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Conversa com Dona Maria José

  • Data 13/07/2010
  • Estado Amapá
  • Cidade Milho Verde
  • Regio
  • Conversas
    • Conversa com Dona Paré do minuto 0:09:16 a 0:13:53
    • Conversa com Dona Paré do minuto 0:00:00 a 0:04:38
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Conversa com Dona Paré do minuto 0:04:38 a 0:09:16
Informante: D. Antónia

Informante: Dona Paré

Nome: Maria Aparecida da Silva Martins
Sexo: F
Local de Nascimento: Bom Despacho
Nível de Escolaridade: Ensino médio completo

INF 1: A moça tem um cabelo bonito...
DOC 1: Hã.
INF 1: ...né? O oranjê da ocaia é avura. Qué dizê grande, é bonito. [É] a expressão aqui que a gente usa, né? Então assim, a gente não dexô apagá, a gente fala mesmo, fala palavrão também, né, só que tem certos palavrões que a gente num... num... num traduz, né? A gente tá rindo todo mundo mas assim, já fica meio receoso de falá. Mas nós conservamo a linguagem, [aqui] pra cima é... é... é show.
DOC 1: É? E tem muita gente fora da Tabatinga que fala também? Que conhece a língua, como é que INTERRUP
INF 1: Tem, mas assim, esse pessoal que [vão muito pra] carvoeira, né, [porque em] carvoeira fala muito. Meu marido por exemplo aprendeu através de carvoeira, tá? Mas ele [já] não sabe [assim] muita coisa.
DOC 1: Que que é carvoeira? Desculpa, é que a gente aqui [não sabe]...
DOC 2: ININT
DOC 1: ...ININT
INF1: É ININT carvoeira, de fazê carvão
DOC 1: ININT carvão?
DOC 2: É ININT carvão.
DOC 1: Ah que faz carvão?
INF 1: É.
DOC 1: Ah pensei que fosse um lugar que INTERRUP
INF 1: Aí junta todo mundo né INTERRUP
DOC 1: Ah tá, daí eles [ficam] INTERRUP
INF 1: É, a diversão deles lá é bebê cacha matuaba né, que é bebê pinga {documentador 1 ri} e falá...
DOC 1: E falá.
INF 1: ...o dialeto. Então a gente fala muita coisa, é.... a gente usa muita a linguagem.
DOC 1: Uhum.
INF 1: Quando tá na roda que é bom, porque aí cê morre de rí.
DOC 1: E ninguém tá entendendo né? INTERRUP
INF 1: Ninguém tá entendendo.
DOC 1: Fora ININT.
INF 1: A gente conta caso, né, fala da pessoa, e a pessoa nem imagina que a gente tá falando dela. {documentador 1 e o documentador 2 riem} Nem... nem passa.
DOC 1: Nem passa?
INF 1: É, nem passa. É... por exemplo a... a cooperativa, ela lançou um leite [aqui] com nome de mavero, né?
DOC1: Hã.
INF 1: Então mavero é o leite, avero é o seio.
DOC 1: Ah tá.
INF 1: ININT avero avura, qué dizê, tem um seio bonito.
DOC 1: Uhum tem um seio bonito.
INF 1: Aí tá vendo, ninguém, né, é... toma assim ININT.
DOC 1: mavero e avero.
INF 1: É... confeconfe, boca. Os olhos, tiparo. É... que mais xô vê. [Igual] esses dias eu fui num velório aí. Cuete puxô o isquife eterno.
DOC 1: Ah.
INF 1: Qué dizê, o homem morreu né?
DOC 1: Morreu. Caxô o isquife eterno.
INF 1: É, caxô o isquife eterno. E injirô pro conjolo de São Pedro. {documentador 1 ri} Aí todo mundo sabe que {documentador1 e documentador2 riem} INTERRUP
DOC 1: ININT a casa de São Pedro. {documetador 1 ri}
INF 1: É. Então [tem] vez assim, a gente tá no [verão]... [por exemplo] tem pessoas que eu nem chego perto deles. Que se você num conhece sê num fica sem rí, sabe? {documentador 1 e documentador 2 riem}
DOC 1: ININT
INF 1: Conhece ocê, sabe? {documentador 1 ri} É... quando [morre] uma menina nova, criancinha, aí que eu já num chego. Que eu falo: “cuxipa avura injirô”, qué dizê, ela... né? {documentador 1 e documentador 2 riem} Foi embora, né? Então tem muita coisa assim que ocê... cê... o povo leva muito também pra maldade, então...
DOC 1: É. Cê acha também que dá pra fala tudo na língua.
INF 1: Fala.
DOC 1: Dá pra falá qualquer coisa.
INF 1: Tem gente que fala mais do que eu, ainda.
DOC 1: Dá pra falá qualquer coisa.
INF 1: Tem gente aí que eu perto dele sô fichinha.
DOC 1: Aham.
INF 1: Sabe? Esses rapazes, por exemplo esse Vitoriano. Ele dá show de bola ali na Cruz do Monte. Ele tem um boteco...
DOC 1: Hã.
INF 1: ...que a gente reúne lá...
DOC 1: Hã.
INF 1: ...e faz uma roda e... só pra tipurá o dialeto né? É bom demais.
DOC 1: ININT
INF 1: É. Cruz do Monte. Aí junta com o Cruz do Monte com a Tabatinga, são as duas INTERRUP
DOC 1: Ah tá, são as duas [ruas] ININT.
INF 1: Que a origem...
DOC 1: Que a origem...
INF 1: ...é forte.
DOC 1: ...é forte.
INF 1: É.
DOC 1: E... e... eles falam que é quilombo, cê já... cê acha que é um quilombo urbano, a Tabatinga? Que que cê acha que é? Porque eu já li alguma coisa dizendo que...
INF 1: É.
DOC 1: ...a Tabatinga é um quilombo urbano.
INF 1: Ah eu acho um quilombo meio inventado.
DOC 1: Então fala aí o que que cê pensa. {documentador1 ri} Que se acha?
INF 1: Não, eu...
DOC 1: Cê acha que...
INF 1: ...assim...
DOC 1: ... cê acha que...
INF 1: ... não, não é...
DOC 1: ...não é?
INF 1: Não, não... assim, eu não tenho muito conhecimento daquele lado ali não. Mas eu [acho]...
DOC 1: Uhum.
INF 1: ...assim, justamente por isso... por a gente... sabe, assim... a forma que...
DOC 1: Qué dizê, as pessoas moravam ali, era uma rua, como é que era no passado a Tabatinga? ININT
INF1: Ela era uma rua só...
DOC1: Uhm.
INF 1: ...né? Hoje não. Hoje a Tabatinga mesmo ela é estreitinha ali...
DOC 1: Uhum.
INF 1: ...e inda tem as origens dos... de gente antiga ali, né?
DOC 1: Uhum.
INF 1: Mas eu acho que... sobre o quilombo, eu acho que inda é... inda é meio fraco.
DOC 1: É?
INF 1: É. [Sabe] é... tem um quilombo que foi... Dona Sebastiana, né Iara? Toca lá o... aquele... aquele... aquela creche lá, [no] quilombo, mas assim, a gente não tem muito conhecimento não.
DOC 1: Vocês da Tabatinga não acham que vocês são quilombo.
INF 1: Não, num acho não. Eu acho que INTERRUP
DOC 1: E vocês são de uma família só ou são várias famílias? Como é que é na Tabatinga?
INF 1: Não, são várias famílias.
DOC 1: Tem várias famílias?
INF 1: É. Várias gerações. É... Tabatinga é antigo, é um dos bairros mais velhos de Bom Despacho.



FICHA TÉCNICA DA TRANSCRIÇÃO

COLETADO POR: Margarida Taddoni Petter, Elisa Bordon e Vanessa Bottasso Valentini
TRANSCRITO POR: Bruna Heer
EDITADO E MONITORADO POR: Elisa Bordon
SUPERVISÃO TÉCNICA: Francisco João Lopes
COORDENADORAS: Prof. Dra Margarida Taddoni Peter & Prof. Dra Márcia Santos Duarte de Oliveira

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