debatedores:
Peter W. Schulze (UzK, Mecila PI)
Raquel Imanishi (UnB)
Tessa Lacerda (USP)
A artista muSa Michelle Mattiuzzi apresenta uma reflexão sobre sua trajetória artística a partir da noção de recusa (practicing refusal), formulada por Tina Campt, em diálogo com as contribuições de Denise Ferreira da Silva sobre a racialidade como princípio organizador da modernidade.
Partindo da trilogia Memórias da Fazenda Brasilis, a artista propõe uma leitura autobiográfica de sua produção, compreendendo-a como um exercício contínuo de deslocamento das gramáticas coloniais que historicamente enquadram a criação artística negra como testemunho, denúncia ou representação da violência.
Articulando performance, cinema, instalação e escrita, muSa Michelle Mattiuzzi estabelece um diálogo com os pensamentos de Denise Ferreira da Silva, Tina Campt, Saidiya Hartman, Sylvia Wynter, Fred Moten e Christina Sharpe, mobilizando contribuições que interrogam a colonialidade, a racialidade, a visualidade e as formas de existência negra para além das gramáticas da violência.
A partir desse campo de interlocução, a artista propõe compreender a recusa não como um gesto de simples oposição, mas como uma prática de criação, imaginação e invenção de outras formas de vida. A aula é um convite ao público a pensar a memória não como retorno ao passado, mas como um campo de disputa sobre os futuros ainda possíveis e sobre os modos pelos quais a arte pode desestabilizar os regimes que administram a visibilidade, o conhecimento e a própria ideia de humanidade.
Mais do que uma retrospectiva de sua prática artística, esta aula constitui um exercício de pensamento sobre arte contemporânea, colonialidade, visualidade e liberdade, afirmando a criação artística como espaço de experimentação estética e política diante das persistências da violência colonial no presente.