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ISSN
1980-4016

volume 7, número 2

novembro de 2011


A P R E S E N T A Ç Ã O


Dando continuidade a sua tarefa permanente de noticiar e, simultaneamente, estimular o movimento das pesquisas em semiótica e nos arredores, o periódico Estudos Semióticos traz neste número contribuições em que se cruzam diferentes referenciais teóricos, variadas escalas de observação e uma pluralidade de objetos de incidência das análises, da música contemporânea aos testes projetivos, da poesia à publicidade, da fotografia ao design de objetos.

Também comparecem artigos mais voltados à discussão conceitual em si; destes, merece destaque o trabalho que encabeça esta edição, assinado por um dos mais eminentes semioticistas em atividade, Claude Zilberberg. Trata-se de um texto de circunstância, escrito em resposta a uma pergunta proposta por Waldir Beividas durante entrevista recente com o teórico francês. De uma conversação bastante livre, o artigo acaba fazendo uma breve mas aguda avaliação da penetração relativa das ideias de três filósofos situados entre os mais próximos da reflexão semiótica europeia, tal como lida e interpretada por Zilberberg: Ernst Cassirer, Maurice Merleau-Ponty e Gilles Deleuze. Mesmo em tão poucas páginas, o texto expõe com clareza certas linhas de continuidade e, sobretudo, a necessidade de exame crítico do semioticista em face daquilo que, nas últimas décadas, acabou sendo conhecido um tanto superficialmente como "virada fenomenológica" da semiótica – se o diálogo fenomenologia-semiótica é em princípio bem-vindo, não se pode, por outro lado, negligenciar o seu custo epistemológico para ambas as partes, que demanda maior reflexão.

Temporada concluída, 2011 foi, como pudemos constatar, um bom ano para a semiótica no Brasil. Além da agenda em São Paulo, que contou com colaboradores brilhantes e vai se firmando como uma das mais fortes internacionalmente, é preciso assinalar as realizações em outros centros, tais como o seminário do SemioTec na UFMG (Belo Horizonte, MG) ou o do LESIC na UFRGS (Porto Alegre, RS), que deram prosseguimento a suas atividades, assim como o SemioCE, na UFC (Fortaleza, CE), que organizou em novembro seu primeiro colóquio com grande êxito. Ademais, durante este ano, estruturaram-se novos núcleos de pesquisa semiótica, com destaque para o GES-UEL (Londrina, PR) e o NUPES-UFRJ (Rio de Janeiro, RJ), impulsionados pela dedicação de pesquisadores como Loredana Limoli e Regina Souza Gomes.

Promissores em si mesmos, esses empreendimentos indiciam a oportunidade da criação de uma rede, fazendo uso das tecnologias hoje disponíveis, que os integre uns aos outros, com o que todos teriam muito a ganhar. "Nunca antes na história deste país" houve tantos e tão bons centros de investigação na área. É preciso construir agora sua interação – durável, de preferência. Isso não se faz da noite para o dia, nem se faz unilateralmente, como é do conhecimento geral. A tarefa deve requerer iniciativa e, na mesma medida, espírito cooperativo.

Ivã C. Lopes
Editor Adjunto