Conversa com Dona Maria José
- Data 13/07/2010
- Estado Amapá
- Cidade Milho Verde
- Regio
- Conversas
- Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:00:00 a 0:04:58
- Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:46:41 a 0:51:12
- Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:00:00 a 0:04:40
- Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:04:40 a 0:09:21
- Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:09:21 a 0:14:02
- Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:14:02 a 0:18:42
- Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:18:42 a 0:23:20
- Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:23:20 a 0:28:00
- Conversa com o Seu Ivo do minuto 0: 28:00 a 0:32:41
- Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:32:41 a 0:37:18
- Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:37:18 a 0:41:57
- Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:41:57 a 0:46:41
- Seu Ivo - Vissungo
- Conversas
Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:32:41 a 0:37:18
Informante: D. Antónia
INFORMANTE 01
NOME: “Seu Ivo” SEXO: M
INFORMANTE 02
NOME: INDISPONÍVEL SEXO: F
DOC2: Essa ficô bem melhor ó.
{conversa ao fundo}
DOC1: Ah, não se preocupe não seu Ivo...
DOC2: É, não tem problema não.
DOC1: Ainda tem bastante tempo, né?
DOC2: Tem, tem. Eu peguei o outro que a gente só tinha gravado um pouquinho...
DOC1: Ham.
DOC2: ... e dexei o que tinha gravado mais aqui guardado.
{tossida ao fundo}
DOC1: ININT
DOC2: É. {risos} Tem uma hora e... quarenta e seis. Esse tinha um pouquinho da... do outro lá...do... do...
DOC1: Do Valteir, né?.
DOC: É. Valteir, Valtevi?
DOC3: Valtevir.
DOC2: Valtevir.
DOC1: Valtevir. É...seu Ivo não se preocupe não, tá... tudo bom...
{vozes ao fundo}
{risos}
DOC2: Agora botou o negócio na cabeça...
{riso}
DOC1:... ININT tem que deixá...
INF: ...disse assim: “Ô Ivo, num falta nada da redação”...
DOC1: Hum.
INF: ...e eu virei e falei assim: “Mais por quê?”. Ela falou assim: “E tá pronto,
só aqui passou informação pro senhor”. Aí eu falei igual eu expliquei pra senhora
assim, assim, assim, aí ela encheu os zóio d’água. Ela ficou emocionada aqui. Eu
virei e falei: “menina, você... você vai chorá aqui?” ...
DOC1: {risos}
INF: ... e eu que sô muito mole...
DOC1: {risos}
{risos}
INF: ... eu falei pra ela. Ai eu cu... eu sô... eu sô muito mole mesmo... aí eu
comecei... minhas lágrima é que desceu. Aí ela virou e falo assim pra mim: eh... “O
senhor é capaz de fazê um... um versinho?”. Aí eu falei assim: “Simples! Eu faço”.
Aí ela virou, falou assim: “Então... e o título?”. E eu virei e falei assim ó: “Você é
chorona e você me deixou atrapaiado. O título dela é: ‘Corre as minha lágrima’”.
DOC1: Olha. {risos} Ah, dêx’eu vê... Quilombola Ivo Silvério da Rocha, “Corre as milhas lágrimas”. Janeiro de dois mil e nove. “Em decorrer do passado... da minha adolescência, logo comecei a go...”. Posso ir lendo?...
INF: Pode...
DOC1: ... Pra eles ouvir?
INF: ... Pode.
DOC1: Eh... então ó lá: “Em decorrer do passado da minha adolescência, logo comecei a gostar de segredos de vários idosos que sabe dizer palavras diferentes. E assim foi que eu comecei a gostar de ficar sempre perguntando pr’aquelas pessoas em que linguagem falava que eu não entendia. Foi difícil eu adquirir algumas coisas que eu ouvia dizer ou cantar, momentos em que a gravação era só na memória. Pois era comum os mestres cantadores do grupo de catopê e os mestres vissungueiros, os que eu conheci na região, não saber ler nem escrever. O importante é que eles era da memória boa, de muita inteligência, igual na época em que nós vivemos, na aprendizagem, na inteligência, de suas raízes, suas descendência de cada país, de cada estado, e o orgulho de obter seus seguimentos determinados por Deus. O meu conhecimento de vida é baseado no passado, digo, palavra é cultura, trabalho é cultura, cantar é cultura, ler e escrever é cultura. Por isso devemos obter amizades, para que possamos ser reconhecido em vários aspectos. A cultura predomina cada um de nós, mas hoje não basta dizer eu sou de família, sou de geração. É preciso ter compreensão e seremos todos iguais. Só que existem coisas que acontecem e que nunca acabarão em festas, em qualquer trabalho, em diversos momentos do dia-a-dia: o racismo e o preconceito. Por isso está cada dia mais difícil em dar seguimento com a cultura por causa da existência de diferença social na vivência de cada um. Vivemos sem direitos, oprimidos em nossos valores adquiridos e determinados por Deus. Minha função dentro do grupo de Catopé é uma determinação, assim como o chefe tem que ensaiar na vésperas da festa do Rosário, para que os dançantes esforcem para aprender um pouco. Eu como chefe insisto muito na cultura, mas está cada dia mais difícil com as crianças. Eu comecei a dançá com a idade de dezoito anos, estou completando quase cinquenta anos de dança. Sou um pouco conhecedor dos vissungos, mas estamos em decadência, em extinção, está tudo difícil de ensinar e aprender, já sinto tudo perdido. Assim, eu deixo este registro de coração, sempre quis aprimorar mais o meu conhecimento na cultura, mas sempre fomos lesados porque a vida passa, enfim...INTERRUP
FICHA TÉCNICA DA TRANSCRIÇÃO
COLETADO POR: Vanessa Bottasso Valentini e Elisa Bordon
TRANSCRITO POR: Fernando Marques
EDITADO E MONITORADO POR: Vanessa Bottasso Valentini
SUPERVISÃO TÉCNICA: Francisco João Lopes
COORDENADORAS: Prof. Dra Margarida Taddoni Petter & Prof. Dra Márcia Santos Duarte de Oliveira