Conversa com Dona Maria José
Conversa com Dona Benedita do minuto 0:40-35 a 0:53:01
Informante: D. Antónia
INFORMANTE 01
NOME: Francisco Antônio do Rosário (Seu Chico)
SEXO: M IDADE: 76
NASCIMENTO: Jurussaca
NÍVEL DE ESCOLARIDADE: Não informado
VIAGENS PARA FORA: Não informado
INFORMANTE 02
NOME: Benedita Araújo
SEXO: F IDADE: 89
NASCIMENTO: Jurussaca
NIVEL DE ESCOLARIDADE: ANALFABETA
VIAGENS PARA FORA: POUCAS VEZES
DOC1: Maria Célia Virgolino
DOC2: Ednalvo A. Campos
DOC 1: Demorava muito pra chegá lá de Tra... de Tracuateua pra Capanema?
INF 1: ININT num demorava muito não.
DOC 2: E pra Belém demorava quanto tempo?
INF 1: Ah... Agora pra Belém demorava... pra Belém eu nunca andei pra lá... pra Belém ININT... num lembro assim a... a hora, né, que andava daqui pra lá e nem de lá pra cá.
DOC 2: A senhora é aposentada Dona Benedita?
INF 2: ININT
DOC 2: É?
INF 2: Sô.
DOC 2: E a senhora recebe onde?
INF 2: Em Bragança.
DOC 2: A senhora vai todo mês lá receber?
INF 2: É.
DOC 1: Como a senhora vai?
INF 2: No horário.
INF 1: O horário passa aqui.
DOC 1: No horário?
INF 1: É.
DOC 2: Horário é um ônibus que passa aqui?
INF 2: É... passa aqui.
DOC 2: No horário?
INF 1: Hum-hum.
DOC 2: Por que que é no horário seu...seu Chico?
INF 1: Porque é o horário é todo dia. {o informante ri}.
DOC 2: Ah! {o documentador ri}
INF 2: Só domingo que eles... num... num passa aqui.
DOC 2: Só domingo que num tem no horário?
INF 1: É... num tem o horário domingo.
DOC 2: Passa de manhã?
INF 2: Vorta meio-dia.
INF 1: É.
DOC 2: Aí a senhora tem que ir cedinho... vai ao banco e volta...
INF 1: É.
DOC 2: ... rápido pra dá tempo?
INF 1: {o informante ri} Nós sai de lá de Bragança doze hora, as veze... doze e meia.
DOC 2: Aí dá tempo de fazê tudo?
INF 1: Dá.
INF 2: Dá.
DOC 2: E gasta quanto tempo pra cá? De volta?
INF 2: Eu num [pago não].
INF 1: ININT qué dizê... de volta quanto tempo?
DOC 2: Ah, sim... é... é… quan... é... o tempo... quanto tempo?
INF 1: Hora?
DOC 2: Sim. Uma hora...?
INF 1: Daqui pra Bragança?
DOC 2: Sim.
INF 1: Ah, a gente vai daqui... e marca aqui cinco hora. E chega aqui uma hora... uma é... uma hora... uma e meia a gente chega... uma hora. [É assim].
DOC 2: Ah, e o... e o... e o valor que paga?
INF 2: Trêi real.
INF1: É. Trêi real de passage daqui pra lá.
DOC 2: Mas o senhô...o senhor num paga também, né?
INF 1: Não. Eu num pago na hora de ir... já tem essa idade, nós num paga.
DOC 1: Esse tempo tá muito loco, né?
DOC 2: Dona Benedita sente aqui. Senta aqui Dona Benedita. Oh... desculpa.
DOC 1: Esse tempo...
INF 2: ININT
DOC 2: O... Seu Francisco contou pra gente do Zé pilim...
INF 2: {o informante ri}
DOC 2: ... e a senhora, o que que conta pra gente?...
INF 2: Eu nada. {o informante ri}
DOC 2: ... conta alguma coisa aí... dessa época?...
INF 2: [Lembro] nada.
DOC 2: ... uma coisa engraçada que aconteceu aqui?
INF 2: Num passava nada ININT {o informante ri}... eu fiquei foi com medo {o informante ri}.
DOC 2: A senhora se lembra disso também?
INF 2: Eu me lembro...
DOC 2: É?
INF 2: ... {o informante ri} eu me lembro, a zoada era muito feia, credo!
DOC 2: Aí depois vocês ficaram sabendo que era...
INF 2: É... é... foi.
DOC 2: ...um avião.
INF 2: {o informante ri} mas também ININT.
INF 1: ININT
INF 2: Achei que era ININT.
DOC 1: É parece uma... uma cápsula, né?
INF 1: Hum-hum.
DOC 1: Redonda, parece um comprimido, né? Uma bolota assim, comprida.
INF 1: É.
INF 2: A senhora mora em Tracuateua?
DOC 1: Não, nós somos de Belém.
INF 2. Ah!
DOC 2: Mas nós estamos aqui em Bragança.
DOC 1: Nós tamos em Bragança.
INF 2: Hum...
DOC 2: É, em Bragança.
INF 1: Hum...
INF 2: Tá certo.
DOC 2: E antigamente, quando a pessoa adoecia, ficava com febre, com alguma coisa, como é que vocês faziam, aqui, na comunidade?
INF 1: Nesse tempo do...do velho, se curava com ININT.
DOC 2: Que... que tomavam?
INF 1: Bom, agora aí...aí num sei explicá porque... [os] remédio que eles fazia era só remédio do mato.
INF 2: ININT.
INF 1: Hum.
DOC 2: Quando uma pessoa ficava gripada, Dona Benedita, que que a senhora dava? A filha da senhora, quando ficava gripada.
INF 2: [Era] cozinhá folha de mato e [dá] pa tomá.
DOC 2: E qual era o mato? A senhora não se lembra?
INF 2: Erva cidrêra ININT... e colocava um dente de alho tombém.
DOC 2: Ah!
INF 2: ININT
INF 1: ININT
INF 2: ... ININT "catinga de mulata", [cruma], mostrada e açucava aquele remédio bem açucadim pra fazê ININT... é... nesse tempo era...
DOC 2: Aconteceu de alguma criança quebrá o braço aqui?
INF 2: Ó, era difícil, né?
INF 1: Não, mas quebrava sim.
INF 2: Mas de vez em quando quebrava, mas num era...
DOC 2: E aí? O que que o pessoal fazia?
INF 1: Fazia um ININT e colocava e amarrava e aí ia tratá de remédio... só trocando remédio, erva e [botano]...
DOC 2: Erva, né?
INF 1: É... botando em cima até colá.
DOC 2: E ficava bom?
INF 1: Ficava... muita gente... e ali... mora uma mulhé ali... que quebrô o braço... foi colado só assim. Se eu ININT essa mulhé que... que ININT [comigo] que Deus já levô... ela quebrô o braço já depois de velha, depois que ela tava comigo. E ela foi curada quase só com... com remédio do mato. E colô. Levô pra... [foi] pra Bragança, chegô lá ele passô oito dia lá num... nem ININT engessaro o braço dela... vei s'imbora, que era pra ir pra Belém, ela disse que num ia. Aí tinha um ININT chamado Macarrão, aí ele é... ele era ININT aí ela foi lá ININT [agarrô], engessô o braço dela. Aí ela foi se tratá assim só com remédio do mato.
INF 2: ININT.
DOC 2: Seu Chico conta outra história aí pra gente.
INF 1: Não. Agora num sei mais [outra] história.
DOC 2: E o [pessoal] num contava história aqui de assombração...de...de...de nada assim, não?
INF 1: ‘Sombração?
DOC 2: Sim. Não tinha essas coisas por aqui?
INF 1: Não [senhô]. Num me lembro não. Mas assombração como, cê diz?
DOC 2: Ah, o pessoal conta várias coisas, né, de...de histórias assim que a gente não sabe, num entende, num sabe explicar.
INF 1: Não... essa eu num sei. Num sei contá não.
INF 2: ININT
DOC2: Era uma parteira...
INF 2: Era.
DOC 2: ... que tinha aqui?
INF 2: Era.
DOC 1: [Senhora] teve todos os seus filhos com parteira?
INF 2: Tudo.
DOC 1: Foi?
INF 1: De premêro num levava mulhé pra tê criança aqui...
INF 2: Não.
INF 1: ... n’ hospital aqui não ININT...
INF 2: ININT tudo na casa.
INF 1: ... tinha tudo aí na casa.
INF 2: Só se fosse um negócio assim de perigo de num podê tê... levava pro hospitá mas... tirando isso não. Agora é só lá mesmo, por caso que num tem mais partêra ININT.
DOC 1: Eram senhoras mais velhas que moravam aqui?
INF: Era.
DOC 1: Dona Benedita, aqui não tinha...por perto nenhuma tribo de... de índio por aqui... por perto?
INF 2: De índio?
DOC1: Sim.
INF 2: Não, [senhora].
DOC1: Não?
INF 2: Não, [senhora]. Nunca... que eu me lembre não. Só se antes, né, pra mim nunca...
INF 1: Podia até tê aqui... mas que a gente, entendeu, num.. num acha [eles].
INF 2: Hum.
INF 1: Agora que a gente ia falá que... se aqui tinha esse coisa de índio [nóis num achemo um aqui].
DOC 1: Lá em Bragança tinha?
INF 1: Lá em Bragança tinha, do ôtro lado de Bragança.
DOC 1: Índio?
INF 1: É. Eles sempre... eles vinha em Bragança. Morava do ôtro lado do rio.
DOC 1: E Tracuateua?
INF 1: Tracuateua num tinha não. Quando a gente ININT num ouvia falá... ouvi falá em... em... que tinha ali em Tracuateua ali... [foi] um maranhense... um maranhense que morava... que eu conheci ali... morando em Tracuateua.
INTERRUP
FICHA TÉCNICA DA TRANSCRIÇÃO
COLETADO POR: Ednalvo Apóstolo Campos & Maria Célia Barros Virgolino Pinto
TRANSCRITO POR: Lígia Maria Marques Silva
EDITADO E MONITORADO POR: Raquel Silva
SUPERVISÃO TÉCNICA: Francisco João Lopes
COORDENADORAS: Prof. Dra Margarida Taddoni Petter & Prof. Dra Márcia Santos Duarte de Oliveira