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vol. 6, n. 1
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ISSN
1980-4016
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volume 6, número 1
junho de 2010
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S U M Á R I O

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A r t i g o s
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| :. Sobre a teoria do valor em Saussure, Marx e Lacan [pdf, 139 kb] |
| Maurício José d’Escragnolle CARDOSO |
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Este artigo reproduz a comunicação feita durante o III Seminário de Semiótica na USP, em outubro de 2009, na qual tomamos por objeto as teorias do valor em Saussure, Marx e Lacan, com o objetivo de explicitar certas homologias existentes entre elas. Com tal objetivo, partimos da consideração de que o princípio de base que sustenta essas homologias concerne ao fato de os autores partilharem da mesma orientação epistemológica, que podemos chamar de "materialismo estrutural", caracterizada pela recusa do realismo metafísico; este último, fruto da associação entre o realismo ontológico e o convencionalismo epistemológico. É nesse sentido que propomos uma definição daquilo que consideramos ser o materialismo saussuriano, explicitado como modelo-tipo exemplar dessa orientação epistemológica materialista e a partir da qual se torna possível situar as equivalências formais das teorias da forma-valor aqui tratadas. Desse modo, pretendemos mostrar que os três autores desenvolveram – cada um, obviamente, à sua maneira e em função das exigências específicas de seus respectivos campos disciplinares – uma mesma orientação teórica materialista acerca da teoria do valor. Para tanto, buscamos demonstrar, então, que cada um dos autores citados trata do mesmo tríplice problema que consiste em: a) colocar em relevo uma teoria da forma-valor propriamente dita; b) dar conta da enigmática natureza da positividade do valor diferencial e c) propor um espaço heurístico que permita apresentar um conceito de sujeito adequado ao sistema de valores.
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:. O texto e seus entornos: a geração do sentido e os níveis de pertinência
na proposta de Jacques Fontanille [pdf, 152 kb] |
| Eliane Soares de LIMA |
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Levando em conta o interesse cada vez maior dos semioticistas por outros objetos semióticos que não apenas o verbal, reavaliar certos dogmas da teoria torna-se necessário. Entre as novas propostas que a partir daí surgem, está a de Jacques Fontanille, que propõe a integração da situação semiótica ao campo de pertinência da análise dos textos. Sua ideia interessa na medida em que permite formalizar semioticamente o que se considerou, por muito tempo, como extrapolação do texto ou violação do princípio de imanência. Para explicitar e melhor compreender as especificidades do percurso de análise proposto pelo teórico francês, bem como as contribuições que ele traz à teoria semiótica, escolheu-se analisar uma fotografia de imprensa vinculada a uma notícia divulgada pela mídia eletrônica. A intenção é mostrar como o conjunto da situação semiótica permite ao texto-objeto funcionar segundo as regras de seu próprio gênero, regulando sua interação com os percursos e os usos dos enunciatários potenciais, suas expectativas e suas competências modais e passionais. O objetivo desse trabalho é, portanto, mostrar a validade e eficiência do instrumental proposto por Jacques Fontanille para a análise dos textos verbais e não-verbais, bem como os ganhos da teoria ao estender sua preocupação ao nível da manifestação, respeitando, todavia, o princípio de imanência.
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Ícones do design: da Bauhaus ao produto final [pdf, 135 kb] |
| Renira Rampazzo GAMBARATO |
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"Ícone", do grego eikón (imagem), é comumente entendido como ídolo, expoente, algo representativo, notável. Na semiótica de Charles Sanders Peirce (1839-1914), o conceito de "ícone" é bastante particular e faz referência a um tipo específico de signo: aquele que representa seu objeto por meio de relações de semelhança ou analogia, apropriando-se de alguma qualidade essencial dele, conforme discorremos neste artigo. O signo icônico identifica-se com o design na medida em que o ícone mantém com seu objeto uma relação de qualidade. O ícone, no dizer sobre o objeto, diz algo dele próprio, algo dele se faz presente no produto, ele se autorreferencia (metalinguagem). A constituição do ícone a partir da similaridade entre as materialidades expressivas do produto configura seu caráter estético-formal transmissor de informações. Ao empregar a expressão “ícones do design”, intentamos referenciar ambos os sentidos descritos acima. Fazemos menção a grandes nomes do design na Alemanha e no Brasil, mas, sobretudo, consideramos os produtos do design como objetos-ícone, com características qualitativas inerentes ao ícone. Abordamos, assim, o contexto do qual emergiu a escola que fundou o design enquanto disciplina, a Bauhaus, perpassando por seus métodos práticos e filosóficos, que inspiraram o design no mundo. O artigo culmina na abordagem das relações que encontramos entre o signo icônico e o produto do design, bem como nas referências específicas aos designers alemães e brasileiros, ícones do design.
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| :. Estratégias de enunciação sincrética: uma análise comparativa [pdf, 260 kb] |
| Conrado Moreira MENDES, Marcelo SANTOS, Patrícia Margarida Farias COELHO |
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O objetivo deste trabalho é verificar como os elementos verbovisuais presentes nas capas das revistas masculinas Men’s Health e G Magazine engendram diferentes efeitos de sentido. Embora esta se destine a um público homossexual e aquela a um público heterossexual, nota-se uma estrutura bastante semelhante nas capas de tais publicações. Em ambas, aparece uma foto de homem com tipo físico atlético e tórax despido, envolto por manchetes. O conceito hjelmsleviano de sincretismo (Hjelmslev, 2003), retomado por Greimas (2008), Floch (apud Fiorin, 2009) e Fiorin (2009), foi de fundamental importância para a elaboração desta análise, assim como a proposta metodológica de Teixeira (2009). Pela análise, observa-se que a G Magazine se assenta numa estratégia sincrética contratual, pois há uma única isotopia, a do erotismo, que subjaz tanto ao verbal, quanto ao visual. A Men’s Health, por sua vez, ancora-se, mormente, numa estratégia sincrética polêmica, pois o verbal e o visual inauguram uma segunda isotopia por contrariedade, a da saúde/beleza – que acaba banindo quase por completo uma isotopia em potencial depreensível do visual, a do erotismo. O exame do plano da expressão articulado ao do plano do conteúdo conduz a uma análise tensiva, que pode comprovar uma maior concentração de carga tímica na capa da G Magazine, isto é, uma maior intensidade, e uma maior extensidade na capa da Men’s Health. Por fim, no que concerne às relações entre enunciador e enunciatário, observa-se que a Men’s Health se oferece principalmente como objeto-modal, ou seja, como portadora de um poder/saber-fazer, cujo foco recai na competência, ao passo que a G Magazine se apresenta como um objeto-valor, sancionando pragmaticamente seu enunciatário. Assim, por meio da análise sincrética dos textos, observa-se o porquê de efeitos de sentidos diversos arquitetados por estruturas semelhantes, .
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A duração e as relações de identidade, expansão e condensação:
um olhar sobre a programação textual no discurso cinematográfico [pdf, 160 kb] |
| Odair José Moreira da SILVA |
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O cinema é uma arte que oferece na representação da realidade a possibilidade de manifestar uma rede de manipulações temporais singular. Em suas narrativas, muitos diretores, roteiristas e criadores exercem o fascínio de poder manipular a categoria do tempo. Às vezes, tal empreitada parece não ter limites. Uma das possibilidades está centrada em um processo de semiotização da duração entendido como a programação textual do tempo cinematográfico. Se para a semiótica francesa a programação temporal está vinculada ao plano do conteúdo, a programação textual, por sua vez, vincula-se ao plano da expressão e, dessa maneira, cria uma rede de efeitos de sentido que tem por mérito estabelecer, com a duração pressuposta no discurso cinematográfico, relações de identidade, de expansão ou de condensação temporais. Portanto, a programação textual diz respeito à manifestação da duração no texto. Todos os acontecimentos discursivizados apresentam uma duração e ela pode ser manifestada, no texto, nesses três modos distintos: identidade, expansão e condensação. Uma das ferramentas teóricas visando a auxiliar o analista de filmes está, a nosso ver, no campo da semiótica discursiva de Greimas. É no interior da discursivização semiótica que podemos melhor perceber e conseguir entender o tempo cinematográfico. O que se pretende aqui é verificar como o processo da programação textual ocorre na diegese fílmica, adotando como diretriz principal de trabalho a proposta de Fiorin (1996) sobre as categorias da enunciação e os seus desdobramentos semióticos. Tais desdobramentos são verificados no âmbito do discurso cinematográfico .
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| :. Um estudo sobre o símbolo, com base na semiótica de Peirce [pdf, 144 kb] |
| Emílio Soares RIBEIRO |
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Vivemos rodeados por símbolos, são eles desde o aceno de mãos em uma despedida ao alfabeto que utilizamos para falar e escrever. Embora a literatura sobre o simbólico se utilize de diversas definições reducionistas para a palavra "símbolo", é certo que, ao explicarmos o simbólico, sempre resta algo intraduzível, pois o símbolo aponta para algo que está ausente, representando-o, mas sem apreender todas as suas possibilidades. A redução ou especialização extrema do sentido de um símbolo costuma ter como consequência a degradação do significado, tornando-o uma insignificância alegórica ou atributiva (Cirlot, 1984, p. 5). Além disso, a percepção do símbolo é também pessoal, visto que, em seu processo de formação, o ser humano acrescenta às experiências pessoais valores culturais e sociais herdados da humanidade que o precedeu até então. Nesse sentido, o presente artigo discute o simbólico com base em Charles Sanders Peirce, buscando mostrar como tal signo é constituído e entendido na semiótica criada pelo referido autor americano. Anteriormente, porém, na primeira parte do trabalho, foi necessário fazer algumas considerações gerais sobre o termo "símbolo", suas origens e os vários significados que a ele são atribuídos. Em seguida, na segunda parte, tratamos da compreensão e interpretação dos símbolos em geral. Esperamos que o trabalho esclareça o papel do símbolo nos estudos semióticos, bem como fundamentalmente interpretações e análises do símbolo na literatura, cinema e nas culturas de uma forma geral.
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Blogosfera: um estudo dos blogueiros a partir dos blogs mais acessados do país [pdf, 175 kb] |
| Fernando Moreno da SILVA |
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A proposta do trabalho é analisar a imagem do leitor brasileiro de blog. Para fazê-lo, é preciso deter-se primeiro no escrevente das páginas, já que, ao construir a imagem de quem produz o texto, ele projeta automaticamente a imagem de seu destinatário. A pesquisa será norteada pela semiótica francesa ou da Escola de Paris e terá como foco a enunciação. Assim, faremos uso dos conceitos de enunciador e de enunciatário, instâncias linguísticas que correspondem ao que a Retórica chama, respectivamente, "éthos" e "páthos": imagens do destinador e do destinatário do enunciado, construídas ao longo do texto. Entre as várias possibilidades e os critérios de escolha do material a ser analisado, estabelecemos como parâmetro de investigação os blogs mais acessados, pois neles estaria, em teoria, a representação da maioria desses leitores. Parte-se do pressuposto de que nos blogs mais visitados estaria a maioria dos blogueiros, e, onde estivesse a maioria dos blogueiros, estaria o retrato de sua constituição. Para chegar a um corpus que contivesse os blogs mais acessados do país, valemo-nos de duas metodologias, reunindo uma amostragem referente a todo o ano de 2006, ano-base sobre o qual se debruça o estudo. O primeiro método consistiu em um levantamento dos blogs mais votados pelos próprios internautas. No segundo método, o corpus foi apreendido a partir de duas listas publicadas na mídia. A imagem alcançada revela que o blogueiro, além da heterogeneidade de temáticas que o impulsiona na leitura, é caracterizado por três fatores: narcisismo, pseudoliberdade e ludicidade.
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| Sabrina Gabriela VICENTINI, Cláudio Márcio do CARMO |
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O artigo tem por objetivo apresentar uma análise multimodal da representação sociossemiótica do negro na revista Raça Brasil. Pretende-se, a partir dos diferentes elementos semióticos de construção dos textos da revista, perceber quais são as práticas discursivas que estão sendo trazidas à tona, bem como a dinâmica de construção dos textos, as visões de mundo que estão ali representadas e a representação do negro no jogo discursivo. Para tal, buscamos nos embasar nos pressupostos teóricos da semiótica social – em especial, nos desenvolvimentos propostos na Gramática do Design Visual (Kress; van Leeuwen, 1996; Jewitt; Oyama, 2001), combinados a alguns pressupostos teóricos da Análise Crítica do Discurso (Fairclough, 2001), para análise da modalidade visual e verbal, respectivamente. Além disso, procuramos também utilizar estudos sobre as questões raciais (Gonçalves, 2003; Hofbauer, 2003) e sobre a estética do negro (Gomes, 2003; Hooks, 2005) para nos auxiliar numa leitura crítica. O corpus da presente pesquisa é constituído por dez textos multimodais que correspondem às matérias da seção “Negro Gato” e “Negra Gata”. Tais textos foram publicados no período de julho a dezembro de 2007, ano em que a revista completou onze anos de história.
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Estudo semiótico do poema “Para um monumento ao antidepressivo”,
de Paulo Henriques Britto [pdf, 146 kb] |
| Dayane Celestino de ALMEIDA |
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Poeta, prosador, tradutor renomado e professor de literatura, Paulo Henriques Britto faz parte da chamada “literatura brasileira contemporânea”. No poema que aqui analisamos, cujo título é “Para um monumento ao antidepressivo”, e que está publicado no livro Tarde (2007), Britto presta uma homenagem ao poeta João Cabral de Melo Neto, ao retomar o poema “Num monumento à aspirina”, integrante do livro A educação pela pedra (1966). O objetivo de nosso trabalho é realizar a análise do poema de Britto, com base nos conceitos da semiótica greimasiana, observando de que modo ocorre a intertextualidade, que pode ser percebida não apenas pelo título dos poemas, mas também pela figura do “sol” portátil que é associada a medicamentos em ambos os textos. O poema de Britto configura um exemplo de intertextualidade que podemos chamar de condensação (Lopes, 2003, p. 70). Procuramos, ainda, reconhecer a organização do plano da expressão, com suas equivalências e descontinuidades, bem como suas relações com o plano do conteúdo. Apesar do crescimento considerável dos estudos semióticos, ainda são relativamente poucas as análises de textos literários que se valem desse instrumental teórico tão proveitoso. Assim, nosso trabalho se justifica ao contribuir para a expansão dos estudos semióticos de poesia.
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G r a d u s
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O discurso da rebeldia: uma análise de um texto punk [pdf, 138 kb] |
| César Augusto MELÃO |
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O presente artigo descreve os resultados de uma pesquisa maior realizada durante o ano de 2008. Tal pesquisa teve por objetivo analisar o discurso do movimento punk do Brasil, manifesto nas letras de canções de seis bandas de destaque de diferentes regiões do país. São elas: Ratos de Porão (São Paulo, SP), Cólera (São Paulo, SP), Garotos Podres (Mauá, SP), Camisa de Vênus (Salvador, BA), Mukeka di Rato (Vila Velha, ES) e Replicantes (Porto Alegre, RS). Para fins analíticos, adotaram-se os pressupostos teóricos definidores da concepção de linguagem e de discurso preconizada pelo pensador russo Mikhail Bakhtin e por outros autores do chamado Círculo de Bakhtin. A análise se baseia particularmente na composição dialógica dos discursos. Nesse sentido, focaliza-se nos textos o dialogismo mostrado, ou seja, é dada evidência aos discursos aos quais expressamente responde o discurso punk em seu fazer enunciativo. A partir da análise de uma canção, pretende-se mostrar ao menos alguns aspectos do caráter geral do movimento punk, sempre situando essa análise no contexto maior do conjunto das manifestações dos adeptos desse movimento. Espera-se que este artigo possa dar ao leitor uma caracterização do discurso punk e, especialmente, revelar a natureza contestadora desse discurso. O movimento em que ele se insere faz parte da realidade cultural brasileira e, como tal, acredita-se que devam existir mais estudos sobre o movimento punk no âmbito acadêmico.
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A mulher de Capricho: uma análise do perfil das leitoras através dos tempos [pdf, 255 kb] |
| Raquel Torres GURGEL |
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A revista Capricho (Editora Abril) é considerada um marco do nascimento da grande imprensa feminina brasileira. Ela surgiu em 1952 como uma publicação quinzenal constituída por fotonovelas que tinham como público-alvo mulheres casadas ou em busca de um casamento. Durante muitos anos, as reportagens foram centradas na manutenção do lar, com dicas de como ser uma perfeita esposa e dona de casa. Nas últimas cinco décadas, Capricho passou por uma série de reformas gráficas e editoriais, que contribuíram, sobretudo, para alterar a idade de suas leitoras. Com a maior dessas reformas, nos anos 80, a publicação passou a ser voltada a adolescentes e adotou o slogan “A revista da gatinha”. Hoje, de acordo com o seu site eletrônico, Capricho tem a missão de “informar, entreter, formar e conectar a maior comunidade de garotas com estilo e atitude do país”. Usando a metodologia proposta pela semiótica de linha francesa, este trabalho procura verificar se a alteração na idade do público-alvo correspondeu, de fato, a uma mudança significativa no perfil do enunciatário da revista. A análise de edições publicadas entre 1971 e 2008 mostra que, apesar da diminuição da faixa etária das leitoras, a menina que lê Capricho hoje não está fundamentalmente tão distante do público de outrora.
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R e s e n h a s
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