No CTA da FFLCH, professor da Faculdade de Medicina explica o cenário da saúde no País

José Ricardo Ayres, da área de saúde coletiva, participou a convite da Direção, que pretende chamar especialistas de diversas áreas para falar à comunidade
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Eliete Viana
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Na tarde desta quinta-feira, dia 16 de abril, o professor José Ricardo Ayres, da Faculdade de Medicina da USP, falou sobre o cenário da saúde no Brasil neste momento de disseminação do novo coronavírus (Covid-19), durante a 298ª sessão ordinária do Conselho Técnico Administrativo (CTA) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). 

Ayres fez sua participação a convite da Direção da FFLCH, que pretende chamar especialistas de diversas áreas para falar à comunidade em seminários virtuais ao vivo denominado Humanidade em tempos de Pandemia, “para nos ajudar a pensar esses tempos difíceis que vivemos”, ressalta a diretora Maria Arminda do Nascimento Arruda sobre a ideia.

O docente do Departamento de Medicina Preventiva iniciou sua apresentação falando dos números de casos confirmados no mundo e no Brasil, da letalidade grande da doença. “Embora a gente saiba que tem uma subestimação do número de casos, porque a gente não está com uma capacidade de testagem muito ampliada”, lembrou Ayres, citando que a Universidade Federal de Pelotas tem um estudo no qual se estima que tem quatro vezes mais casos no Brasil do que os que sabemos até agora.

Ele alertou que, sem medidas muito efetivas poderíamos chegar a quase 1 milhão de casos no País, falou sobre o isolamento horizontal e o vertical, frisando que, apesar do isolamento horizontal não ter atingido 70% entre a população, o distanciamento social está relativamente grande, se considerarmos que não temos histórico de epidemias recentes na nossa história. E, apontou o que vem sendo feito em alguns lugares, como no Hospital das Clínicas, vinculado à Faculdade de Medicina da USP.

Interface entre a saúde e as ciências humanas

“Há um elemento central na resposta do Sistema [Único] de Saúde que está sendo pouco considerado que é a área de atenção básica”, disse Ayres – que atua na área de saúde coletiva, com ênfases em atenção primária em saúde e humanidades em saúde – chamando a atenção para o fato de que tanto as políticas públicas quanto à divulgação da mídia estão focadas na atenção terciária (hospitais com tecnologia mais sofisticada), sem considerar muito a área de atenção primária (atenção básica, que é porta de entrada para o Sistema) e secundária (hospitais de referência locais).

Segundo o professor, o fato de a sociedade não estar olhando muito para a área de atenção básica vai impactar diretamente nas periferias do Brasil, por causa da desigualdade social que deixa a população destes locais mais vulneráveis ainda à contaminação da doença e a outras doenças. Para ele, neste momento, é que entra a interface entre a saúde, as Ciências Sociais e Humanas.

“Acho que todos os estudos que nós temos feito, e precisamos intensificar, sobre questões de gênero, sobre questões de raça, de classe social, principalmente os estudos de interseccionalidade, que nos ajudam a pensar essas coisas de modo articulado, vão ser muito importantes agora”, destacou.

Para exemplificar esta visão, ele contou que, para intensificar essa relação entre a área da saúde e as ciências humanas, estão começando a organizar uma iniciativa mais estruturada de saúde global na Faculdade de Medicina “e contar com a parceria da FFLCH na construção de um diagnóstico de situação e pensar alternativas de trabalho prático juntos vai ser alguma coisa muito importante que pode nos colocar num patamar de qualidade elevado”, ressaltou.

A fala de Ayres teve uma ótima recepção entre os participantes da sessão do CTA, principalmente entre os docentes que já realizam estudos que podem contemplar uma intersecção com a área da saúde e prometeram voltar a conversar com o docente sobre possibilidades de parceria.

A apresentação do professor José Ricardo Ayres pode ser assistida pelo link: https://youtu.be/oW3AJlcY7YY

Esta conversa do docente da Faculdade de Medicina foi realizada de forma especial aos integrantes do colegiado da Faculdade, mas a ideia é que as próximas sejam realizadas ao vivo pelo canal da FFLCH no Youtube - que também ficam disponíveis ao público depois.
 
A Direção da Faculdade está combinando a participação de outros docentes da USP para falar sobre o contexto atual sob diversas visões. As datas e os participantes serão divulgadas posteriormente.