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Conversa com Dona Maria José

  • Data 13/07/2010
  • Estado Amapá
  • Cidade Milho Verde
  • Região
  • Conversas
    • Conversa com Dona Clemice do minuto 0:14:32 a 0:19:25

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Conversa com Dona Clemice do minuto 0:14:32 a 0:19:25
Informante: D. Antónia

INF: que eu já vou chegando eu... eu sei que...
DOC 1: Sabe mesmo.
INF: ...né, o sistema.
{Risadas}
DOC 1: Que bom né?
DOC 2: Sabe o sistema.
DOC 1: Que bom né?
INF: A gente sabe, né.
DOC 1: Por que é que chama Ausentes aqui? Por que é que deram esse nome Ausentes?
INF: Ora, o Ausente, assim que o Crispim conto... porque é ele que teve mais [ponsabilidade] de aprende porque ele que viveu mais que nós... é muito mai véio do que nós, porque eu sou a caçula, eu não sei nada quase, quem sabia tudo era ele então ele conto por isso... as primera {gritando} família que moro aqui...
DOC 1: Hum .
INF: ...abandono... abandono essa localidade.
DOC 1: Hum.
INF: ...então quando eles saiu, que eles abandonaram eles falaram pois agora o lugar agora fico... vai fica chamando Ausente porque eles ausentaram daqui...
DOC 1: Ah tá.
INF: ...e ficou o lugá vazio...
DOC 1: Uhum.
INF: ...que são as três famílias que moro aqui primeiro....
DOC 1: Hum.
INF: ...agora depois de essas famílias que moro e au... e ausento...
DOC 1: Hum.
INF:...é que [origiu] o povo foi chegando e [origiu]... tanto é que a família mais velha que é daqui é a família Brandão...
DOC 1: Brandão.
DOC 2: Ah .
DOC 1: E eram negros também ININT?
INF: Também negros ói... negros mesmo...
DOC 1: Negros mesmo.
INF: ... oh... é, igual eu mesmo.
DOC 1: E aqui na... na...na comunidade de Ausentes era um quilombo, né, de Ausentes?
INF: É.
DOC 1: São todos negros que moram aqui?
INF: Todos negro. Todos negro. Aqui...eh.
DOC 1: Quantas famílias mais ou menos tem? Muitas né?
INF: Eu acho que deve ter uns noventa e seis por aí família.
DOC 1: Ahn... famílias?
DOC 2: Nossa.
INF: É, famílias.
DOC 1: Cada família tem uns quatro ou cinco?
INF: Filho?
DOC 1: Filho.
DOC 2: Filho.
INF: Ah... tem até mais.
DOC 2: Nossa.
DOC 1: Tem até mais?
INF: ININT não vai acha as casas cheia porque mais tá fora de que estão morando aqui.
DOC 2: Ah é?
DOC 1: Ah... estão fora onde?
INF: Belo horizonte, São Paulo... todo lado... Brasília tudo ININT.
DOC 1: Ah... e aqui ficam só os pais.
INF: Só os pais mesmo...só nós mesmo inclusive eu tenho quatro lá em Belo Horizonte e quatro aqui.
DOC 1: Uhum.
INF: E tenho minha fia casada ali em cima e a ôta aqui...que o ôto que saiu daqui agora pá casá INIT...e minha filha casada que mora aí na frente aí...então com dois que eu tenho dentro de casa aqui fico quato aqui e quato lá...tenho quato trabaiando lá em Belo Horizonte e agora...que... que a dona a Júlia treze filhos, todos treze é vivos...
{Tosse}
INF: ...mas cê vai acha lá dentri, lá na casa dela agora o que? Só neto.
DOC 1: Hum.
DOC 2: Ah.
{Risada}
INF: E ai onde é que... por conta de quê que foi obrigado a saí daqui? Por que? Porque aqui não corre dinheiro...
DOC 2: Hum.
DOC 1: Ah.
INF: ...não tem trabalho.
DOC 2: Esse é o problema.
DOC 1: Só na roça?
INF: Só a roça memo... e a roça não dá futuro.
DOC 1: Não dá.
INF: Isso é que é o pobrema.
DOC 1: É.
INF: Agora se fô pá mim acostuma na... na... na cidade assim eu não acostumo porque eu via que eu vou fica com os meus filhos lá em Belo Horizonte até oito dia eu fico bem...
{Risada}
INF: ...mas passo de oito dia deu saudade das minhas galinha, meus porco... e minha fia a casa me cabe mai não... vou fica só daqui... daquele portãozinho pá dentro?
{Risada}
INF: ININT eu quero é ar livre... vou po lado daqui vou lá po lado de lá do rio...
DOC 1: É... é.
INF: ...ININT milho verde ININT Serro ININT agora eu vou ficá presa sendo que eu num... num fiz nada, vou fica presa?
{Risada}
INF: Esta... isso não é comigo não... a gente tem que falar o que ININT
DOC 1: Pois é né... pra quem acostuma numa vida...
INF: É...não.
DOC 1: ...saudável né...
INF: Saudável.
DOC 1: ...ar puro né não tem barulho.
INF: Eu sei não tenho nada mas eu... eu sou feliz... sou feliz.
DOC 1: Mas tem o importante, né,... tem comida, tem casa.
INF: E... quero...Tem graças a deus... e quero vê o que também? Quero ver se trazo meus filho de lá pra cá porque se... se a gente aqui tá falando que aqui não é tão bom mas fora daqui também não é fácil não...
DOC 2: Hum.
DOC 1: Hum.
INF: ...principalmente pra quem paga aluguel.
DOC 1: É.
INF: Não dá futuro quem paga aluguel não tem sobra de nada tem que fazer a máxima economia pra pode colocá alguma coisinha no lugá... e que o aluguel come tudo.
DOC 2: Uhum.
INF: Então... é uma vida que se torna agora... pra mim que já to nessa idade eu acharia melhó ficá assim memo do jeito que tá assim... com a pouca renda mesmo mas que...vomo em frente né?...
DOC 1: É.
INF: ...assim como não tinha estrada de carro hoje em dia já tem, quem sabe algum dia apresentam uma indústria aqui que possa melhorá, não é?
DOC 2: É...é verdade.
INF: Quem sabe, não é?
DOC 1: É.
DOC 1: Que... aqui pertence a Milho Verde...
INF: É Milho Verde.
DOC 1: ...ou pertence a Serro, né?
INF: É Serro.
DOC 1: Pertence a Serro, né?
INF: É Serro, Serro. Aqui é município de Serro.
DOC 1: Município de Serro.
INF: É.
DOC 1: E... e aqui tem alguma festa, fazem alguma festa que reúne o pessoal de...
INF: Tem a festa da Nossa Senhora da Aparecida.
DOC 2: Ah é?
DOC 1: Ah... É aqui mesmo?
INF: É dentro do Ausente.
DOC 2: Opa.
INF: É aqui...inclusive nós tomo construindo dia doze de outubro.
DOC 1: Dia doze?
INF: Nós tomo construindo a igreja.
DOC 3: É o dia da Nossa Senhora mesmo.
DOC 1: É dia da Nossa Senhora da Aparecida.
DOC 2: É dia doze mesmo.
INF: É dia doze... ah... então é o dia... é o dia, que aqui som pouco que sabe reza o terço...aqui é só eu.


FICHA TÉCNICA DA TRANSCRIÇÃO

COLETADO POR: Margarida Taddoni Petter, Elisa Bordon
TRANSCRITO POR: Soraya Zupelari Nyilas
EDITADO E MONITORADO POR: Elisa Bordon
SUPERVISÃO TÉCNICA: Francisco João Lopes
COORDENADORAS: Prof. Dra Margarida Taddoni Peter & Prof. Dra Márcia Santos Duarte de Oliveira

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