Pesquisadores da FFLCH integram Rede de Pesquisa Solidária sobre a Covid-19

A professora Lorena Barberia, do Departamento de Ciência Política, está na coordenação científica; e os professores Glauco Arbix, do Departamento de Sociologia, e João Paulo Veiga, do Departamento de Ciência Política, na coordenação geral da pesquisa
Por
Eliete Viana
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O Índice, apresentado no primeiro boletim da Rede, serve para avaliar restrições impostas por governos a escolas e empresas e para evitar aglomerações 

 

Com o intuito de calibrar o foco e aperfeiçoar as políticas públicas do governo federal, dos governos estaduais e municipais para o enfrentamento da crise do novo coronavírus (Covid-19), foi criada a Rede de Pesquisa Solidária em Políticas Públicas e Sociedade. 

A Rede é uma iniciativa de cerca de 40 pesquisadores da USP e de outras instituições, que são sociólogos, cientistas políticos, médicos, engenheiros, economistas, psicólogos e antropólogos. Três docentes da FFLCH estão na coordenação. A professora Lorena Barberia, do Departamento de Ciência Política, está na coordenação científica; e os professores Glauco Arbix, do Departamento de Sociologia e do Observatório da Inovação, e João Paulo Veiga, do Departamento de Ciência Política, estão na coordenação geral da pesquisa.

Além da coordenação, outros integrantes da comunidade FFLCH também participam das atividades desta Rede, seja compondo a equipe dos projetos, como os alunos de graduação em Ciências Sociais e os do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política; ou como consultores, como as professoras Marta Arretche e Márcia Lima, respectivamente, do Departamento de Ciência Política e de Sociologia.

A professora Lorena explica que a ideia original de formação da Rede surgiu de uma conversa entre ela e os professores Glauco Arbix e José Eduardo Krieger, da Faculdade de Medicina da USP e do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da USP (INCT-Incor) – que assim como o primeiro também faz parte da coordenação geral. “Conversamos sobre os projetos em andamento, e pensamos que eles todos estão muito relacionados e podem contribuir para melhorar as políticas públicas sobre a Covid-19”, destaca.

Quatro projetos

Distanciamento social, mercado de trabalho, rede de proteção social e percepção de comunidades carentes são alguns dos alvos da pesquisa da Rede, que é formada por quatro projetos.  

1)Monitoramento de políticas públicas: acompanhamento das políticas públicas a partir de indicadores de monitoramento, criados em conjunto com a Universidade de Oxford e avaliar a resposta da população a estas medidas. O objetivo é captar e analisar políticas públicas e o comportamento da população por unidade da federação a partir de documentos oficiais e pesquisas de opinião.

2)Monitoramento de opinião pública e de lideranças comunitárias: serão coletados por telefone informações essenciais da condição de vida em meio à crise. O objetivo é identificar e antecipar problemas sociais que, provavelmente, serão multiplicados com o avanço da pandemia, como fome, saques, desassistência de saúde e outros.

3)Mercado de trabalho e renda: os efeitos econômicos da pandemia não atingirão igualmente todos os setores e ocupações. E, ao impactar os empregos, a pandemia também incidirá diretamente sobre a renda dos domicílios e famílias, provavelmente elevando a pobreza, reduzindo o bem-estar e aumentando a desigualdade. O objetivo é identificar os setores, ocupações e grupos mais expostos aos efeitos econômicos da Covid-19 no País. 

4)Proteção social e políticas emergenciais para mitigar a crise no mercado do trabalho: a rede de proteção social, a capilaridade do Sistema Único de Saúde e Assistência Social e o Cadastro Único permitiram relativa celeridade na implantação de políticas emergenciais visando a população de baixa renda, como o Programa de Renda Básica Emergencial. Mas em meio à situação de urgência, diversos programas e políticas pré-existentes têm sido também alterados ou expandidos. O objetivo é investigar esses programas sociais, as alterações efetuadas e o fluxo da cobertura e concessão de benefícios.

“Creio que as pesquisas que desenvolvemos, além de ajudar no posicionamento da nossa Universidade, tem a ver com as preocupações da FFLCH diante da crise”, declara o professor Glauco Arbix.

Boletim 

A divulgação dos resultados das atividades será feita semanalmente através de um boletim, elaborado pelos três docentes da FFLCH que estão na coordenação. O primeiro boletim, divulgado no dia 10 de abril, traz um mapa das respostas dos governos estaduais brasileiros em termos de prevenção e enfrentamento da pandemia. Com base em um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Oxford, foram reunidos indicadores de categorias distintas para avaliar e mensurar a rigidez dessas respostas. 

Os indicadores inicialmente selecionados dividem-se em três blocos: distanciamento social, saúde pública e política social. Os resultados apresentados neste primeiro boletim são referentes aos indicadores do primeiro bloco, condensados no Índice de Rigidez do Distanciamento Social (RDS) de cada estado brasileiro para avaliar restrições impostas por governos a escolas e empresas e para evitar aglomerações.

“Por já estarem em vigor nos estados há algumas semanas, e esperado que as medidas de distanciamento social comecem a apresentar resultados não apenas na redução efetiva da mobilidade, medida por exemplo por meio de tecnologias de localização, como tem feito o governo do estado de São Paulo, mas também no número de casos e de mortes em decorrência do vírus”, explica a nota técnica do boletim. 

As próximas etapas previstas deste projeto distribuem-se em três tarefas: manter atualizada a base de dados de monitoramento das políticas sendo implementadas para aumentar o distanciamento social; calcular os outros indicadores selecionados que captam as políticas públicas voltadas a responder a pandemia; e investigar e avaliar o impacto das medidas implantadas, em termos de mobilidade, contagio e óbitos.

Confira a edição nº 1 do Boletim da Rede de Pesquisa Solidária.