Um programa de semiótica materialista

minicurso na fflch-usp

conferencista convidado:

Jean-Marie Klinkenberg
(Université de Liège; Groupe μ)

ementa geral    

Greimas observava em 1970: “Pode-se dizer que os progressos da semiótica, nos últimos tempos, consistem essencialmente na elaboração de seu campo de manobra, na exploração mais aprofundada das possibilidades estratégicas de apreensão da significação. Sem que saibamos algo mais sobre a natureza do sentido, aprendemos a conhecer melhor onde ele se manifesta e como se transforma” (Sobre o Sentido).

O objetivo deste curso não será o de acrescentar uma contribuição — mais uma — aos estudos que mostram detalhadamente como o sentido se manifesta em tal ou qual contexto (social, científico, artístico...) e os efeitos que ele aí produz, ou ainda, como é possível descrevê-lo nessas diferentes configurações. Sua ambição será a de saber mais sobre a natureza do sentido, que para Greimas continuava a ser enigmática, ainda que — promessa de um desvendamento desse mistério? — ele tenha chegado a postular um sentido do mundo natural.

A fim de realizar esse programa de semiótica do mundo natural, todo ou quase por construir, será preciso resolver um problema que a semiótica e a linguística, ora ignoraram, ora reservaram a tempos mais alvissareiros: de onde vem o sentido? Como e por que ele nasce? Parafraseando o célebre dito de Leibniz, enfrentaremos frontalmente a questão “Por que é que há sentido, em vez de nada?”. Responder a essa questão deve permitir-nos compreender melhor como o sentido se transforma, não através de um enunciado ou série de enunciados, porém agora na experiência do universo e no grande texto social.

A questão da natureza do sentido encontrará um esboço de resposta na questão do sentido da natureza. Uma natureza na qual se insere e da qual faz parte o corpo vivo e perceptivo do sujeito semiótico. De fato, se quisermos ter esperanças de ultrapassar o estágio da especulação para dar uma resposta à questão levantada, devemos romper com essa tradição especulativa. E deveremos nos voltar para as ciências que se ocupam efetivamente dos fenômenos de sensorialidade: a neurologia, a psicologia experimental e, de maneira ampla, as ciências da natureza. Diálogo que, evidentemente, vem ao encontro da vocação interdisciplinar da semiótica.

Inscrições gratuitas

Para participar, favor preencher o Formulário de Inscrição

programaÇÃO  (clique para abrir a PÁGINA)

Aula 1. Dos sentidos ao sentido – dia 23/04

Aula 2. Categorizar – dia 24/04

Aula 3. Signos e utensílios – dia 25/04

Aula 4. Recategorizar: ciência e arte – dia 26/04

Jean-Marie Klinkenberg é membro da Académie Royale de Belgique e Professor Emérito da Universidade de Liège. Participante do Haut Conseil de la Francophonie, é consultor permanente junto às Editions Larousse e presidente do Conseil supérieur de la langue française, posição que também ocupou entre 1993 e 1997. Membro do conselho editorial de vários periódicos científicos, preside a International Association for Visual Semiotics.

Fez mestrado em Filologia Românica e doutorado em Filosofia e Letras; juntou-se, em 1967, aos pesquisadores que fundaram o Groupe μ, em cujo âmbito segue pesquisando e publicando. Foi professor visitante em Tel-Aviv, México, Urbino, São Paulo, Montréal, Jyväskylä, assim como titular da Chaire Francqui em três ocasiões, (1995-1996, 1999-2000, 2000-2001), é assessor do CNRS, do FNRS, do NFWO, da AUF e de diversas instituições científicas internacionais.

Autor de mais de seis centenas de títulos, vários traduzidos para dezenas de línguas - lista de seus principais livros - tem como linha mestra de sua produção, num amplo leque de interesses, investigações sobre a emergência do sentido e o valor. De seu início na estilística, logo se dedicou à retórica e à poética, donde chegou à semiótica geral. No âmbito da semiótica, sua obra atual tem-se concentrado principalmente na semiótica visual.

O curso é promovido pelo Grupo de Estudos Semióticos da FFLCH-USP, com o apoio da Pós-Graduação em Semiótica e Linguística Geral, e como parte do acordo WBI-CAPES entre Liège e São Paulo. Parceria com o GERAR-FFLCH-USP (Profa. Dra. Lineide Mosca, coord.).

Organização do curso:

Elizabeth Harkot de La Taille
Waldir Beividas
Ivã Carlos Lopes

:. contato dos organizadores

Klinkenberg

De 23 a 26 de abril de 2012, das 14 às 17 horas.
Prédio de Letras da FFLCH-USP, sala 107.

O curso, ministrado em francês, é aberto a toda pessoa interessada.

Os ouvintes com presença em, pelo menos, três palestras receberão certificado de frequência.

Após o curso, o professor Klinkenberg proferirá ainda uma palestra no FAPS - Fórum de Atualização em Pesquisas Semióticas -, na sexta-feira, 27 de abril, das 14h00 às 15h30.