CEM transforma dados urbanos em ferramenta para pesquisas e políticas públicas

Trabalho iniciado há mais de duas décadas transformou o CEM em uma das principais referências em dados urbanos e georreferenciados do País
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Redação
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Nas últimas décadas houve ampliação do acesso à internet, o surgimento de softwares gratuitos e o avanço de ferramentas como imagens de satélite e sistemas interativos – Foto: Daniel Waldvogel Thomé da Silva/CEM
Nas últimas décadas houve ampliação do acesso à internet, o surgimento de softwares gratuitos e o avanço de ferramentas como imagens de satélite e sistemas interativos – Foto: Daniel Waldvogel Thomé da Silva/CEM

O Centro de Estudos da Metrópole (CEM) é sediado na Universidade de São Paulo e no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, criado em 2000 com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. O grupo reúne pesquisadores de áreas como Ciência Política, Sociologia, Geografia, Economia e Demografia para estudar as desigualdades urbanas e metropolitanas no Brasil. Atualmente, o acervo do CEM conta com mais de 380 coleções. 

Eduardo César Marques, do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, é pesquisador e diretor do CEM. Ele explica que muitas das bases utilizadas pelo CEM têm origem nos dados produzidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, especialmente os Censos demográficos. No entanto, o trabalho do centro vai além da simples disponibilização dessas informações, já que os dados divulgados pelo IBGE são considerados “brutos” e precisam passar por tratamentos estatísticos, acertos cartográficos, correções de variáveis e criação de indicadores para serem utilizados em pesquisas mais complexas. 

Aprimoramento com uso da tecnologia

Eduardo César Marques – Foto: FFLCH
Eduardo César Marques – Foto: FFLCH

No início dos anos 2000, o acesso à tecnologia ainda era muito limitado. Na época, as bases produzidas pelo centro chegavam aos usuários em CDs enviados pelo correio. Ele destaca que houve uma grande transformação tecnológica nas últimas décadas, com a ampliação do acesso à internet, o surgimento de softwares gratuitos e o avanço de ferramentas como imagens de satélite e sistemas interativos. Hoje, além de disponibilizar gratuitamente as bases de dados, o CEM desenvolve plataformas mais acessíveis, como o GeoReDUS, que permite até que usuários sem conhecimento técnico especializado visualizem mapas, cruze informações e compreendam padrões urbanos diretamente pela internet. “Isso alcança a grande maioria dos municípios do Brasil com informações de vários temas em nível intraurbano, como as bases censitárias e bases de saúde, educação e a base ambiental relacionadas com a questão climática”, afirma.

Considerada uma das principais coleções do CEM, a base funciona como uma referência espacial para estudos urbanos e políticas públicas. A partir dela, pesquisadores conseguem cruzar dados sobre saúde, educação, mobilidade e violência com informações territoriais da Região Metropolitana de São Paulo. Um dos exemplos citados por ele são os registros de óbitos por causas externas, utilizados em estudos sobre violência urbana. 

Quem pode acessar

Eduardo César Marques comenta que parte do acervo exige conhecimentos em sistemas de informação geográfica, mas ressalta que o avanço tecnológico tornou essas ferramentas mais acessíveis nos últimos anos. Segundo ele, além da existência de softwares gratuitos e cursos disponíveis na internet, plataformas desenvolvidas pelo próprio CEM permitem que usuários sem formação técnica especializada possam visualizar mapas, sobrepor dados e compreender padrões territoriais. Atualmente, as bases produzidas pelo centro podem ser acessadas gratuitamente pela internet.

Texto de Talita de Paula Souza publicado no Jornal da USP: https://jornal.usp.br/atualidades/cem-transforma-dados-urbanos-em-ferramenta-para-pesquisas-e-politicas-publicas/