta de dados relacionados a essa comunidade. Em 2008, Jair Cecim (UFPA/Bragança) coletou as primeiras entrevistas de fala de moradores de Jurussaca – ver Cecim (2008). Neste mesmo ano, Jonas V. Fernandes iniciou pesquisa de Iniciação Científica (IC) – FFLCH/USP (sob orientação da Profa. Márcia Oliveira) – investigando aspectos da enunciação e do sistema pronominal em Jurussaca – ver Oliveira & Fernandes (2009). As coletas de fala de 2008 e a IC realizada por Jonas Fernandes compreendem o início de investigações sobre a fala e a comunidade de Jurussaca

·         Informações sobre a comunidade

 

A Comunidade de Jurussaca é – de acordo com NAEA – Núcleo de Altos Estudos da Amazônia – um dos 253 povoados ‘quilombolas’ distribuídos em oito áreas do Estado do Pará[1]. As áreas quilombolas do Pará foram delimitadas pelo NAEA a partir de macro-regiões do Estado como se vê em:

 

http://www.para30graus.pa.gov.br/imagens/para_regioes.jpg

A localização da Comunidade de Jurussaca no mapa acima é vista na tabela abaixo:

Área Quilombola do Estado do Pará - NAEA

Macro-Região do Estado do Pará

Comunidade-Alvo

Bragantina

Costa Atlântica/ Nordeste

Jurussaca

 

Jurussaca encontra-se a aproximadamente 25 km da cidade de Bragança e a 10 km da cidade de Tracuateua.

Segundo os moradores, a comunidade se iniciou a partir de quatro fundadores que, fugidos do Maranhão, se instalaram na região. Os moradores dizem que um dos quatro fundadores era oriundo de Minas Gerais; a sua neta, dona Vicência, reside no município próximo, Tracuateua.

 

Dona Vicência

·         A População

Segundo dados da Associação de Moradores, a população oscila entre 500 a 600 pessoas – as informações são baseadas no último senso divulgado na comunidade pelo IBGE 2010 (a média foi de 5 pessoas por casas, segundo a Associação de Moradores).

·         As Casas

A comunidade é rodeada por 90 casas construídas por quase toda a extensão da área/do terreno que soma um total de 200,9875 ha.

Logo na entrada da comunidade encontram-se várias habitações, construídas nos dois lados da estrada, formando uma espécie de ‘aldeamento’. Fora desse espaço onde as casas estão construídas, encontra-se a área reservada à plantação. Cada família tem um ‘pedaço de terra’ onde se planta mandioca e feijão.

 As casas, antes construídas pelos próprios moradores em barro batido e cobertas de palha, estão, aos poucos, sendo substituídas por casas de alvenaria e cobertas de telhas de barro, graças a um projeto do Governo Federal – Projeto RESEC (Reserva Ecológica). As novas casas são compostas de dois quartos, sala cozinha e banheiro. As casas construídas pelo projeto, na primeira etapa, eram entregues sem reboco. Já, na segunda etapa, são rebocadas e pintadas e também recebem piso em lajota, mudando bastante a paisagem da comunidade. No entanto, alguns moradores reclamam que não foram contemplados com a casa nova. É interessante notar que algumas casas – poucas – já estão sendo aumentadas, mas os moradores têm um contrato assinado com o Projeto RESEC de não poderem alterar a fachada das casas. O que fazem, portanto, quando aumentam a casa, é procederem a um alargamento de cômodo na parte de trás, na área da cozinha. Em conversa com alguns moradores, ouvimos reclamações acerca do tamanho mínimo da cozinha, que é entregue, inclusive sem pia, pois não há água encanada na comunidade.

O fato é que o Projeto RESEC (Reserva Ecológica) vem mudando o aspecto físico e, até então, característico da comunidade. O projeto tem doado, ainda, aparelhos domésticos (geladeiras, televisores, liquidificadores, etc.) que, sem nenhuma dúvida têm trazido conforto e maior dignidade às famílias.

A luz chegou à comunidade por meio do Projeto “Luz para Todos” do Governo Federal em setembro de 2010. Mas, ainda faltam passos importantes para que Jurussaca tenha o ‘conforto básico’ que a comunidade necessita. Falta, por exemplo, água.

Abaixo, duas fotos que contrastam os dois tipos de moradias ainda existentes na comunidade: (1) casa típica de taipa e (2) casa do Projeto RESEC.

 

 

Casa Típica da Comunidade de Jurussaca

 

 

Novas Casas Construídas pelo INCRA na Comunidade de Jurassaca

 

A hidrografia da comunidade é formada pelo rio Jurussaca e igarapés que são de fundamental importância na alimentação e na higiene das pessoas, pois a comunidade ainda não tem água encanada.

O Título de Reconhecimento de Domínio Coletivo da terra foi concedido à comunidade pelo Governo do Estado do Pará e se deu no dia 14 de setembro de 2002, tendo sido delimitada uma área de 200,9875 ha. O documento pode ser visto neste site em Titulo de Reconhecimento Coletivo da Comunidade de Jurussaca.

A comunidade possui uma bem organizada Associação de Moradores que busca melhores condições junto à Prefeitura do Município de Tracuateua. As famílias pagam uma pequena mensalidade, que gerida pela Associação de Moradores, cobre os gastos com viagens do seu Presidente para trabalhos em prol dos habitantes da área. Suas atuais reivindicações concentram-se agora em torno: (i) da instalação de água encanada; (ii) de assistência médica; (iii) de ampliação do ensino fundamental na escola.

 

ASPECTOS SOCIOCULTURAIS

·         História da Comunidade

Segundo os moradores, a comunidade se iniciou a partir de quatro fundadores que, fugidos do Maranhão, se instalaram na região. Os moradores dizem que um dos quatro fundadores era oriundo de Minas Gerais; a sua neta, dona Vicência, reside no município próximo, Tracuateua.

Abaixo, um relato de Seu Angelino, quilombola de Jurussaca, sobre a origem da comunidade[1]:

“[...] (olha) foi as pessoa mais velha que ...(que) disseram né?... (falavam)...aí sobre negócio de/a gente conversando em reunião... essas coisas... aí eu chego em reunião a gente puxa esses assunto né?...aí essas pessoas já falavam ... (que eram) que essas pessoas que vieram pra cá (foram)... uns eram do Maranhão né?... aí vieram... ficaram... se localizavam assim... que era mata aqui... ninguém (era dono disso) ...só tinha aquela  barriga de ( )... aí ficou um lá na beira do rio... aí ficou outro que morava aqui nesse local... e outro que era lá da rochinha... aí essas pessoas ... sempre aqui e acolá a gente pega assim uma parte... mas é difícil a gente num...deixa escrito... cada vez mais... as coisas vão...vão... é... passando por esquecimento até... porque vem outras novidades e a gente quase num lembra...”


 

[1] Transcrição realizada segundo as normas do projeto NURC – Castilho (2006: 23-24) – a partir de entrevista gravada – Cecim (2008).

 

VII. Consultores do Projeto-Piloto

O Projeto-Piloto no. 20173 “Levantamento etnolinguístico de comunidades quilombolas de Minas Gerais e Pará” contou com a participação de 6 professores doutores como consultores:

      Professor Dr. Emilio Bonvini – CNRS/França

      Professor Dr. Dante Lucchesi – UFBa

      Professora Dra. Ilza Ribeiro – UFBa

      Professora Rosa Acevedo Marin – UFPA/NAEA

      Professora Dra. Sônia Queiroz – UFMG

      Professor Dr. Valdir Barzotto – USP

 

Agradecemos aos caros professores-especialistas pelas palestras, minicursos e consultorias ministradas na Universidade de São Paulo em visitas à FFLCH nos meses de agosto/ novembro de 2010 no âmbito do projeto-piloto.

 

VII. Referências Bibliográficas

 

ALKMIM, T.; PETTER, M. M. T. 2008. Palavras da África no Brasil de ontem e de hoje. In: Fiorin, J. L.; PETTER, M. M. T. (orgs.). África no Brasil: a formação da língua portuguesa. São Paulo: Contexto, p. 145-178.

BONVINI, E.  (2008). Os vocábulos de origem africana na constituição do português falado no Brasil. In: FIORIN, J. L; PETTER, M. M. T. (orgs.). África no Brasil: a formação da língua portuguesa. São Paulo: Contexto, p. 101-144.

CASTILHO, A. T. Apresentação. (2006). In: C. C. A. S. JUBRAN, I. G. V. KOCH, (orgs.) Gramática do português culto falado no Brasil – construção do texto falado. Campinas: Editora da UNICAMP, p. 7-26, Vol. 1.

CASTRO, Yeda Pessoa de. 2001. Falares africanos na Bahia (Um vocabulário afro-brasileiro). Rio de Janeiro: Topbooks.

CECIM, J. (2008). Gravação de entrevista a um líder da comunidade de Jurussaca. Jurussaca, Pará.

________. 2003. Glossário da Marujada. Monografia do Curso de Mestrado em Letras. Universidade Federal do Pará. Manuscrito.

FIORIN, J. L.; PETTER, M. M. T.  (orgs.). 2008. África no Brasil: a formação da língua portuguesa. São Paulo: Contexto.

HYMES, D. 1962.  The Ethnography of Speaking. In: GLADWIN, T.; STURTEVANT, W. C. (eds). Anthropology and Human Behavior. The Anthropology Society of Washington, (Washington).

 

LUCCHESI, D. 2002. Norma lingüística e realidade social. In: Marcos Bagno. (Org.). Lingüística da Norma. 1 ed. São Paulo: Loyola, v. 1, p. 63-92.

 

________. 2006. Parâmetros sociolingüísticos do português brasileiro. Revista da ABRALIN, v. 5, n. 1 e 2, p. 83-112.

 

________. 2009(a). Introdução. In, Lucchesi, D.; Baxter, A.; Ribeiro, I. (orgs.). O português afro-brasileiro. Salvador, Bahia: EDUFBA, p. 27-41.

 

________. 2009(b). Metodologia. In, Lucchesi, D.; Baxter, A.; Ribeiro, I. (orgs.). O português afro-brasileiro. Salvador, Bahia: EDUFBA, p. 155-166.

 

NAEA. (2005). Quilombolas do Pará, CD-ROM. Belém: NAEA-UFPA & Programa Raízes.

OLIVEIRA, M. S. D. de; FERNANDES, J. T. V. 2009. Aspectos Etnolinguísticos da Fala em uma Comunidade Quilombola do Pará: Jurussaca. Manuscrito.

 

QUEIROZ, S. 1998. Pé preto no barro branco – a língua dos negros da Tabatinga. Belo Horizonte, MG: Editora da UFMG.

 

RODRIGUES, Aryon. Línguas indígenas: 500 anos de descobertas e perdas. DELTA, v. 9, n. 1, p. 83-103, 1993. 


 

[1] O NAEA - Apoio: Governo do Pará, Fundação Ford, CNPq, CEDENPA, Programa Raízes – se constitui em um grupo de pesquisa envolvendo professores e pesquisadores ligados à Universidade do Pará – UFPA – junto a povoados negros rurais no Estado do Pará, iniciadas no rio Trombetas em 1989. Anos de pesquisa e publicações resultaram no Cd ROM: “Quilombolas do Pará”, um Banco de Dados sobre as comunidades quilombolas paraenses (de matriz negra), contendo textos históricos, fotos, croquis, músicas e falas de quilombolas – ver NAEA (2005). A direção da pesquisa é de Rosa Acevedo Marin e Edna Castro, cujas publicações podem ser vistas em seus respectivos currículos na Base de Dados do ‘Currículo Lattes’/ CNPq.

·         NAEA. (2005). Quilombos do Pará, cd-rom. Belém: NAEA-UFPA & Programa Raízes.

 

[2] Transcrição da fala de Seu Angelino realizada por Jonas T. V. Fernandes segundo as normas do projeto NURC – Castilho (2006: 23-24) – a partir de entrevista gravada – Cecim (2008) –, como se vêem nas referências abaixo:

·         Castilho, A. T. Apresentação. In: JUBRAN, C. C. A. S. & KOCH, I. G. V. (orgs.) (2006). Gramática do português culto falado no Brasil – construção do texto falado. Campinas: Editora da UNICAMP, p. 7-26, Vol. 1.

[3] Conforme informações constantes no site http://www.cpisp.org.br/terras/ASP/terras_tabela.asp