FAPS 27.03.2015

O contínuo, o descontínuo e o corpo do ator

por Norma Discini
(DL - USP)

Partindo do princípio segundo o qual aos enunciados está pressuposta uma enunciação que, considerada como presença em ato, apresenta-se encarnada numa totalidade discursiva, investigaremos como papéis semânticos e orientações tensivas funcionam na constituição de um corpo como estilo.  Ao radicarem o sujeito no interior da totalidade, tais papéis e tal orientação, firmados como vetores estilísticos, serão examinados na medida em que remetem ao contínuo e ao descontínuo na produção do sentido, fato este que encontra apoio nos estudos relativos à tensividade propostos por Zilberberg (2011). O contínuo e o descontínuo – termos considerados em correlação e cotejados com a formulação zilberberguiana de que o sensível rege o inteligível – deverão apontar para a perspectiva sensível (o primeiro) e para a perspectiva inteligível (o segundo), cada um desses ângulos de visão levados em conta como componentes do corpo em movimento (ou processado no ato de dizer). Assim apresentado, o sujeito evoca a categoria de aspecto vinculada à pessoa discursiva, o que retoma o pensamento de Zilberberg (2006). O semioticista trata da aspectualização por saliências (o descontínuo) e da aspectualização por passâncias (o contínuo), acabando por favorecer o estudo sobre as paixões, na medida em que elas se interseccionam na linha de um contínuo fenomenológico: aquele que diz respeito ao tempo-espaço da percepção (Merleau-Ponty, 1999). 

Norma Discini é professora Livre Docente em Teoria e Análise do Texto, vinculada ao Departamento de Linguística da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). Realizou pós-doutorado como bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) na Universidade Paris 8, França, sob a supervisão de Denis Bertrand, com o projeto "Corpo: limite e limiar - Questões de estilo". É mestre e doutora em Linguística e Semiótica pela Universidade de São Paulo. Interessada em questões concernentes a uma Estilística Discursiva, desenvolve seu trabalho sob uma perspectiva fundada na teoria semiótica da significação, desde suas bases greimasianas até seus desdobramentos contemporâneos, o que supõe contemplar vizinhanças entre a semiótica e outras fontes do pensamento, tais como a Fenomenologia, a Análise do Discurso e a Filosofia Bakhtiniana da linguagem. Pesquisa como o sujeito se firma no discurso, o que supõe interrogar o estilo como um corpo apresentado na ordem do sensível e do inteligível. Busca, no limiar entre a Retórica e os estudos enunciativos, relacionar o homem na língua com a noção aristotélica de um éthos, que, articulado ao páthos e ao lógos, organiza-se ao longo de determinada totalidade discursiva ao se firmar como estrutura e acontecimento. Nessa direção vão suas publicações, as quais juntam, à esfera acadêmica, obras com teor didático.

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Sexta-feira, 27 de março de 2015.
Das 14h00 às 15h30.
Sala 260 do prédio de Letras USP.

A palestra é aberta a todos os interessados. Não é necessário inscrever-se previamente.