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vol. 5, n. 1
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ISSN
1980-4016
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volume 5, número 1
junho de 2009
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S U M Á R I O

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| :. O semi-simbólico na arte [pdf, 1,42 Mb] |
| Stefania CALIANDRO |
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Depois de esboçar, preliminarmente, algumas hesitações a respeito da definição do semi-simbólico,
propomos a exploração de certas intuições
estimulantes provenientes dos textos de seus primeiros teóricos,
mediante a utilização de materiais artísticos
heterogêneos colhidos na obra do pintor e escultor Anselm Kiefer.
Conscientes do uso heterodoxo que fazemos da
noção de semi-simbólico, desejamos sugerir a
releitura de algumas acepções, que parecem, num primeiro
momento, fornecer precisões laterais ou simplesmente
subsidiárias, mas que levam a repensar a função
operacional dessa noção, até verificar se essas
acepções encerram argumentos sólidos para sua
evolução. Em particular, a concepção de uma
espécie de motivação parcial, no
próprio fundamento filosófico e semiótico da
noção, leva a analisar e entender tanto o modo de
criação e fruição do sentido quanto os
efeitos de despistamento das significações que atuam na
estética de Kiefer.
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| :. Questões de gênero nas Catilinárias [pdf, 135 kb] |
| Rafael Sento-Sé Guimarães FALCÓN |
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O objetivo deste
artigo é explicar, preliminarmente, a estrutura dos
gêneros retóricos na Antiguidade Clássica, a saber:
deliberativo, epidíctico e judicial. Essa divisão em
três gêneros, encarada pelos teóricos e pelos
próprios oradores como descritiva e normativamente útil,
será examinada com vistas à aplicação
desses conceitos nas Catilinárias, Prima e Secunda.
Esses discursos, do orador Marco Túlio Cícero, desafiam a
classificação antiga, por misturarem os gêneros.
Sendo assim, procuraremos explicá-los, servindo-nos
principalmente do instrumental oferecido pela semiótica de linha
francesa, mas lembrando igualmente os conceitos formulados por Bakhtin
e pela escola francesa de Análise do Discurso, conceitos esses
que foram herdados pela semiótica greimasiana. Entendemos que o
gênero, definido pela semiótica como “uma classe de
discurso, reconhecível graças a critérios de
natureza socioletal”, é ele mesmo constituinte do sentido
do discurso, por revelar escolhas do enunciador e, ao mesmo tempo,
determinar uma postura de recepção do discurso, no que se
refere ao enunciatário. Mais ainda, o gênero é
determinante na cenografia, ou seja, possui coerções que
afetam a maneira do enunciador revelar-se e construir-se, dando-lhe
regras específicas com as quais jogar; sendo assim, o estudo dos
gêneros parece-nos imprescindível para compreender o éthos de Cícero nas suas duas Catilinárias.
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| :. Alfabetização visual: uma abordagem arte-educativa para a contemporaneidade [pdf, 857 kb] |
| Maria Márcia Costa OLIVEIRA |
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Diante da
complexa realidade social contemporânea, a qual disponibiliza
todo tipo de informação por meio dos mais variados
sistemas linguísticos e aparatos tecnológicos, a escola
necessita formar um cidadão capaz de interagir e se comunicar
através de todos esses meios. Nesse contexto, uma linguagem
constantemente utilizada é a visual. Ao situar a origem da
linguagem visual na história da arte, tem-se a
arte-educação como a principal responsável pelo
ensino dos códigos linguísticos visuais – os quais
constituem as imagens criadas e difundidas pelos diversos meios de
comunicação. Dessa forma, este artigo propõe uma
abordagem arte-educativa que auxilie os indivíduos na
realização de uma leitura crítica das ideias e
valores veiculados no mundo hoje através dessas imagens. Para
tanto, analisa algumas das utilizações e
aplicações dos conhecimentos visuais pelos meios de
comunicação e pelo marketing. Em seguida,
associa-os a conceitos e procedimentos criados no contexto
artístico, evidenciando como a comunicação e o marketing
se apropriam do repertório artístico, e mais, como o
conhecimento prévio do universo da arte potencializa a qualidade
da leitura que o indivíduo realiza dessas imagens. Conclui-se
que a alfabetização visual amplia o olhar do
indivíduo, o limite e a abrangência de sua
percepção, sendo, portanto, imprescindível para
uma atuação consciente e crítica na sociedade
contemporânea
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Como e por que dar aulas de semiótica on-line [pdf, 129 kb] |
| Ana Cristina Fricke MATTE |
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Aula de semiótica num web chat,
com computadores em classe ou a distância, isso é
possível? Mais do que possível, é promissor, pois
transforma a própria aula em objeto escrito, que pode ser
retomado a qualquer momento, e em questionamentos, que podem ser
desenvolvidos em discussões extraclasse pela turma. Este artigo
discute uma metodologia de ensino de semiótica que se utiliza de
web chats. Abarca desde a parte
técnica, na qual são descritas as ferramentas utilizadas
para criar as salas de aula virtuais e apresentados ambientes virtuais
de aprendizagem, até as formas de adequação do
espaço virtual do web chat para maximizar a
experiência interativa entre professor e alunos e entre alunos,
abordados principalmente na dimensão cognitiva da narrativa. A
aula é vista como uma experiência necessariamente
hierárquica entre destinador e destinatário, mas seguindo
a abordagem semiótica com precisão, é entendida
como um tipo de hierarquia na qual a participação de
ambos os actantes é ativa e recíproca. São
discutidas formas de avaliação e a relevância da
utilização de recursos on-line inclusive para
criar sentido comunicativo nos trabalhos realizados. Além disso,
os papéis actanciais correspondentes são discutidos em
diferentes situações de salas de aula, desde salas
concretas até salas virtuais. O resultado do trabalho: uma
participação massiva dos alunos, que se tornam
moralizadores de sua atuação conjunta com o professor.
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Frevo-enredo: de como o samba tende a se tornar marchinha de carnaval [pdf, 144 kb] |
| Márcio Luiz Gusmão COELHO |
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Este trabalho
tem por objetivo analisar as transformações ocorridas no
samba-enredo, nas últimas décadas. O impulso inicial para
sua realização foram as críticas do conceituado
sambista Paulinho da Viola, que frequentemente acusava as escolas de
samba de estarem transformando os sambas-enredos em marcha. Utilizamos
elementos da semiótica, da física e da
estruturação musical para demonstrar que a
aceleração do andamento foi a principal
responsável pelas transformações
rítmico-melódicas e, consequentemente, literárias,
forjadas na linguagem cancional que serve de suporte aos desfiles de
escolas de samba. Constatamos que a aceleração extensa da
obra provoca a aproximação das balizas de sua estrutura
rítmica intensa e, ao aproximá-las, promove a
mudança de gênero. Essa alteração repercute
na estrutura extensa da obra, que termina por se subdividir em
refrães e segundas-partes, levando o samba-enredo a se
configurar a partir de duas estruturas e meia de marchinha de carnaval,
isto é, a partir de três refrães e duas
segundas-partes. Desse modo, os meneios horizontais decorrentes da
síncopa (micro-estrutura rítmica que caracteriza o samba)
deixam de ser pertinentes e cedem seu espaço aos diletantes
movimentos verticais passíveis de serem executados por
também diletantes passistas. Com isso, os desfiles das escolas
de samba são alterados coreograficamente e o samba
paulatinamente cede espaço à marchinha de carnaval.
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A semiótica na transformação publicitária de produtos populares em produtos de elite:
o caso Havaianas [pdf, 150 kb] |
| Waldelange Silva dos SANTOS |
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Este artigo
propõe-se a examinar aspectos da publicidade, tais como
são disseminados na mídia televisiva, particularmente no
que tange aos microssistemas de valores subjacentes. Quanto ao marco
teórico, a abordagem fundamenta-se nos modelos
epistemológicos e operacionais da semiótica greimasiana,
a qual acredita que o sentido de um texto seja construído por um
percurso gerativo dividido em três níveis - níveis
fundamental, narrativo e discursivo. Não nos limitamos apenas
às proposições de Greimas, outras
interpretações também são buscadas, em
especial as trazidas pela Sociossemiótica, que se atém
aos discursos sociais não literários, entre os quais
estão os da publicidade. Como objetivo principal, analisa-se, do
ponto de vista semiótico, o modo como as sandálias
Havaianas, produtos considerados populares, vêm sendo
transformadas em produtos de luxo. Tal análise é feita
procurando examinar os mecanismos e estratégias utilizados pela
mídia para a interpelação do consumidor, isto
é, observa-se que tipos de signos se utilizam para tornar
possível a comunicação entre os interlocutores e
como são sincreticamente construídos. O corpus
da pesquisa é constituído por uma propaganda comercial
das sandálias Havaianas, veiculada pela mídia televisiva
em 2006. São analisadas as projeções atoriais,
temporais e espaciais, descrevendo os efeitos de sentido provocados por
tais mecanismos. Por meio do exame da semântica discursiva,
são recuperadas as ideologias imanentes ao discurso e,
utilizando-se as operações das estruturas narrativas,
analisa-se o agir de cada sujeito semiótico em busca de seu
objeto de valor e também as modalidades que semanticamente os
instauram.
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| :. Relações entre gênero e éthos na canção popular brasileira [pdf, 154 kb] |
| Álvaro Antônio CARETTA |
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As considerações que apresentamos tratam das relações entre gênero discursivo e éthos
do enunciador na canção popular brasileira. Partindo das
reflexões esboçadas pelo pensador russo Mikhail Bakhtin
no clássico texto “Os gêneros discursivos”,
chegaremos às concepções de Dominique Maingueneau
sobre éthos e cenas da enunciação e
às propostas de Jean-Michel Adam para as relações
entre discurso e texto. Por meio desse percurso teórico,
pretendemos não só estudar a construção do éthos
segundo as características de um gênero discursivo
específico, no caso a canção popular, mas
também compreender como as coerções e
possibilidades que o gênero impõe e oferece ao enunciador
determinam a constituição discursiva de seu éthos.
Posto isso, tomamos agora como orientação o modelo
proposto pelo semioticista Luiz Tatit para o estudo da
significação na canção popular brasileira,
com o objetivo de observar o comportamento do éthos do
enunciador, tendo em vista a relação entre o componente
melódico e o linguístico, característica
fundamental desse gênero discursivo. Nesse contexto, propomos os
conceitos de éthos inerente - exigido pelo gênero - e de éthos
assumido - possibilitado pelo gênero e adotado pelo enunciador -
a fim de demonstrar como a cena genérica e a cenografia
concorrem para a constituição do éthos do enunciador na canção popular brasileira.
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Considerações epistemológicas sobre a semiótica greimasiana [pdf, 156 kb] |
| Adail SOBRAL |
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Este trabalho
pretende fazer uma breve análise epistemológica do
"projeto científico" de Greimas a partir do percurso que vai de
sua “aparência” à sua
“imanência”, ou seja, ao modus operandi de
sua semiótica, com o objetivo último de verificar a
produtividade da alternativa greimasiana de apreensão dos
processos de produção de sentido. Com esse fim, descreve
de que maneira Greimas articulou os dois pilares de suas teorias, uma
teoria linguística que tem em Hjelmslev uma de suas bases e uma
teoria filosófica que se baseia numa leitura específica
da fenomenologia de Husserl por meio da reinterpretação
que esta recebe de Merleau-Ponty. A partir da definição
do método científico da semiótica greimasiana e da
exploração das relações entre Hjelmslev e a
fenomenologia husserliana, examina algumas relações
específicas entre Hjelmslev e Husserl estabelecidas por Greimas,
chegando assim às bases da proposição da
semiótica greimasiana mediante a consideração de
seu discurso fundador e de outras obras que lhe serviram de apoio no
desenvolvimento de sua teoria. Por fim, explicita alguns outros
momentos relevantes do percurso de Greimas, a fim de demonstrar que
certas alterações por que passou seu projeto não
alteraram a “fidelidade” aos princípios primeiros e,
retomando os vários elementos arrolados, fazer uma
avaliação da semiótica greimasiana de uma
perspectiva discursiva.
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| Mariza Bianconcini Teixeira MENDES |
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Este estudo
analisa as relações intersemióticas entre o
terceiro capítulo do Gênesis e duas pinturas do
Renascimento italiano, no que diz respeito às figuras e temas da
sexualidade no discurso sobre o pecado original. Ao estudar as
relações intersemióticas em discursos manifestados
por diferentes formas de linguagem, o analista procura apurar as
características mais importantes de cada texto enunciado,
exatamente aquelas que os tornam diferentes no plano da
expressão, mas semelhantes no plano do conteúdo. O
objetivo, nesse caso, é desvendar os procedimentos de
significação e o uso social dos objetos semióticos
em questão. Para isso, foram escolhidos como discursos
plásticos desenvolvidos a partir do Gênesis III dois
exemplos da produção renascentista: O pecado original e a expulsão do paraíso, de Michelangelo, e Adão e Eva,
de Palma Vecchio, sendo o último observado a partir do folheto
publicitário de uma joalheria, proposto para vender
alianças de casamento. Além do conteúdo
semântico e das formas de expressão, na
comparação com o texto bíblico verbal,
serão analisadas também as estratégias de
produção e discursivização desses discursos
plásticos, em sua condição de metatextos, usados
como divulgação publicitária e para facilitar aos
cristãos iletrados da época a compreensão e
memorização das histórias sagradas contadas na
Bíblia.
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Sala de aula e semiótica: uma experiência de leitura com crianças [pdf, 142 kb] |
| Sonia MERITH-CLARAS |
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A
educação, mais precisamente o ensino da língua
materna, sempre nos suscitou inquietações e interesse,
afinal, para educadores, realizar pesquisas em sala de aula é
algo atrativo e desafiador. Daí nosso interesse em saber como a
teoria semiótica, proposta por Greimas, poderia ser concretizada
na prática da sala de aula. Tal fato resultou nesse trabalho,
que tem como objetivo discutir uma proposta de atividade de leitura
desenvolvida com alunos de 5ª série, do Ensino Fundamental,
em uma escola da rede pública. Essas atividades de leitura dizem
respeito ao texto “Meninos do Chafariz”, de Júlio
Emílio Braz, que está no material didático de
Leila Lauar Sarmento. Como estratégia de leitura, utilizamos os
“agrupamentos lexicais”, metodologia desenvolvida por
Maurand. A fim de preparar as atividades, num primeiro momento,
segmentamos o texto em campos lexicais e, na sequência,
selecionamos os grupos mais pertinentes para a compreensão do
texto para fazerem parte das atividades. De posse da análise
semiótica do texto e dos agrupamentos lexicais, conseguimos
levar alguns conceitos da semiótica até a sala de aula,
como os temas e as figuras do texto. Foi possível verificar, com
tais atividades, que os alunos necessitam de metodologias que deem
conta de explicar os sentidos do texto e, principalmente, de
metodologias que saibam explicar como esses sentidos são
produzidos.
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Tensão entre genialidade e loucura no romance Cien años de soledad [pdf, 174 kb] |
| Paula Martins de SOUZA |
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Pautados nos
estudos da Escola de Paris e nas pesquisas desenvolvidas em
semiótica tensiva, que têm como principal representante
Claude Zilberberg, nossos esforços se concentram em compreender
como se estabelece no discurso o sentido de estranhamento que a
personagem José Arcadio Buendía suscita no leitor. Para o
presente artigo, limitamo-nos ao primeiro capítulo do romance Cien años de soledad,
de Gabriel García Márquez, em que são apresentadas
como centrais as três seguintes personagens: José Arcadio
Buendía, Melquíades e o coronel Aureliano Buendía.
O interesse principal de nossa investigação baseia-se na
seguinte questão: por que razão o efeito de estranhamento
incide sobre José Arcadio Buendía, e não, o que
seria mais óbvio, sobre Melquíades, personagem
figurativizada com atributos míticos? Nossa hipótese
é de que há um processo de semiose peculiar,
responsável pela quantidade de estranhamento que recai sobre
José Arcadio Buendía: este se torna estranho ao leitor
mesmo quando comparado ao mítico Melquíades. Em
consequência das tensões que agem sobre os três
atores dessa narrativa, procuramos desvelar o mecanismo de
estranhamento que envolve o ator José Arcadio Buendía e
que se atualiza como uma tensão fundamental entre os
papéis temáticos do gênio e do louco. O
artifício do qual se vale o enunciador para engendrar a semiose
aqui descrita, parecendo operar de modo a fazer ruir o sentido do
discurso estereotípico, remete-nos aos pensamentos de Roland
Barthes, quando ele infere que “a primeira [das
operações] consiste em isolar-se. A língua nova
deve surgir de um vácuo material; um espaço anterior deve
separá-la das outras línguas, comuns, vazias,
ultrapassadas, cujo 'ruído' pudesse perturbá-la: nenhuma
interferência de signos [...]” (1971, p. 8).
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A mestiçagem em foco: inclusão e exclusão no filme Save the last dance [pdf, 162 kb] |
| Taís de OLIVEIRA |
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Baseando-nos
principalmente nos conceitos relacionados à mestiçagem
desenvolvidos por Claude Zilberberg (2004), procuramos identificar as
classes estabelecidas no filme Save the last dance (No balanço do amor,
dirigido por Thomas Carter, 2001) e analisamos os percursos de
inclusão e exclusão das personagens principais, Sara e
Derek, visando à explanação dos valores defendidos
por elas e pelos grupos aos quais pertencem. Tal abordagem mostra-se
coerente devido à problemática central do filme em
questão: a inclusão de uma jovem branca de classe
média em uma comunidade de classe média baixa, composta
predominantemente por negros. Inicialmente, os valores que predominam
são os de absoluto e, portanto, a lógica da
exclusão é a que prevalece. Durante o filme, os valores
que eram bravamente defendidos pelos elementos do grupo flexibilizam-se
e, gradualmente, aproximam-se do modus operandi da
lógica da participação e, portanto, os valores que
passam a prevalecer são os de universo. A partir dos valores
depreendidos em nossa análise, pudemos identificar, com base nas
idéias de Ricoeur (2006), a construção de dois
tipos de identidade: aquela do indivíduo responsável por
seus atos diante de todos os outros (aqueles com identidade
individual), em contraposição ao indivíduo
‘vitimizado’, não responsável por seus atos
porque sem liberdade de escolha (aqueles que adotam a identidade
construída pelo grupo, a preço de se apagarem como
sujeitos).
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Uma experiência de alfabetização semiótica:
a produção de filmes de animação no contexto escolar [pdf, 243 kb] |
| Maria de Fátima Ramos de ANDRADE, Maria Antonia Ramos de AZEVEDO |
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Este texto
é parte de uma pesquisa desenvolvida no programa de
Comunicação e Semiótica da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo. Tal trabalho,
efetuado em 2006, teve como perspectiva conhecer elementos
específicos da linguagem audiovisual, assim como
estratégias de/para a prática da leitura e a
produção de textos audiovisuais, e identificar elementos
que colaboram para uma alfabetização semiótica.
Com esse objetivo, acompanhamos a realização da oficina, Animando com massinha,
em uma escola municipal de São Paulo, localizada na Zona Oeste.
Alunos e professores produziram um total de dezesseis filmes. A
metodologia utilizada – estudo de caso – ofereceu
condições, em situações reais de
produção, de vivenciar a temática proposta. A
análise mostrou que os alunos/ professores, ao confeccionarem
seus filmes, fizeram uso de sistemas semióticos e de
conhecimentos já adquiridos, ou seja, a construção
das escritas contemporâneas está entrelaçada com
outros sistemas semióticos. Além disso, constatamos que a
compreensão dos elementos cinematográficos – a
posição de câmera, o cenário, a
iluminação, a manipulação dos personagens,
etc. – é necessária para a construção
de filmes de animação. Do estudo realizado, podemos
afirmar: 1) apesar de desfrutarmos das escritas contemporâneas,
ainda desconhecemos como são estruturadas; 2) embora o processo
de alfabetização semiótica ocorra em
situações não-escolares, ele não prescinde
de um ensino sistematizado.
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