FFLCH recebe visita de três pró-reitores da Universidade

As reuniões com os dirigentes da Pesquisa, da Cultura e Extensão Universitária e da Pós-Graduação foram realizadas nos dias 29 e 30 de abril
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Eliete Viana
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Na última semana de abril, nos dias 29 e 30, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) recebeu três dos quatro pró-reitores da USP, em reuniões específicas para recepcionar cada um dos dirigentes, no Salão Nobre da Unidade. No dia 29, a visita foi do pró-reitor de Pesquisa, Sylvio Roberto Accioly Canuto. E, no dia 30, tiveram duas visitas: pela manhã, da pró-reitora de Cultura e Extensão Universitária, Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado, e da pró-reitora adjunta, Margarida Maria Krohling Kunsch; e à tarde, do pró-reitor de Pós-Graduação, Carlos Gilberto Carlotti Júnior.

As reuniões com os pró-reitores faz parte de uma iniciativa da Direção da FFLCH, que tem o intuito de estabelecer e manter um diálogo entre a Unidade e a atual gestão da Reitoria da USP. A ideia é apresentar as atividades desenvolvidas na Faculdade dentro de cada uma das quatro áreas das Pró-Reitorias, fazendo uma avaliação dos programas e do conjunto dos projetos; pensar propostas de reestruturação; e abordar os desafios da área de Humanidades na Universidade.  

Além da diretora e do vice-diretor da FFLCH, Maria Arminda do Nascimento Arruda e Paulo Martins, participaram das reuniões os presidentes e vice-presidentes das Comissões relacionadas às Pró-Reitorias, seus membros, os chefes de Departamentos e os Assistentes Acadêmico, Administrativo e Financeiro da Unidade.

A conversa com o pró-reitor de Graduação, Edmund Chada Baracat, será realizada em junho, em data ainda a ser acertada – apesar de ele já ter visitado à Unidade, em outubro de 2018. A seguir, confira um resumo dos principais pontos abordados nestas três reuniões.

PESQUISA
 

visita pró-reitor de Pesquisa
Durante a visita à Unidade, o pró-reitor de Pesquisa, Sylvio Roberto Accioly Canuto (ao lado da diretora Maria Arminda), ressaltou a importância das Humanidades ao afirmar que  que "não é possível fazer desenvolvimento tecnológico sem a preocupação com o mundo" - Foto: Johin Feng Suen / STI-FFLCH


A reunião começou com a diretora Maria Arminda dando as boas-vindas ao pró-reitor de Pesquisa, Sylvio Roberto Accioly Canuto. O ex-diretor da FFLCH Sérgio Adorno parabenizou a política da atual gestão da Reitoria, na qual os pró-reitores estão se disponibilizando a visitar as Unidades de Ensino e Pesquisa da USP.

“A intelectualidade brasileira se faz presente na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Quero destacar neste momento, a importância das Ciências Sociais, que as pessoas das Ciências Exatas nem sempre dão valor, por exemplo", ressaltou Canuto no início de sua fala. 

Sobre a notícia da falta de investimento nas áreas de Ciências Humanas, o pró-reitor fez questão de enfatizar que não concorda com esta ideia, assim como a sua gestão na Pró-Reitoria de Pesquisa. “Gostaria de reiterar, de uma maneira muito clara, que isso não é um raciocínio de um país que queira ser moderno. Não é possível fazer desenvolvimento tecnológico sem a preocupação com o mundo. Não há também como fazer distinção entre as áreas, porque elas estão relacionadas e há muita interdisciplinaridade entre elas e as pesquisas".

A presidente e o vice-presidente da Comissão de Pesquisa da Faculdade, Fernanda Arêas Peixoto e Mauricio Santana Dias, aproveitaram que estão à frente da área somente há cerca de seis meses, desde outubro de 2018, para fazerem uma apresentação sobre a situação da Pesquisa na FFLCH atualmente. 

Divulgação científica 

"Desde o início da nossa gestão, estamos preocupados em Mapear e qualificar as atividades de pesquisa da Faculdade”, destacou Fernanda sobre questão que é uma de suas metas para área, junto com finalizar a implementação do Comitê de Ética em Pesquisa com seres humanos, que vão de encontro ao Projeto Acadêmico da FFLCH.

Há 258 bolsas ativas de iniciação científica, 54 bolsas do edital PIBIC/CNPq 2018-2019; 70 bolsas FFLCH em 2019, com recursos da própria Unidade; 229 pós-doutorandos e 25 pesquisadores colaboradores. Atualmente, a FFLCH abriga 2 Cepids como unidade sede, tem 37 laboratórios; 10 NAPs; e 252 núcleos e grupos de pesquisa.

Após as primeiras falas, os participantes da reunião se apresentaram ao pró-reitor e também fizeram suas colocações sobre a área de pesquisa. Entre as questões abordadas, pode-se destacar a dificuldade de responder algumas questões do Sistema Atena, a necessidade de intensificar a agenda interdisciplinar com outras Unidades da USP e de outros institutos de ensino superior estrangeiros também; a importância de se estimular mais ainda a pesquisa durante a graduação; a questão dos acervos digitais na biblioteca; e aprimorar a divulgação científica, com uma linguagem acessível a todos. 

"Destacar a relevância da pesquisa nas áreas de Humanidades, que muitas vezes não é divulgada em artigos por sua diferença/particularidade em relação “às ciências mais duras”, frisou Adorno, o qual fez questão de ressaltar que não é contra os artigos. Para o pró-reitor, a Universidade nunca soube colocar todo o seu valor para a sociedade, porque "se a sociedade soubesse melhor dos benefícios feitos dentro da Universidade, talvez tivéssemos mais aliados para nos defender dos ataques que estamos passando”.

Sobre os gastos com bolsas, a diretora destacou que a Faculdade gasta cerca de 30% de seu orçamento com apoio estudantil, o que inclui salas pró-alunos, bolsas de pesquisas, entre outras coisas. Maria Arminda também anunciou que a FFLCH está construindo um banco de dados em todas as áreas, "porque a gente não pensa sem os dados".  

CULTURA E EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA
 

visita pró-reitora de cultura
A área de Cultura e Extensão Universitária esteve representada pela pró-reitora e pela adjunta, respectivamente, Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado e Margarida Maria Krohling Kunsch, entre o vice-diretor Paulo Martins e a diretora Maria Arminda do Nascimento Arruda - Foto: Fábio Nakamura / STI-FFLCH


O atual presidente da Comissão de Cultura e Extensão Universitária, Yuri Tavares Rocha, também mostrou um panorama da área, com foco no último ano. Em 2018, foram oferecidos 201 cursos de extensão na FFLCH, os quais tiveram 6.468 alunos matriculados, ministrados por 462 pessoas, sendo que 372 delas eram especialistas externos. 

Rocha também comentou sobre novos projetos da Comissão para 2019, como, por exemplo, a realização de cursos de inverno, durante uma semana no mês de julho e a Semana de Consciência Negra, no mês de novembro; além de dar continuidade aos cursos e atividades que normalmente são realizadas, principalmente as em parceria com a Pró-Reitoria, tais como USP e as Profissões e a Feira de Profissões.

Ampliação Sistema Apolo 

Dois professores presentes na reunião, Sérgio Adorno e Heloísa Buarque de Almeida, respectivamente dos Departamentos de Sociologia e Antropologia, falaram que eles fazem muitas atividades extracurriculares que não conseguem incluir no currículo lattes, por exemplo, e seria bom que o Sistema Apolo pudesse ter um campo para inclusão destes dados. Quando falaram de dúvidas sobre definição das atividades de extensão, o vice-diretor da FFLCH, Paulo Martins, sugeriu a elaboração pela Pró-Reitoria de uma cartilha para orientar a respeito destas atividades.  

Em sua fala, a pró-reitora de Cultura e Extensão Universitária, Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado, falou que vai verificar a possibilidade de inclusão de informações no Sistema Apolo, da importância dos dados e das métricas para poder divulgar e referendar os cursos realizados, que podem ajudar a definir políticas de gestão da área. 

Também foi discutido a validade de ampliar os cursos de extensão que são pagos na Faculdade, o que muitos docentes na Unidade são contrários. Sobre a questão, a pró-reitora adjunta Margarida ressaltou que os cursos pagos de extensão podem ser importantes formas de inclusão social e de participação daquelas pessoas que não conseguiram ingressar em um curso de graduação ou de pós-graduação da Universidade, por exemplo.

PÓS-GRADUAÇÃO
 

visita do pró-reitor de pós-graduação
O pró-reitor de Pós-Graduação, Carlos Gilberto Carlotti Júnior, respondeu aos vários questionamentos sobre a área que os professores da FFLCH tinham - Foto: Fábio Nakamura / STI-FFLCH


O vice-diretor Paulo Martins abriu a reunião agradecendo a disponibilidade do pró-reitor em participar de uma reunião na FFLCH, principalmente para explicar questões sobre avaliação, que está gerando muitas dúvidas entre a Comissão de Pós-Graduação da Faculdade.

A diretora Maria Arminda destacou que a Faculdade tem o porte de muitas universidades e essa grandiosidade traz questões complexas também, porque é muito diversa e tem mais de 20 programas de Pós-Graduação. Ela lembrou que foi avaliadora da área de Humanas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), de 1993 a 2001, e isso a faz entender a necessidade de avaliação. Mas, acredita que nas "chamadas Humanidades há uma diversidade na forma de produção intelectual e diferente de outras áreas, o que não significa ser melhor ou pior. A verdade é que nós formamos, a Faculdade junto com a USP, a maioria dos cursos de Humanidades no país!”

Em sua explanação, Carlotti Júnior comentou que a avaliação é uma ferramenta para o avaliador. Mas, ressaltou que essa avaliação não é uma retaliação, não se será punido por causa da nota. Segundo o pró-reitor, ao final do quadriênio, a Capes vai receber mais de 320 mil teses, então, por isso, não adianta achar e querer que a Coordenação tenha que ler todo o trabalho para poder avaliar se é boa, por isso, é importante ter um resumo que explique bem o trabalho, por exemplo.

Entre as questões abordadas, a liberação da exigência dos coordenadores de programas de Pós-graduação darem aulas regularmente. O que segundo muitos professores presentes pode atrapalhar a dedicação à coordenação, muitas vezes por causa do acúmulo de funções; e também sugeriram melhorar a verba de representação para os mesmos. A falta de sincronia entre os dados dos Sistemas Júpiter e Janus, respectivamente da Graduação e da Pós-Graduação, foi apontada; e a saúde dos pós-graduandos, que cada vez mais fica prejudicada por causa dos prazos dos programas foi lembrada.

Mais visitas 

Sobre a liberação das aulas, Carlotti respondeu que ele próprio continua dando aula. Mas, mesmo assim, ele vai falar novamente para o reitor sobre ter professor substituto, porém não sabe se será aprovado. Em relação à falta de sincronia, ele disse que existe porque o Sistema Janus foi criado inicialmente fora dos Sistemas USP, o que dificulta a integração com os outros sistemas da Universidade e rápidas atualizações. "Atualmente, ele está 40% integrado e conversando com os sistemas, porque se mudar rapidamente, ele altera dados, que são complicados de reverter", explicou o dirigente. E, pensando na saúde do aluno, a Pró-Reitoria está criando disciplinas ligadas ao esporte e à cultura

Quando um dos docentes pediu que o pró-reitor viesse mais vezes à Faculdade para ajudar a esclarecer questões da área de Pós-Graduação, Carlotti Júnior disse que, pelo fato da área ser muito grande, assim como a USP, ele não tem condições de acompanhar semestralmente as Comissões das 42 Unidades de Ensino e Pesquisa.

Porém, disse reconhecer que o acompanhamento é importante, que poderia ser feito através de uma comunicação mais efetiva, talvez pela criação de aplicativo, por exemplo. E, ao final da reunião ficou pré-combinado que ele vai tentar agendar uma nova visita à FFLCH para o próximo semestre. Além disso, vai tentar convidar representantes da Capes para vir à USP e também trazê-los à Faculdade para conversar.