FFLCH inicia comemorações dos seus 85 anos com leitura da peça teatral Prova de Fogo

Esta peça foi escrita por Consuelo de Castro, e aborda a ocupação dos estudantes da sede da Faculdade na Rua Maria Antonia, em 1968, em protesto contra a ditadura militar e a reforma universitária
Por
Eliete Viana
Data de Publicação



Maria Arminda na abertura 85 anos

A diretora da FFLCH, Maria Arminda do Nascimento Arruda, na abertura do evento - Foto: Fábio Nakamura / FFLCH USP


Na noite do dia 2 de dezembro, segunda-feira, em cerimônia no Anfiteatro Camargo Guarnieri, foi realizada a abertura do evento Patrimônio Inestimável, que comemora os 85 anos de fundação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Na ocasião, foi feita uma leitura cênica da peça teatral Prova de Fogo, que fala sobre a ocupação dos estudantes da sede da Faculdade na Rua Maria Antonia, em 1968, em protesto contra a ditadura militar e a reforma universitária.  
 
O evento teve início com a apresentação do vídeo institucional Patrimônio Inestimável, que traz um panorama da história da Faculdade desde sua criação até os dias atuais.

Clique no link a seguir para assistir ao vídeo: https://youtu.be/cVagY0nf8HE.

Pronunciamentos

“É uma honra muito grande para nós da Faculdade que todos estejam aqui. Neste ano, faz 35 anos que frequento a Faculdade e a Universidade e eu tenho muita honra de ter me formado em todos os níveis aqui e hoje estar participando de sua gestão”, declarou o vice-diretor da FFLCH, Paulo Martins, dando início aos pronunciamentos das autoridades presentes. 

A diretora da Faculdade, Maria Arminda do Nascimento Arruda, lembrou do papel que a instituição cumpriu e cumpre desde sua criação. 

“Em 2019, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas está comemorando 85 anos da sua origem. (...) no projeto de criação da USP, em 1934, cumpriu o papel de congregar as instituições profissionais previamente existentes, criar carreiras científicas anteriormente ausentes no país, sobretudo de formar o núcleo de estruturação da vida acadêmica. (...) A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras demarcou a diferença em relação ao passado, pois fixou e difundiu os padrões de exercício científico, intelectual e cultural, especialmente por colocá-los a serviço da formação das gerações futuras. (...) Visto na perspectiva de hoje, percebe-se a solidez das ideias que animavam o projeto de construção da Universidade de São Paulo, que não afastava a ciência da cultura, não segmentava as carreiras, rompia os contornos disciplinares, tampouco estabelecia hierarquias científicas”, ressaltou.

Maria Arminda ainda comentou sobre a realização dos eventos que marcam o jubileu da FFLCH. “As comemorações dos 85 anos significam, nesse sentido, muito mais do que trazer à lembrança o passado, mas, antes, uma ocasião para enaltecer publicamente esse legado, para escandir a identidade da Universidade de São Paulo, por vezes incompreensivelmente questionada”.

O reitor da USP, Vahan Agopyan, disse que mesmo em momentos de alegria e comemoração “é preciso lembrar um pouco do passado para pensar o futuro”, e destacou a importância da Faculdade para a Universidade. 

“É importante continuar a pujança da FFLCH. Eu confesso que eu não imaginava no século XXI ter de explicar para jornalistas e dirigentes do nosso País a importância do ensino das ciências humanas. No nosso país precisamos justificar isso! Pode parecer óbvio, eu lamento.  Tenho certeza que todas as dificuldades que estamos vivendo hoje são apenas desafios para nos fortalecer mais. A Universidade de São Paulo tem orgulho da nossa Faculdade de Filosofia e das contribuições que ela tem dado ao País”, concluiu o dirigente.
 

leitura cênica
Parte da leitura cênica da peça teatral Prova de Fogo, que tem a participação de alunos recém-formados da Escola de Comunicações e Artes (ECA), da própria FFLCH e também da comunidade externa - Foto: Fábio Nakamura / FFLCH USP


Leitura cênica 

“Esta é uma Prova de Fogo
Você vai dizer 
Se gosta de mim
Sei que você não é bobo
Porém seu reinado
Vai chegando ao fim...”


A leitura cênica da peça teatral Prova de Fogo tem início com a música homônima, conhecida na voz da cantora Wanderléa, dando o tom da pressão e dos conflitos que estão sendo vividos pelos estudantes que estão ocupando a sede da Faculdade, a então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL).

Durante a história, são mostrados os conflitos pessoais dos estudantes e o ambiente político daquela época, através das discussões sobre se devem continuar a ocupação ou não. 

A leitura cênica da peça tem a participação de alunos recém-formados da Escola de Comunicações e Artes (ECA), da própria FFLCH e também da comunidade externa. A direção é de Abílio Tavares, que já dirigiu a peça em: 1997, no Teatro da USP (TUSP), que fora instalado na Rua Maria Antonia, mesmo local dos acontecimentos narrados na peça, e também dirigiu essa mesma leitura em setembro deste ano, no Sesc Ipiranga. Há a ideia de realizar outras leituras e encenações da peça no ano de 2020, porém sem data definida ainda.

Prova de Fogo foi escrita por Consuelo de Castro, que ingressou como aluna no curso de Ciências Sociais, em 1964, aos 18 anos. O seu primeiro dia de aula, 1º de abril, coincidiu com a instauração do golpe que dava início aos 21 anos de ditadura militar no país. Consuelo participou ativamente da ocupação do prédio no ano de 1968, período em que escreveu seu primeiro texto teatral. Premonitória, a peça concluída no mês de maio antecipava os trágicos acontecimentos que viriam ocorrer nos dias 2 e 3 de outubro do mesmo ano, evento que ficou conhecido como a batalha da Rua Maria Antonia.

Confira, abaixo, trecho da leitura da peça teatral Prova de Fogo.