International FAPS 28.02.2013

Pequena semiótica da escrita

por Jean-Marie Klinkenberg
(Université de Liège, Groupe μ)

Desejamos propor uma nova visão da escrita, esse fenômeno de fundamental importância no desenvolvimento da humanidade.

Por um lado, o fenômeno da escrita será contemplado em toda sua generalidade; vale dizer, independentemente de qualquer remissão a tal ou qual língua particular, e de maneira sincrônica, sem nos determos nas considerações históricas ou genéticas que já têm motivado tantos debates.

Por outro lado, a escrita não será reduzida a sua função de representação da língua falada. Mostraremos, ao contrário, que suas especificidades procedem do canal visual para o qual foi concebida, o que faz dela uma semiótica do espaço, tornand0-a parcialmente autônoma frente à língua.

Exploraremos, a partir daí, duas grandes famílias de funções: de um lado, as chamadas funções glóssicas, em que a escrita fornece uma imagem, ou, mais precisamente, uma série de imagens da língua (com maior ou menor êxito, a depender das línguas e dos sistemas de notação escolhidos); de outro, as funções não-glóssicas, em que a escrita se liberta de sua tarefa primeira. Por exemplo, quando os signos utilizados possuem seu próprio valor plástico, ou quando seu traçado os aproxima do desenho.

Examinaremos, por fim, o modo como tais funções vêm sendo incrementadas, atualmente, pelas novas tecnologias.

Jean-Marie Klinkenberg é membro da Académie Royale de Belgique e Professor Emérito da Universidade de Liège. Participante do Haut Conseil de la Francophonie, é consultor permanente junto às Editions Larousse e presidente do Conseil supérieur de la langue française, posição que também ocupou entre 1993 e 1997. Membro do conselho editorial de vários periódicos científicos, preside a International Association for Visual Semiotics.

Fez mestrado em Filologia Românica e doutorado em Filosofia e Letras; juntou-se, em 1967, aos pesquisadores que fundaram o Groupe μ, em cujo âmbito segue pesquisando e publicando. Foi professor visitante em Tel-Aviv, México, Urbino, São Paulo, Montréal, Jyväskylä, assim como titular da Chaire Francqui em três ocasiões, (1995-1996, 1999-2000, 2000-2001), é assessor do CNRS, do FNRS, do NFWO, da AUF e de diversas instituições científicas internacionais.

Autor de mais de seis centenas de títulos, vários traduzidos para dezenas de línguas, tem como linha mestra de sua produção, num amplo leque de interesses, investigações sobre a emergência do sentido e o valor. De seu início na estilística, logo se dedicou à retórica e à poética, donde chegou à semiótica geral. No âmbito da semiótica, sua obra atual tem-se concentrado principalmente na semiótica visual.

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Excepcionalmente:
Quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013.
Das 14h00 às 15h30. Sala 266 do
Prédio de Letras USP.

A palestra é aberta a todos os interessados. Não é necessário inscrever-se previamente.