e
S
S
e
t
m
u
i
d
ó
o
t
s
i
c
o
s

 

capa

orientação editorial

busca

 

:. vol. 7, n. 1

expediente
apresentação

 

ISSN
1980-4016

volume 7, número 1

junho de 2011


S U M Á R I O


todos os arquivos estão disponíveis no formato PDF.
para visualização é necessário ter instalado o programa Adobe Reader (download gratuito).



A r t i g o s

:. “Sol”: uma figura em disputa   [pdf, 135 kb]
José Américo Bezerra SARAIVA
 
Um diálogo de teor polêmico se instaura entre as canções “Fotografia 3x4”, de Belchior, e “Alegria, alegria”, de Caetano Veloso. A primeira permite acompanhar as fases do percurso de um migrante e as relações que este entretém com a sua principal instância doadora de valores, o sujeito tropicalista. Em função deste diálogo é que parece justificar-se a aspectualização do processo migratório em termos de ímpeto para migrar, frustração do migrante e posterior desejo de retornar à terra de origem ou resistir no espaço do outro, combatendo-o. As reações do sujeito de “Fotografia 3x4” ao vivido devem então ser pensadas no quadro geral do contrato fiduciário que anima sua trajetória de migrante. Cada fase desta trajetória parece prestar contas a este contrato, isto é, parece repor ou questionar as bases do contrato fiduciário a partir do qual tanto o ser quanto o fazer do sujeito de “Fotografia 3x4” se veem determinados. Evidência disto é o estatuto narrativo ambivalente que a figura “sol” manifesta naquelas duas canções, ora se apresentando revestida com valor eufórico, ora com valor disfórico. Neste artigo, pretendemos examinar como a figura “sol” recobre temas diversos, desempenha papeis narrativos variados e realiza valores contrários e/ou contraditórios nas duas canções em foco. Mostramos que o modo de tratá-la em discurso define posicionamentos enunciativos que se encontram numa relação dialógica de caráter altamente polêmico.
:. Páginas da guerrilha: uma análise do discurso da esquerda armada brasileira    [pdf, 161 kb]
Oriana de Nadai FULANETI
 
Este artigo procura desenvolver algumas reflexões acerca da historicidade dos discursos, visando contribuir com os estudos semióticos por meio da realização da análise da estrutura e do funcionamento do discurso das duas organizações mais importantes da esquerda armada brasileira, a Ação Libertadora Nacional (ALN) e a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), à luz dos conceitos retóricos de éthos e páthos. No contexto da ditadura brasileira e sob a influência de acontecimentos como a Guerra do Vietnam e a Revolução Cubana, entre outros, uma parcela da esquerda decide pegar em armas para lutar contra o governo, formando grupos militantes armados, que atuaram no Brasil entre 1968 e 1973. Esses grupos foram massacrados pelo regime militar, grande parte dos combatentes sendo assassinada e os sobreviventes passando por tortura, prisão, clandestinidade e exílio. No intuito de compreender a opção pela luta armada, bem como os valores e os impulsos de mobilização desses indivíduos, realizamos uma análise comparativa dos elementos éticos e passionais em documentos deixados pela ALN e pela VPR, com base nos princípios teórico-metodológicos da semiótica discursiva de linha francesa. A abordagem da noção de ator da enunciação e, em particular, da ideia de éthos e de páthos, a partir da perspectiva semiótica, revelou semelhanças e diferenças entre os discursos da ALN e da VPR, fundadas essencialmente nos aspectos passionais.
:. Um sujeito da percepção: análise do poema "Véspera", de Paulo Henriques Britto   [pdf, 139 kb]
Dayane Celestino de ALMEIDA
 
O trabalho que apresentamos tem por objetivo analisar o poema “Véspera”, do poeta brasileiro contemporâneo Paulo Henriques Britto, sob a perspectiva da semiótica francesa. Tal poema foi publicado em 2003 no livro Macau. O texto descreve uma cena noturna, dentro de uma casa. Uma rápida leitura basta para percebermos que estamos diante de um texto predominantemente descritivo. Segundo Bertrand (2003), o que é visado em uma descrição é o percurso figurativo da percepção. Dessa forma, procuramos mostrar como se dá a relação entre a descrição e a percepção e de que modo essas noções atuam na actorialização do sujeito no poema em questão. Uma isotopia da demora e da espera também contribui para fazer emergir esse sujeito-ator que vê e espera. Ressaltamos ainda a existência de um actante observador: de toda a cena retratada, nós só conhecemos o que foi filtrado por esse observador e é a nós revelado por quem narra. Num segundo momento, seguindo as formulações de Zilberberg (2006c), procuramos mostrar que o poema é da ordem da rotina (contrária ao acontecimento). Segundo Zilberberg (2006c, p. 161), quando há rotina, estamos diante de um sujeito da percepção. Nossa análise pretende, assim, mostrar que em “Véspera” existe um sujeito da percepção (e não um sujeito do fazer).
:. Apontamentos para uma abordagem tensiva da metáfora   [pdf, 146 kb]
Ricardo Lopes LEITE
 
Este artigo analisa a metáfora sob o viés da semiótica tensiva. O objetivo central é avaliar o rendimento analítico do aparato conceitual dessa proposta teórica na elucidação dos efeitos de sentido resultantes dos diferentes modos de manifestação da metáfora em diferentes tipos de textos. A base teórica utilizada toma como referência os trabalhos de Fontanille (2007), Fontanille e Zilberberg (2001) e Zilberberg (2004; 2006a; 2006b; 2007). Para examinar o funcionamento tensivo da metáfora, este estudo parte da suposição de que ela se deixa apreender no discurso em diferentes graus de presença, de intensidade. Além disso, a metáfora é assumida como um mecanismo de produção de sentidos, que estabelece a tensão entre duas ou mais isotopias, servindo-se, para isso, da disposição dos conteúdos discursivos em profundidade e de diferentes modos de existência semióticos. Ao estabelecer a aproximação tensiva entre planos de significação distintos, a metáfora reclama por uma sintaxe concessiva, que a torna um fenômeno impactante e inesperado, da ordem do acontecimento. Todavia, a análise de um pequeno exemplário de textos demonstra que fatores de ordens diversas podem contribuir para graduar o impacto da metáfora, aproximando-a ora do acontecimento, ora do fato, da rotina. Espera-se, assim, aprofundar a discussão acerca do papel dos elementos tensivos no funcionamento da metáfora no discurso em ato.
:. A lei e o devir: caminhos para leitura de romances de Paulo Leminski   [pdf, 135 kb]
Bruna Paola ZERBINATTI
 
Pretendemos, neste trabalho, mostrar como a semiótica francesa, notadamente a semiótica tensiva tal como proposta por Claude Zilberberg, pode auxiliar na compreensão de textos literários específicos, aqui, de dois romances de Paulo Leminski. Propomos uma reflexão sobre a maneira pela qual os conceitos de “acontecimento” e de “exercício” assim como as quatro temporalidades – cronológica, rítmica, mnésica e cinemática – podem auxiliar na análise desses romances. Atualmente, nos estudos semióticos, muito se fala em acontecimento, principalmente seguindo as proposições de Zilberberg. O próprio autor nos lembra que, mesmo não se tratando de um pensamento novo ou inédito, pensar o acontecimento e trazê-lo à tona parece bastante frutífero para os estudos acerca do sentido. Num quadro de trabalho definido por três grandes modos, a saber, “modo de eficiência”, “modo de existência” e “modo de junção”, o acontecimento é visto como portador de grande intensidade, marcado pelo alto índice de inesperado e aceleração, e tem como base a concessão, a apreensão e o sobrevir. O exercício, por sua vez, tomado como oposto ao acontecimento e estando no domínio do esperado e do familiar, se caracteriza por uma grande extensidade e tem como base a implicação, o foco e o “pervir”. Sempre declarando a herança hjelmsleviana de suas reflexões, Zilberberg propõe em seu ensaio “Relativité du rythme” uma investigação sobre os quatro tempos acima mencionados. Discretizando todos esses tempos, que se encontram em geral em sincretismo, torna-se possível contrastá-los e verificar os tipos de efeitos que podem causar nos textos.
:. As articulações entre o corpo e a maquiagem corporal de Craig Tracy    [pdf, 327 kb]
Mônica Ferreira MAGALHÃES
 
Este artigo parte do princípio de que a maquiagem e a pintura corporal são consideradas linguagens artísticas, constituídas de um plano de expressão e de um plano de conteúdo, e concretizadas em enunciados pintados sobre o rosto e/ou o corpo de um sujeito actante encarnado. Uma linguagem com fins estéticos mais convencionais, como algumas maquiagens sociais, ou ainda, com a capacidade de ultrapassar o sentido cotidiano, como as pinturas corporais. Verificam-se as relações entre o enunciado pintado e o corpo suporte em quatro trabalhos do artista plástico americano Craig Tracy: Three Weeks, Maya-Cross, Coil e Butterfly. Para isso, é utilizada a base teórica da semiótica discursiva e também é proposta uma metodologia de análise que considera a função semiótica do corpo e a práxis enunciativa dessas pinturas corporais. Os aspectos discursivos e tensivos são analisados a partir, fundamentalmente, dos conceitos propostos pelo semioticista Jacques Fontanille (2004). São observadas as transposições do envelope corporal em superfície de inscrições semióticas e as estratégias enunciativas que promovem ações operadas pela debreagem. Essas ações podem transformar o envelope corporal alterando ou conservando algumas das propriedades figurativas. Estas podem ser deformadas, invertidas ou espessadas por meio de excrescências ou também podem ser conservadas, deixando o corpo suporte recuado ou mesmo valorizado durante o ato enunciativo.
:. Capitu entre dois enigmas: veridicção e fidúcias   [pdf, 167 kb]
Mariza Bianconcini Teixeira MENDES
 
A proposta deste trabalho é retomar Dom Casmurro, o mais enigmático dos romances de Machado de Assis, para estudar as características da veridicção e da fidúcia na relação epistêmica tanto entre enunciador e enunciatário do discurso, como entre os atores do enunciado, Bentinho/Bento e Capitu/Capitolina. Essa relação é intermediada, no discurso literário em estudo, pelo ponto de vista subjetivo do ator narrador Dom Casmurro, disposto a rememorar, em nova situação de tempo-espaço, as ações e reações de sua vida amorosa e conjugal. Seu objetivo era desvendar e entender os principais mistérios que envolveram seus ímpetos passionais. Tal procedimento enunciativo faz desse romance um objeto especial de análise semiótica do contrato fiduciário. Greimas, criador da semiótica francesa (1983, 1987), Fontanille (1999) e Bertrand (2003) formam a base teórica desta análise, que procura a intersecção entre veridicção, fidúcia, ponto de vista, retórica e figuratividade das paixões no discurso literário. Para tanto, foram selecionadas duas figuras discursivas – “olhos de cigana oblíqua e dissimulada” e “olhos de ressaca” – que a teoria semiótica considera como conectores de isotopias, ou seja, responsáveis pela cadeia semântica e pela dimensão retórica do discurso. A hipótese a ser confirmada é que essas figuras dão suporte, no nível do discurso, aos sentidos das relações fiduciárias em análise.
:. A articulação entre unidades do plano da expressão: incidências no estudo de um curso
   no Second Life
   [pdf, 1,3 Mb]
Daniervelin Renata Marques PEREIRA
 
Seguindo um princípio do sistema linguístico próprio do ponto de vista estruturalista, articulação entre unidades, a proposta de percurso gerativo do plano da expressão surge como tentativa de agregar elementos não examinados, nas análises, pela semiótica francesa, que privilegiou o plano do conteúdo até então. Com o objetivo de contribuir para a reflexão sobre a aplicabilidade do modelo proposto por Fontanille e a relevância dos níveis da expressão, tecemos algumas considerações sobre o curso “Games em educação no Second Life”, realizado no game Second Life, uma das mais novas práticas da educação mediada pelas novas tecnologias. Dada a importância da expressão para compreensão do fenômeno, que se caracteriza pela encenação da interação presencial aliada a elementos ficcionais no digital, questionamos as formas de abordagem dos objetos e práticas e sua coerência com os postulados teóricos da semiótica greimasiana. E é no ir e vir do texto para o ato de sua produção que objetos, como computador e seus softwares, e sua materialidade refletida no texto se mostram determinantes no quadro das experiências sensíveis alçadas a um nível superior, o das práticas e estratégias. Isso justifica os efeitos de sentidos alcançados e garante pertinência à forma de vida que advém do uso dos objetos.
Soraya Ferreira ALVES
 
Este trabalho pretende discorrer sobre formas de contágio entre palavra/imagem e sobre o diálogo entre literatura e cinema, tendo como objeto de análise o livro Atonement, de Ian McEwan (2001), e o filme homônimo (Desejo e reparação, em português) do diretor Joe Wright (2007). O livro, de caráter metaficcional, narra a história de dois amantes cujo destino foi marcado por um equivocado ponto de vista de uma das personagens da trama, que tenta, de alguma forma, reparar seu erro. O filme de Wright mantém a mesma trama do livro, mas usa de um recurso inverso ao romance, ao inverter a apresentação dos pontos de vista, resultando em uma mudança na construção da trama pelo espectador. Esta análise procura demonstrar como a adaptação cinematográfica do filme Atonement ressignifica a obra literária, observando os recursos das linguagens literária e cinematográfica ligados à narração e ao ponto de vista. Utiliza para tal o conceito de reescritura, elaborado por André Lefevere, que leva em consideração aspectos como quem e porque reescreve, sob quais circunstâncias e para quem reescreve. Também será objetivo deste artigo discutir a diversidade do ato interpretativo no que se refere ao ponto de vista no cinema e na literatura, tendo por base a teoria semiótica de Charles Sanders Peirce.
:. Regimes de sentido e interação na construção do corpo na mídia semanal   [pdf, 3,1 Mb]
Simone Bueno da SILVA
 
O artigo propõe analisar a produção de sentido nas formas de presentificação do corpo na mídia de informação semanal, tratando o universo de discurso midiático como lócus de interação social. Para isso, fundamenta-se nos estudos da semiótica discursiva desenvolvida por Algirdas Julien Greimas e seus colaboradores, detendo-se mais especificamente na sociossemiótica de Eric Landowski, na semiótica plástica de Jean-Marie Floch e nas pesquisas sobre moda e identidade, de Ana Cláudia de Oliveira. Toma como objeto de estudo as capas das principais representações do segmento de informação semanal no mercado editorial brasileiro – as revistas Veja, da editora Abril, Época, da editora Globo e Istoé, da editora Três – veiculadas no período compreendido entre 2000 e 2006. A observação das reiterações temáticas e figurativas, guiadas por elementos invariantes e variantes, conduziu-nos à percepção de duas grandes isotopias – saúde e esteticidade – em torno das quais se organizam as construções discursivas analisadas. A partir daí, observamos a construção de simulacros de corporeidades que se referem a um modo de presença predominantemente subjetivo e um modo de presença predominantemente objetivo. Baseados nesses regimes de presença, propomos uma tipologia dos modos de encenação do corpo relacionada aos diferentes regimes de sentido e interação. A análise dos mecanismos de enunciação em correlação com os regimes de sentido e interação levou-nos à observação da maneira como essa mídia opera na comunicação de informações sobre o corpo promovendo valores subjacentes às construções identitárias do sujeito da atualidade.
:. A construção da cena enunciativa: um exame da debreagem na publicidade   [pdf, 1,5 Mb]
Antonio Lemes GUERRA JUNIOR
 
A partir da análise de certos enunciados, torna-se possível identificar algumas marcas que remetem, direta ou indiretamente, à instância da enunciação. São elementos que constroem a imagem de atores, pintam cenários e regulam a duração temporal das ações desenvolvidas no texto. Dessa forma, surgem os mecanismos da actorialização, da espacialização e da temporalização, integrantes da debreagem, um movimento discursivo empreendido para a instauração de pessoas, espaços e tempos em um enunciado, resultando em diversificados efeitos de sentido. Considerando os textos publicitários sincréticos enquanto enunciados bastante ricos, em termos de significações, este trabalho pretende verificar, em um de seus exemplares, como é articulada a debreagem na criação de simulacros da realidade, o que contribui para a efetiva manipulação de seus enunciadores sobre seus possíveis enunciatários. Por meio desse procedimento, a cena enunciativa é configurada, deixando explícitos na superfície do discurso alguns sinais, resquícios de um “eu”, um “aqui” e um “agora”, que revelam a presença de sujeitos, locais e momentos cuja essência vai além dos simples produtores e receptores de um texto. Depreendem-se, assim, os níveis de objetividade ou de subjetividade adotados na produção do anúncio, o que decorre da aproximação ou do afastamento do profissional em relação ao seu discurso, em uma ação puramente intencional.
:. A construção da competência para a infidelidade em Dom Casmurro   [pdf, 127 kb]
Paulo Sérgio de PROENÇA
 
Dom Casmurro é um livro que suscita reações instigantes, relacionadas à dúvida que paira sobre a infidelidade conjugal de Capitu. Embora o romance não registre nenhuma prova cabal de que ela tenha de fato cometido o adultério, o narrador do romance tenta persuadir o leitor de que isso fatalmente aconteceu, porque era verossímil; em outras palavras, ela tinha a competência semiótica para realizar a performance. Essa constatação é explosiva na pena de um narrador ciumento. Deve-se observar que o fato de tomar por certo o que é virtualmente circunscrito pela verossimilhança é resultado de construção discursiva. Ocorre que a arte ficcional de Machado envolve essa operação narrativa em uma rede de ambiguidades que faz de alguns personagens envolvidos potenciais adúlteros; além disso, a própria narração é permeada por omissões e contradições. Como resultado, temos que, se Capitu é potencial esposa infiel, o narrador não tem competência para a acusação, porque não esconde a tendência de hiperbolizar a competência da esposa para o adultério e nada tem a dizer propriamente sobre o ato em si mesmo. Há uma acusação sem provas; ou melhor: a única prova é o relato. Para o veredito final, o leitor deve considerar a competência de Escobar, do próprio narrador-personagem e, além disso, a própria narração, com suas ambiguidades e contradições. O amparo teórico será fornecido pela semiótica greimasiana, mais precisamente pela sequência canônica do nível narrativo do percurso gerativo de sentido.
:. Estudo semiótico da interface gráfico-digital interativa Picasso Head   [pdf, 2,8 Mb]
Ângela Ribas Cleve COSTA, Márcia Melo BORTOLATO, Richard Perassi Luiz de SOUSA
 
A teoria semiótica proposta por Charles Sanders Peirce (1839-1914) é parcialmente apresentada neste texto, indicando recursos teóricos para uma reflexão sobre a interface gráfico-digital Picasso Head. Essa é uma interface gráfico-interativa, multimídia e hipertextual que oferece ao usuário a possibilidade de compor desenhos. Para tanto, é disponibilizado um acervo gráfico predeterminado, com diversos traços que se assemelham à expressão gráfica dos desenhos do artista espanhol Pablo Picasso (1881-1973). A fama do artista justifica a proposta da interface, que convida o usuário a compor desenhos de cabeças humanas, com traços previamente escolhidos no repertório de expressões do artista. Os traços pré-existentes e disponibilizados na interface são índices gráfico-digitais que possibilitam ao usuário compor desenhos na forma de signos icônicos que, consideradas as devidas proporções, se mostram semelhantes em alguns aspectos aos retratos anteriormente produzidos pelo artista. A plasticidade da mídia digital permite o livre exercício de composição de novas figuras a partir da escolha de elementos predeterminados. Esses recursos caracterizam a interface como um ambiente lúdico-interativo, projetado e destinado para diversão, criação, informação e conhecimento, introduzindo aspectos significativos diferenciados que vão além dos significados imediatamente percebidos, porque se apresenta como campo de possibilidades diversas no relacionamento com o usuário.
   


G r a d u s

:. A construção do ator “Menino” em “As margens da alegria”   [pdf, 111 kb]
Fabrício FLORO E SILVA
 
Este artigo é parte de nossa pesquisa de iniciação científica, realizada durante o ano de 2010, que teve como objetivo analisar a construção do ator “criança” em quatro contos de Primeiras estórias, de João Guimarães Rosa. Como em toda obra de Rosa, neste livro, os atores representam não só a cor local, mas adquirem dimensão universal. Entre os atores de Primeiras estórias encontramos a figura de fazendeiros, vaqueiros, lavradores, marginais, loucos, mas as crianças têm um lugar especial nessa obra. O ator “menino”, protagonista do texto de abertura do livro rosiano, intitulado “As margens da alegria”, é objeto desta análise, que se vale dos pressupostos teóricos da semiótica francesa. É importante lembrar que o ator “menino” também se concretiza no conto final do livro “Os cimos”, e em ambos os textos ele se instaura primordialmente como sujeito cognitivo e passional. Objetivamos analisar, pois, a construção do ator “menino”, no texto em análise, visando a observar a forma como ele se defronta com o processo de aquisição do saber sobre os estados efêmeros dos momentos de alegria ao longo da travessia da vida e como se dão as transformações em seus estados de alma e em suas crenças a partir da aquisição desse objeto cognitivo.