Conversa com Dona Maria José
Conversa com Dona Clemência do minuto 0:00:00 a 0:04:50 do Video 02
Informante: D. Antónia
Conversa com Dona Clemência... Milho Verde do minuto 0:00:00 a 0:04:50 do Video 02
Informante: Dona Clemência
Nome: Clemência da Conceição Brandão
Sexo: F
Idade: 54 anos
Local de Nascimento: Serro (quilombo do Ausente)
Nível de Escolaridade: Ensino fundamental I completo
DOC 1: Pra gente gravá.
INF: Hum...
DOC 1: Como é que é o nome da senhora completo?
INF: Meu nome é Clemência da Conceição Brandão.
DOC 1: Hum... e a senhora é daqui de... INTERRUP
INF: Eu sou de Ausente.
DOC 1: Nasceu aqui?
INF: É eu sou daqui, agora...
DOC 1: Ah?
INF: ... a naturalidade da minha família é do Baú.
DOC 2: Ah... do Baú... o outro... o quilombo?
DOC 1: Ah... do Baú.
INF: É o Baú o... o outro... o quilombola aqui.
DOC 2: Hum...
DOC 1: Aham.
INF: Então eu sou daqui do Ausente porque eu nasci aqui...
DOC 1: Aham.
INF: ... mas a minha mãe é do Baú.
DOC 1: E o Baú... ham... é a mesma família INTERRUP
INF : A mesma família minha.
DOC 1: Ah... ta... eh... eh...
INF: Quilombola.
DOC 1: De Jesus?
INF: Ham?
DOC 1: Sobrenome é
INF: Meu nome?
DOC 1: O... o... o... o sobrenome é de Jesus?
INF: Não.
DOC 1: Não.
INF: Clemência
DOC 1: Clemência
INF: da Conceição
DOC 1: da Conceição
INF: Brandão
DOC 1: Brandão... ah... [por que] eu ouvi de Jesus?
INF: Não... é Brandão
DOC 1: Clemência da Conceição Brandão.
INF: Brandão... é
DOC 1: Então lá tem a mesma família Brandão, lá no Baú?
INF: Lá já não tem Brandão.
DOC1 : Ah... ta.
INF: Lá pode tê alguma mistura do que... dos que casaro dela.
DOC 1: Ah... ta.
INF: Porque eu assino Brandão...
DOC 1: Hum?
INF: ... mas não é porque eu sô da família dos Brandão...
DOC 1: Hum...
INF: ... é por conta do meu casamento.
DOC 2: Hum...
DOC 1: Ah... do seu marido que era daqui.
INF: É o meu marido é daqui e... é da família do Brandão.
DOC 1: Uhum.
INF: Então antes... antes a tempos atrás como eu tô casada até... com trinta e quatro anos de casamento então... eh... eh... era essa lei era assim...
DOC 1: Hum
INF: ... de... o nome da gente sê eh... eh... eh... ome... [tinha] o aumento no nome da gente com o do marido, né?
DOC 1/DOC 2: Uhum.
INF: Agora hoje já não, hoje já num é assim hoje já é... já... tira... tira um nome ou não ou deixa o nome todo da... da... da... da mulher, né?
DOC 2: Uhum.
INF: E... e coloca só um do marido.
DOC 1: Uhum.
DOC 2: Isso.
INF: É isso que é o casamento hoje...
DOC 1: É.
INF: ... mas nesse que eu passei nele já foi diferente
DOC 1: É.
INF: É então tirô o do meu pai e colocô o do marido {risos}
DOC 2: Ah... ta.
INF: Então é onde que eu sô eh... Clemência da Conceição Veríssimo
DOC 1: Veríssimo que é o do seu pai?
INF: É do meu pai.
DOC1 : Ah... ta.
INF: Eu sô irmã do... do Crispim.
DOC 1: Ah... você...
DOC 2: Ah... do Crispim...
DOC 1: Que fazia INTERRUP
INF: É isso aí... ele INTERRUP
DOC 1: Que cantava vissungo?
INF: Isto, eu sô irmã dele.
DOC 1: Irmã do Crispim...
INF: É.
DOC 1: ... é isso.
INF: Aí então eh... nós somos... era uma família muito grande e hoje resumiu só em duas, só eu e Maria minha irmã.
DOC 1: Ah... tá e... e como é que surgiu esse... essa região aqui de Ausentes já era quilombo, senhora podia contá pra gente como é que a história.
INF: Olha eu não posso falá pra senhora po... porque o quilombo... a gente foi se entendê como quilombo...
DOC 1: Hum
INF: ... é de certo tempo pra cá que a gente tava vivendo sem sabê como...
DOC 1: Hum-hum
INF: ... como que era essa passagem de quilombo, entendeu?
DOC 1: Uhum.
INF: Então a gente foi entendê isso foi de certo tempo pra cá que... que as pessoas que tinha... e... eh... nação de escravos, né?
DOC 1: Uhum.
DOC 2: Hum...
INF: É que essas nação é que era as nação de quilombolas... de africanos, né?
DOC 1: Hum?
INF: Aí que nós foi entendê, mas eu não posso falá se aqui se já era quilombo não, talvez sim.
DOC 1/DOC 2: Talvez sim.
INF: É isso aí...
DOC 1: Uhum.
INF: ... porque os que era tido aqui era tido nascido e criado aqui mesmo.
DOC 1: E a sua mãe não contava histórias assim do tempo de cativeiro? Não tem falado [nada] INTERRUP
INF: Não, mãe...
DOC 1: Não?
INF: ... mãe não era ainda do tempo do cativeiro
DOC 1: Não era?
INF: Num era não.
DOC 1: Ela era mais nova.
INF: Ela era mais nova.
DOC 1: Aham.
INF: É... nem meu pai que era mais velho que ela não chegô a contá nada do tempo do cativeiro não.
DOC 1: Uhum.
INF: Só contava assim... assim o tempo do cativeiro contava sim porque os outros passava pra ele não que ele estava nessa época dos cativeiro não.
DOC 1: Aham... certo.
INF: Então eles não foro escravo não, quem foro escravo foi a minha tataravó.
DOC 1: Aham.
DOC 2: Ham
INF: Isso aí ele passo pra nós.
DOC 2: Certo.
INF: Foi escravo [então] inclusive ela era a bisavó de... de meu pai... a bisavó de meu pai... meu pai inclusive ele não é daqui meu pai é da... da...do... da... da África, o meu pai é da África.
DOC 1: Ah é?
INF: Meu pai INTERRUP
DOC 1: Cê sabe de que lugar ele é?
INF: Num sei o lugar.
DOC 1: Num sabe.
INF: Meu pai veio da África.
DOC 1: Ah...
INF: Aí de lá pra cá ele veio vindo as família era transportada era assim pela assinatura igual fosse um animal, né?
DOC 1: Aham.
INF: Então ele veio trans... a... a família dele não ele...
DOC 1: Aham.
INF: ...veio transportada assim pa... por fazenda em fazenda.
DOC 1: E o nome dele num... num sabe também?
INF: O nome do meu pai?
DOC 1: Do avô.
INF: Do avô eh... eh... acho... acho... do avô... do... aí já não é avô meu aí é tataravô meu.
DOC 1: Tataravô?
INF: Tataravô eu não sei eu só sei do avô.
DOC 1: Do avô?
INF: É do avô eu sei.
DOC 1: É?
INF: É.
DOC 1: [Como é que é?]
INF: Aí então ele... ele contava assim que... [foram vino] em... em... tropas que antigamente o... o... povo antigo andava pelas fazenda afora em tropas.
DOC 1/DOC 2: Hum...
INF: Era vendido pros senhores...
DOC 1: Aham.
INF: ... carimbados então inclusive essa tataravó nossa ela morreu sem nin... ninguém amançá ela... ela morreu sem ninguém amaçô ela.
FICHA TÉCNICA DA TRANSCRIÇÃO
COLETADO POR: Vanessa Valentini, Elisa Bordon e Margarida Taddoni Peter
TRANSCRITO POR: Milena Trude Lima
EDITADO E MONITORADO POR: Elisa Bordon
SUPERVISÃO TÉCNICA: Francisco João Lopes
COORDENADORAS: Prof. Dra Margarida Taddoni Peter & Prof. Dra Márcia Santos Duarte de Oliveira