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A tradução intersemiótica: questões de enunciação e do plano da expressão
por Renata Mancini (UFF, SeDi)

Dentre os muitos desafios e questões que a contemporaneidade oferece às teorias do texto uma delas assume relevo especial: a multiplicação das novas mídias. Certamente, essa multiplicação fomenta o surgimento de novos paradigmas textuais, com diferentes meios técnicos de produção textual, suportes, plano de expressão etc. Nesse cenário, vale ressaltar, por exemplo, a miríade de adaptações de obras literárias para outras linguagens de maior penetração atual, como cinema, TV e, mais recentemente, quadrinhos. Consideramos tais exercícios de tradução objetos privilegiados de uma análise semiótica em bases textuais, proposta que embasa este trabalho.
 
Introduzido nos estudos do texto por Roman Jakobson e mais recentemente desenvolvido em bases peirceanas por Julio Plaza – enfatizando as pesquisas interessadas na tradução intersemiótica vinculada às novas mídias –, é evidente que o conceito pode ser alargado de modo a estender-se a todo tipo de tradução que envolva sistemas semióticos distintos, verbais ou não, além de responder, necessariamente, a questões “gramaticais” relacionadas ao enunciado, à enunciação e à textualização. É esse enfoque textual, inspirado na teoria semiótica de A. J. Greimas, que pretendemos imprimir a esta pesquisa.
 
A hipótese de base é a de que uma tradução intersemiótica cria um efeito de sentido de “fidelidade” entre a tradução e o original quando preserva uma certa unidade do modo de enunciar, a despeito das coerções de estilo e das diferenças inerentes aos planos da expressão do original e da tradução. Assim, se não podemos falar de uma tradução “adequada” ou “correta” (assim como de uma tradução “inadequada” ou “incorreta”), parece possível identificar a fonte do efeito de “fidelidade” que intuitivamente reconhecemos em certas traduções. Nessa linha, discutiremos como uma tradução pode ser ‘fiel’ ao texto original preservando-se os efeitos de sentido buscados pela enunciação do texto de partida com suas estratégias de construção textual. 
 

Doutora em Semiótica e Linguística Geral pela FFLCH-USP (2006), com estágio de doutorado no Centre de Recherches Sémiotiques - Limoges, França (2004), Renata Mancini é professora adjunta de Linguística e Semiótica da Universidade Federal Fluminense, onde atua como vice-chefe do Departamento de Ciências da Linguagem e como coordenadora do Setor de Linguística. Coordena o Laboratório de Semiótica (LABS-UFF) e participa como pesquisadora em quatro grupos de pesquisas cadastrados junto ao CNPq. É co-editora do site www.claudezilberberg.net, dedicado à obra de C. Zilberberg, um dos principais nomes da Semiótica Tensiva (elaborado sob a supervisão do autor).

Sexta-feira, 29 de maio de 2009
Das 11h30 às 13h00
Prédio de Letras USP, Sala 266