Por trás de um sobrenome comum como Rodrigues, por exemplo, se escondem séculos de história familiar, social, política e linguística. O nome, que originalmente significava “filho de Rodrigo”, é um exemplo de patronímico.
A categoria de sobrenome surgiu no século XII para identificar a pessoa como filho de alguém em comunidades onde o primeiro nome já não era suficiente para distinção.
Neste caso, são derivados do pai ou um ancestral paterno — daí nomes como Rodrigues, Antunes ou Domingues. Ou seja, se você tiver um desses sobrenomes, provavelmente, alguém da sua família distante já se chamou Rodrigo, Antônio ou Domingos.
Quem explica é a pesquisadora Letícia Santos Rodrigues, doutora em linguística pela Universidade de São Paulo (USP). Nascida em Salvador, na Bahia, a pesquisadora se apaixonou pela onomástica — a ciência que estuda os nomes próprios — ainda na graduação, na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Foi lá que, ao lado de uma professora, começou a se aprofundar no estudo da antroponímia, ramo da onomástica dedicado aos nomes de pessoas.