Conversa com Dona Maria José
Conversa com Dona Benedita do minuto 0:27:03 a 0:40:35
Informante: D. Antónia
INFORMANTE: 01
NOME: D. Benedita Araújo
SEXO: F IDADE: 89
NASCIMENTO: Jurussaca
NÍVEL DE ESCOLARIDADE: Analfabeta
VIAGENS PARA FORA: saiu poucas vezes da comunidade.
INFORMANTE: 02
NOME: Francisco Antônio do Rosário (Seu Chico)
SEXO: M IDADE: 76
NASCIMENTO: Jurussaca
NÍVEL DE ESCOLARIDADE: Não informado
VIAGENS PARA FORA: Não informado
DOC 1: Maria Célia Virgolino
DOC 2: Ednalvo A. Campos
Transcrição do áudio 27-03 a 40-35.
Entrevista com D. Benedita Araújo e Francisco Antônio do Rosário (Seu Chico).
INF 2: ININT
DOC 1: Ele frequentava a igreja... seu pai dona Benedita?
INF 1: Ia.
DOC 1: E de... de... mais...[e do que] ele mais gostava do que... de frequentar o quê?
INF 1: Quando eles faz [luz]...
DOC 1: Ham.
INF 1: ...certo, aí ele ficava [olhando] ININT quando nóis ajudava ele na casa, [quando] fazia o baracão ININT e pagava a jóia dele para ININT
DOC 1: E tinha que pagar uma jóia era?
INF 1: Tinha.
DOC 1: E quanto que ele pagava?
INF 1: Bem ININT agora com ININT... de primêro era barato mas agora eles tão pedindo já caro.
DOC 1: É?... E ele pagava...
INF 1: ININT ?
DOC 1: Sim.
INF 1: Pagava.
DOC 1: Dona Benedita...
DOC 2: Dona Benedita tá chovendo aí a senhora fala um pouquinho mais alto tá? Só... pra... quando tá chovendo, porque tá chovendo.
DOC 1: Olha a chuva aí...
DOC 2: Ela não consegue não, dá uma pausa aí senão não vai gravar nada... [é melhor].
INTERRUP
INF 2: Oi...
DOC 1: Então a criança [não é aquela]...
INF 2: ...ININT
DOC 2: ...da década de 20 de 30 né?
INF 2: ...é por aí afora eu tinha... Essas velha que eu tô falando a ININT que era ININT [de dia] ela era irmã da ININT... vim vê era a vó dela aí...diz ela...que era a vó dela. Olha nesse tempo ainda quando eles... quando ele passô primeira vez aí... foi gente com medo aí... eu me lembro dela ela tava lá dentro de casa aí... tava tudo as filha dela lá com ela, elas era cinco filha. Aí com um pôco veio aquela zoada, mas era uma zoada feia dele mesmo, assim, nesse tempo era só mato assim [que nem] essas mangueiras aí, os rancho era tudo por debaixo do... dos mato, [tinha] as entrada das casinha que ele [fez pra ele], por isso que ele falava que aqui era feito uma ININT, mas porque ele abriu aí... e aí viero um persoal viero fazeno suas barraquinha aí... e aí... e aí veio um bicho e aquele bicho feio que vinha que só rolando, é tipo um tambô que... 'quele tambô que carrega o [coiso], com'é?, Querosene, aqueles óleo, mas era comprido daqui pr’aculá era grande. E ai vinha só rolando ININT que aqui aculá que a gente via assim nas
brecha do... dos pau assim [e aí]... ia... ia ININT minha filha vamo rezá, vamo rezá que o mundo vai se acabá {o informante ri}. Nunca tinham visto aquilo, né, aí ficaro com medo, ficaro com medo aí foro... rezá...
DOC 1: Obrigada dona Benedita.
DOC 2: Obrigado dona Benedita.
INF 2: ...foro [brigá] por causa do... foro rezá, foro rezá, rezaro, rezaro, rezaro, aí o bichão foi passando aí foi s’imbora num sei pr’onde ele foi pra cá. Aí de vez em quando ele... ele passava pra ir...passava pra lá mas não voltava por aqui, não tem por onde ele voltá ININT, né, hum... as vez[es] a gente tava despreocupado c’um pôco [ele] zoava aqui nessa direção aqui ó... vinha passando [aqui]. Em Bragança não [passava] ainda nesse tempo não... avião não.
DOC 2: Mas o senhor também não sabia o que era, não há como...
INF 2: Eu era molekote.
DOC 2: E o senhor saiu correndo também?
INF 2: Mas nóis fiquemo foi tudo com medo. {risos do informante e do documentador}
E... os grande ficaro com medo nós ININT
DOC 1: Que cor que era?
INF 2: Ham?
DOC 1: Que cor era, era prateado?
INF 2: Era, era brilhava no sol...
DOC 2: Prateado?
DOC 1: Era...
DOC 2: Sei lá...
INF 2: ...brilhava no sol aquilo, era de alumínio.
DOC 1: Alumínio?
INF 2: ININT porque brilhava no sol, quando o sol dava nele assim na... por causa do...do..do sol que a gente olhava... aquele sol dava nele que chegava a brilhá. Adepois desse... desse daqui, foi que...era difícil passá um avião aí... adepois desse passava muito, passava era muito avião.
DOC 1: A senhora viu o Zé Pilim dona Benedita?
INF 1: Eu vi.
DOC 1: Viu?
INF 1: Vi.
DOC 1: E aí?
INF 1: {o informante ri} [Eu] fiquei foi... foi com medo...
INF 2: {o informante ri}
IINF 1: [agora] ININT voando...
DOC 2: Foi Dona Benedita? {o documentador ri}
{risos dos informantes}
INF2: A gente enxergava as janela todinha do cara... dos cara... ainda botava a cara pula janela pa olhá.
DOC2: E depois só... e como vocês ficaram sabendo depois que era um...uma espécie de avião?
INF2: Adepois que saiu a conversa aí...
DOC2: Ah!
INF2: ...aí foi quando... ININT parecia gente assim, que já tinha Bragança ali, né, já tinha cidade ali, só que era pequeno lá, mas já tinha, eles já se comunica com muita gente lá, aí foi que a gente foi sabê que era isso daqui.
DOC1: O senhor chegou a ir na... em Bragança [ver] isso aí...em Bragança nessa época?
INF2: Nóis ia.
DOC2: E que... que... qual era.. e tinha muito... e que tinha muito em Bragança... muito português? Muito que... que tinha muito lá?
INF2: Bom agora de... de geração assim ninguém sabe porque nóis, eu num sei não porque... nóis só ia daqui até lá ININT era um senhô que [comprava] tudo quanto era a fruta lá ININT ...era de banana, laranja, era...era tudo ele comprava...comprava coco, comprava coco, comprava curruba. Tudo ele comprava... ININT de babaçu.
DOC2: Curruba é um coco?
INF2: Curruba é uma fruta d'uma árvore.
INF1: Do Gapó.
INF2: Tinha muito no Gapó. Aí quando chovia assim, a gente... a gente aqui de casa tinha um [bassari] tinha muita [currupira] nós agarrava e botava um ININT...daqui pr’aculá...e a...a chuva batia aí ela vinha encostano e ficava tudo ali, aí agente ia só ajuntando e botando lá pa ININT. {risos dos informantes} Eh...
DOC1: Seu Chico... o... a dona Maria José falou que o pai dela trabalhou num...num armazém lá em Bragança.
INF2: [Num sei não].
DOC1: Ela disse Figueiró... não lembra? Não lembra de alguma coisa ?
INF2: Não.
DOC1: E a gente tava olhando hoje lá em Bragança pra ver se agente achava qual era.
INF2: Não... num me lembro não. Eu me lembro desse [um] lá ININT que vendia essas coisa lá.
DOC1: E como era o nome do armazém, o senhor lembra?
INF2: Não era um armazém não...
DOC1: Ah! Não?
INF2: ...era só um buteco grande que ele comprava essas coisa para vender. Ele comprava pra revendê. Tracuateua ali nesse tempo só tinha duas casa... [dois... dois], era duas casa que tinha só. E depois foi que veio os maranhense, foi que cresceu Tracuateua.
DOC2: Carro não entrava aqui nessa época também [né]?
INF2: Hum-hum.
DOC1: Não?
INF2: Não [senhora].
DOC1: Só chegava até Tracuateua?
INF2: Era só passava lá, Tracuateua e Bragança, depois foi que ININT uma estrada de Bragança pra cá, pos carro passá ININT... aí foi virando estrada pra todo lado. Finado meu avô... vô contá essa história pa vocês... [cês] pode até gravare ININT e botare num livro pra... né?
DOC1: Hum-hum.
INF2: Ele... ele dizia: "Olhe meus... meus filho." E eu era um... um mulekote assim, com... com dez ano [por aí]... oito ano... uma coisa assim. Ele dizia ININT: "Olhe meu filho, vem chegá o tempo desse mundo [num] trançá de estrada de ferro por todo canto". E nesse tempo num tinha essas estrada que tem por riba de Maré e... Gapó e tudo, num tinha... num tinha. Ele dizia assim: "Vem... trançá de estrada de ferro por todo o canto... é pulo Mangá, é pulo Gapó... aonde... tudo... tudo por onde tem água vai trançá de estrada de... de estrada de ferro”... que é tudo desses caro, né, [que anda indo] ININT na estrada ali dentro de um Gapó quando nós [tê ido] buscá madeira lá dentro, de premêro, né,... “E tudo é caminho do inferno”... essas estrada tudo era caminho do inferno.
DOC2: Ele falava assim?
INF2: É ele falava assim... e eu acredito porque [adepois] aí eu tô pensando no que ele me dizia... porque olhe acontece certo desastre aí, né, nessas estrada que...é certinho né?
Porque ele falava certinho isso aí.
DOC2: É mesmo.
INF2: É.
DOC1: E esse...
DOC2: E o senhor chegou... a andar nessa...depois que fizeram essas estrada de ferro, o senhor chegou a andar nesse trem ?
INF2: Andei ainda... eu ainda fui até que é um lugarzinho aqui chamado Mané do Santo, aqui na beira dessa estrada que vai pa Belém. É lá na... naquela Vila Fátima [cês num] sabe onde é Vila Fátima?
DOC2: É não, não conheço.
INF2: Fica na beira dessa estrada...saiu de Traquateua... na estrada grande, na pista aí... lá adiante pra onde tem um povoadozim que passa pelo [meio], lá que é a Vila Fátima e o Mané do Santo é...é lá mesmo, logo lá encostado assim. Tinha uma casa lá de um senhô que meu tio trabalhava lá. Nóis ia daqui... ele ia trabalhá lá... Mané do Santo... E [eu]... a gente ia... nesse tempo tinha um trem era um... tinha era o misto e o horário. O misto era um... era grande o trem era daqui ININT pra’culá, e o horário era só ININT quatro cinco cabra que ia nele. Mas ele chegava c'a rôpa tudo queimada [meu tio]... meu tio dizia assim: "Olha nóis tem que levá umas roupa usada” ... que a faísca quando entrava pula janela queimava a gente todinho, a roupa da gente... é.
DOC2: Ah... ia soltando faísca.
INF2: Era... era por causa da fogo. Corria fogo... [força] de fogo.
DOC1: Maria fumaça né? ININT a senhora andava de trem dona Benedita, também?
INF1: Andei, só uma vez.
DOC1: Gostou?
INF1: Gostei... até no [Capanema] {o informante ri} Eu gostei de andá no trem.
DOC1: E saía de Bragança? Foi pra [Capanema]. E como foi?
INF1: Peguei no Tracuateua.
DOC1: Sim.
INF1: Bateu lá e...
INF2: Passa a estação... a... o.. a estrada de ferro passava bem naquela estação que tem lá, tem uma estação lá. Ela passa aí, a estrada de ferro passava ININT...
INTERRUP
FICHA TÉCNICA DA TRANSCRIÇÃO
COLETADO POR: Ednalvo Apóstolo Campos & Maria Célia Barros Virgolino Pinto
TRANSCRITO POR: Erika Mayara Pasqual
EDITADO E MONITORADO POR: Raquel Silva
SUPERVISÃO TÉCNICA: Francisco João Lopes
COORDENADORAS: Prof. Dra Margarida Taddoni Petter & Prof. Dra Márcia Santos Duarte de Oliveira