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A P R E S E
N T A Ç Ã O
Dando continuidade a
sua tarefa permanente de noticiar e, simultaneamente, estimular o
movimento das pesquisas em semiótica e nos arredores, o periódico Estudos Semióticos
traz neste número contribuições em que se cruzam diferentes
referenciais teóricos, variadas escalas de observação e uma pluralidade
de objetos de incidência das análises, da música contemporânea aos
testes projetivos, da poesia à publicidade, da fotografia ao design de
objetos.
Também comparecem artigos mais voltados à discussão conceitual em si;
destes, merece destaque o trabalho que encabeça esta edição, assinado
por um dos mais eminentes semioticistas em atividade, Claude
Zilberberg. Trata-se de um texto de circunstância, escrito em resposta
a uma pergunta proposta por Waldir Beividas durante entrevista recente
com o teórico francês. De uma conversação bastante livre, o artigo
acaba fazendo uma breve mas aguda avaliação da penetração relativa das
ideias de três filósofos situados entre os mais próximos da reflexão
semiótica europeia, tal como lida e interpretada por Zilberberg: Ernst
Cassirer, Maurice Merleau-Ponty e Gilles Deleuze. Mesmo em tão poucas
páginas, o texto expõe com clareza certas linhas de continuidade e,
sobretudo, a necessidade de exame crítico do semioticista em face
daquilo que, nas últimas décadas, acabou sendo conhecido um tanto
superficialmente como "virada fenomenológica" da semiótica – se o
diálogo fenomenologia-semiótica é em princípio bem-vindo, não se pode,
por outro lado, negligenciar o seu custo epistemológico para ambas as
partes, que demanda maior reflexão.
Temporada concluída, 2011 foi, como pudemos constatar, um bom ano para a semiótica no
Brasil. Além da agenda em São Paulo, que contou com colaboradores
brilhantes e vai se firmando como uma das mais fortes
internacionalmente, é preciso assinalar as realizações em outros
centros, tais como o seminário do SemioTec na UFMG (Belo Horizonte, MG)
ou o do LESIC na UFRGS (Porto Alegre, RS), que deram prosseguimento a
suas atividades, assim como o SemioCE, na UFC (Fortaleza, CE), que
organizou em novembro seu primeiro colóquio com grande êxito. Ademais,
durante este ano, estruturaram-se novos núcleos de pesquisa semiótica,
com destaque para o GES-UEL (Londrina, PR) e o NUPES-UFRJ (Rio de
Janeiro, RJ), impulsionados pela dedicação de pesquisadores como
Loredana Limoli e Regina Souza Gomes.
Promissores em si mesmos, esses empreendimentos indiciam a oportunidade
da criação de uma rede, fazendo uso das tecnologias hoje
disponíveis, que os integre uns aos outros, com o que todos teriam
muito a ganhar. "Nunca antes na história deste país" houve tantos e tão
bons centros de investigação na área. É preciso construir agora sua
interação – durável, de preferência. Isso não se faz da noite para o
dia, nem se faz unilateralmente, como é do conhecimento geral. A tarefa
deve requerer iniciativa e, na
mesma medida, espírito cooperativo.
Ivã
C. Lopes
Editor Adjunto
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