Dia na USP, promovido pela FFLCH, realiza visita de mil jovens à Cidade Universitária

No evento, os estudantes de escolas públicas e cursinhos populares caminharam pelo campus e tiveram a oportunidade de participar de atividades cotidianas dos alunos da universidade, como almoçar no bandejão e assistir apresentação cultural
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Eliete Viana
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jovens lotam vão Geografia e História 1
O Dia na USP começou com a concentração dos estudantes de escolas públicas e cursinhos populares no vão do Edifício Eurípedes Simões de Paula (Geografia e História) - Foto: Eliete Viana / FFLCH


Na manhã do dia 8 de junho, um sábado de sol, em pleno dia de outono, cerca de 1.000 estudantes de escolas públicas e cursinhos populares de São Paulo visitaram a Cidade Universitária da USP, no Butantã, para o evento Dia na USP.

Para a maioria deles, foi a primeira vez na USP. O evento foi organizado pelo Programa de Acolhimento aos Estudantes Cotistas (PAECO) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. O objetivo foi propiciar a estes estudantes o primeiro contato com uma universidade pública.

Estes jovens são das regiões da cidade de São Paulo: Cangaíba, Grajaú, Jardim Romano, Lauzane Paulista, Perus, Santana, São Mateus; dos municípios da região metropolitana: Carapicuíba, Guarulhos, Itapevi, Itupeva, Osasco, Taboão da Serra; e do interior: São José dos Campos e Sorocaba. 

Eles lotaram o vão do Edifício Eurípedes Simões de Paula (Geografia e História), no qual foi realizado o momento de boas-vindas por professores da FFLCH e de outros locais; depois caminharam pelo campus enquanto recebiam informações sobre os prédios e atividades de algumas Unidades de Ensino e Pesquisa da USP; almoçaram no bandejão, como é popularmente chamado o Restaurante Universitário; e assistiram a apresentação de um sarau cultural.
 

diretora Maria Arminda - Dia na USP
Durante sua fala de boas-vindas aos estudantes, a diretora da FFLCH, Maria Arminda do Nascimento Arruda, destacou que uma das funções da universidade é a inclusão - Foto: Eliete Viana / FFLCH 


Durante o evento, os participantes também tiveram informes sobre as estruturas de assistência estudantil que a FFLCH e a USP oferecem aos seus alunos. Todas estas atividades integram os objetivos do PAECO, criado em 2018, visando a organização e divulgação de eventos, campanhas, políticas acadêmicas e estudantis para promoção de iniciativas de combate ao racismo e de inclusão dos estudantes negros e periféricos na universidade.  

O Dia na USP foi construído em parceria com cursinhos populares da região metropolitana de São Paulo e também do interior do estado. A Rede Emancipa divulgou a atividade em suas unidades e fez as pré-inscrições dos jovens, mesmo daqueles que não estão fazendo cursinhos pré-vestibulares.

A Rede Emancipa já trouxe jovens para conhecerem a USP em outros anos. Mas, sem tanta infraestrutura e atividades, segundo Taline Chaves, uma das responsáveis pela Rede. Pois, com a organização do PAECO, foi possível disponibilizar ônibus para a maioria se deslocar até à universidade e subsídio para a alimentação no restaurante universitário.
 

PAECO - professores e monitores com os jovens
À frente e com camiseta do PAECO, os professores e os monitores do programa junto com os jovens que participaram do Dia na USP - Foto: Eliete Viana / FFLCH


Importância da diversidade

As boas-vindas foram dadas por professores da FFLCH e de outros locais. O coordenador do PAECO, Ruy Braga, falou da importância da aprovação das cotas sociais e raciais nas universidades públicas no Brasil, e na USP no ano de 2017, tanto para os estudantes das escolas públicas quanto para as próprias instituições.

“As cotas e a inclusão não são favores para vocês. Porque ter diversidade é importante para a universidade e para se fazer pesquisa. A universidade pública muda a vida das pessoas. Ela mudou a minha vida e vai mudar a de vocês também”, declarou.

A diretora da FFLCH, Maria Arminda do Nascimento Arruda, ressaltou que o PAECO é um programa institucional da Unidade, que tem o intuito de incluir e receber todos os estudantes, uma das funções da universidade também.

“A Faculdade é de vocês, ela não pode ser de ninguém específico. Vocês são muito bem-vindos, independente de tornarem-se alunos desta ou de outra Unidade da USP. Muito obrigada por estarem aqui, em um sábado de manhã, procurando conhecer informações sobre a universidade pública”, comentou.

A coordenadora do curso de Ciências Sociais da Faculdade, Paula Regina Pereira Marcelino, comentou que os jovens estão no caminho para ingressarem na universidade e os incentivaram a continuar, pois já deram o primeiro e o segundo passo. “O primeiro passo foi fazer parte de um cursinho popular, o segundo estar aqui. Por isso, não deixem de realizar o terceiro, que é prestar o vestibular”, motivou a professora.

Além dos professores da FFLCH citados acima, um dos convidados foi o ex-aluno de Ciências Sociais da Unidade, Alvaro Gabriel Bianchi Mendez, que hoje é docente e diretor do Instituto de Filosofia e Ciência Humanas (IFCH) da Unicamp. Em seu depoimento, Mendez lembrou que, após a implantação das cotas, a universidade está mais aberta, o que possibilitou a vinda deles em um evento como esse, por exemplo.

A monitora do PAECO e estudante de História Karina Silva – atuam no programa mais uma monitora e dois monitores – também deu seu depoimento aos jovens participantes do evento. “Também entrei na Faculdade após as cotas. Sou monitora do Programa de Acolhimento aos Estudantes Cotistas, que recebe, acolhe e acompanha os estudantes cotistas como eu, o que é importante para os estudantes da periferia serem incluídos na USP”.
 

caminhada pelo campus - Av. Prof. Luciano Gualberto
Jovens passando na Avenida Luciano Gualberto, com a Praça do Relógio ao fundo, durante caminhada pela Cidade Universitária - Foto: Eliete Viana / FFLCH


Primeira vez

Durante a caminhada pelo campus, a Comunicação da FFLCH conversou com alguns jovens, anotou seus contatos e, depois do evento, pediu para eles enviarem suas impressões sobre o Dia na USP. Confira a opinião de alguns deles, que em comum têm o fato de estarem visitando a USP pela primeira vez.

“Adorei o evento, foi mais do que eu esperava, amei conhecer a USP. O que mais me agradou/surpreendeu no lugar foi a limpeza e organização da Cidade Universitária”, comentou Bárbara Luisy de Araujo Bastos, de 16 anos, que está no 3°ano do Ensino Médio e pretende se graduar em Psicologia na USP. Ela ficou sabendo do evento através de amigas que estudam na Rede Emancipa Grajaú.

“Gostei muito. O que mais me agradou foi conhecer coisas novas e o que não gostei é não poder morar lá (risos)”, comentou sobre a visita à Cidade Universitária, Luís Davi Correia Oliveira, o qual cursa o 3°ano do Ensino Médio, faz cursinho da Rede Emancipa Itapevi e quer fazer Educação Física.


“Eu achei o evento muito legal, principalmente para nós jovens de periferia, que enxergamos a USP como algo impossível de se alcançar”, diz Stephanie de Souza Silva, de 17 anos, que completou o Ensino Médio em 2018, quer cursar Medicina Veterinária e faz cursinho na Rede Emancipa Itapevi.

“Eu achei bem interessante o evento, e gostaria de futuramente entrar na USP ou em uma faculdade pública. Não tenho nada o que reclamar sobre a Universidade”, destaca Walace Kauê da Silva Borges, que está no 3°ano do Ensino Médio, estuda no cursinho da Rede Emancipa Santana e quer cursar Direito.

“Achei eletrizante. Ver uma realidade que não estamos acostumados nos faz querer se empenhar nos nossos estudos para ocupar este tipo de lugar”, contou Wesley Vieira Santana, de 17 anos, que está no 3º ano do Ensino Médio, frequenta o cursinho da Rede Emancipa Itapevi e deseja fazer Artes Visuais.

 

Rede Emancipa Itapevi - Stephanie e Wesley
Jovens da Rede Emancipa Itapevi, Stephanie e Wesley, respectivamente a primeira (da esq. p/ dir.) e o último na imagem - Foto: Eliete Viana / FFLCH

 

Rede Emancipa Santana
Integração de jovens de diferentes regiões de São Paulo: Luís Davi, de Itapevi, e Walace, de Santana, o terceiro e o quarto na imagem  (da esq. p/ dir.) - Foto: Eliete Viana / FFLCH 

 

Rede Emancipa Grajaú
As amigas Bárbara e Juliana, Rede Emancipa Grajaú - Foto: Eliete Viana / FFLCH 

 

estudantes da Rede Emancipa Angela Davis - Emancipa Zona Leste - Parque Cisper
Os estudantes da Rede Emancipa Angela Davis - Emancipa Zona Leste - Parque Cisper aproveitaram a visita à Cidade Universitária para defenderem a educação - Foto: Eliete Viana / FFLCH