No dia 27 de agosto, em celebração ao Dia da Psicologia, o Instituto de Psicologia (IP) e a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP receberam a apresentação da peça "Derrama", da Companhia Teatral As Graças. A apresentação foi realizada no estacionamento em frente ao vão do prédio de Geografia e História.
A trama da peça foi inspirada em vivências, partidas e reencontros e contou com nove atrizes em cena, com direção de Duda Maia. Segundo a Companhia, “Derrama é um espetáculo musical que traz um olhar poético sobre as águas e o tempo, traçando um paralelo entre o universo feminino e os rios”. A apresentação faz parte do projeto “O Tempo e as Águas”, que compõe a 44ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo.
O espetáculo também é uma comemoração aos 30 anos da Companhia e homenageia a atriz e fundadora de As Graças Juliana Gontijo, que faleceu precocemente em 2021. Para Cíntia Alves, dramaturga da peça, “Derrama é uma celebração da existência de Juliana Gontijo. E uma das memórias fortes era da Juliana nas águas, da felicidade dela no rio”. Em 2019, Gontijo fez seu último projeto na Cia. por meio de uma experiência no rio Tapajós.
Enredo
A apresentação remete ao rio como uma mulher, perpassando todo seu ciclo de vida: do nascimento até a morte.“É um ciclo que não se encerra; um ciclo que se reproduz e que se assemelha aos ciclos naturais da própria existência do planeta”, afirmou Alves. De acordo com ela, sua ideia não era transportar Gontijo como uma personagem em si, mas representá-la na peça de outra forma — nesse caso, como um rio.
Para além da representação de Gontijo, a peça tratou sobre a libertação feminina na sociedade atual, fazendo um paralelo da liberdade da água do rio com a emancipação das mulheres. “Ela não quer endireitar caminhos, ela se enche”, as atrizes cantaram durante a peça. A platéia da peça foi composta majoritariamente por mulheres e foi preenchida por cadeiras de sol, que serviram como bancos para a audiência.
A peça também contou com números musicais apresentados por meio de danças, cantos e toques de instrumentos. A produção musical foi feita por Jonathan Silva, que, conforme Alves relatou, inspirou alguns momentos da escrita da peça: “Por exemplo, a música ‘3 mil km de cal soterrada’ me ajudou a pensar que, em algum momento, eu teria teria que falar da morte no sentido de silenciamento”.