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Conversa com Dona Maria José

  • Data 13/07/2010
  • Estado Amapá
  • Cidade Milho Verde
  • Regio
  • Conversas
    • Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:00:00 a 0:04:58
    • Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:46:41 a 0:51:12
    • Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:00:00 a 0:04:40
    • Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:04:40 a 0:09:21
    • Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:09:21 a 0:14:02
    • Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:14:02 a 0:18:42
    • Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:18:42 a 0:23:20
    • Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:23:20 a 0:28:00
    • Conversa com o Seu Ivo do minuto 0: 28:00 a 0:32:41
    • Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:32:41 a 0:37:18
    • Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:37:18 a 0:41:57
    • Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:41:57 a 0:46:41
    • Seu Ivo - Vissungo

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Conversa com o Seu Ivo do minuto 0:04:40 a 0:09:21
Informante: D. Antónia


LEVANTAMENTO ETNOLINGUÍSTICO DE COMUNIDADES AFRO-BRASILEIRAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS – TRANSCRIÇÃO (Seu Ivo 4-40 a 9-21)

NOME: Ivo SEXO: Masculino
IDADE:
NASCIMENTO: PAÍS: Brasil
NÍVEL DE ESCOLARIDADE:


DOC: Ah...
INF: E eu não passo, aí vem abrir a escolinha... a escolinha aqui e eu não vou passá. Eu não quero quadro. Não vou... Quem quiser aprendê, tem que ser oral. Eu aprendi foi oral. Como que vou fazer? Durante a festa... Eu sou o chefe. Eu vou pegar um papel na... Que feio! E eu com papel durante a festa. {risos} Como que vai acontecer? No vissungo...
DOC: Ahn.
INF: É...e eu vou dirigí um defunto da onde e vem de lá das roça. Eu tenho que vir cantando com vi... Eu vou tropicá e vou caí. E como que eu vou... {risos} Não, nós aprendemos foi oral. E não posso...
DOC: É isso aí.
INF: ...fazer isso.
DOC: E hoje parece que as pessoas...
INF: E...
DOC: ...não tem mais memória.
INF: Sim, eu vou passá num papel daí eles vão... “Ah, o Ivo...o Ivo é um bobo, ele não quis passá isso para mim no papel.” Eles não vão aprendê mesmo.
DOC: Aham.
INF: Acho que não. Se aprendê eu tô pronto pra ensiná pra eles, mas eu acho que é orgulho. Tem que ser oral.
DOC: Tem que ser oral.
INF: Sim.
DOC: Tá certo. E tem vissungo ainda que de... de... de... de acompanhá enterro. É, acompanha, né?.
INF: Sim. Tá é...é o momento que tá essa... essa linguagem porque é...o único que canta aqui é só eu.
DOC: Hum-hum.
INF: E...é aberto dessa escolinha o ensino do vissungo.
DOC: Hum...
INF: Porque essa que tá na decadência porque... o... adoece um paciente lá na roça... Hoje em dia todas porta tem estradinha de carro que vai lá. Ele adoece aí um carro vai lá pegá ela lá na porta, leva para a cidade. “Ah, fulano de tal foi muito mal para a cidade. Como é que tá fulano de tal?”. “Graças a Deus já tá em casa. Já miorô.” Se morre lá, nós já vê tocando o sino aqui fulano de tal já morreu. Como que nós vamos fazer o transporte de lá? Que era cantado, vinh’de lá da roça...
DOC: Hum...hum-hum.
INF: ...pra cá e o vissungo ele ficou a... na... na implantação assim: aonde que morria que vinha cantando é só de duas região só, é o Baú que era o quilombo e ah... aqui a zona rural que é o Ausente. Era só da cidade. Outros lugar, não. Vinha, chegava com seus defunto calado, mas é o ausente e...e o Baú. ININT
DOC: Ah ta. E só o senhor que continua cantando?
INF: Sim.
DOC: Puxa vida!
INF: E eu fiz... porque é uma... é uma experiência do passado a gente adquiria aquele momento e eu... e eu fui com o... o mo...os menino do...filho do Cris...Crispim.
DOC: Hum-hum.
INF: O pai morreu, os filho tava Belo Horizonte ININT trabalhando. E só tinha um dos mais novo em casa. Aí quando aconteceu e eu não estava bem com a perna. Tava devagarzinho, eu falei assim “Ah, e eu vou lá na casa dele lá fazer uma visita lá.”, mas arrumei um amigo aqui de carro que me levasse lá pra mim andar era muito. Aí cheguei lá os menino falou assim “Ó Ivo, eu quero que você vá fazer o transporte do meu pai como é a aprendizagem que vocês aprenderam, eu quero que leve ele é cantando com os vissungo”. E eu falei assim: “Ah meu Deus... Faço.” Mas na comunidade tem muitos idosos ainda e gente velho eu falei assim: “Vô, tenho...vou procurá por eles”.
DOC: Hum-hum.
INF: Aí cheguei perto do... perto dos velho lá... antes tava descansando uma meia hora pa... pra saí com o corpo. Aí eu chamei... procurei aqueles mais véio perguntei : “Olha, os fio... Me perguntou se eu podia fazer o transporte na linguagem da aprendizagem antiga aí, no vissungo. Vocês mais velho... vocês podia tirá e eu ia respondê, aquela coisa.”. É...os veio, o mais véio... um de oitenta o mais velho que tá aí ainda é vivo, eu acho que é oitenta quase noventa anos. Ele falou assim: “De jeito nenhum. Não aprendi não... oh... nem acompanha o defunto que eu não vou porque eu não aprendo, não aprendi nada.” Pergunto o outro, fal’assim: “De jeito nenhum.” E eu falei assim: “Ah...então é eu mesmo.” {risos} E tirá e respondê que é difícil e tem um respondedor. Eu falei: “Eu vou mostrar para eles.” e eu abri ININT ele na linguagem porque tem que ter isso. Pedi licença na linguagem lá pra família na hora de sair com o corpo e dei continuidade cantando. Puseram o... o... corpo no caix... no... no carro do outro lado porque o transporte era muito pra vim ou nas costas ou na mão...
DOC: Aham.
INF: ...quando chegou no pé do morro embaixo aqui e... aí eu entrei é... aí eu desci do carro e...



FICHA TÉCNICA DA TRANSCRIÇÃO

COLETADO POR: Vanessa Bottasso Valentini e Elisa Bordon
TRANSCRITO POR: André Victor Oliveira Conde Malta
EDITADO E MONITORADO POR: Vanessa Bottasso Valentini
SUPERVISÃO TÉCNICA: Francisco João Lopes
COORDENADORAS: Prof. Dra Margarida Taddoni Petter & Prof. Dra Márcia Santos Duarte de Oliveira

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