FAPS 26.08.2011

Propostas para um estudo dialógico-discursivo da canção popular brasileira

por Álvaro Antônio Caretta (UNIFESP)

Tomando como ponto de partida as teorias do Círculo de Bakhtin para o estudo dos gêneros discursivos, realizamos um estudo dialógico-discursivo da canção popular brasileira, enfocando o período de sua adaptação ao rádio no começo do século XX, conhecido como “Época de Ouro”.

Em nossa pesquisa, observamos inicialmente as relações dialógicas em canções dessa época, procurando identificar os processos de interdiscursividade e de intertextualidade que constituíram esses enunciados e definiram as características da canção popular brasileira. Propomos, também, um modelo de análise da canção fundamentado nas relações dialógicas entre os gêneros primários e secundários da comunicação. Partindo do conceito de amplificação de Todorov, compreendemos a produção do enunciado-canção como a reelaboração artístico-musical de um ato de fala. A fim de estudar a enunciação nas canções, trabalhamos com o conceito de posicionamento enunciativo, proposto por Maingueneau, compreendendo a enunciação como a elaboração de uma cena por parte de um enunciador que assume um ethos, posicionando-se, então, no interdiscurso. Tendo em vista que a canção é um texto sincrético que utiliza o código musical e o linguístico, abordamos também as propostas de Luiz Tatit para o estudo da compatibilização entre a letra e a melodia.

Álvaro Antônio Caretta é doutor em Letras (Semiótica e Linguística Geral) pela Universidade de São Paulo, onde defendeu a tese A canção e a cidade: estudo dialógico-discursivo da canção popular brasileira e seu papel na constituição do imaginário da cidade de São Paulo na primeira metade do século XX. Atualmente é professor de Língua Portuguesa na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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Sexta-feira, 26 de agosto de 2011.
Novo horário do FAPS:
Das 14h00 às 15h30.
Prédio de Letras USP, sala 261.

A palestra é aberta a todos os interessados. Não é necessário inscrever-se previamente.