Publicação dos Anais do X ENAPOL

CAMINHOS DO LINGUISTA: MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA

 
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Artigos

ISBN978-85-99829-35-6

ARTIGOS

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Verbos denominais parassintéticos com prefixo em-/en- no Português do Brasil

BASSANI, Indaiá de Santana

Dentre a classe geral dos Verbos Denominais há uma subclasse de formações parassintéticas formada por diversos prefixos e sufixos. Dentre os parassintéticos, estão aqueles iniciados pelo prefixo em-/en- que apresenta homofonia com a preposição em que expressa, sobretudo, local e tempo em português. A pergunta que se coloca, então, é se esses prefixos carregam valores relacionais, ou seja, de preposição. No presente artigo, são analisados quatro verbos parassintéticos do português do Brasil iniciados pelo prefixo em-/en-: enfrentar, enfeitiçar, engarrafar e engavetar. Com base na análise de Hale & Keyser (2002) para estruturas location e locatum, concluímos que três desses verbos configuram estruturas verbais complexas nucleadas por uma preposição prefixal, que é responsável pela projeção da estrutura argumental desses verbos. Entretanto, o verbo enfrentar, que possui a mesma formação com o prefixo em-/en-, não apresenta comportamento de estrutura depreposicional. Para esse caso, uma outra análise deve ser sugerida.
Palavras-chave: Morfologia; Sintaxe; Verbos Denominais; Parassíntese; Estruturas Depreposicionais.

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A canção e a cidade: um estudo discursivo sobre a metropolitana da cidade de São Paulo na canção população brasileira da primeiroa metade do séculoXX.

CARETTA, Álvaro Antônio

A partir das teorias dialógicas de Mikhail Bakhtin, propusemo-nos a estudar o discurso da metropolização da cidade de São Paulo na canção popular da primeira metade do século XX e realizar uma descrição do gênero canção popular urbana. Abordando as propostas do pensador russo, associadas às de Dominique Maingueneau para a análise discursiva, observaremos como o estabelecimento da cena de enunciação e a construção do ethos nas canções manifestam um posicionamento discursivo do enunciador frente à dicotomia entre o discurso progressista e o discurso nostálgico. Para isso, torna-se imprescindível conhecer as características discursivas do gênero canção popular, empreitada que pretendemos realizar fundamentos nas teorias de Bakhtin sobre os gêneros discursivos.
Palavras-chave: Análise do discurso, Canção popular, Gêneros discursivos, São Paulo.

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As estratégias de enunciação no universo infantil de Manoel de Barros no conto“O menino que carregava água na peneira”.

MAIA, Mara Jane Sousa

Este trabalho se propõe a analisar o texto “O menino que carregava água na peneira”, inserido no livro “Exercícios de ser criança”, do poeta mato-grossense Manoel de Barros. Tentaremos compreender e descrever as estratégias de enunciação dessa obra sincrética, apontando os recursos utilizados para sua construção. E, por se tratar de um livro que caminha para o estético, analisamos o texto sincrético enquanto simulacro da experiência estética, percebendo quais os elementos figurativos que oferecem recursos para essa apreensão.
Palavras-chave: sincretismo, figuratividade, enunciação, tensividade, Manoel de Barros.

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A marcação diferencial de objeto no Hebraico.


MINUSSI, Rafael Dias

O objetivo deste trabalho é discutir a Marca de Diferencial Objeto ‘et, também chamada de Caso acusativo em algumas gramáticas. Entre as principais questões que discutiremos à luz da Morfologia Distribuída (MD) (Cf. HALLE; MARANTZ (1993), MARANTZ (1997) e HALLE (1997)) está a questão de que tipo de contribuição semântica o ‘et traz para as sentenças em que tal marca ocorre. Como resultado da análise dos dados do hebraico em comparação com o Turco, e também com Armênio (Cf. YEGHIAZARYAN (2005)), chegamos a algumas conclusões parciais: (i) o hebraico não apresenta uma especificidade ancorada no discurso e marcada pelo ‘et; (ii) o hebraico apresenta dois tipos de partitivo: um formado com a partícula me e ligado com o contexto precedente e outro formado com o Construct State e que não está ligado com um contexto dado previamente e (iii) entre as principais contribuições semânticas do ‘et estão a marcação de aspecto acabado e a desambigüização entre a leitura de indefinido e a leitura de definido em certos tipos de Construct States.
Palavras-chave: Marcação Diferencial de Objeto, hebraico, definitude, especificidade, Construct State.

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Adjetivos: O domínio das escaladas em PB

QUADROS GOMES, Ana Paula

Examinando a modificação de adjetivos por “todo” e “muito”, delineamos a organização do domínio das escalas em PB. Adjetivos de Grau (AG) mapeiam seus argumentos a graus numa escala. Escalas são graus ordenados ao longo de uma dimensão ou propriedade. Para Kennedy & McNally (2005), modificadores de grau (MGs) selecionam AGs segundo a estrutura da escala. Em inglês, “well” modifica apenas AGs de escala fechada; “very”, apenas os de escala aberta; e “much”, os de escala fechada no grau mínimo. Os modificadores de grau do PB “muito” e “bem” modificam qualquer AG. “Todo” é o mais seletivo: modifica escalas fechadas no grau mínimo e escalas abertas sem unidade de medida associada. Entretanto, esses fatos não minam a hipótese de que as estruturas de escalas sejam universais. Defendemos que, se “muito” pode modificar qualquer tipo de escala em PB, o sintagma resultante da modificação (MG + AG) tem um só tipo de escala. A expressão “muito” + AG exibe sempre escala aberta; “todo” + AG exibe sempre escala fechada. Logo, a estrutura das escalas importa em PB tanto quanto em inglês, embora se manifeste diferentemente.
Palavras-chave: escalas; adjetivos; modificadores de grau; “muito”; “todo”.

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Linguística, Semiótica e tradução: Apontamentos

PONDIAN, Juliana Di Fiori

O presente artigo investiga quais poderiam ser as bases para entender os mecanismos tradutológicos a partir de princípios da linguística estrutural, e como eles poderiam ser reformulados no âmbito da teoria semiótica, a fim de observar os problemas de realização e avaliação da atividade de tradução. Para isso, observamos alguns dos postulados teóricos inerentes à língua, via Saussure e Hjelmslev, e outros que dizem respeito a fatores extralinguísticos, via Coseriu, que estejam diretamente implicados na tradução para, enfim, chegarmos à semiótica discursiva, domínio que se mostra bastante fecundo para esse tipo de descrição.
Palavras-chave: sentido; tradução; semiótica discursiva.

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Análise semiótica do conto “Adão e Eva”, de Machado de Assis

PROENÇA, Paulo Sérgio de

Machado de Assis recria a narrativa bíblica da queda, com a qual estabelece um diálogo polêmico. Propõe-se análise dos mecanismos de produção de sentido utilizados e os efeitos que produzem, a partir das ferramentas da Semiótica francesa, mais precisamente do percurso gerativo de sentido. A narrativa se projeta no jogo de contrários e ambigüidades, característico do autor carioca e provoca uma tensão inicial em relação à tradição cristã. Parece que a Bíblia foi uma fonte, usada de forma livre, para apoiar seu projeto literário.
Palavras-chave: Percurso gerativo de sentido; Machado de Assis; Bíblia.

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Aspectualização do ator da enunciação no discurso de divulgação religiosa

RAMOS-SILVA, Sueli Maria

Este trabalho tem como fundamentação teórica a Semiótica Greimasiana de linha francesa e a Análise do Discurso (AD) francesa. Tomamos para nosso estudo, de modo amplo, a divulgação religiosa, a fim de identificarmos o éthos característico desse discurso. O objetivo específico deste trabalho é depreender mecanismos de construção do sentido do gênero compêndio, presente no campo religioso instrucional católico. A fim de determinamos como os textos que materializam a divulgação religiosa alcançam certa especificidade rítmica para que se defina a cena enunciativa, estabelecemos como recorte textual a análise do capítulo terceiro: “A vida de oração”, extraído do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. A escolha da problemática aqui proposta justifica-se também pelo fato de que os conceitos ora escolhidos como determinantes dessa análise: a noção de afeto, aspecto, ritmo e presença, encontrarem-se longe de estar completamente definidos dentro da teoria semiótica. Assim, com apoio nos estudos sobre presença de Fontanille e Zilberberg (2001) e dos desenvolvimentos efetuados por Discini (2005a, 2005b), buscamos articular a noção de estilo à aspectualização do ator da enunciação, a fim de procurarmos estabelecer com mais profundidade as diretrizes dos mecanismos de construção do sentido que constroem os enunciados caracterizados pelo discurso de divulgação religiosa.
Palavras-Chave: divulgação religiosa; aspectualização do ator da enunciação; ritmo; presença.









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