SET 2024 - SET 2026
DIREÇÃO DA FFLCH
Diretor: Adrián Pablo Fanjul
Vice-diretora: Silvana de Souza Nascimento
Colaboraram na elaboração do relatório:
Assistência Acadêmica: Marie Márcia Pedroso
Assistência Administrativa: Frederico Tresoldi Favoretto
Assistência Financeira: Valdeni Faleiro
Assistência Audiovisual: Miraldo Vale de Freitas
Informática: Thiago Gomes Veríssimo
Escritório de Apoio ao Pesquisador: Nelson Caetano
Serviço de Comunicação Social: Paulo Andrade
SUMÁRIO
1. Vida institucional da Faculdade
1.1 Funcionamento dos colegiados
1.2 Comissões criadas para uma gestão participativa
1.2.3 Comissão de Planejamento da Infraestrutura, dos Equipamentos e dos Espaços
1.2.4 Continuidade da Comissão de Cargos Docentes
1.3 Relação com as comissões estatutárias
1.4 Relação com as chefias dos departamentos e direções de centros
2.1 Contratação de serviços e fornecimentos habituais
2.2 O aproveitamento de verbas extras
2.3 A busca de oportunidades mediante editais
2.3.1 Editais com participação da direção na elaboração da proposta
2.3.2 Aplicação dos recursos obtidos
2.3.2.1 Biblioteca Florestan Fernandes
2.3.2.2 Tecnologia audiovisual e equipamentos de informática
2.3.2.3 Infraestrutura de Tecnologia da Informação
2.4 As mudanças na distribuição orçamentária e o fortalecimento ao setor de Compras
3. Principais processos de políticas acadêmicas que demandaram e envolveram a direção
3.1 Em relação às pessoas da Faculdade
3.1.1.3 Progressão horizontal e projeto acadêmico docente
3.1.1.5 Reunião com novos docentes
3.1.2.1 Progressão na carreira
3.1.2.2 Relação e diálogo com a representação sindical
3.1.2.3 Iniciativas em relação a trabalhadoras/es terceirizados
3.1.3.2 Relação e diálogo com os centros acadêmicos, representações discentes e coletivos estudantis
3.1.3.3 Semanas de recepção a calouros e colação de grau
3.1.4 O diálogo com os setores afetados por obras
3.2 Atualizações no Projeto Acadêmico
3.4 Projeto “Presença e memória negra na FFLCH”
3.5 Necessidades apresentadas por projetos de pesquisa de grande porte
3.6 Inventário e localização de bens
3.7 Gestão de conflitos, apurações e processos administrativos
3.8 Ações provocadoras de extrema direita
4.1 Atuação junto à Administração Central
4.2 Atuação no Conselho Universitário, Conselho Gestor do Campus e Plano Diretor do Campus Butantã
4.3 Relações com outras unidades e iniciativas conjuntas
5. Perspectivas e agradecimentos
Link para download (pdf):
Relatório Bianual da Gestão (set/2024-set/2026)
Passados dois anos de quando assumimos a direção da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, escrevemos este relatório como modo de prestar contas das atividades que desenvolvemos. Trata-se de um informe estritamente da atuação da direção, e somente inclui referência ao trabalho de outros setores quando é necessário para circunstanciar com propriedade o que relatamos. Não é, portanto, um relatório da Faculdade. A unidade produzirá seu relatório, como é regimental na USP, quando a Câmara de Avaliação Institucional o solicitar no ciclo avaliativo da Universidade toda (o último foi em 2022), e, nesse momento, serão convocadas as comissões estatutárias e os departamentos para integrar uma comissão que o elabore. Embora o regimento da Faculdade não estabeleça que a direção apresente um relatório bianual, tem sido essa uma prática saudável na unidade, que queremos manter.
Optamos por um texto predominantemente informativo e abundante em dados, embora também haja, nele, trechos de reflexão avaliativa. Organizamos o material nas quatro grandes seções que podem ser apreciadas no Sumário. A primeira trata de como articulamos o papel da direção em relação com as instâncias acadêmicas da Faculdade: colegiados, comissões, departamentos e centros. A segunda aborda o trabalho desenvolvido em relação às condições infraestruturais, tanto na promoção de iniciativas internas como na procura e aproveitamento de oportunidades externas. A terceira seção, a mais extensa, relata os processos de políticas acadêmicas aos quais precisamos responder durante estes dois anos. Na quarta parte, abordamos a atuação em direção à USP como um todo.
Como o texto é longo, optamos por um sumário detalhado, para que leitores e leitoras encontrem com facilidade as informações que interessarem. A extensão e minuciosidade do relatório se deve a que pretendemos tanto uma memória da atuação da gestão, como um guia informativo sobre o estado atual de desenvolvimento de alguns processos.
Este relatório está sendo enviado a todas as pessoas da Faculdade e será item não deliberativo da reunião da Congregação de 22/10/2026. Estará no portal institucional, e esperamos que suscite comentários e observações críticas.
1. Vida institucional da Faculdade
1.1 Funcionamento dos colegiados
Um dos eixos da nossa proposta para a direção foi a centralidade dos colegiados na vida institucional. Desde o início da gestão, temos tentado implementar esse objetivo por duas vias. Por uma parte, mediante a regularidade e a frequência de reunião da Congregação e do Conselho Técnico Administrativo (CTA), e, por outra parte, com a criação e o funcionamento das comissões específicas das quais trataremos no item 1.2.
Para a Congregação e para o CTA, procuramos qualidade político-acadêmica das pautas. Cada reunião da Congregação teve ao menos um item substancial, quer de atualidade imediata (por exemplo, progressão dos funcionários, avaliação docente, ações afirmativas em concursos docentes) ou prospectivo (como as primeiras discussões sobre mudanças em procedimentos em concursos, antes que a USP como um todo pautasse o tema). Algumas reuniões da Congregação tiveram itens de pauta com sessão aberta, como a apresentação do Plano Diretor do Campus Butantã (novembro de 2024), a apresentação da planta do novo prédio didático da FFLCH hoje em construção (dezembro de 2024), e a recepção às chapas para a eleição da reitoria (setembro e outubro de 2025). Em outros casos, para temas especialmente polêmicos, abrimos consulta prévia por email a todos os membros da Congregação, ou convidamos à sessão, para fazer uso da palavra, pessoas da Faculdade envolvidas, mesmo não sendo membros, ou aceitamos solicitações nesse sentido.
Essa política geral para os dois principais colegiados tem obtido, como resultado, reuniões da Congregação com uma boa porcentagem de presença, sobretudo a partir da sua renovação em setembro de 2025, e reuniões do CTA cujas resoluções se aplicam mais diretamente no dia a dia do trabalho administrativo. A convocação das secretarias dos departamentos e centros para alguns CTAs têm sido um componente importante para essa circulação de informações e ações, e também é fundamental para a implementação da dinâmica de compras a que nos referimos no item 2.4.
1.2 Comissões criadas para uma gestão participativa
Como antecipamos na nossa proposta de gestão, propusemos ao CTA a criação de uma Comissão de Orçamento e, à Congregação, de uma Comissão de Planejamento da Infraestrutura, dos Equipamentos e dos Espaços. A proposta foi aceita na reunião da Congregação de 26/9/2024, em que começamos nossa gestão, os prédios enviaram indicações de representantes docentes, discentes e servidores técnico-adminstrativos , e a Comissão foi criada pela Portaria 15/2024. Informamos, a seguir, os principais aspectos da atuação dessas comissões.
A comissão de orçamento foi e é interna ao ao CTA, com um representante docente de cada prédio, um estudante e um representante dos funcionários, além da direção e da assistência financeira. Sua função principal é a de elaborar a distribuição orçamentária de cada ano , e revisá-la durante o ano.
Desde o primeiro ano de atuação, na elaboração de distribuição orçamentária para 2025, promovemos, no seio dessa comissão, uma política de descentralizar o emprego da verba pela direção. Para tanto, depois de um levantamento de necessidades, foram criadas alíneas que especificaram áreas de despesa que, anteriormente, ficavam indiferenciadas no montante de reserva da direção, facilitando a percepção pelo conjunto da Faculdade[1]. Isso permitiu fazer previsões orçamentárias mais definidas , para cada setor, evitando a prática de pedido singularizado à direção. No item 2.4 especificamos as alíneas que foram criadas, bem como as mudanças na distribuição de verba para os departamentos.
A Comissão de Orçamento foi renovada na reunião de setembro de 2026 do CTA, passados dois anos da sua formação.
1.2.3 Comissão de Planejamento da Infraestrutura, dos Equipamentos e dos Espaços
Integra representantes titular e suplente de cada categoria por prédio didático, da Biblioteca, das Colmeias e da Casa de Cultura Japonesa. Inclui também as quatro assistências da direção, o Escritório de Apoio ao Pesquisador, a chefia dos Serviços Gerais e a direção. Sua principal função é discutir e determinar prioridades de reformas, manutenção e aquisição de infraestrutura, de equipamentos e de distribuição e gestão de espaços. Também é um espaço onde se levantam oportunidades de captação de recursos mediante participação em editais, aos quais nos referimos no item 2.2.
As tarefas que a Comissão têm desenvolvido são:
a) Determinar prioridades de obras de infraestrutura (dentro das que podem ser realizadas e gerenciadas pela Faculdade), e de aquisição de equipamentos para cada ano.
b) Discutir a distribuição de verbas carimbadas para necessidades permanentes, e o aproveitamento de verbas extraordinárias.
Quanto ao item (a), informamos a seguir as prioridades determinadas para cada ano e até onde já se avançou na sua concretização:
2025
[1] A distribuição orçamentária está sempre disponível na página da Faculdade, em Institucional > Assistência Financeira > Procedimentos > Distribuição orçamentária: https://financeiro.fflch.usp.br/node/4174
|
Prioridade |
Situação atual |
|
Substituição do piso do andar térreo do prédio de Filosofia e Ciências Sociais. |
Concluída. |
|
Climatização de todas as salas de aula e espaços de trabalho técnico-administrativo permanente. |
- Quadros de força e cabeamentos específicos instalados em ⅔ do necessário. - Equipamentos de ar condicionado já adquiridos para todas as salas de aula, e para todos os espaços técnico-administrativos que ainda não tinham. Em 53% das salas de aula esses aparelhos já estão em funcionamento (ver detalhe em 2.2). - Ventiladores substituídos em todas as salas de aula.
|
|
Reforma das salas 266 e 261 de Letras, e 24 e 8 de Filosofia e Ciências Sociais. |
Projeto executivo concluído, verba obtida e em fila de licitação. |
|
Melhora dos espaços das e dos trabalhadores terceirizados. |
Em vias de conclusão nos prédios de Filosofia e Ciências Sociais e de História e Geografia, concluía no prédio da Administração, e incluída na obra da SEF para o prédio de Letras. |
A Comissão discutiu também, na primeira reunião de 2025, a destinação de verbas extraordinárias recebidas da reitoria, resolvendo por 3 projetos:
|
Projeto |
Situação atual |
|
Reforma dos auditórios Milton Santos e Nicolau Sevcenko |
Licitada, obra iniciada em agosto de 2026 |
|
Sinalização integral e piso tátil em todos os prédios |
Licitada, instalação iniciada em agosto de 2026 |
|
Reforma do CAPH (Centro de Apoio à Pesquisa em História). |
Licitação marcada para 14/10/2026 |
Para 2026, a Comissão determinou estas prioridades:
2026
|
Prioridade |
Situação atual |
|
Contratação de empresa de mudança e serviços braçais, para apoio às movimentações decorrentes das obras do novo edifício, e das reformas em andamento e previstas (piso térreo de Filosofia e Ciências Sociais, auditórios, CAPH, mudança de estantes na Biblioteca). |
Licitação concluída, contratada e trabalhando desde julho de 2026. |
|
Implantação da primeira sala sensorial da Faculdade. |
Foi determinado o local, no prédio de Filosofia e Ciências Sociais, e na preparação trabalham dois docentes junto com o coletivo de pessoas com deficiência. |
|
Tentativa de aditamento do contrato de limpeza para inclusão de novos trabalhadores, com a justificativa das obras e reformas em andamento. |
Solicitação entregue e negada pela administração central. |
|
Consertos no sistema de ar-condicionado na área de obras raras da Biblioteca. |
Realizado. |
|
Reforma dos banheiros do prédio de História e Geografia. |
Projeto em elaboração para troca de revestimentos e piso, torneiras e válvulas de descarga automáticas, e troca das portas dos sanitários. |
A Comissão de Infraestrutura orientou também, nas suas reuniões, prioridades para aquisição dos itens que detalhamos nas seções 2.1 e 2.2, bem como as propostas, para submeter à Congregação, de emprego da Reserva Técnica da FAPESP. A respeito, informamos que a reserva correspondente ao ano calendário de 2024 foi destinada ao estabelecimento do Espaço Pluri, sala de laboratório didático e videoconferência na Casa de Cultura Japonesa, e, para a de 2025, o EAIP prepara o projeto, para apresentar à Congregação, de uma sala para o storage que será adquirido com recursos do edital de Infraestrutura de Pesquisa obtidos no mesmo ano com essa finalidade, que detalharemos em 2.3.1.
Como é sabido, no segundo semestre de 2025 começou a elaboração do Plano Diretor da Unidade (PDU), que será submetido à Congregação de outubro de 2026. Para tanto, foi formada uma comissão específica, vários de cujos membros coincidem com os da Comissão de Infraestrutura. Dado que o Plano Diretor é precisamente gestão de Espaços (uma das atribuições da Comissão criada em 2024), e que o Conselho Gestor do Campus está dando como orientação que as comissões que elaboraram, em cada unidade, o PDU, permaneçam funcionando para acompanhar sua implementação nos próximos anos, a direção propôs, na última reunião da Comissão de Infraestrutura, acontecida no dia 3/9/2026, sua fusão com a Comissão do PDU, no intuito de não duplicar tarefas.
1.2.4 Continuidade da Comissão de Cargos Docentes
Essa comissão já tinha adquirido, em 2022, um caráter colegiado, com um representante por departamento. Como direção, favorecemos sua permanência e autonomia, por isso, não participamos organicamente dela. Temos nos reunido com a comissão toda vez que solicitado, e temos prestado apoio respondendo às suas solicitações. Também comunicamos imediatamente aos membros toda novidade que chega da Administração Central em relação à competência da comissão.
Vemos na Comissão de Cargos Docentes um papel preeminente para propor à Congregação as decisões sobre distribuição cargos docentes e de titular, bem como para acompanhar analiticamente a evolução do provimento de cargos, e a análise crítica das políticas de reposição, que nesta conjuntura ganha nova atualidade.
1.3 Relação com as comissões estatutárias
Dado que este relatório é sobre atividades da direção, não apresenta informes sobre a atuação das comissões estatutárias, que será abordada, neste item, exclusivamente no que diz respeito ao suporte da direção e a iniciativas conjuntas.
Em diversas ocasiões, participamos de reuniões das comissões, como convidados, para temas específicos. Da Comissão de Graduação (CG), em três ocasiões: quando da necessidade de rever os itens para execução de verba recebida da PRG em 2024; em uma reunião específica das licenciaturas em 2025 sobre curricularização da extensão; em ocasião do encerramento da greve de 2026, para colaborar na determinação das medidas de retomada e encerramento do semestre. Ainda em 2026, participaremos na reunião da CG com presença da pró-reitoria no dia 22 de setembro. Com a presidência da CG participamos, também, de reuniões com a Secretaria de Educação do Estado acerca do convênio existente.
Na Comissão de Pós-Graduação (CPG), participamos de reuniões sobre o novo modelo de pós-graduação, e sobre cooperação com a França.
Tanto com a CG como com a CPG trabalhamos conjuntamente com as presidências na elaboração de propostas para editais de equipamentos promovidos pelas respectivas pró-reitorias em 2025, sobre cujos resultados informamos no item 2.3.1.
No caso da Comissão de Pesquisa e Inovação (CPqI), mantivemos algumas reuniões com a presidência, a pedido dela, para atender consultas sobre editais, e sobre o Simpósio de Iniciação Científica.
Da Comissão de Cultura e Extensão Universitária (CCEx) tivemos reuniões com a presidência e alguns outros membros para a implementação de projetos relacionados a emendas parlamentares, e para a realização de acordos de cooperação com diversas entidades educacionais (sedes da ETEC e do IFSP), visando a atividades de curricularização da extensão.
No edital que lançamos em 2026, para apoio à participação de graduandos em eventos, que informaremos na seção 3.1.3.1, foi fundamental a participação das comissões de Graduação, Pesquisa e Cultura e Extensão.
Dedicamos mais espaço, neste relatório, a duas comissões que, por processos diferentes, avançaram, neste período, na sua institucionalização: a Comissão de Cooperação Internacional (CCInt) e a Comissão de Inclusão e Pertencimento (CIP).
Em 2025, o Conselho Universitário iniciou uma regulamentação e oficialização das CCINts existentes. A nossa Faculdade é uma das que já conta com uma comissão desse tipo há anos, e a direção já tinha se manifestado favorável, no Co, a que as pessoas que presidem essa comissão tivessem o mesmo reconhecimento, inclusive em verba de representação, do que os presidentes e vice das comissões que já eram estatutárias.
Em particular, durante nossa gestão, participamos, por iniciativa da presidência da CCINt, de uma rediscussão de algumas atividades da Comissão, e favorecemos um fortalecimento administrativo do escritório aproveitando alguns deslocamentos voluntários de funcionários. A direção se envolveu pessoalmente em algumas das metas de internacionalização do Projeto Acadêmico, particularmente no fortalecimento dos convênios com a Ásia e a África. Em 2025, o diretor participou de uma missão à China, na Shanghai International Studies University e no encontro da Global Alliance of Foreign Studies Universities (Hangzhou) e, em 2026, a vice-diretora participou, junto com a presidenta da CCInt, de uma missão na África do Sul (na Stellenbosch University e na University of Cape Town). Em ambas as missões foram assinados convênios, e na China foram iniciadas as tratativas para uma colaboração do Instituto Confúcio com o curso de Chinês da Faculdade, cuja demanda aumentou consideravelmente no ranqueamento de habilitações do curso de Letras. Está prevista, para novembro de 2026, uma missão conjunta a Marrocos da presidência da CCInt e da vice-diretora.
Além de participar de numerosas reuniões com visitantes de universidades estrangeiras e nacionais, a direção participou diretamente do planejamento de ações com entidades externas, como o DAAD (Alemanha), o Instituto Cervantes (Espanha), a Korea Foundation, o consulado da França e o Instituto pelo Diálogo Intercultural, que promove os cursos de língua turca. Também, em um plano que articula internacionalização com extensão, a direção se reuniu com representantes dos governos húngaro, tcheco e grego para renovar o oferecimento de cursos dessas línguas (com o governo grego, também para possibilidades de cooperação internacional com a área de Grego clássico do DLCV), e com o governo polonês, para dar início a uma nova atividade extensionista, no caso, ligada ao Departamento de Letras Orientais.
A Comissão de Inclusão e Pertencimento (CIP) foi e é um espaço de especial atenção para a direção. Por uma parte, ela estava em processo de oficialização quando iniciamos o mandato. Por outra parte, seu fortalecimento e funcionamento, bem como o da Câmara de Defesa dos Direitos Humanos articulada com ela, são essenciais para diversos aspectos incluídos na nossa proposta de gestão, tais como os processos de mediação de conflitos e a efetiva inclusão social, racial e de gênero. Uma das nossas primeiras medidas foi a determinação de uma sala e a destinação de uma funcionária específica para a CIP. Em acordo com a presidência da Comissão, integramos às suas atividades o Programa de Apoio a Estudantes Cotistas (PAECO), iniciado durante a gestão anterior.
Acompanhamos constantemente o desenvolvimento das novas tarefas que a existência e a atividade da CIP supõe, que demandam articulação com as assistências Acadêmica e Administrativa, com a Ouvidoria, e a intermediação da direção junto à Procuradoria Geral da USP. A direção participou, também, das reuniões promovidas pela Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento para divulgação e conhecimento dos novos programas e sistemas ligados à atuação dessa área, tais como o SUA (Sistema Único de Acolhimento) e o ECOS (acolhimento em Saúde Mental). Por outra parte, em várias circunstâncias especialmente duras e/ou trágicas, em que foi necessário o contato com familiares e outras pessoas externas, bem como promover ações de pósvenção com docentes, estudantes e/ou funcionários, a direção assumiu as ações junto com a presidência da Comissão e as áreas específicas da PRIP.
No item 3.7, sobre mediação em conflitos e apurações, desenvolvemos mais sobre aspectos de atuação conjunta entre a CIP e a direção.
1.4 Relação com as chefias dos departamentos e direções de centros
Além do encontro em todo CTA, que é o âmbito colegiado mais próprio, estimulamos a participação de chefias de departamento nas comissões de Orçamento e de Infraestrutura, e mantemos a prática, iniciada pela direção anterior, de um grupo de whatsapp específico de chefias, direção e assistente acadêmica. Incorporamos no CTA, como convidada, a Casa de Cultura Japonesa por meio da Comissão de Qualidade de Vida.
O grupo de Whatsapp tem sido muito importante na hora de tomar decisões urgentes, diante de imprevistos como alagamentos, tempestades, paralisação de transporte e outros. Também temos empregado esse canal para favorecer que os departamentos vão ficando à par de novidades que consideramos de interesse imediato em relação a algum assunto em pauta.
Temos interação constante com as chefias de departamento, direcionando consultas pontuais, colocando-nos à disposição para a conversa sempre que é requerido por cada uma delas, e acompanhando de perto casos e situações especialmente difíceis que eventualmente trazem. A mesma abertura temos com as direções de centros, embora, pela natureza de seu trabalho, nos requeiram menos.
Em algumas ocasiões, a direção foi a reuniões de conselho de departamento, ou de centro, por solicitação do conselho, ou por iniciativa da direção para algum item, como acabamos de fazer, em todos os departamentos em que pudemos, para a discussão do Plano Diretor da Unidade. É uma prática que estamos dispostos a manter, ou a realizar com periodicidade, caso seja de interesse dos departamentos.
Uma das principais propostas do nosso programa de gestão apresentado em 2024 foi a gestão participativa das melhoras infraestruturais, das finanças e das decisões sobre espaços, e a ela se deveu a criação das comissões que informamos na seção anterior. Nesta, trataremos sobre as ações específicas e o andamento atual das reformas a cargo da Faculdade.
Assumimos a gestão em um momento em que, na Universidade toda, havia um certo atraso na contratação de serviços devido às adaptações e à aprendizagem que em todas as unidades foi necessário fazer em relação aos procedimentos estabelecidos pela Lei Federal 14.133/21, que começavam a ser aplicados. Em muitas faculdades e institutos, não havia contrato vigente de serviços básicos, não por falta de verba, mas pelas dificuldades de execução. Nossa Faculdade não era exceção, apesar dos esforços da direção e das assistências. Houve, nesses primeiros meses, empréstimo de serviços entre faculdades e institutos, dos quais chegamos a participar.
Porém, nesse período em que assumimos, apresentaram-se também fatores especialmente favoráveis para a melhora infraestrutural. Houve um conjunto de investimentos em infraestrutura decididos pela reitoria para aproveitar reservas da USP, etapa que tinha começado em 2022 com o planejamento de expansão predial, e que, a partir de 2024, deu lugar a editais para que as unidades apresentassem propostas de ampliação de equipamentos e verbas especiais para obras pontuais. É claro que essa abundância demandou, também, um trabalho de discutir e determinar prioridades, dinamizar e apoiar setores como Compras e EAIP, e aprender rotinas. Para as decisões, foi fundamental termos criado a Comissão de Infraestrutura. Mas a implementação demandou e demanda muito da direção. Uma demanda grata e prazerosa, porque é para o crescimento, mas não menos intensa: articular conversas com os respectivos setores favorecidos e/ou afetados e as assistências, coordenar a formulação dos projetos para a submissão em edital, apreender aspectos da Lei Federal já mencionada, acompanhar os passos e garantir que os setores envolvidos, principais executores, percebam que há esse acompanhamento e essa presença.
Organizamos este item começando pelos processos mais habituais, seguindo pelo aproveitamento das verbas extra recebidas, e depois pela procura de oportunidades em editais diversos. Tratamos posteriormente da política orçamentária.
2.1 Contratação de serviços e fornecimentos habituais
Desde o início da gestão até agora, foram realizados registros de preços (licitação) para os produtos e serviços habituais, como se pode ver na tabela abaixo, e que não incluem as licitações de reformas e equipamentos que informaremos nos itens 2.2. e 2.3. Na tabela, “vigente” aponta que ainda há disponibilidade de compra ou uso do serviço, pois ainda não foi 100% utilizado, e “adesão”, quando aparece na primeira coluna, indica que a licitação foi realizada por outro setor da USP e a Faculdade aderiu adquirindo uma parte.
|
Produto ou serviço |
Situação |
|
Manutenção de áreas verdes e jardinagem |
Vigente |
|
Chaveiro |
Vigente |
|
Galões de água |
Vigente |
|
Persianas |
Vigente |
|
Manutenção de ar condicionado |
Vigente |
|
Higienização de bebedouros |
Vigente |
|
Registro de preços de ar condicionado c/ instalação |
80% utilizado |
|
Cadeiras (adesão) |
Vigente |
|
Pintura (adesão) |
Vigente |
|
Ar-condicionado s/ instalação (adesão) |
Vigente |
|
Desumidificadores para a Biblioteca, para o CAPH e para o estudo de gravação (adesão) |
100% utilizado |
|
Insulfilm |
100% utilizado |
|
Ventiladores |
100% utilizado |
|
Intérpretes de libras |
100% utilizado o primeiro, encaminhado para Compras o segundo. |
|
Carteiras para pessoas com sobrepeso |
100% utilizado |
|
Cadeiras giratórias para pessoas com sobrepeso |
100% utilizado |
|
Serviço de mudança e trabalho braçal |
Vigente |
|
Piso tátil com instalação |
Vigente |
|
Fios e cabos elétricos |
Pregão finalizado – aguardando amostra |
Estão em elaboração editais para dutos de fiação, serviço de instalação de ar condicionado, vidraçaria e limpeza de calhas.
No mesmo período, ainda dentro de bens e serviços corriqueiros, foram adquiridos com dispensa de licitação, ou realizados com trabalho próprio de setores da Faculdade:
|
Produto ou serviço |
Situação |
|
Substituições dos disjuntores dos prédios História / Geografia, Filosofia / Ciências Sociais, Administração e Casa de Cultura Japonesa, como parte do projeto de climatização. |
Concluídas e em funcionamento |
|
Troca de 60m2 de peças danificadas do piso de borracha no prédio de História e Geografia. |
Concluída, pode ter que ser renovada em breve. |
|
Compra de material e transposição da fibra ótica, necessária para a construção do novo prédio didático da FFLCH. |
Concluída |
|
Pintura externa para cobrir pichações |
Concluída, deve ser renovada todo semestre. |
|
Pintura interna da Biblioteca Florestan Fernandes |
Concluída |
|
Abertura de janelas na sala das Educadoras do Centro de Línguas |
Concluída |
|
Poda de 150 árvores com autorização da secretaria do meio ambiente municipal |
Concluída |
|
Contratação de serviço para manutenção de elevadores |
Vigente |
|
Pintura e reforma contra umidade nas paredes da Seção de Alunos unificada (prédio de História e Geografia) |
Concluída |
|
Contratação de empresa para reparo hidráulico emergencial na Casa de Cultura Japonesa |
Contratada |
|
Reforma do banheiro feminino de funcionárias e professoras no prédio de Filosofia e Ciências Sociais |
Concluída |
|
Compra de aparelhos de micro-ondas para copas de servidores e terceirizados. |
Aguardando entrega do material |
|
Reparos e pintura na área dos terceirizados do prédio de História e Geografia |
Em andamento |
|
Criação de área para terceirizados no prédio de Filosofia e Ciências Sociais |
Em andamento, concluindo. |
|
Aquisição de uma nova máquina de grande porte para impressões no serviço de Gráfica |
Adquirida |
|
Adequação de alguns banheiros de Filosofia e Ciências Sociais e de Letras como agênero. |
Concluída |
2.2 O aproveitamento de verbas extras
Para a dotação de 2025, as unidades receberam uma verba extra orçamentária de reformas que, com base em projetos que deviam ser apresentados até 30/10/2024, podia atingir até 10 vezes o valor recebido anualmente para essa alínea carimbada. No caso da Faculdade, isso significava uma oportunidade com teto de R$3.600.000. Dado que a Comissão de Planejamento da Infraestrutura, dos Equipamentos e dos Espaços já tinha estabelecido as prioridades para 2025, que informamos em 1.2.3, a Comissão de Orçamento decidiu encaminhar aquelas sobre as quais já havia um projeto elaborado. Assim, encaminhando como propostas a troca do piso térreo de Filosofia e Ciências Sociais, e a reforma das salas 266 e 261 de Letras, e das salas 8 e 24 de Filosofia e Ciências Sociais, obtivemos o valor máximo.
Por outra parte, também no final de 2024, a reitoria nos ofereceu que encaminhássemos projetos já prontos para serem selecionados para um “enxoval” de começo de gestão habitualmente oferecido às direções que começam. Consultada a comissão de Infraestrutura, encaminhamos a reforma dos auditórios e do CAPH, que já contavam com pré-projeto, e o projeto de climatização. As duas primeiras foram aprovadas pela reitoria, e o repasse foi feito à CODAGE para uso da Faculdade, pelo qual reiteramos especial agradecimento aos professores Carlos Gilberto Carlotti Júnior e Maria Arminda do Nascimento Arruda. Elaborados, depois, os projetos executivos definitivos e os editais para essas duas reformas, sobrou um montante de em torno de 2 milhões de reais, e solicitamos à CODAGE autorização para empregá-lo no projeto de sinalização de todos os prédios da Faculdade, que já estava elaborado. A autorização foi concedida.
Quando a nova gestão reitoral assumiu, foi exigido a todas as unidades que, para preservarem as verbas extras, apresentassem até o final de abril de 2026 ao menos a publicação do edital de licitação. Pode parecer pouco, mas os editais por esses montantes são supervisionados pelo Departamento Financeiro da reitoria, e precisam de descrições muito detalhadas. Graças ao trabalho coordenado entre as divisões Administrativa, Financeira de Serviços Gerais, e do setor de Compras, nossa Faculdade chegou no prazo e conseguiu manter todas as verbas em caixa.
Dado que o projeto de climatização não tinha entrado nessas verbas extras, decidimos desenvolvê-lo em parte com as alíneas carimbadas de “Manutenção predial” e “Equipamentos” do orçamento 2025, e em parte com recursos que obtivemos do edital da PRG que informaremos em 2.3.1. O projeto incluiu, de início, a substituição de disjuntores e novo cabeamento, passo indispensável para que a instalação do ar condicionado não fizesse cair a energia elétrica dos prédios. Informamos, em 1.2.3, no quadro em que mostramos a situação atual das prioridades decididas pela Comissão de Infraestrutura, que, hoje, 53% das salas de aula (isto é, 46 de 86) contam com aparelhos de ar condicionado instalados e funcionando. Apresentamos a seguir o panorama detalhado por cada prédio didático:
História e Geografia
Foram instalados um quadro de força e cabeamentos independentes.
As salas de aula que receberam aparelhos novos de ar condicionado, que já funcionam, são: 06, 08, 09, 13, 14, 15, 16, 17, 19, 21 e 23.
Os aparelhos destinados às salas 01, 07, 10, 11, 10-H, 11-H e 12-H (48.000 BTUs), foram entregues pela empresa contratada, porém ela não cumpriu com a obrigação de instalação. Os valores correspondentes foram descontados do valor contratual, a título de multa, e a Faculdade está providenciando um registro de preços apenas de instalação, para concluir as salas de aula desse prédio.
Filosofia e Ciências Sociais
Foram instalados um quadro de força e cabeamentos independentes.
As salas que receberam aparelhos novos, que estão funcionando, são: 100, 101, 102, 108, 109, 111, 104 A, 104 B, 106 A, 106 B, 14, 119 e 117. Como as salas 115, 103, 105 e 10 já dispunham de aparelhos de ar-condicionado, apenas as salas 110, 107, 12 e 113 permanecem ainda sem climatização, e esperamos atendê-las com o registro de preços de instalação.
Letras
É o prédio onde o processo está mais atrasado porque, embora já haja aparelhos comprados para todas as salas de aula, foram identificados, durante a instalação, problemas na infraestrutura elétrica do prédio que poderiam comprometer a segurança dos usuários caso os equipamentos fossem acionados simultaneamente. Em razão disso, a Faculdade adquiriu um projeto elétrico destinado a viabilizar a instalação e o funcionamento de todos os aparelhos de ar-condicionado. O projeto encontra-se em fase final: foi entregue pela empresa contratada e posteriormente devolvido para a realização de ajustes. Neste momento, a situação das salas de aula é a seguinte:
Salas que já tinham ar condicionado, que continua funcionando: 102, 106, 107, 110, 112, 171, 172, 210, 212, 270 e 271.
Salas com aparelhos novos que já funcionam: 200, 202, 204, 206 e 208.
Salas com aparelhos instalados e ainda não conectados: 160, 161, 162, 163, 164, 165 e 166.
Nas outras 21 salas, falta inclusive instalar os aparelhos.
No caso das salas 261 e 266, os projetos de reforma que estão em fila de pregão incluem a aquisição e instalação de ar condicionado pela empresa que ganhar a licitação.
Casa de Cultura Japonesa
Foram adquiridos e instalados aparelhos de ar-condicionado nas salas de aula 12, 13, 14, 15, Multimídia e Pluri. Até o momento, somente o aparelho instalado na sala Pluri encontra-se em funcionamento. A Faculdade está providenciando a aquisição dos cabos elétricos e disjuntores para ligação dos demais aparelhos em um quadro de força específico.
Além do ar-condicionado, foram adquiridos 2 aquecedores, através do Escritório de Apoio Institucional ao Pesquisador, um para o Diversitas e outro para o Centro de Línguas.
Nos espaços de trabalho administrativo, tanto nos prédios didáticos (secretarias de departamentos, salas pró-aluno e centros) como na Administração, a instalação de aparelhos de ar condicionado nas salas em que ainda não havia foi concluída, salvo algumas exceções no prédio de Letras, devido à mesma espera em relação ao projeto elétrico.
2.3 A busca de oportunidades mediante editais
Na Comissão de Infraestrutura, desde o início do seu funcionamento, propusemos uma vertente específica de trabalho, consistente na identificação de editais e de outras formas de aquisição de reformas e de equipamentos, para que a direção elaborasse propostas, eventualmente em colaboração com outras unidades, sem prejuízo das iniciativas que apresentassem grupos específicos de docentes da Faculdade. Em um trabalho conjunto com o Escritório de Apoio ao Pesquisador, com as divisões de Audiovisual e de Informática, e, em alguns casos, com as presidências de comissões estatutárias, quando cabia, a direção se envolveu nessa procura, e na elaboração de projetos.
Destacamos, dentro desse trabalho, a apresentação de propostas para editais da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, prática pouco frequente na área de Humanidades, que está trazendo uma aprendizagem tanto para nós, como direção, como para o Escritório de Apoio ao Pesquisador (EAIP). Como parte desse empenho, o EAIP e a direção promoveram, em 16 de abril de 2026, um workshop com um técnico da FINEP, do qual participaram docentes e funcionários ligados à preservação de acervos.
Nesta seção, primeiramente relatamos os editais e certames em que a direção se envolveu na preparação de propostas e/ou as coordenou, e os resultados obtidos em cada caso. Posteriormente, descrevemos as aquisições realizadas e em andamento com esses recursos.
2.3.1 Editais com participação da direção na elaboração da proposta
U.S. Ambassadors Fund for Cultural Preservation Grants Program (dezembro de 2024)
Apresentamos proposta para impermeabilização do telhado do edifício tombado Eurípedes Simões de Paula. Não foi selecionada.
Chamada pública MCTI/FINEP/FNDCT – Infraestrutura de pesquisa – PROINFRA 2024 Expansão (fevereiro de 2025)
A seleção era feita primeiramente dentro da USP, pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação. Apresentamos, por iniciativa da nossa Faculdade, uma proposta conjuntamente com as seguintes unidades: Escola de Artes, Ciências e Humanidades; Escola de Comunicações e Artes; Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design; Faculdade de Direito; Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária; Faculdade de Educação; Instituto de Estudos Brasileiros; Instituto de Psicologia, e Biblioteca Brasiliana. A apresentação da proposta foi encabeçada pela FFLCH, com coordenação de um professor da casa e vice-coordenação de uma docente do Instituto de Psicologia.
O projeto, denominado “Infraestrutura multiusuária digital de inovação em pesquisas em Humanidades”, consistia na aquisição de um storage para pesquisas que requerem armazenamento e processamento de grande volume de dados, para ser um equipamento multiusuário compartilhado, conforme o regimento das Centrais Multiusuário da USP.
Fomos incluídos na pré-seleção, entre sete projetos, mas não na seleção definitiva. Porém, o trabalho de articulação com outras unidades e de elaboração da proposta serviu como preparação para um edital posterior da Reitoria, no mesmo ano, em que a proposta foi selecionada, que informamos a seguir.
Chamada de Propostas para o Fortalecimento da Infraestrutura de Pesquisa Científica, Tecnológica e de Inovação da USP (maio de 2025).
Nessa chamada, cada unidade podia apresentar até 5 propostas. A Faculdade apresentou 3, aprovadas pela Congregação, uma das quais esteve a cargos a direção e foi a reelaboração da que tínhamos apresentado para o PROINFRA, “Infraestrutura multiusuária digital de inovação em pesquisas em Humanidades”, desta vez em conjunto com a Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design; a Faculdade de Educação; o Instituto de Estudos Brasileiros, o Instituto de Psicologia, e a Biblioteca Brasiliana.
O projeto foi aprovado com 5 milhões de reais para execução até julho de 2027. A demanda de compra do equipamento inicial está sendo concluída pelo Escritório de Apoio ao Pesquisador.
No mesmo edital, a Faculdade teve uma segunda proposta aprovada, apresentada por um grupo de docentes do Departamento de Geografia, mas sem participação da direção na sua elaboração, "Aquisição de espectrômetro de raios gama SAGeTM Well para estudos radiológicos e geoquímicos de superfície”.
EDITAL N° 16/2024– Pró-Equipamentos 2024 Programa Pró-Equipamentos CAPES (janeiro de 2025)
A chamada foi administrada pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação, que fez uma pré-seleção do que seria submetido à CAPES. Elaboramos, junto com a presidência da Comissão de Pós-Graduação e com o assistente Miraldo Vale de Freitas, um projeto de compra de equipamentos de informática e de tecnologia audiovisual e de transmissão. Nenhuma proposta de Humanidades foi incluída entre as selecionadas. A elaboração serviu de base para a proposta que apresentamos para o edital posterior da PRG.
Programa de Apoio ao Aprimoramento do Ensino de Graduação da USP. Edição 2025 (abril de 2025)
Promovido pela Pró-Reitoria de Graduação, a apresentação para o edital era necessariamente por unidade. Reunimos a relação de equipamentos incluída na proposta apresentada à PRPG, algumas demandas da Biblioteca, e itens do projeto de climatização. Fomos contemplados com a totalidade do solicitado, em torno de 3.500.000, para ser gasto até setembro de 2026. Já conseguimos executar em torno de 2.800.000, e obtivemos prazo dezembro de 2026 para a execução do restante, para o qual esperamos o pregão de computadores que acontecerá no dia 15/10.
Chamada pública MCTI/FINEP/FNDTC/Identidade Brasil - Recuperação e preservação de acervos 2025. (janeiro de 2026)
A apresentação para esse edital era diretamente com a FINEP, e foi a primeira vez que a Faculdade se cadastrou no sistema dessa agência para uma proposta própria.
Organizamos uma reunião chamando, por meio do EAIP e no CTA, todos os responsáveis por acervos que quisessem participar da elaboração do projeto para o edital. Os acervos que integraram a proposta foram: Centro de Apoio à Pesquisa em História (CAPH), Consórcio de Informações Sociais (CIS), Centro de Estudos Rurais e Urbanos (CERU), Núcleo de Estudos da Violência (NEV), Laboratório de Pesquisa Social (LAPS), Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania (CENEDIC), Cátedra Jaime Cortesão, e Laboratório de Ensino e Material Didático de Geografia (LEMADI).
A solicitação incluía a contratação de serviços de digitalização, higienização, restauração, edição e tratamento de vídeos; a atualização de sistemas, catalogação e migração de mídias obsoletas; a aquisição de equipamentos, e a reforma para adaptação da sala de guarda e acondicionamento do NEV.
Não fomos selecionados, mas o trabalho de preparação e submissão da proposta foi fundamental para adquirir um conhecimento da complexa plataforma da agência, e o workshop organizado depois (abril de 2026) com pessoal mais experiente permitiu identificar o que precisa ser melhorado para uma nova submissão. Para a chamada deste ano, contamos com o que já elaboramos e com essa aprendizagem para tentarmos uma apresentação bem sucedida.
Edital de Apoio a Propostas Estratégicas para Infraestrutura de Pesquisa - PRPI (fevereiro de 2026)
A Biblioteca e a vice-diretora da Faculdade apresentaram o projeto “Coleção Bibliográfica da Produção Intelectual da FFLCH: Fortalecendo a Ciência Aberta”, aprovado com um montante de R$ 150.000, destinado a serviços de digitalização da produção docente da Faculdade.
2.3.2 Aplicação dos recursos obtidos
Dois dos editais em que ganhamos recursos, o de Fortalecimento da Infraestrutura de Pesquisa Científica, Tecnológica e de Inovação da USP de 2025, e o de Apoio a Propostas Estratégicas para Infraestrutura de Pesquisa - PRPI de 2026, tinham, cada um, um único objeto, que já foi descrito no item anterior. Diferentemente, o edital da Pró-Reitoria de Graduação de 2025 permitia uma maior diversidade de aplicações, desde que tenham impacto nas condições de ensino. As áreas em que até agora foram investidos os recursos desse edital são:
2.3.2.1 Biblioteca Florestan Fernandes
O edital permitiu contribuir com 600.000 reais para a implementação do Sistema de Gestão de Acervos por RFID ( identificação por radiofrequência), que inclui a inserção de chips de identificação em livros. O resto da implementação do sistema foi pago com recursos de uma verba estruturante obtida pela Biblioteca e pela direção anterior em 2021.
2.3.2.2 Tecnologia audiovisual e equipamentos de informática
Combinando recursos do edital da PRG com a alínea ordinária de Equipamentos do orçamento da Faculdade, o setor de tecnologia realizou as seguintes aquisições:
- Compra e instalação de 39 câmeras PTZ ( câmeras, controladoras, placas de captura, switchers, e cabeamento), para os 13 auditórios e Anfiteatros da FFLCH. – 10/12/25
- 8 mesas de som de 18 canais e 4 mesas de som de 4 canais, para auditórios e anfiteatros. - 14/07/25
- 1 câmera filmadora para o LAPEL, 2 câmeras fotográficas (1 para a Biblioteca e outra para a Comunicação Social), 3 cartões de memórias e 6 microfones de mão sem fio para auditórios. – 14/07/25
- 7 equipamentos de videoconferências, 10 webcams para salas de reuniões e departamentos, e 50 microfones de mesa para auditórios e anfiteatros. – 14/07/25
- Materiais de estrutura de rede ( cabos, caixas, conectores e cordões para Informática) – – 24/09/25
- 50 monitores de vídeo 27 polegadas para departamentos, salas de reuniões e pró-aluno. – 10/07/25
- 10 Projetores Multimídia Interativos ( 6 instalados em Letras e 4 no Prédio de Filosofia e Ciências Sociais) –26/10/25 e 27/07/26
- 50 mouses sem fio ( Almoxarifado) – 06/07/26
- 8 Workstation – 15/05/26
- Periféricos de computador, controles de acesso, serviços de cabeamento e software para cabeamento estruturado e instalação fotovoltaica.
O setor também realizou as seguintes aquisições, que em alguns casos correspondem a verba de orçamento dos departamentos ou a solicitações individuais de professores com recursos do Programa de Apoio aos Novos Docentes, e em outros casos, à alinha orçamentária de Equipamentos:
- 13 Tablets Sansung S9 – 23/07/25
- 69 notebooks 512GB – 29/06/26
- 25 notebooks 1TB – 29/06/26
-12 Desktops – 31/10/25
Além disso, foram concluídos registros de preços, que estão vigentes, para os seguintes equipamentos:
- Caixas de som ( cx grandes 15 e monitores de áudio 100) e Fones de ouvido ( 60), para auditórios e salas de aula.
- TVs de 40 e 75 polegadas, para salas de reunião, departamentos e espaços informativos.
- Tela (100) e Projetores Multimídia (100), para auditórios, salas de aula e espaços informativos.
No dia 15/10, acontecerá o pregão para registro de preço de desktops, computadores all-in-one, notebooks e periféricos, que permitirá executar o restante da verba do edital da PRG. A reunião do CTA de 3/9 determinou prioridades para sua distribuição.
2.3.2.3 Infraestrutura de Tecnologia da Informação
Na área de Infraestrutura de Tecnologia da Informação, no biênio, a partir da análise, junto com a chefia de Informática, acerca de necessidades, oportunidades de aproveitar registro de preços e recursos disponíveis, foram feitos investimentos nos seguintes itens, o primeiro deles, pago em boa medida com recursos do edital da PRG:
- Aquisição de switches para modernização da rede, incluindo aumento da velocidade em todos os prédios.
- Aquisição de firewall para a Faculdade toda.
- Remanejamento emergencial de fibra óptica. Contratação emergencial para a remoção e remanejamento do cabeamento de fibra óptica que estava onde seria aberto o canteiro de obras do prédio didático em construção.
- Capacitação Técnica em Cabeamento Estruturado (contratação de curso oferecido pelo SENAC).
Contratação de licença de software antivirus para os 1.210 equipamentos da Faculdade.
2.4 As mudanças na distribuição orçamentária e o fortalecimento ao setor de Compras
Com a finalidade de uma gestão financeira o menos centralizada possível, e também de reduzir ao mínimo as ocasiões de pedido direto à direção, para evitar os desconfortos que inevitavelmente gera o que pode ser avaliado como prática “de balcão”, a direção orientou, nas reuniões da Comissão de Orçamento, a elaboração de uma distribuição orçamentária para cada ano que previsse o mais possível a destinação de valores.
Assim, já na elaboração da proposta de distribuição para 2025, que foi feita em novembro de 2024 e submetida ao CTA em dezembro, começou-se pela identificação de setores que não tinham destinação fixa, mas que de fato tinham despesas relativamente regulares que eram cobertas pela reserva da direção. Assim, foram criadas alíneas específicas para esses setores, com um valor predeterminado. Em 2025, foram acrescentadas as alíneas “CCInt”, “Atlética” e “Biblioteca”. Para a previsão de 2026, além de manter essas, foram acrescentadas “Intérpretes de LIBRAS”, “Centros Acadêmicos” (que estava em distribuições de alguns anos atrás), “Semana de recepção aos calouros” e “Edital de apoio a alunos de graduação”.
Ainda na tentativa de descentralizar, já na previsão para 2025 houve um aumento de em torno de 20% do montante destinado aos departamentos, que passou de R$ 1.316.000 a R$ 1.671.400, com o intuito de que disponham de uma margem maior para regulação interna das despesas, política que foi acompanhada pela integração maior entre as secretarias dos departamentos e a gestão financeira e de compras. Os convites às secretarias para reuniões do CTA tiveram, dentre outros, o objetivo de familiarizar mais as secretarias e as chefias com o possível planejamento de compras: saber quais itens estão disponíveis nas compras efetuadas da Faculdade, como e com que pessoas averiguar sobre essa disponibilidade, e criar um canal único para encaminhar as demandas de compras, evitando a dispersão, e facilitando que a descrição de uma demanda de compra sirva para outras.
A partir de 2025, como outra das consequências da Lei Federal 14.133, foi necessária a elaboração do denominado “Plano de Contratação Anual” (PCA), que exige uma previsão de itens (não necessariamente de quantidades) que a unidade vai adquirir no ano seguinte. Para sua elaboração é indispensável a articulação com os departamentos e centros. As reuniões ampliadas do CTA têm facilitado essa dinâmica.
Não menos importante nesse processo tem sido o fortalecimento do setor de Compras. Principalmente, com a incorporação de uma nova funcionária, mas também com a colaboração que as assistências, os departamentos e a direção puderam efetivar mediante a aprendizagem de procedimentos e a organização para encaminhamento de demandas que acabamos de relatar. Não teria sido possível, de outra maneira, a quantidade de aquisições e pregões realizados que informamos nesta seção.
3. Principais processos de políticas acadêmicas que demandaram e envolveram a direção
3.1 Em relação às pessoas da Faculdade
Antes de detalhar as atividades de maior visibilidade em relação a cada uma das categorias (docentes, funcionárias/os, estudantes), informamos algumas características do nosso modo de atendimento para assuntos que se apresentam por fora desses processos mais abrangentes.
Em muitas ocasiões, a direção é procurada em função de iniciativas ou preocupações que não passam estritamente pela competência de um colegiado ou da representação de uma categoria. Por vezes, se trata da apresentação de uma proposta de apoio a um projeto, ou simplesmente de dividir com a direção a fundamentação da iniciativa. Em outras ocasiões, quem nos procura quer indagar caminhos a seguir para desenvolver determinada atividade, ou consultar sua viabilidade. Também há pedidos de encontro por parte de responsáveis por áreas ou setores para formular demandas, em algumas ocasiões intermediadas por assistentes ou chefias de departamento. E há, ainda, as comunicações de mal-estares e pedidos de intervenção ou mediação, ou simplesmente de pedido de orientação diante de uma situação que preocupa.
De modo geral, a atitude da direção é a de começar por receber as pessoas, e, escutado o assunto, tentar formular uma iniciativa para resolução do que a pessoa traz, ou indicar que assistências, chefias ou setores podem continuar atendendo-o, sempre acompanhando o contato. Quando existe algum tipo de limitação que foge da nossa alçada, tentamos explicar o mais claramente possível a limitação, e pensar alternativas.
Essa prática tem servido para identificar problemas e demandas, que, em algumas ocasiões, levamos aos colegiados, às assistências, às chefias, às comissões, à administração central, ou às entidades representativas e coletivos, segundo corresponda. Em alguns casos, chegamos a promover reuniões de setores ou de cursos para tratar de algum problema de modo franco, tentando uma superação do denuncismo e o confronto agressivo em redes sociais, e integrando outras instâncias de gestão da Faculdade para que acompanhassem. É uma atividade, na maioria dos casos, de pouca visibilidade, mas que ocupa um tempo considerável, e cremos que vale a pena, porque evita conflitos. Também tem sido muito produtiva para que conheçamos mais a Faculdade, as pessoas que nela trabalham e as práticas que desenvolvem.
Outro saldo desse tipo de atendimento aberto é que nos permitiu esclarecer um aspecto importante da política da gestão em relação às finanças que já informamos no item 2.4: a não concentração de verbas na direção, evitando que as demandas sejam encaminhadas como pedidos avulsos, prática que inevitavelmente favoreceria quem chega primeiro, ou não permitiria contar com critérios transparentes.
Feita esta introdução sobre o atendimento cotidiano às pessoas, passamos a descrever os principais processos, alguns deles locais e outros da USP toda, que nossa gestão precisou conduzir nestes dois anos, em relação a cada categoria.
Iniciamos a gestão em um momento de fortes polêmicas em relação aos procedimentos em concursos recentes. Já na Congregação de novembro de 2024, meses antes de que a reitoria decidisse pautar esse problema, iniciamos a discussão sobre como aprimorar procedimentos em concursos docentes. Naquela sessão foi constituída uma comissão para analisar possibilidades, diferenciando aquilo que podíamos implementar sem necessidade de mudanças regimentais a USP, daquilo que dependeria de mudanças.
Na Congregação de maio de 2025, essa comissão interdepartamental apresentou uma série de propostas. Por isso, quando, em junho, a reitoria pautou o assunto no Conselho universitário, a Faculdade já tinha praticamente pronto um modelo de termo sobre conflito de interesses, e, nas sessões, já tinha havido expressão de preferências sobre as opções que posteriormente se apresentariam a partir da proposta que o Conselho universitário aprovou em agosto de 2025. O processo concluiu com a votação das mudanças regimentais correspondentes na Congregação extraordinária de 6/11/2025.
Quanto à realização de concursos, estes dois anos continuaram sendo de grande atividade nesse sentido, porque continuou a reposição de vagas de vários anos anteriores, como veremos no item seguinte. De 26 de setembro de 2024 a 24 de setembro de 2026, o Serviço de Apoio Acadêmico foi responsável pela organização e realização de 85 concursos, compreendendo todas as etapas administrativas e operacionais necessárias à sua execução. Desses 85, houve 44 concursos para Professor Doutor, 29 concursos de Livre-Docência e 12 concursos para Professor Titular, volume que demandou uma intensa atuação do Serviço de Apoio Acadêmico.
Dois dos principais compromissos da proposta que apresentamos para nossa gestão na eleição de setembro de 2024 eram relacionados à reposição docente: “Na interação com a reitoria, procurar, como estabelece o novo Projeto Acadêmico, uma melhora significativa da proporção de estudantes por docente.” / “Defender a reposição docente (por aposentadoria ou por exoneração) sem concorrência entre unidades, fundamentada nas necessidades dos projetos acadêmicos e dando especial peso a critérios demográficos e de inclusão social.” A USP vinha de um conflito recente pela reposição, que tinha significado uma greve estudantil de quatro semanas, que, na nossa Faculdade, chegou a ter apoio explícito da Congregação em uma resolução de outubro de 2023. Com o empenho da comunidade toda, a Faculdade tinha conseguido que as reposições das aposentadorias de 2022 fossem integrais e sem que uma porcentagem delas passasse para concorrência. Por isso, desde o início da gestão, demos muita atenção aos dados da Comissão de Cargos Docentes da Faculdade, que acompanha com grande precisão os números de perdas e de reposição.
Dois meses depois de que assumimos, chegou a circular 346 do Gabinete da Reitoria, informando que, como reposição das aposentadorias acontecidas entre 1/1/2023 e 10/10/2024, e mais as compulsórias previstas para 2025, a Faculdade receberia 26 cargos docentes. Porém, o registro da Comissão de Cargos era que, com o critério indicado pela circular, correspondiam 28 cargos. A direção fez um ofício questionando os faltantes. Conseguimos detectar dois casos que a Comissão de Claros da Reitoria, um dos quais foi reconhecido e somado à reposição. Depois de insistir por uma resposta sobre o outro, recebemos, por parte da reitoria, a informação de que tinha sido subtraído um claro das unidades que tinham mais de 14 reposições para completar.
Recentemente, em agosto de 2026, imediatamente que recebemos tanto a política de reposição proposta na circular 285/2026, como a informação sobre a quantidade de cargos destinada à Faculdade, e as perdas de 4 cargos que essa quantidade envolveria, deixamos tudo em conhecimento da Comissão de Cargos Docentes, pautamos o assunto na Congregação, e enviamos ofício à Reitoria solicitando a reposição integral. Na sessão do Conselho Universitário de 25/8, nos manifestamos no expediente defendendo a não concorrência entre unidades, e que a correção de desequilíbrios entre unidades seja efetivada mediante a criação de novos cargos. A informação de que entre 25% e 30% do que corresponderia como reposição a cada unidade iria para editais de concorrência é muito recente, e várias das unidades com que conversamos ainda estão analisando as consequências. Trata-se, portanto, de uma nova situação em que a Faculdade, articulada com outras unidades, precisará defender a manutenção do seu corpo docente e o atendimento das suas necessidades de ampliação em áreas estratégicas.
3.1.1.3 Progressão horizontal e projeto acadêmico docente
Durante o ano de 2025 houve, depois de quatro anos, a abertura de um processo de progressão horizontal para as professoras e professores da USP. O processo foi deflagrado em março de 2025 pela Câmara de Atividades Docentes (CAD), mas previamente algumas unidades como a nossa, precisaram acrescentar, ao Projeto Acadêmico, precisões acerca do perfil esperado para a passagem entre níveis horizontais da carreira. A partir de um levantamento feito, em resoluções anteriores sobre progressão horizontal e no Projeto Acadêmico de 2018, pela funcionária Rosângela Duarte Vicente, que assessora tanto a Comissão de Cargos Docentes como a de Projeto Acadêmico, a direção elaborou uma proposta de adendo, que foi submetida à Congregação de fevereiro daquele ano, prévio envio aos membros com três semanas de antecedência, e as devidas desculpas por enviar algo ainda em janeiro.
A direção da Faculdade precisou coordenar, a partir de indicações dos departamentos e de buscas próprias, a formação de uma comissão avaliadora para os aproximadamente 130 docentes elegíveis para progressão, cada um dos quais precisava ser avaliado por três membros. A Câmara de Avaliação Docente (CAD) tinha decidido por um calendário planejado para que o processo pudesse concluir antes de que começasse o período de eleição reitoral. Por esse motivo, resultou muito ajustado, como tempo até 28 de março para ter a comissão constituída.
A comissão precisava contar com ao menos um terço de docentes externos à Faculdade, e todos seus membros precisavam ter o grau de Associado 3 ou Titular. No termo de três semanas conseguimos uma comissão de 37, sendo 14 deles externos à Faculdade. Os inscritos foram 109, e o processo concluiu em tempo.
Em setembro, foi aberto um processo de elaboração e avaliação do Projeto Acadêmico Individual, que precisava ser apresentado por cada docente até novembro. A avaliação foi principalmente dentro dos departamentos, pelo qual foi um processo que demandou muito pouco da direção, apenas acompanhar a Assistência Acadêmica na verificação dos processos no sistema e na produção do relatório final.
Assim que a direção recebeu a pauta do Conselho Universitário de 31/3/2026, que incluía o projeto de resolução sobre estabelecimento da Gratificação por Atividades Complementares e Estratégicas, ciente do interesse que despertava, e também dos traços polêmicos da sua contextualização, enviou um email a todas as pessoas da Congregação, com as minutas e a informação de que seria discutida na reunião do dia 26 de março.
Desse modo, entre o envio da mensagem e as duas reuniões (Congregação e Co), o colegiado funcionou de fato como um fórum de e-mail. Foram intercambiadas mais de 50 mensagens, em um clima de respeito e de discussão substancial, já que raramente se repetiram argumentos. As mensagens contemplavam aspectos diversos: as necessidades e desigualdades salariais e previdenciárias entre os docentes que deram origem à proposta de que houvesse alguma gratificação não concorrencial (inclusive, como proposta genérica, aprovada pela nossa Congregação em novembro de 2024), o fato de a proposta específica ser formulada sem haver concomitantemente nenhuma iniciativa semelhante para o corpo funcional, e as ambiguidades da minuta em relação à urgência, ao caráter potencialmente concorrencial e a qual instância decidiria sobre as áreas consideradas “estratégicas”.
Com a inestimável colaboração da representante da Congregação no Conselho Universitário, a professora Elizabeth Harkot, sistematizamos as opiniões formuladas, que mostravam alguns aspectos de concordância nitidamente majoritária e outros em que a Congregação se mostrava dividida. Era quase consensual a necessidade de que houvesse a formulação imediata de alguma proposta equivalente para os funcionários técnico-administrativos. E, embora houvesse várias manifestações favoráveis a propor a retirada de pauta, não era esta uma posição majoritária, nem nas mensagens nem na reunião da Congregação. Havia, sim, preocupações manifestadas por uma grande proporção de docentes em relação a aspectos da minuta, a partir das quais era possível formular emendas pontuais. Com a representante da Congregação, elaboramos emendas sobre:
- que as unidades (e não a CAD) indicassem, cada uma o que, na minuta aparecia como “os temas e as linhas de atuação” prioritárias, de modo a salvaguardar a autonomia;
- desvincular explicitamente a decisão de participação ou não na GACE da avaliação quinquenal do docente (RAD);
- um tempo menor de impedimento para concorrer novamente no caso de docentes cujo relatório não fosse aprovado.
Na sessão, votamos contra a retirada de pauta, para garantir que a proposta se votasse nessa sessão, atendendo ao que se argumentava como urgência para sua implementação em 2026. Na fala do diretor na sessão, saudamos a iniciativa como modo de compensar desigualdades entre os docentes, demandamos a produção imediata de uma proposta análoga para os técnico-administrativos, e apresentamos as emendas. Ao não ser aceita a submissão de emendas, abstivemo-nos na votação da minuta. No dia seguinte, o diretor enviou a todas as pessoas da Congregação um relato e explicação dos seus votos, acompanhado pela transcrição da sua fala na sessão.
Aprovada a proposta, quando foi publicado o edital, promovemos a discussão, na Congregação, das atividades que seriam propostas à CAD para integrar as solicitações A direção sistematizou as propostas enviadas pelos departamentos, procurando levar. à sessão da Congregação de 28/5/2026, sínteses que, na medida do possível, reunissem as propostas em não mais de 3 formulações por eixo, que era o máximo que o formulário da CAD permitia submeter. O colegiado conseguiu, nessa única sessão, fazer as reformulações necessárias e aprovar as propostas. Várias delas foram acolhidas depois pela CAD.
Findo esse processo, o passo seguinte era a formação da comissão avaliadora da unidade, especialmente dificultada, no caso, por ser previsível que a imensa maioria dos docentes se candidatasse, e pelo impedimento, no edital, de que docentes sejam avaliadores na mesma unidade em que se candidatam. A dificuldade foi sendo resolvida com base nos vínculos com direções e docentes de outras unidades, e mediante uma parceria para fazer circular um mesmo formulário em que os docentes se voluntariaram para avaliar, que teve especial acolhida na nossa unidade. As respostas aos formulários foram sistematizadas pela Escola de Engenharia de Lorena, a cuja direção aproveitamos para novamente agradecer. O critério que foi utilizado foi proporcional aos docentes elegíveis de cada unidade, e recebemos uma lista de mais de 60 voluntários atribuídos a avaliar na nossa Faculdade.
Dado que o formulário tinha sido preenchido principalmente em unidades de outras grandes áreas de conhecimento, aproveitamos dele somente os voluntários da FAU, da FFCLRP, da Escola de Enfermagem e do IME, e complementamos a comissão mediante o contato direto com colegas da Escola de Comunicações e Artes, da Faculdade de Saúde Pública, do Instituto de Psicologia, da Faculdade de Educação, e de disciplinas de Humanidades que são ministradas na Faculdade de Medicina. Contando também com a colaboração de alguns e algumas sênior da casa, formamos, antes do prazo, uma comissão de 41 integrantes, que não incluiu nenhum docente da Faculdade da ativa. A comissão foi presidida pelo professor Manoel Vieira de Miranda Neto (Escola de Enfermagem) e pela professora Priscila Lena de Farias (Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design), a quem agradecemos imensamente também neste relatório.
Essa comissão concluiu em tempo a avaliação dos 376 projetos apresentados, e seu relatório foi submetido à Congregação de 24/9/2026.
3.1.1.5 Reunião com novos docentes
Em abril de 2025, organizamos um encontro da direção com as novas e novos docentes, contratados a partir de 2023, convidando as assistências da direção, a direção da Biblioteca, a Comissão de Inclusão e Pertencimento, e os representantes da Faculdade na ADUSP.
Os propósitos eram nos apresentarmos como direção também relativamente “nova”; iniciar, ou reforçar, nas e nos colegas, o conhecimento das diferentes áreas de competência às que podem trazer suas necessidades e inquietações, explicando inclusive a relação de cada uma com a secretaria do correspondente departamento; comunicar e ouvir sugestões sobre cada uma dessas áreas, e também abordar o ingresso e a vida dos discentes na Universidade a partir de uma especificidade pouco trabalhada em outras instâncias: a dos direitos e os cuidados.
Planejamos, para o início de 2027, uma reunião análoga com colegas que ingressaram depois da anterior.
3.1.2.1 Progressão na carreira
Assim que assumimos a direção da Faculdade, a Administração Central deflagrou um processo de progressão na carreira dos funcionários.
O primeiro material que receberam as direções das unidades, quando convocadas para um tipo de workshop no dia 8/10/2024, dava a entender que teria que ser produzido um ranqueamento das e dos funcionários. Preocupados com essa perspectiva e com o desgaste que podia trazer dentro da unidade, convocamos uma reunião aberta de funcionárias e funcionárias à qual, a princípio, as chefias precisavam comparecer.
A primeira sessão do Conselho Universitário em que participamos já como direção foi no dia 15/10/2024, e tinha como item principal de pauta precisamente a aprovação do montante destinado à progressão. Votamos favoravelmente, mas dedicamos boa parte da nossa fala no expediente a questionar a proposta de ranqueamento, em uma defesa da perspectiva não concorrencial, destacando, por ser, em certo modo, nossa apresentação como direção no Conselho, a centralidade que o modelo colaborativo e de solidariedade entre membros da comunidade teve no programa com que acabávamos de nos eleger. Felizmente, a ideia de ranqueamento foi abandonada pela reitoria depois de questionamentos de vários setores e direções de unidades.
Para a implementação do processo, formamos, no âmbito da Faculdade, quatro comitês de análise. Neles participaram 24 pessoas: 12 docentes e 12 funcionários, incluindo uma docente convidada de outra unidade. A direção, como é de se esperar, não integrou os comitês, mas coordenou a procura de integrantes e participou das reuniões destinadas a explicar o trabalho no sistema e critérios consensuais atingidos no colegiados da unidade. Para garantir a participação, nessas reuniões, de todos os integrantes dos comitês, fizemos 5 encontros em horários alternativos. Os comitês elaboraram um parecer para cada um dos 240 postulantes. Em cada comitê houve ao menos 1 funcionário indicado pela representação sindical. O mesmo procedimento foi seguido para o comitê recursal.
Dentro das limitações das regras postas pela administração central , que só permitiam a progressão vertical aos níveis B1, T1 e S1, quase todas as pessoas elegíveis obtiveram progressão horizontal ou vertical que era possível.
3.1.2.2 Relação e diálogo com a representação sindical
Em diversas ocasiões consultamos a representação sindical diante de variados assuntos, os principais que lembramos agora foram sobre aspectos da progressão horizontal, sobre medidas diante das ações de provocadores no vão, e, em 2026, sobre as pautas da greve de técnico-administrativos. Porém, até agora, a principal dinâmica tem sido a solicitação de encontros por parte da representação, e temos atendido prontamente aos pedidos de reunião que a representação fez.
Cremos que temos conseguido desenvolver uma relação de respeito mútuo, positiva, com sinceridade sobre diferenças e coincidências. As pautas dos encontros mantidos têm sido diversas, desde malestares de algumas ou alguns trabalhadores até demandas de algumas seções específicas. Em algumas ocasiões, diretores do sindicato participaram das conversações.
Dentro das possibilidades, e sempre consultando também os outros setores e chefias envolvidas em cada demanda, nossa tentativa tem sido a de atender as demandas veiculadas pela representação e/ou chegar a um ponto de acordo entre as partes. Em algumas ocasiões, a demanda trazida pelos representantes nos permitiu conhecer situações melhoráveis em diversas seções, e pensar soluções. Em particular, cremos que houve avanços na consideração e aproveitamento do trabalho dos serviços gráficos, em relação a algumas demandas de trabalhadores da Biblioteca, e em referência aos trabalhadores terceirizados, dos que tratamos na seção seguinte.
3.1.2.3 Iniciativas em relação a trabalhadoras/es terceirizados
Na proposta de gestão com que fomos eleitos expressamos claramente que vemos a terceirização como um mal de época, um retrocesso histórico e civilizatório que precisa ser focalizado como um problema de direitos humanos, não apenas de direitos trabalhistas. Infelizmente, na administração pública toda ela é um processo em expansão e, no âmbito privado, já atinge os docentes e todas as categorias profissionais que formamos. Cientes de que é um problema que somente seria superado com grande mudança nas relações de forças, no mundo todo, a favor das classes trabalhadoras, propusemo-nos, quanto menos, fazer tudo o possível para melhorar as condições e ambiente de exercício, e acrescentar algo de bem-estar a esses trabalhadores.
Notamos que esse desejo é consensual na Faculdade: já na primeira reunião da Comissão de Infraestrutura, os docentes e funcionários de todos os prédios traziam como uma das prioridades melhorar os espaços dos terceirizados, processo que, como relatamos em 1.2.3 e em 2.1, está muito avançado.
Além dessas reformas, a Assistência Administrativa elaborou uma exigência às empresas contratantes de que, em qualquer caso de substituição ou deslocamento de funcionárias/os terceirizados, avisem por escrito com uma explicação. O objetivo é inibir o mais possível os deslocamentos arbitrários, e favorecer a geração de laços de convivência e companheirismo entre esses trabalhadores e os servidores docentes e técnico-administrativos.
Promovemos também o fornecimento de rede de Internet para todas e todos os terceirizados, e estimulamos iniciativas surgidas dos trabalhadores efetivos, como a das oficinas de aprendizagem de uso de computadores.
Por último, em toda instância de reunião com pessoas da administração central, e nos colegiados, quando temos a ocasião, retomamos demandas como a de reposição dos ônibus e contratação de motoristas, e a de contratação efetiva e celetista de intérpretes de LIBRAS, exemplos de que o processo de precarização, além de afetar direitos, tem impacto negativo sobre as atividades fim da Universidade.
Apoiamos e fomentamos a iniciativa de retomada da Semana Cultura dos Funcionários da FFLCH, organizada por Walquir Silva e com apoio do projeto “Presença e Memória Negra” (ver item 3.4), que foi realizada em outubro de 2025 com o tema “Criar é dar vida às ideias, colecionar é guardar pedaços de inspiração”. A programação contou com palestras, workshops, exposição de coleções e apresentações musicais. Para este ano, já está prevista mais uma edição, que será realizada também em outubro.
Como uma ação de valorização e comemoração da presença negra na Faculdade, foi organizada uma exposição fotográfica “Retratos da Gente” com fotografias de servidores técnico-administrativos, de diferentes funções, e trabalhadoras/es terceirizadas/os que se autodeclaram com negros (pretos e pardos). Foram 37 pessoas que nos deram a honra de mostrar algumas de suas imagens que revelam uma incrível diversidade à nossa Faculdade. A exposição ficou montada no vão do prédio da História e Geografia e contou com a participação do Coral Azul da USP em sua inauguração, no dia 17 de novembro de 2025.
Com vistas a melhorar as condições de proteção, saúde e segurança do trabalho e atender servidores técnico-administrativos com LER (Lesão por Esforço Repetitivo), foram adquiridos diversos equipamentos de proteção individual (EPI), como cadeiras ergonômicas de escritório, equipamentos de informática, cantoneiras de mesa, óculos de segurança, etc.
Foi instituída a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio, que tinha existido em etapas anteriores da Faculdade, como existe em outras unidades, mas que não tinha membros efetivamente atuando.
Todos os membros da nova CIPA/FFLCH passaram por treinamento oferecido pelo SESMT, durante uma semana. Foram realizadas reuniões mensais da Comissão. Além dessas reuniões a presidente também participou de reuniões mensais para a realização do evento da SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho), que aconteceu na Semana da Pátria de 2026, com participação de 21 unidades da USP.
A Comissão distribuiu um questionário para mapeamento das áreas de riscos nos prédios didáticos de Geografia/História, Ciências Sociais e Casa de Cultura Japonesa, e informaram à direção sobre dificuldades encontradas no processo. A presidência da Comissão informou que solicitarão, como próximo passo, o treinamento da brigada de incêndio da FFLCH.
Pelo menos desde a direção anterior, a Faculdade vinha realizando um importante esforço de destinar recursos à permanência estudantil. Na gestão exercida pelos colegas Paulo Martins e Ana Paula Megiani, havia uma média de 50 bolsas de Iniciação Científica sustentadas pela Faculdade, que são adicionais àquelas ofertadas pelo CNPq, e houve a consolidação dos programas PLEA (Práticas de Leitura e Escrita Acadêmica), com em torno de 40 bolsas, e PAECO (Programa de Apoio a Estudantes Cotistas), com 10 bolsas. No início da nossa gestão nos propusemos a dar continuidade a essas ações e, se possível, incrementar outras.
É importante destacar e valorizar esse conjunto de iniciativas da Faculdade que, como percebemos nas discussões anuais de orçamento no CTA, é bastante consensual, e diz muito da vocação solidária e de inclusão social que caracteriza os mais diversos setores de opinião da nossa comunidade. Como pode ser verificado na distribuição orçamentária na página da Assistência Financeira (https://financeiro.fflch.usp.br/node/4174), as bolsas que referimos somam 23% da dotação orçamentária sujeita à distribuição opcional, quase o montante da mesma dotação destinado à soma de todos os departamentos, mesmo depois do aumento que informamos em 2.4 Isto é, o conjunto da Faculdade assume esse esforço.
Temos conseguido manter esses programas, no último ano aumentando as bolsas de IC para 55. Como uma maneira de tornar o PAECO um programa institucional, que não precise da disponibilidade de docentes específicos, ele foi vinculado à Comissão de Inclusão e Pertencimento, que assumiu sua coordenação.
Tendo em vista o apoio a eventos científicos para estudantes de graduação, foi criado, em 2026, um edital, com 50 apoios iniciais no valor de 500 reais, aos que posteriormente acrescentamos mais 20 apoios, devido à grande demanda, incentivando a participação de graduandos em congressos para apresentação de trabalhos de pesquisa, que geralmente têm poucas possibilidades de financiamento, já que, diferentemente dos pós-graduandos, não podem utilizar verbas dos programas de pós-graduação. O programa totalizou 70 concessões e R$ 35.000,00 em recursos, integralmente utilizados. A experiência de 2026 poderá subsidiar o aperfeiçoamento das próximas edições e a avaliação da possibilidade de consolidação do Programa como política permanente da FFLCH de incentivo à formação científica dos estudantes de graduação.
Em junho de 2025, a FFLCH recebeu uma emenda parlamentar da Deputada Federal Juliana Cardoso (Emenda 44020025 - Ação: 21HN - Gestão de Políticas de Ações Afirmativas e de Combate e Superação do Racismo), por meio do Ministério da Igualdade Racial, no valor de R$300.000,00. Este montante, gestionado pela Comissão de Inclusão e Pertencimento, foi utilizado para 30 bolsas de permanência, com duração de 1 ano, para estudantes da Faculdade que não tinham sido contemplados pelos auxílios do PAFPE da PRIP.
3.1.3.2 Relação e diálogo com os centros acadêmicos, representações discentes e coletivos estudantis
O movimento estudantil se caracteriza por instâncias mais diversificadas do que as dos quadros funcionais e docentes, apesar da tendência mundial à precarização e à fragmentação das categorias de trabalhadores. Além dos centros acadêmicos, DCE e atléticas, nos últimos tempos surgiram coletivos setoriais com bastante presença em torno de pautas de gênero, de LGBTs, de raça, e de pessoas com deficiência, cuja integração nas gestões dos centros acadêmicos é desigual.
Durante estes dois anos de gestão na direção, tivemos muitos encontros e reuniões com setores dessa diversificada representação estudantil, especialmente com os centros acadêmicos, interlocutores para as problemáticas mais abrangentes. Houve tanto convocações da direção para assuntos específicos (por exemplo, durante a onda de ações provocadoras da qual trataremos em 3.8), como solicitações de reuniões por um ou vários centros. Também, como informaremos em 3.1.4, houve reuniões com alguns centros devido aos projetos de reformas de espaços e da construção do novo prédio. Em 2025 adotamos uma prática que nos propomos a continuar nos dois anos que restam: uma reunião inicial com as novas diretorias de CAs quando recém eleitas, em novembro ou dezembro.
De modo geral, o relacionamento tem sido bom e fluido. Os momentos com mais tensões foram, como previsível, em ocasiões de paralisações pontuais de cursos, e da greve do primeiro semestre deste ano, mas sem que nunca se fechassem os canais de diálogo.
3.1.3.3 Semanas de recepção a calouros e colação de grau
Tanto a semana de recepção a calouros de 2025 como a de 2026 foram organizadas principalmente pela Comissão de Graduação e pela Assistência Acadêmica, mas com participação da direção nas reuniões de organização. Os centros acadêmicos foram convidados a participar, e conseguimos chegar a acordos sobre os dias e horários mais voltados para atividades institucionais, centrais ou dos cursos, e os horários e dias reservados para atividades dos centros e coletivos.
Em 2025, a Semana de Recepção aos Calouros da Faculdade foi uma das três premiadas na USP.
Em novembro de 2024, a Congregação aprovou a retomada da Colação de Grau Solene na Unidade. Para concretizar essa decisão, no dia 23 de outubro de 2026 será realizada a primeira solenidade desta nova etapa, destinada aos estudantes aptos à conclusão de seus cursos até 31 de agosto de 2026, e que ainda não tenham participado de cerimônia solene.
A iniciativa integra as ações de inclusão e pertencimento da FFLCH, considerando o significado da conclusão da graduação, especialmente para estudantes que representam a primeira geração de suas famílias a ingressar em uma universidade pública.
A solenidade de 2026 marcará a retomada institucional da cerimônia e terá também caráter de experiência de referência para 2027, permitindo avaliar procedimentos e identificar mecanismos para o aprimoramento das próximas edições.
No início desta gestão, a direção implementou uma nova política de gerenciamento das salas Pró-Aluno, com responsabilidades compartilhadas entre a Divisão Administrativa e a Divisão Acadêmica, com importante colaboração do Serviço de Gráfica, para suprimentos, infraestrutura e gestão dos monitores.
Atualmente, as salas Pró-Aluno contam com 45 monitores, frente aos 40 existentes anteriormente, com bolsas custeadas pela Pró-Reitoria de Graduação. As salas estão localizadas nos prédios de Letras, Filosofia e Ciências Sociais e Geografia e História, com funcionamento de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h. A partir de 2026, a sala de Geografia e História funciona também aos sábados das 8h às 13h, ampliando o atendimento, especialmente aos estudantes moradores do CRUSP. Destacamos que essas salas da Faculdade estão entre as que oferecem maior período de atendimento na USP.
A gestão das salas busca melhorar as condições para o desenvolvimento das atividades, e tem a inclusão e a acessibilidade como um foco de atenção prioritário. Com essa finalidade, está em andamento o remanejamento dos espaços para adequá-los a estudantes com deficiência (PcD) e neurodivergentes.
Também foi ampliada temporariamente, como resultado das negociações entre a direção e os centros acadêmicos quando do encerramento da greve de 2026, um aumento temporário, por 40 dias, da cota de impressão considerando o acúmulo de necessidades que apareceriam na retomada das aulas.
Na sessão do CTA de agosto de 2026, que determinou prioridades para utilização do saldo da verba de equipamentos com o iminente pregão de computadores, a substituição de computadores danificados das salas Pró-Aluno foi uma das prioridades decididas.
Como perspectiva de aprimoramento da infraestrutura, está em estudo a readequação da sala Marina Harkot, com a possibilidade de destinar parte do espaço à instalação de equipamentos para atividades multimídia e outra parte à criação de uma sala de descompressão.
3.1.4 O diálogo com os setores afetados por obras
Desde o início da gestão, foram realizadas reuniões com diferentes setores dos prédios da Letras e da Filosofia e Ciências Sociais (Prédio do Meio) para lidar com a construção do novo prédio, iniciada no segundo semestre de 2025. Primeiro, foram feitas várias reuniões com os centros acadêmicos da Filosofia (CAF) e das Ciências Sociais (Ceupes) para analisar a planta onde seriam feitas alterações no Espaço Verde até chegarmos a um consenso de manter o espaço no tamanho original, garantindo também salas para os CAs, com preservação da circulação com segurança determinada pela SEF na planta. Para o prédio novo, também foram realizadas reuniões com a Comissão de Qualidade de Vida do Prédio do Meio, com a participação de todas as secretarias a fim de compreender as etapas da obra e os desconfortos gerados nos espaços de trabalho e estudo e nas salas de aula. Para tentar reduzir o barulho da obra e a poeira nos corredores das secretarias da Filosofia, Sociologia e Antropologia, foram colocadas portas que separam esses corredores do eixo de circulação. Em diferentes momentos, as reuniões tiveram a participação de representantes da SEF e da construtora.
Na Comissão de Infraestrutura, Equipamentos e Espaços e no Grupo de Trabalho do Plano Diretor, foram levantadas outras demandas para reduzir o impacto da obra, como iluminação provisória, acessibilidade para pessoas com deficiência, sinalização, acesso ao ponto de ônibus, e proteção dos equipamentos das salas durante o tratamento das fachadas. Também houve um esforço de remanejamento de diversas salas de aula, nos prédios da Letras e do Meio, para outros espaços da Faculdade, inclusive o prédio da Administração, para tentar garantir aulas sem os ruídos provocados pelas obras.
Neste ano, uma grande reforma também passou a ser objeto de planejamento e debate, desta vez para o Prédio da Letras, com a realização de várias reuniões com a SEF, as chefias dos departamentos da área de Letras e o centro acadêmico (CAELL). A partir do projeto apresentado pela SEF, foram realizadas diversas sugestões e negociações até o projeto final, que foi consensuado entre todas as partes em agosto de 2026.
Especialmente com o CAELL, foram necessárias várias negociações que pudessem, de um lado, garantir as normas de segurança e sanitárias do prédio e, de outro, apresentar um projeto que atendesse à demanda coletiva dos estudantes. Finalmente, houve acordo em torno de um dos três modelos apresentados pela SEF, e o projeto foi encaminhado para os próximos passos.
3.2 Atualizações no Projeto Acadêmico
Em março de 2026, a Câmara de Avaliação Institucional (CAI) abriu um período de três meses para que, facultativamente, as unidades fizessem atualizações pontuais nos projetos acadêmicos aprovados em 2024. Essas atualizações, caso fossem feitas, precisavam ser aprovadas pela Congregação.
A direção convocou todos os docentes que tinham integrado, em 2024, a comissão que elaborou o Projeto, acrescentando os atuais presidentes e vices das comissões estatutárias. A dinâmica de trabalho proposta foi que cada atual presidente de comissão estatutária revisasse a seção do Projeto correspondente à sua área, e consultasse com os membros da comissão se viam a possibilidade de atualizações que fossem pontuais, e sobre as quais houvesse razoável consenso no escasso tempo de que dispúnhamos. A seção sobre “atividades meio” seria revisada pela direção com os assistentes. Às e aos colegas que tinham participado da comissão de 2024, pedimos simplesmente que fizessem as sugestões que desejassem sobre qualquer seção ou item do Projeto. Propusemos que o processo se desenvolvesse sem grandes investimentos de esforço e sem precipitação, já que, de qualquer maneira, em 2028, teremos que elaborar, como todas as unidades, um novo projeto.
A maior parte das sugestões de ajustes foram na seção de Pesquisa, que resultou sintetizada no que diz respeito às metas, e houve modificações pontuais em Cooperação Internacional e na descrição das necessidades relativas ao corpo funcional, destacando a necessidade de uma política de reposição e de contratação de profissionais com funções relacionadas às demandas de inclusão e acessibilidade. Aproveitamos, ainda, para integrar ao Projeto Acadêmico o adendo que a Congregação tinha aprovado em fevereiro de 2025 (ver 3.1.1.3).
No final de maio foi feita uma reunião híbrida para avaliar os ajustes propostos, com o critério de dar andamento apenas ao que foi consensual. As modificações consolidadas foram submetidas à Congregação de junho de 2026, e enviadas à Câmara Permanente de Avaliação (CPA).
No dia 11/9/2026, a CPA aprovou as modificações com um parecer muito elogioso, que por enquanto está apenas no sistema, mas que colocaremos na página da Facudlade assim que estiver disponível.
O Plano Diretor Participativo da Unidade (PDU) da FFLCH (https://www.fflch.usp.br/planodiretor) está sendo elaborado, desde 1º de julho de 2025, por um grupo de trabalho com representantes das três categorias de cada prédio (Administração, Letras, Filosofia e Ciências Sociais, História e Geografia, Casa de Cultura Japonesa e Colmeias), que tem se reunido periodicamente, com a coordenação da vice-direção da FFLCH e participação ativa da direção. A elaboração do PDU foi assessorada por uma consultoria externa (MPS - Associados Ltda) contratada pela Superintendência de espaços Físicos (SEF) da USP, e por dois arquitetos da própria SEF, que efetuaram visitas técnicas e diagnósticos sobre cada prédio e sobre as áreas externas.
O PDU da FFLCH acompanha as diretrizes do Plano Diretor do Campus Butantã (ver 4.2) e está orientado para uma reavaliação de todos os espaços físicos dos 6 edifícios, atentando para às legislações vigentes e para a requalificação de seus usos, melhorias, novas edificações, reformas e reparos, compartilhamentos, etc. O núcleo principal do PDU são suas diretrizes, que pretendem nortear as ações estratégicas dos espaços físicos e seus usos e que serão, posteriormente, planejadas ao longo do tempo, na duração de 10 anos (2026 – 2036), de acordo com prioridades e com a viabilidade de execução.
Foram realizadas diferentes etapas, ao longo de um ano de trabalho, que consistiram em oficinas participativas para diagnóstico e planejamento, abertas a toda FFLCH, sistematização dos dados coletados nas oficinas, vistorias técnicas, reuniões abertas e reuniões do grupo de trabalho. A partir deste material, foram elaboradas diretrizes que, neste momento, estão sendo avaliadas pelos conselhos departamentais até o dia 30 de setembro. As diretrizes foram organizadas em 8 itens: I - Espaços de trabalho (áreas internas para ensino, administração, pesquisa e extensão); II - Espaços de convivência e áreas comuns; III - Espaços estudantis; IV - Acessibilidade e saúde; V - Meio ambiente e áreas verdes; VI - Circulação interna; VII - Circulação externa e segurança; VIII - Patrimônio e memória.
Assim que houver o retorno dos conselhos departamentais, o grupo de trabalho se reunirá novamente no início de outubro para elaborar o documento final, que será colocado em pauta na reunião da Congregação de 22/10/2026. Todo o material encontra-se disponível na página: https://www.fflch.usp.br/planodiretor Para quem ainda não conhece ou não participou da discussão no seu respectivo departamento, recomendamos especialmente os documentos “Relatório de diagnóstico”, elaborado pela SEF, e “Diretrizes”, elaborado pelo grupo de trabalho.
3.4 Projeto “Presença e memória negra na FFLCH”
O projeto “Presença e memória negra na FFLCH” foi inaugurado assim que tomamos posse e está sendo implementado por meio da Assessoria para Projetos Especiais da FFLCH. O propósito é dar visibilidade e reconhecimento a atuação negra na nossa Faculdade por meio de ações que possibilitem, de um lado, valorizar a memória negra das pessoas e coletivos que já atuaram aqui e fortalecer, de outro, a presença negra em diferentes espaços, estudantis, de trabalho, de pesquisa, ensino, extensão, etc.
Começamos com um mapeamento de docentes negras e negros que estiveram e estão na FFLCH, desde a sua fundação, oferecendo uma página com breves biografias de cada um/a. Alguns docentes que estavam invisíveis passaram a ter sua história documentada, como Rozendo Sampaio Garcia, da área de Geografia, provavelmente o primeiro professor negro de nossa Faculdade, que ingressou como docente em 1937 até 1958. Depois do mapeamento da docência negra, foram realizadas 10 entrevistas até ahora com docentes negros e negras aposentados/as e na ativa, que foram gravadas e estão sendo editadas e divulgadas.
Durante o ano passado, a direção tomou conhecimento do Núcleo de Artes afrobrasileiras (NECAB), um projeto que oferece atividades de extensão comunitária, liderado pelo Mestre Pinguim, que tem atuado, desde 2007, e coordenado atualmente pela Profa. Rose Satiko Hikiji, do departamento de Antropologia, e que atualmente é um parceiro do “Presença e Memória Negra FFLCH”. O NECAB (https://sites.usp.br/nucleoartesafrobrasileiras/) oferece cursos e treinos de capoeira angola, dança afro e percussão, além de organizar encontros que valorizem manifestações culturais negras e das culturas populares brasileiras. Está sediado em um antigo barracão, compartilhado com a Escola Politécnica. O compartilhamento, que já existia de fato, foi formalizado em 2025 em reunião conjunta das duas direções. A direção procurou também uma inserção institucional mais nítida na Faculdade para o NECAB, pois ele continuava registrado como ligado à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão por ter sido um NACE (Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão), mas de fato já não tinha esse caráter. Tanto sua coordenação atual como a anterior são de docentes desta Faculdade, à qual está diretamente relacionado hoje.
Como parte das comemorações da Consciência Negra, foi organizada uma longa agenda de atividades, de outubro a dezembro de 2025, que contou com duas exposições artísticas, uma exposição fotográfica, rodas de conversa, sarau, sessão de cinema e debate, e uma ballroom. Contou com a participação de pós-doutorandos, da Professora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, do escritor Jeferson Tenório e do coletivo Muvuca.
Além disso, está sendo elaborada uma biblioteca temática digital, com o apoio da Biblioteca Florestan Fernandes e da Seção de Informática da FFLCH, que reunirá a produção intelectual sobre questões étnico-raciais elaboradas por docentes e discentes da Faculdade.
O projeto conta com a participação de estagiários e bolsistas do Programa de Apoio a Estudantes Cotistas (PAECO), incentivando a permanência de estudantes negras e negros na Faculdade com ações que buscam reconhecimento e pertencimento. Tem apoio do Centro de Estudos Africanos (CEA) e do já mencionado Núcleo de Artes Afrobrasileiras (NECAB), ambos da FFLCH, e também tem recebido colaborações e apoios de docentes, pós-doutorandos, pós-graduandos e graduandos da Faculdade. Conta, ainda, com parcerias com a Faculdade de Educação e a Faculdade de Saúde Pública.
No momento, com apoio da PRIP e da CIP/FFLCH, pretende-se elaborar uma política anti-racista em nossa unidade, com a participação de docentes, estudantes e servidores técnico-administrativos.
O site do projeto acaba de ser inaugurado: https://negra.fflch.usp.br/
3.5 Necessidades apresentadas por projetos de pesquisa de grande porte
Nestes dois anos tiveram início alguns projetos financiados pela FAPESP que projetam docentes e grupos da Faculdade em posição de liderança, e que exibem de modo contundente o papel imprescindível das Humanidades para construir conhecimento sobre as grandes problemáticas das que a sociedade precisa dar conta. Meio ambiente, saúde coletiva, inteligência artificial, inclusão de pessoas com deficiência, bem como a interseção dessas temáticas com as de ocupação territorial, raça e gênero são os objetos de pesquisa de projetos Jovem Pesquisador (JP) e do Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) com que, neste período, diversos docentes enriqueceram a produção da nossa Faculdade. Eles vêm se somar aos CEPIDs (Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão) que professores desta unidade coordenam e que também foram institucionalizados nos últimos anos.
Esse feliz crescimento apresenta alguns desafios específicos devidos à concomitância com outro processo também feliz: a série de obras e reformas em andamento. Alguns projetos JP e o CCD precisam, durante os anos da sua execução, espaços específicos. A direção tem envidado atenção e esforços para possibilitar essa alocação, mesmo nas presentes dificuldades, não apenas pelo valor estratégico para a Faculdade, também porque propiciamos, mediante o Plano Diretor, uma reavaliação geral da utilização dos espaços nos prédios.
Algumas modificações, que incluem parte do espaço destinado à direção e à vice-direção, que avaliamos como sobredimensionado para os modos atuais de gestão, estão sendo realizadas para atender essas necessidades.
Por outra parte, damos continuidade à política estratégica iniciada pela gestão anterior, de fortalecer o Escritório de Apoio ao Pesquisador (EAIP). A direção tem trabalhado conjuntamente com o coordenador do escritório na elaboração de propostas quando elas envolvem a Faculdade como um todo, apoiou a permanência integral no EAIP da funcionária que retornou de exercer parte das suas funções na Administração Central, e integra o EAIP ao funcionamento da Comissão de Infraestrutura e à discussão do Plano Diretor.
3.6 Inventário e localização de bens
Durante o ano de 2025 foi realizado, na USP toda, o inventário anual de bens físicos permanentes.
Em fevereiro de 2026, por demanda da CODAGE, foi necessário localizar, para incluir no inventário ou dar de baixa, uma grande quantidade de bens correspondentes a um acúmulo de vários anos. O trabalho da Assistência Financeira, apoiada pelos departamentos, permitiu a localização da quase totalidade, sendo que apenas 19 bens de pouco valor (principalmente cadeiras, mesas e poltronas) dentre milhares que apareciam inicialmente ficaram sem identificação, e foram dados de baixa.
3.7 Gestão de conflitos, apurações e processos administrativos
A consolidação da PRIP e do Sistema USP e Acolhimento (SUA) deram a possibilidade de um tratamento mais dinâmico e também mais dialogado para resolução de conflitos e/ou para apuração de irregularidades e de denúncias. Porém, essa disponibilidade, absolutamente necessária para a convivência, também significou uma multiplicação de demandas. A consolidação da nossa Comissão de Inclusão e Pertencimento (CIP), com uma sala e uma funcionária específicas, deu um cenário favorável para atender a essas demandas.
Em várias ocasiões, a direção foi procurada por diferentes pessoas da comunidade em torno de conflitos para os quais temos feito o esforço de propiciar uma resolução dialogada, com sucesso desigual. Tanto a CIP como a Câmara de Defesa dos Direitos Humanos têm sido interlocutores importantes quando as pessoas interessadas admitiram recorrer a essas instâncias, e sempre é uma atitude da direção colocar em conhecimento das pessoas que nos procuram a existência desses canais, bem como os do SUA.
Quando as situações demandam, pela sua natureza ou por não haver acordo para outro tipo de solução, a abertura de apuração preliminar ou de processo administrativo disciplinar, o papel da direção passa a ser apenas o de formar o processo junto com suas assistências, e designar as comissões que conduzirão os procedimentos, que devem atuar com autonomia. Não sempre é simples a formação das comissões para essas incumbências, e, em alguns casos, tanto a formação da comissão como a montagem do processo pode demorar por serem necessárias consultas à Procuradoria. Mesmo assim, temos conseguido encaminhar todos os casos em que essa necessidade apareceu, empenhando especiais esforços quando existiu urgência.
3.8 Ações provocadoras de extrema direita
Entre maio e setembro de 2025, houve, no vão de História e Geografia e/ou no estacionamento vizinho, uma série de ações perpetradas por grupos lotados como “assessores” em gabinetes de vereadores e deputados estaduais de partidos do arco de extrema direita. Tratou-se de uma das expressões de uma verdadeira campanha nacional desse setor político contra a universidade pública, que já contava com antecedentes de episódios semelhantes ao menos na UNICAMP, na UnB, na UFF e na UNESP, e que até hoje tem continuidade em diversos campi do país.
No dia 14/5/2025 foi o primeiro ocorrido na FFLCH. Um youtuber lotado no gabinete de um deputado estadual do PL, entrou no vão com mais sete pessoas e começou a gravar vídeos sem autorização nem da Faculdade nem das pessoas que neles são registradas, arrancar cartazes, insultar e provocar estudantes, para posteriormente publicar cortes na sua página de campanha.
Imediatamente conversamos com a direção do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP (IFCH), onde tinha havido agressões semelhantes semanas atrás, para intercambiar informações, e elaboramos uma série de orientações que foram publicadas na página da Faculdade no dia 20/5: https://fflch.usp.br/174947. Ratificadas pela Congregação dois dias depois, e amplamente divulgadas pelos canais oficiais, essas orientações, que mantemos vigentes, indicam, a todas as pessoas da Faculdade, quais atitudes tomar e quais evitar diante das ações provocadoras. Ao mesmo tempo, foi aberto, na Procuradoria Geral da USP (PG), um processo (2025.02.000563) solicitando que ela produzisse uma queixa-crime contra os autores que tínhamos conseguido identificar.
Nos dias posteriores de maio de 2025 e durante junho, houve outras ações semelhantes, todas as quais foram registradas e acrescentadas no processo aberto. A direção se reuniu com os centros acadêmicos e, como resultado da reunião, produziu uma nota para toda a Faculdade, pedindo que mais pessoas se dispusessem a produzir boletins de ocorrência (B.O.) e oferecendo o apoio da direção para tanto. A produção de B.O.s por estudantes, em várias ocasiões acompanhados pela direção e/ou pela assistência administrativa, contribuiu para dar substância ao processo aberto na PG.
Depois das férias de julho de 2025, a violência das invasões foi escalando. No dia 16/8/2025, sábado, irromperam durante a Olimpíada de Xadrez no vão de História e Geografia, impedindo a realização do torneio e acusando os desportistas de jogarem xadrez “com dinheiro do povo”. A direção, além de comunicar a reitoria e insistir com a Procuradoria Geral para acelerar a produção de alguma ação judicial, começou a agir em várias frentes: contatos parlamentares e no judiciário, associações científicas, grande mídia, e, na sessão do Conselho Universitário de agosto de 2025, fez um pronunciamento (https://fflch.usp.br/175874) relatando os fatos, solicitando urgência para a atuação da Procuradoria, e informando o que seria a atuação da Faculdade na esfera pública para enfrentar as agressões.
A pior e última das invasões foi no dia 5/9/2025, com o saldo de um estudante machucado, um professor convidado que recebeu um soco, e a tentativa de violação da porta de um laboratório. Além de novamente acompanhar tanto o professor como os estudantes para a delegacia a realizar boletins de ocorrência, a direção convocou a comunidade a “uma grande ação institucional e pública em defesa da Faculdade para dar fim a essa violência” e convocando, para a semana seguinte, “uma grande reunião aberta para determinar estratégias e articular iniciativas com essa finalidade” (https://www.fflch.usp.br/176018) .
Três dias depois, no dia 8/9, mantivemos uma reunião com a Procuradoria Geral, que iniciou a preparação de uma ação civil, e o reitor da USP oficiou a Secretaria de Segurança Pública do Estado para pedir celeridade da Polícia Civil na apuração dos boletins de ocorrência. Paralelamente, os mandatos dos deputados Guilherme Cortez e Bancada Feminista abriram uma representação no Ministério Público paulista.
No dia 11/9 foi a reunião aberta convocada pela direção, em um Auditório Milton Santos que ficou lotado. A plenária decidiu a realização, no dia dia 2/10/2025, de um grande ato no vão de História e Geografia. Paralelamente, graças à mediação de diversos parlamentares, conseguimos uma reunião no Ministério Público de São Paulo. Juntamente com o diretor do IFCH-Unicamp, professor Ronaldo Almeida, fomos recebidos pelo subprocurador-geral de Justiça Criminal do Ministério Público de São Paulo, Ivan Francisco Pereira Agostinho, e pela promotora de Justiça Tatiana Callé Heilman, que nos orientaram para iniciar uma representação.
O ato realizado no dia 2/10/2025 teve importante participação da comunidade, e contou com presença e breves falas, dentre outros, de parlamentares como Juliana Cardoso, Sâmia Bonfim, Guilherme Cortez, Mônica Seixas, Luana Alves, Luna Zarattini e Amanda Paschoal, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, as direções do IFCH-UNICAMP e da UNIFESP-Guarulhos, a vice-reitora, professora Maria Arminda do Nascimento Arruda, a professora Marilena Chauí, e os professores Paulo Sérgio Pinheiro, André Singer e Vladimir Safatle. Estiveram presentes também as direções da Escola Politécnica, da Faculdade de Direito, da Escola de Comunicações e Artes, do Instituto de Psicologia e da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design.
No dia 11/10/2025, a Folha de S. Paulo publicou a coluna “A arruaça da extrema direita nas universidades”, de autoria do diretor, (https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/10/a-arruaca-da-extrema-direita-na-universidade.shtml), que deu mais repercussão pública à reação da Faculdade.
A última ação da direção em torno dessa problemática foi em maio de 2026, participando, por convite, de uma reunião no Ministério da Educação (MEC), em Brasília, em prol da elaboração de um protocolo para todas as universidades.
Avaliamos que essa combinação de respostas nos planos institucional, jurídico, político, e midiático, recorrendo à mobilização, à procura de apoios e à articulação com outras instituições de ensino superior afetadas pela mesma violência foi eficaz. Não houve, depois de setembro de 2025, praticamente nenhuma ação desses grupos na Faculdade, apesar de ser 2026 um ano eleitoral em que atuaram com violência em instituições como a UFMG, a UFRGS, a UNIFESP, a UNESP e a UFBA, e inclusive na Praça do Relógio da USP. A campanha eleitoral já concluiu, e a única aparição dessa natureza na Faculdade foi no dia 11 de maio de 2026, por parte de um vereador, e como continuidade de uma provocação em uma manifestação fora do campus relacionada à greve estudantil. Também tem sido muito positiva, de modo geral, a reação das pessoas da comunidade, que na maioria das ocasiões, mostraram serenidade e firmeza.
Essa avaliação positiva dos atuais resultados não significa desconhecer o perigo de que essas agressões se repitam, ou de que ganhem nova forma conforme o resultado das eleições e as movimentações na vida política nacional e estadual. Reafirmamos a importância de que as pessoas da comunidade não caiam em provocações, e de que as autoridades da USP assumam atitudes firmes para que nenhum dos espaços do campus, não apenas a FFLCH, seja cenário para isso.
O primeiro semestre de 2026 foi atravessado por duas greves, a de funcionários técnico-administrativos, relativamente breve, e a de estudantes que se estendeu por seis semanas.
Toda conjuntura de greve, ainda mais se é extensa, dá lugar a situações críticas e a algum tipo de perturbação que deixa marcas por um tempo. Para nós, como direção, foi uma situação extremamente demandante, com momentos de grande tensão, mas que abordamos tentando compreender seu embasamento e contexto. Por outra parte, ao assumir a direção sabíamos que muito dificilmente, em quatro anos de gestão, não haveria um processo desse tipo.
Nosso propósito neste ítem é fundamentar nossa atuação como direção, pelo qual somente nos referiremos à ação das categorias em greve e das autoridades da USP quando for necessário para a explicação daquilo que nos cabe.
A paralisação de um dia, primeiro, e, depois, a greve de pouco mais de uma semana dos técnico administrativos, mostrou, na nossa Faculdade, e pelo que sabemos, em boa parte da USP, uma unidade muito grande, transversal a setores e hierarquias, independente da forma específica em que cada setor participou. Bastava ver a massividade e capilaridade das assembleias e atos, e escutar funcionárias e funcionários que, no dia a dia, mostravam opiniões muito diferentes e graus também muito diferentes de interesse por pautas reivindicativas. Os motivos não requeriam grande esforço de compreensão: o modo como foi conduzida a aprovação da GACE (ver 3.1.1.4), sem a previsão simultânea de alguma melhora em paralelo para esse setor, podia trazer essa consequência. Em certo modo, nossa primeira atuação como direção, ao falarmos no conselho Universitário de 31/3, foi precisamente no sentido de evitar que a se deflagrasse um conflito na Universidade. A mesma demanda de uma proposta imediata para os funcionários foi apresentada, naquela sessão do Co, pelo diretor do Instituto de Química, pelos representantes das congregações da FAU e da FEUSP, pelo diretor do Museu Paulista e pelo representante dos professores titulares.
Quando aconteceu a Congregação de 23 de abril, a greve dos funcionários estava em andamento, e começavam as paralisações de estudantes. A direção apresentou, ao colegiado, um informe, como dissemos na sessão, “com o propósito principal de tentar harmonia entre as categorias da Faculdade”, que pode ser apreciado integralmente no vídeo da reunião https://www.fflch.usp.br/177932 do minuto 16:55 ao 35:00. A apresentação se destinava a desmentir, com dados, a existência de privilégios de funcionários e/ou de docentes, já que o desconforto imperante tinha dado lugar à circulação de suposições sem fundamento, a partir de casos isolados, fomentando o divisionismo e a desconfiança entre categorias. Apresentamos dados concretos sobre a diminuição do corpo funcional, e sobre a verdadeira remuneração de cada nível. Explicamos a atual divisão do corpo docente em três segmentos diferentes quanto a direitos previdenciários, sendo o menos favorecido o setor que continuará crescendo, realidade pouco conhecida por funcionários e estudantes. Mostramos, para que se entenda a importância da G.A.C.E. para os docentes mais novos, dados de avanços da precarização nesse setor, tais como o de aposentar-se com o teto do INSS, mas não ter FGTS para acumular. Ou estar sujeito à perda do regime de tempo integral, que é uma espécie de demissão parcial sem indenização.
Prevendo também a possibilidade, infelizmente confirmada, de que a greve estudantil se estendesse, dedicamos parte da fala a defender um ponto de vista sobre as possibilidades de reposição de aulas pós-greve: que os estudantes compreendessem que as e os docentes têm outras obrigações e planejamentos, e que as formas de reposição devem ser negociadas partindo do pressuposto de que se procura uma solidariedade, e não se cobra uma suposta dívida que os professores teriam contraído.
Propusemos também, na Congregação de 23/4, que houvesse reuniões por curso para acordar aspectos da convivência durante a greve, oferecendo a disposição da direção a participar. No debate, ficou visível que a greve dos funcionários contava com muita compreensão e apoio, inclusive um dos departamentos (DLCV) trazia uma declaração do conselho nesse sentido. Quanto à greve dos estudantes, que já levava uma semana na EACH e em outras unidades, a polêmica se centrava nos métodos, principalmente nos bloqueios, mas começava a haver um reconhecimento majoritário da legitimidade das reivindicações mais ligadas à permanência.
O que se seguiu foi determinado pela dinâmica de radicalização que se impôs, na USP toda, entre a reitoria e o movimento estudantil. Nos últimos dias de abril, não havia praticamente grande unidade da USP em que os estudantes não estivessem em greve. Mesmo com esse contexto, comunicados da Pró-Reitoria de Graduação insinuavam lançamento de faltas coletivas e, semanas depois, acenavam com a perda do semestre e da regularidade dos ingressantes, acirrando ânimos e clima de conflito. O encerramento de negociações por parte da reitoria no dia 4/5 foi seguido por uma radicalização ainda maior do movimento estudantil, com a ocupação do prédio da administração central no dia 7/5. A desocupação do prédio, na madrugada de 10 de maio, ação policial de brutal violência, sobre a qual ainda pouco foi esclarecido, instalou uma crise que há muito tempo não se via na Universidade. Como tentativa de resposta, a reitoria formou uma comissão mediadora presidida por uma docente externa à instituição. Paralelamente, começou a haver uma pressão crescente de representantes de unidades nos conselhos centrais, principalmente no Conselho de Inclusão e Pertencimento (CoIP), mas também no Conselho de Graduação (CoG), demandando a retomada das negociações entre reitoria e estudantes, e a flexibilização do calendário.
Apesar de que as representações estudantis diminuíram notavelmente o valor que exigiam para o PAFPE (de mais de 1.800 reais a 1096), não se chegou a um acordo, e, no dia 25 de maio, a Comissão se retirou da mediação. No dia seguinte, aconteceria a sessão do Conselho Universitário, deslocada de última hora para o IPEN. Nela, os representantes discentes desenvolveram uma performance histriônica, destinada a inviabilizar a sessão, que foi suspensa pela reitoria em meio a uma gritaria entre os discentes e uma parte dos adultos do colegiado. Volta-se ao mesmo impasse de três semanas atrás. A greve começa a encerrar-se em algumas unidades, e é suspensa quando se chega a um acordo no Conselho de Graduação sobre o calendário do lançamento de notas, e a acordos pontuais em algumas unidades sobre assuntos locais.
Relatamos a seguir nossa atuação nessa crise, como direção, nos planos interno e externo à Faculdade. Agimos tendo como norte a defesa da solução negociada de conflitos, presente nas resoluções da Congregação dos dias 23/4 e 13/5, e também parte fundamental da proposta com que fomos eleitos para a direção da Faculdade.
Internamente, promovemos os já mencionados acordos de convivência durante a greve, com especial atenção à manutenção de aulas de pós-graduação e eventos planejados. Nos cursos em que esses princípios de convivência funcionaram melhor, foi fundamental, para tanto, a boa disposição e o respeito dos grevistas e das suas lideranças em relação aos docentes dos seus cursos, e a atuação das chefias dos departamentos. Houve duas ocasiões em que intervimos mais diretamente: quando foi bloqueado o acesso aos gabinetes de professores de Filosofia, conversando com os estudantes para conseguir o desbloqueio imediato, e quando foi pendurada uma faixa constrangedora em relação aos docentes do Departamento de História, que a própria direção acabou retirando quando, mesmo depois de uma plenária do Departamento, ela foi recolocada. Participamos também em reuniões com alguns dos centros acadêmicos para acordos de fim de greve, e na reunião da Comissão de Graduação.
Na atuação externa, tentamos, de início, agir em conjunto com direções de unidades que têm, a respeito, uma visão semelhante, favorável à saída negociada do impasse. Diante da ocupação da reitoria, por exemplo, que consideramos um ato injustificado e prejudicial para todos, buscamos e conseguimos fazer uma nota conjunta com direções que rejeitavam a ação sem lançar mão de um repertório criminalizador do movimento estudantil, e mantendo o chamamento à retomada das negociações. Produzimos essa declaração junto com as direções da Faculdade de Saúde Pública e do Instituto de Psicologia (https://fflch.usp.br/178071 ).
Dias depois, houve a entrada da Polícia Militar para desocupar a reitoria, sem dúvida o pior acontecimento de todo esse processo, pelo que envolveu de violação ostensiva de direitos humanos, com agressões contra estudantes, inclusive da Faculdade, de descumprimento de normas legais e de questionamento da autonomia universitária. Não demoramos para produzir, consultando com as chefias de departamento, uma nota de repúdio inequívoco e de solidariedade com as pessoas que sofreram violência (https://fflch.usp.br/178089 ). Começamos a participar de articulações mais amplas pela retomada das negociações e a flexibilização do calendário, apoiando, no diálogo com outras direções, a atuação dos representantes da Faculdade nos CoG e no CoIP, e realizamos, juntamente com as direções da Faculdade de Educação, do Instituto de Psicologia, da Faculdade de Saúde Pública e do Museu de Arqueologia e Etnografia, uma reunião aberta de docentes, no dia 19/5, no Auditório Nicolau Sevcenko , que firmou um consenso em torno de itens para superação do impasse (https://fflch.usp.br/178258). E, quando a Comissão mediadora externa declarou encerrada sua atuação sem ter chegado a acordos entre as partes, solicitamos, juntamente com as mesmas unidades e mais a Faculdade de Direito de Ribeirão Preto, uma reunião com a reitoria, em nota que não chegou a ser respondida. Na reunião do Conselho Universitário que acabou suspensa fomos, durante a sessão, como está registrado em vídeos, uma das poucas vozes que tentaram um convencimento que viabilizasse a continuidade da reunião. O diretor interrompeu a gritaria dos estudantes e do setor de conselheiros que revidava, e disse aos representantes discentes que a única maneira de encontrarem, na reunião, apoios para a retomada das negociações era que a reunião acontecesse e eles falassem em todo momento que fosse sua vez. A atitude foi bem recebida por uma parte do Conselho, e, embora não tenha conseguido o propósito, deixou registro de uma possibilidade diferente do confronto e da posterior sequência de manifestos e contra-manifestos que expandiu o desgaste para o conjunto da Universidade.
Vale lembrar que essa greve estudantil esteve muito longe de ser “das Humanas” , como tantas que houve no passado, menos ainda “da FFLCH”. Sua abrangência surpreendeu a todos, e os motivos dessa extensão por áreas e campi ainda precisam ser objeto de uma análise o mais objetiva possível. Também foi inédita a radicalização em algumas unidades. Houve bloqueios de prédios inteiros durante semanas na EACH e na FFCLRP, durante alguns dias no IP, e cadeiraços recorrentes pelo menos na FAU, no IF, na Escola Politécnica, na Medicina, na FEA, no campus São Carlos, na Escola de Enfermagem e em boa parte da nossa Faculdade. E houve greve sem bloqueios na FEUSP, na Saúde Pública, no Instituto Oceanográfico, no IAG e no curso de Letras da Faculdade. Em nenhuma dessas unidades, nem sequer naquelas em que as direções tinham sido mais ostensivamente contrárias à negociação, houve medidas punitivas posteriores. Os únicos processos administrativos foram abertos, como não podia ser de outro modo, em consequência de agressão física a funcionários durante a tentativa de ocupação do Bloco K por um grupo.
Uma das primeiras decisões que adotamos ao assumir a direção foi abrir uma aba de Portarias na página da Faculdade, no menu “Institucional”, que só não inclui aquelas em que é necessário proteger a identidade de pessoas.
O Serviço de Comunicação Social da Faculdade é um dos mais profissionais e melhor estruturados da USP, com um excelente trabalho em produção de matérias jornalísticas e manejo de redes sociais. Com muita frequência as mídias centrais da USP reproduzem o material produzido pela Comunicação FFLCH. O auxílio desse setor tem sido valiosíssimo ao longo destes dois anos, principalmente nas situações de conflito como as ações provocadoras que relatamos em 3.8.
Na ordem da comunicação interna, tempos recorrido com frequência a comunicados por email para setores determinados ou para comunidade inteira. Tentamos que as principais informações sobre infraestrutura e reformas cheguem a todas as pessoas com tempo para evitar surpresas, e realizamos periodicamente atualizações que são divulgadas dessa maneira. Também em situações de tensão ou conflito temos nos valido, embora com menos frequência, desse tipo de comunicados breves, preferindo quase sempre a palavra escrita.
4.1 Atuação junto à Administração Central
Na proposta que apresentamos em 2024, apontamos a necessidade de uma relação com a Administração Central, em especial com a Reitoria, que unisse a colaboração e o respeito mútuo com a independência, apontando, quando necessário, aquilo em que houver dissenso ou que, das políticas propostas, não for conveniente para a Faculdade
Temos mantido, tanto em relação à reitoria anterior como com esta, uma atitude colaborativa, em primeiro lugar, atendendo prontamente solicitações e envolvendo-nos pessoalmente no seu andamento. Nas ocasiões em que a procura partiu de nós mesmos, de modo geral fomos atendidos com cordialidade e, em diversas ocasiões, obtivemos concordância diante do assunto que levamos. As melhores considerações têm sido no plano da infraestrutura, da flexibilidade administrativa, e na atenção diante de situações particulares que envolviam o bem-estar das pessoas. Percebemos, de modo geral, respeito e consideração pelo nosso trabalho. Com as pró-reitorias e superintendências, o diálogo tem sido, de modo geral e com poucas exceções, fluido e produtivo. Destacamos especialmente a detalhada e cuidadosa atenção da Superintendência do Espaço Físico, as diversas interações com a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento, o atendimento preciso da Procuradoria Geral diante de diversas consultas e, durante a situação crítica vivida em 2025 com as ações provocadoras, o apoio ativo do reitor e da vice-reitora.
Da nossa parte, temos tentado ser muito seletivos em relação aos assuntos pelos quais vale a pena demandar, verificando primeiro até onde é possível uma resolução sem sair das tramitações ordinárias. Essa atitude de hierarquizar problemas ajuda a que, ao menos, a pertinência do que manifestamos seja reconhecida, e, em vários casos, atendida. Em relação às dissidências inevitáveis, por exemplo, as relacionadas às políticas de reposição docente, ou as que já explicamos sobre negociação ou não durante a greve, nossa percepção é que elas não têm diminuído o respeito mútuo, nem a valorização da Faculdade.
4.2 Atuação no Conselho Universitário, Conselho Gestor do Campus e Plano Diretor do Campus Butantã.
Os colegiados centrais da USP, em especial o Conselho Universitário, têm um funcionamento muito mais engessado do que as congregações e reuniões de departamentos. A margem para que as decisões se afastem do previsto pela Administração Central, ou para que entre em pauta um item proposto por grupos de conselheiros são muito estreitas. No entanto, é um espaço importantíssimo para apresentação de posicionamentos que podem dar início a propostas e articulações, e para fazer perceber aspectos da Faculdade que deem mais visibilidade à sua relevância.
Compreendendo essas características, e o rigor no tempo para as intervenções, tentamos levar sempre falas previamente delineadas, que ajustamos na hora conforme a dinâmica da sessão; ser o mais objetivos possível; escolher poucos assuntos para nos manifestarmos; combinar firmeza com cordialidade; apresentar dados positivos da Faculdade quando é pertinente, e evitar tanto o vitimismo como a arrogância. De modo geral, as reuniões do Co e os diálogos e encontros que nelas se produzem têm sido bastante produtivos, não apenas em relação à pauta da sessão, também para desenvolver ou reforçar algumas das iniciativas conjuntas com outras unidades às que nos referiremos no próximo item . Dentre as articulações para votações no Co, as melhor sucedidas foram em ocasião da mudança de procedimentos para concursos docentes, quando conseguimos obrigatoriedade de que as provas escritas sejam anônimas, e, recentemente, para evitar alguns traços centralizadores em uma proposta de ajustes no regimento do Conselho. Atualmente, participamos de conversas em torno de procedimentos para reserva de vagas para candidatos pretos, pardos e indígenas em concursos docentes, que podem entrar em pauta ainda em 2026.
Participamos do Conselho Gestor do Campus precisamente na época de discussão do Plano Diretor Participativo do Campus Butantã. Foi uma das práticas de elaboração e decisão mais ricas em que participamos na USP, precisamente porque se desenvolveu com um regime participativo que contrasta com o verticalismo que caracteriza as principais instâncias resolutivas nesta universidade. O atual Ouvidor da Faculdade, José Clovis Medeiros de Lima, vinha participando do Conselho Gestor desde a gestão anterior, e sua colaboração com a nova direção, que aproveitamos para agradecer novamente, tem sido muito importante.
Quando da votação do Plano Diretor do Campus Butantã, apresentamos três emendas, que foram aprovadas pelo Conselho Gestor e ratificadas na versão que foi aprovada no Conselho Universitário:
1. Que o prédio de História e Geografia, Edifício Eurípedes Simões de Paula, passasse do status “Edifício tombado” a “Edifício tombado com prioridade de restauro”. A emenda foi subscrita juntamente pela direção da FAU e pela representação de funcionários.
2. Que a Casa de Cultura Japonesa seja incluída na relação de edificações: “com interesse de preservação”.
3. Que o espaço verde entre a Casa de Cultura Japonesa e a rotatória seguinte, seja marcado como “área para expansão da unidade e de áreas ajardinadas”. Por isso, em um futuro, poderá ser planejada ali uma construção nova da FFLCH, em um projeto que terá que integrar uma parte de jardim. Na redação do Plano Diretor da Unidade, que será submetido à Congregação de 22/10/2026, essa proposta está incluída como uma das diretrizes.
4.3 Relações com outras unidades e iniciativas conjuntas
Desenvolvemos uma relação de colaboração com as direções de outras unidades da USP, que abrange desde a ajuda pontual em relação a necessidades de infraestrutura ou utilização de um serviço, até a realização de eventos conjuntos, projetos para editais e articulações em torno de políticas acadêmicas.
Ao longo deste relatório já mencionamos a apresentação e obtenção conjunta do projeto de storage de dados com a FAU, a FEUSP, o IEB, o IP e a Brasiliana, que referimos em 2.3.1, os intercâmbios para formar as comissões avaliadoras da GACE, ou as iniciativas conjuntas com outras direções durante a crise da greve que relatamos no item 3.9. Tratamos a seguir brevemente das que ainda não abordamos.
Em novembro de 2024 organizamos, junto com a direção do Instituto de Psicologia, que também era também recentemente eleita, e do Museu de Arte Contemporânea, o seminário “Trabalho e diversidade na USP. Boas práticas e impasses para a inclusão”. Houve presença, além das duas unidades organizadoras, da direção de uma terceira unidade, a FEUSP, da Secretaria de Estado da Pessoa com Deficiência, da PRIP, da ADUSP, e de colegas da Faculdade de Medicina, da EACH, e da Escola de Educação Física, além de convidados da UFABC e da UNICAMP. No mesmo mês, participamos, junto com a Faculdade de Educação, da Jornada pela Ciência e a Educação organizada pela SBPC, como motivo dos cortes orçamentários em ciência e tecnologia. Também com a Faculdade de Educação elaboramos conjuntamente uma proposta de contratação celetista de intérpretes de LIBRAS, que apresentamos à reitoria em 2025 e estamos retomando agora, para o qual realizamos, em setembro de 2026, um encontro com o setor da UNICAMP que abriu um centro de interpretação.
Em março de 2025, co-organizamos, em comemoração ao mês das mulheres, um evento em parceria com o Instituto de Psicologia, a Escola de Enfermagem e a Faculdade de Saúde Pública, com uma conferência da Profa. Joana Guimarães, que naquele momento era reitora da Universidade Federal do Sul da Bahia. Em agosto de 2026, organizamos a apresentação da peça teatral “Derrama” da companhia As Graças, em parceria com o Instituto de Psicologia.
Promovemos e obtivemos, juntamente com o Museu de Arte Contemporânea, que o Conselho Universitário outorgasse o doutorado honoris causa à fotógrafa e ativista Claudia Andujar, para o qual contamos com apoio também da escola de Comunicações e Artes e da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design. Para as celebrações do centenário de Milton Santos em 2026, desenvolvemos ações em colaboração com o IEB e a FAU.
Mantemos também um diálogo, de um ano atrás, com a Escola Politécnica, com a qual chegamos a um acordo para a gestão conjunta de um galpão que entrará em reforma, metade do qual é utilizado pela Poli, e metade pelo já mencionado Núcleo de Artes Afro-Brasileiras (NECAAB). Depois da reforma, para a qual será necessária uma atuação emergencial da SEF, esperamos que, além do uso pelo NECAAB, o espaço abrigue outras atividades extensionistas.
Por último, as frequentes solicitações e consultas que recebemos de direções de outras unidades nos faz notar que somos percebidos como colegas disponíveis, colaboradores e atentos à vida interna da Universidade. Cremos que essa percepção é base sólida para um bom relacionamento, tanto nas divergências quanto nas convergências.
5. Perspectivas e agradecimentos
Os dois anos que restam da nossa gestão se antecipam como preocupantes para a instituição universitária pública, bem como para a ciência e a educação no Brasil e demais países da América Latina. Avança o intervencionismo indissimulado dos Estados Unidos sobre a região, aliados às ultradireitas de cada país, bem como a depreciação da democracia e das soberanias nacionais. Em particular, no Estado de São Paulo, a ostensiva afinidade do governo estadual com essas forças não é um fator favorável para as Humanidades.
A USP avançou muito com a criação da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento e com a implementação do ECOS (Escuta, Acolhimento e Orientação), que abriram um espaço de referência indispensável para atender a estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica e em sofrimento mental, mas ainda precisará atender novas necessidades com a implementação por lei, a partir de 2028, de ações inclusivas para ingresso de Pessoas com Deficiência no vestibular e no ENEM.
No imediato, para a Faculdade se apresentam, como pautas inadiáveis para defender dentro da USP, uma política não concorrencial de reposição docente, que foi um dos eixos da nossa plataforma quando nos candidatamos à direção, e uma política de contratação funcional que leve em conta tanto as grandes perdas no corpo funcional como as novas necessidades derivadas da inclusão, principalmente a de intérpretes de LIBRAS. E, como já foi mencionado, será necessário fortalecer, em parceria com outras unidades, propostas para uma equidade etnicoracial e de gênero do corpo docente por meio de ações afirmativas e de outras iniciativas que também possam reverberar entre estudantes e servidores técnico-administrativos.
No plano do funcionamento administrativo e das melhorias infraestruturais, consideramos que estamos aproveitando as oportunidades que se apresentam e construindo com o corpo funcional um ambiente colaborativo para que a FFLCH atenda as demandas tanto da rotina institucional quanto de novos projetos. Os próximos dois anos combinarão a conclusão das obras e reformas em andamento, e o início da implementação de um Plano Diretor que requererá uma disposição colaborativa de todos os setores.
Concluímos agradecendo a muitas pessoas.
Em primeiro lugar, aos assistentes Frederico Tresoldi Favoretto, Marie Márcia Pedroso, Miraldo Vale de Freitas e Valdeni Faleiro, verdadeiros pilares do funcionamento da Faculdade, que durante estes dois anos foram, para nós, guias indispensáveis, pacientes e acolhedores. A disposição que nos mostraram em todo momento permitiu que nos dedicássemos à nossa função com tranquilidade, apesar da multiplicidade de aspectos que ela envolve e aos que precisamos estar atentos. Junto com eles, aos profissionais com que mais diretamente trabalhamos, cuja colaboração tem sido fundamental e cotidiana: a secretária da Direção, Dayane Esteves Nogueira; o coordenador do EAIP, Nelson Caetano; a diretora da Biblioteca, Adriana Cybele Ferrari; o Ouvidor da Faculdade, José Clóvis de Medeiros Lima, e os responsáveis pelas áreas de Informática, Thiago Gomes Veríssimo; de Serviços Gerais, Alexandre Gomes da Silva Uchoa; de Compras, João Carlos da Silva; do Escritório Internacional, Vivian de Castro; do Serviço de Comunicação Social, Paulo Andrade, e de Convênios, Wladimir Jacomete.
A todas e todos os chefes dos onze departamentos da Faculdade, às presidências das comissões de Graduação, Pós-Graduação, Pesquisa, Cultura e Extensão, Inclusão e Pertencimento e Cooperação Internacional, e do Comité de Ética em Pesquisa com Seres Humanos. A elaboração e a realização das atividades fim da Faculdade é concebida e concretizada nesses espaços. Como direção, temos encontrado, nos seus responsáveis, a esperada disponibilidade para responder a consultas; o envolvimento e a participação constante, bem como nitidez na apresentação das necessidades dos seus representados.
Agradecemos a todas as pessoas da Faculdade que nos trouxeram solicitações e demandas, pelo reconhecimento que mostraram ao nos procurarem. Muito especialmente àquelas e àqueles que assumiram esse papel como representantes eleitos das categorias de funcionários e de docentes, e de entidades e centros acadêmicos estudantis, pela disposição à escuta que sempre mostraram, preservando os canais de diálogo, inclusive em ocasiões de divergência.
Nosso reconhecimento se estende a todas as pessoas que nos precederam na direção da Faculdade, porque o exercício da função permite apreciar o compromisso necessário para assumi-la.
Somos gratos também a docentes de todos os departamentos, que formam, continuamente, centenas e centenas de discentes de graduação e pós-graduação, além de todas as inúmeras tarefas que assumem para ampliar e fortalecer a produção de conhecimento, científica e política, em Humanidades no país e no exterior.
A todos servidores técnico-administrativos, que realizam atividades fundamentais para que nossa Faculdade continue com excelência atividades de ensino, pesquisa, extensão e gestão; bem como a todo o pessoal terceirizado, de segurança e limpeza, que zela cotidianamente pelos nossos espaços.
E finalmente, agradecemos aos discentes, sem os quais nós, docentes, não estaríamos aqui, que nos deslocam continuamente de nossas certezas, nos provocam a manter o pensamento e a atuação crítica sobre os problemas do mundo, e a sonhar um projeto de universidade mais democrática e plural.