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Da fala à visão: pensando letramentos visuais indígenas
por Lynn Mario T. Menezes de Souza (DLM-FFLCH-USP)

As teorias de letramento (Street 1985) há muito apontam para o fato de que não se trata mais da aquisição e uso de um código escrito, e sim de um conjunto de práticas sociais onde o uso da escrita atende a necessidades social e culturalmente constituídas.
 
Essa visão foi estendida mais ainda para retratar o letramento como uma série de micro-práticas locais, formando “ecologias da escrita” (Barton 1994). Estudos posteriores falam em “multiletramentos” (Cope & Kalantzis 2000) como um conjunto intricado de práticas variáveis e múltiplas de letramento, contextualmente sensíveis e de letramentos multimodais (Kress 2003) e digitais (Snyder 2003).
 
Essa profusão de teorias de letramento(s), apesar de enfatizarem o aspecto etnográfico e cultural de práticas da escrita, dificilmente aborda a questão da escrita vista por culturas alfabeticamente ágrafas. Pressupõe-se ainda a dicotomia oralidade/escrita e há pouca discussão teórica em torno de culturas que possuem outras formas de escrita que não sejam alfabéticas e muito menos fonocêntricas (por não representarem a voz ou a fala). 

Nesta fala apresentarei e discutirei minhas pesquisas sobre formas de escrita não alfabéticas e não fonocêntricas em comunidades indígenas do Brasil e da América Latina numa tentativa de tornar mais abrangente o pensamento teórico sobre o letramento.
 

Lynn Mario T. Menezes de Souza é bacharel em Linguística, Mestre em Linguística Aplicada e Doutor em Comunicação e Semiótica. É professor do Departamento de Letras Modernas da FFLCH onde orienta teses nas áreas de Estudos da Cultura, Literaturas Pós-Coloniais e Letramentos. Publicou amplamente sobre Educação Indígena Intercultural, Letramentos Indígenas e Letramento Crítico. É Editor do periódico Critical Literacies e Co-autor de Through Other Eyes.

Sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Das 11h30 às 13h00
Prédio de Letras USP, Sala 260