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Magma 8 - 2002/2003
Editorial
  
m "Literatura de dois gumes", Antonio Candido afirma
que as sugestões e influencias da sociedade se manifestam de
modo mais vivo quando incorporadas à estrutura literária. De
um lado, a obra ganha uma contundência histórica, pois os
problemas sociais representados passam a ser também a
substância livre do ato criador, o que possibilita que se
escape da correlação mecânica entre literatura e história
social. De outro, ganha a nossa consciência acerca da
realidade histórica, uma vez que, considerando-se a forma
literária como uma espécie de figuração que sintetiza de modo
profundo o movimento social, é possível observarmos o momento
em que vivemos além das aparências das mediações que funcionam
a serviço de interesses muitas vezes escusos. Em tempos de
guerra e perplexidade em que vivemos, não podemos ter dúvida
sobre a potencialidade de resistência e transformação
presentes em nossa tarefa como críticos, resistência às formas
bárbaras de alienação, de violência e de submissão do outro.
Na tradição de nossa formação humanística na Faculdade de
Filosofia, Letras e Ciências Humanas, sob as mais diversas
gamas de pressupostos teóricos e metodológicos, é importante
que busquemos interpretar, no fio entre a literatura e a
realidade, as formas possíveis de
liberdade.
A Revista Magma
completa, com este número, oito edições. A proposta
original de uma revista direcionada para a produção dos
pós-graduandos do Departamento de Teoria Literária e
Literatura Comparada elaborada pelos próprios alunos continua
sendo o objetivo desta publicação. Contudo, procuramos, nesta
edição, ampliar o diálogo entre a produção discente do
Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada e
outros centros de reflexão acerca do literário. O resultado
final compõe-se de um conjunto de ensaios bastante variado,
tanto no que diz respeito aos temas quanto aos modos de
abordagem de textos literários, o que vem sendo uma das marcas
mais profícuas da revista. Mas é importante salientar que, aos
poucos, pensamos ser possível, a exemplo de outras
publicações, acadêmicas ou não, incorporar também a Revista um
segmento de caráter temático, a fim de transformar a Magma num
espaço de debate. Tal iniciativa poderá ganhar contornos mais
precisos nos próximos números.
Na seção correspondente ao Evento, apresentamos uma
entrevista com o escritor Milton Hatoum, na qual se discutem aspectos
intrínsecos a produção literária, a docência de literatura, a
relação entre literatura e contemporaneidade e qual o papel da
prosa e da poesia na realidade brasileira e mundial. Como
aluno do Programa de Pós-Graduação do Departamento, Milton
pôde, inclusive, discutir conosco alguns dos enfoques de seu
projeto de doutoramento, centrado na obra de Euclides da
Cunha. Enfim, a partir dessa entrevista procuraremos, após
encerrar o ciclo de conversas com professores aposentados do
próprio Departamento, abrir espaço para escritores e
investigar as novas produções literárias no
Brasil.
Completa a Revista, na parte relativa à Criação, o
texto em prosa interessante e provocador intitulado "Lenora",
entremeado de um ensaio fotográfico que, por assim dizer,
vitaliza seu caráter sombrio e decadente. Organizado em
fragmentos relativamente autônomos, essa narrativa supera
fronteiras, de maneira a condensar o banal e o insólito,
atualizam-no uma experiência estética cujas origens remontam a
Edgar Alan Poe. Pensamos, para os próximos números,
intensificar as iniciativas de criação, seja de pessoas de
dentro do Programa de Pós-Graduação, seja de jovens poetas e
prosadores de fora, assim como veicular produções em outras
linguagens que não somente a literária. O escopo primeiro é o
de dilatar o interesse de leitura e, com isso, a veiculação da
Revista.
Gostaríamos de destacar as alterações no projeto
gráfico da Magma.
Resultado de um cuidadoso e prazeroso trabalho, tentamos
imprimir a Revista uma dinâmica distinta da dos números
anteriores sem, contudo, romper com as marcas que a
caracterizam desde a sua criação.
Por fim, agradecemos às professoras Maria Augusta
Fonseca, Andrea Saad Hossne, Viviana Bosi e Aurora Fornoni
Bernardini pela indicação de textos e pelas sugestões.
Especialmente, agradecemos ao professor Ariovaldo José Vidal
pelo acompanhamento passo a passo na elaboração deste
número.
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Download da Revista Criação
Lenora Rodrigo Ribeiro
Frias
Ensaios
O diário íntimo d'O Trapicheiro: um
exercício para o equilíbrio Ana Cecília
Água de Melo
Uma formação na malandragem:
fraternidade, subsistência e marginalidade em
Malagueta, Perus e Bacanaço, de João
Antônio BrunoZeni
Subjetividade e literatura: o
"sujeito fraturado" e a criação literária
coomtemporânea Leopoldo O. C. de
Oliveira
Sobre a maternidade, a perda e a
seca Roberta Hernandes
Alves
Dostoiévski e a crítica
russa Maria de Fátima
Bianchi
Literatura Comparada e Literatura de
Viagem: estratégias ópticas Jefferson
Agostini Mello
Possibilidades e limitações da narrativa
em "A quinta história" de Clarice
Lispector Daniela Mercedes
Kahn
Entrevista
Treze Perguntas para Milton
Hatoum
Informes | |
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Jefferson Agostini Mello
Ricardo Gonçalves
Barreto | |
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