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A música na Web 2.0: perspectivas para a semiótica aplicada
por José Roberto do Carmo Junior (Ges-Usp, SeDi)

Em toda melodia, da mais simples canção infantil à mais elaborada peça sinfônica, as notas musicais organizam-se em unidades recorrentes que obedecem a uma espécie de "gramática", da qual resultam efeitos de sentido de coesão, equilíbrio, coerência, tensão etc. Na tentativa de descrever essa gramática formulamos a hipótese da hierarquia melódica (Carmo Jr, 2007). Essa hipótese assume que toda forma melódica possui uma estrutura hierárquica de domínios precisamente definidos e estabelecidos com diferentes componentes musicais: rítmico, entoativo e harmônico.
 
Pensado originalmente como uma ferramenta de análise da semiótica musical, o modelo da hierarquia melódica nos ajuda a compreender o ato cognitivo pelo qual identificamos e reconhecemos uma melodia, assim como os limites e possibilidades de um procedimento mecânico (automático) de identificação musical.
 
Pesquisas nessa direção teriam uma possível aplicação no desenvolvimento de interfaces sonoras para dispositivos computacionais como iPods e iPhones, por exemplo, que são capazes de armazenar uma grande quantidade de dados sonoros (da ordem de centenas de milhares de músicas), mas que são deficientes quanto se trata de recuperar esses dados. Se um iPod pudesse reconhecer uma melodia através de um comando de voz, assim como nós o fazemos, sua eficiência seria grandemente ampliada. Esta possibilidade, bem como seus fundamentos semióticos, constituem o objeto da presente comunicação. 
 

José Roberto do Carmo Junior é doutor em Lingüística e Semiótica pela USP e bolsista de pós-doutorado da Fapesp. Publicou Da voz aos instrumentos musicais: um estudo semiótico, em 2005, em co-edição Anna Blume/Fapesp. É editor do Portal Hjelmslev (www.glossematica.net) e um dos coordenadores do LABS, Laboratório de Semiótica da Universidade Federal Fluminense. 

Sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Das 11h30 às 13h00
Prédio de Letras USP, Sala 260