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Literatura
e Sociedade 7 - 2003/2004
"Edição comemorativa 2"
Editorial
 
edição de número 7 da revista Literatura
e Sociedade tem como propósito focalizar aspectos
da modernidade brasileira no século XX, em que se inscreve
o movimento modernista. Para esse diálogo multiface
concorrem ensaios de diferentes áreas do conhecimento
humanístico. O volume em questão é dedicado
a Mário da Silva Brito, poeta, crítico e historiador
da literatura, pelo estudo de ponta dedicado ao Modernismo
local, cujas matrizes se enredam na sociedade e na vida cultura
do país. O debate que Mário da Silva Brito proporciona
ao leitor é fruto do aprofundamento sobre a matéria,
lastro de vários anos de estudo, devedor da pesquisa
criteriosa das fontes primárias, de depoimentos e conversas
com expoentes do movimento, como Oswald de Andrade e Mário
de Andrade, de documentação valiosa como que
lhe chegou de Carlos Drummond de Andrade. Por essas e outras
razões de relevo, seu trabalho minucioso e analítico
mantém-se atual, e continua sendo referência
básica aos estudiosos do período.
Em
larga medida, os artigos reunidos neste volume de Literatura
e Sociedade contemplam antecedentes do movimento de 22,
o período áureo no qual se intensificaram os
diálogos com as vanguardas européias das primeiras
décadas do século XX, também incluindo
desdobramentos posteriores. O interesse que ainda hoje desperta
o mais importante movimento artístico local mostra
que suas marcas no processo de atualização cultural
do Brasil são indeléveis. Nele reverbera diretamente
o processo da modernização industrial do país,
com seus conflitos e rumos inesperados. Sabe-se que abriu
espaço para o arejamento de nossa mentalidade atrasada,
particularmente atuando sobre o espírito conservador
da elite. A criação da Universidade de São
Paulo em 1934, o impacto da I Bienal do Museu de Arte Moderna,
no início da década de 1950, e a concorrida
II Bienal (fins de 1953 e início de 1954) que se integrou
às comemorações do IV Centenário
de Fundação da Cidade de São Paulo, com
salas especiais para a exibição de obras do
Cubismo, Futurismo, Expressionismo, são bem prova de
seu alcance tentacular. Picasso, Boccioni, Klee, Léger,
dividiram espaço com Alexander Calder, Antonio Tápies
e Heitor dos prazeres, Hilde Weber, Artur Luiz Piza, Livio
Abramo, Flávio de Carvalho, entre muitos. Assim, mergulhando
nas necessidades de um tempo e agitando com suas controversas
polêmicas, propostas e obras, levantou problemas sobre
a realidade brasileira, trouxe dúvidas, chacoalhou
convicções, bem como correu por pistas equivocadas.
Muito do que moveu foi superado; outros problemas persistem
no tempo em busca de transformação. Na roda
viva dos ensaios, Literatura e Sociedade traz para
o debate discussões em torno do tema. Nos estudos aqui
publicados o olhar da crítica se volta para obras de
Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Villa-Lobos, Lasar
Segall, entre outros. Do mais amplo ao mais específico,
os caminhos se bifurcam no campo da história, da literatura,
da música, das artes plásticas, do teatro, da
arquitetura e da pesquisa.
A
seção Ensaios apresenta-se subdividida
em sete temas, e os autores distribuídos por ordem
alfabética, em cada uma delas. Abre-se com História
e um único estudo: "Dérive poética
e objeção cultural: da boemia parisiense a Mário
de Andrade", de Nicolau Sevcenko. Na parte dedicada à
Literatura, temos: "Construções
de um Brasil moderno", de Eneida Maria de Souza; "A
evolução da crítica oswaldiana",
de Haroldo de Campos, texto por ele enviado a Literatura
e Sociedade poucos meses antes de sua morte, em agosto
de 2003, gentilmente atendendo ao convite da Comissão
Editorial. Seguem-se, "O homem cordial e seus precursores:
os vanguardistas europeus", de João Cezar de Castro
Rocha: "Uma enorme risada: o espírito cômico
da literatura modernista brasileira"'de K. David Jakson;
"Coelho Netto entre modernistas", de Marcos Antonio
de Moraes; "Taí: é e não é
Cancioneiro Pau Brasil", de Maria Augusta Fonseca;
"Modernismo, repurificação e lembrança
do presente", de Raul Antelo; "A saga das cidades
na literatura dos anos 30", "Seis capítulos
de Oswald de Andrade", de Vera Maria Chalmers. Na seqüência,
destacam-se as Artes plásticas: "Lasar
Segall: um ponto de confluência de um itinerário
afro-latino-americano nos anos 20", por Jorge Schwartz;
a Música, com "Lições de
harmonia", de Flávia Camargo Toni; a Arquitetura,
com Carlos Cerqueira Lemos e o ensaio "A arquitetura
dos modernistas". O Teatro também marca
sua presença: "Dramaturgia modernista em 22",
por Iná Camargo Costa. Pesquisa projeta outras
questões, concluindo um ciclo que não se pretende
acabado: "O Modernismo no Rio Grande do Sul: revisitando
uma pesquisa dos anos 70", de Ligia Chiappini; e "Mário
de Andrade cronista do Modernismo: 1920-1921", de Telê
Ancona Lopez.
A
seção Rodapé destaca ensaios já
publicados sobre Modernismo e modernidade, incluídos
como diálogo ainda atual que estabelecem com os demais
textos publicados neste volume. Reproduz, de Alfredo Bosi,
"O Movimento Modernista de Mário de Andrade",
uma palestra de 1972, transcrita da revista Colóquio-Letras
(Portugual, 1972); de Antonio Candido, "O poeta itinerante"(1989),
sobre a poesia "Louvação da tarde"
de Mário de Andrade, extraído de O Discurso
e a cidade (obra publicada em 1993). De Benedito Nunes,
"Antropofagia e vanguarda acerca do canibalismo literário",
um fragmento de Oswald Canibal (obra publicada em 1979),
centrado na vivaz e problemática noção
oswaldiana de antropofagia. Décio de Almeida Prado
está presente com "Hoje tem goiabada" (1952)
e "Circo acrobático chinês" (1958),
artigos de sua coluna de jornal, depois reunidos em O teatro
moderno, privilegiando, em raro enfoque, o circo - arte
popular que teve papel relevante no contexto movimento modernista.
Por fim, destaca-se de Mário da Silva Brito um artigo
centrado numa figura polêmica: "Marinetti em São
Paulo", texto extraído de sua obra Ângulo
e horizonte de Oswald de Andrade à ficção
científica ( 1969).
Biblioteca
mantém-se como seção que divulga publicações
do Departamento, registrando nesse número produção
acadêmica em livro dos docentes do DTLLC, em 2002 e
2003.
Com
seu aparato de textos, esta edição de Literatura
e Sociedade 7, substancialmente organizada por Maria Augusta
Fonseca, persiste no propósito de estimular debates
e reflexões, envolvendo dinâmicas entre arte
e sociedade; de convocar vozes divergentes e convergentes;
de expor exercícios críticos de ontem e de hoje,
como parte de um processo do conhecimento que conjuga pesquisa,
produção científica e sala de aula.
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da Revista
Ensaios
História
Dérive
poética e objeção cultural:
da boemia parisiense a Mário de Andrade
Nicolau Sevcenko
Literatura
Construções
de um Brasil moderno
Eneida Maria de Souza
A
evolução da crítica
oswaldiana
Haroldo de Campos
O
homem cordial e seus precursores: os vanguardistas
europeus
João Cezar de Castro Rocha
Uma
enorme risada: o espírito cômico
na literatura modernista brasileira
K. David Jackson
Coelho
Netto entre modernistas
Marcos Antonio de Moraes
Taí:
é e não é - Cancioneiro
Pau Brasil
Maria Augusta Fonseca
Modernismo,
repurificação e lembrança
do presente
Raúl Antelo
A
saga das cidades na literatura dos 30
Renato Cordeiro Gomes
Seis
capítulos de Oswald de Andrade
Vera Maria Chalmers
Artes
plásticas
Lasar
Segall: um ponto de confluência de
um itinerário afro-latino-americano
nos anos 20
Jorge Schwartz
Música
Lições
de harmonia
Flávia Camargo Toni
Arquitetura
A
arquitetura dos modernistas
Carlos Cerqueira Lemos
Teatro
Dramaturgia
modernista em 22
Iná Camargo Costa
Pesquisa
O
Modernismo no Rio Grande do Sul: revisitando
uma pesquisa dos anos 70
Ligia Chiappini
Mário
de Andrade cronista do Modernismo: 1920-1921
Telê Ancona Lopez
Rodapé
O
Movimento Modernista de Mário de
Andrade
Alfredo Bosi
O
poeta itinerante
Antonio Candido
Antropofagia
de vanguarda - acerca do canibalismo literário
Benedito Nunes
Circo
acrobático chinês
Décio de Almeida Prado
Hoje
tem goiabada...
Décio de Almeida Prado
Marinetti
em São Paulo
Mário da Silva Brito
Biblioteca
Publicações
do Departamento
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Sandra Nitrini (coord.)
Maria Augusta Fonseca
Viviana Bosi |
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