CEstA Dupla com Ana Carolina Beserra da Silva e Laura Pereira Furquim

Início do evento
Final do evento
E-mail
cesta@usp.br
Telefone
(11) 3091-3351
Docente responsável pelo evento
Prof. Dr. Eduardo Natalino dos Santos
Local do evento
Outro local
Auditório / Sala / Outro local
Rua do Anfiteatro, 181 Colmeia favo 8, Cidade Universitária, São Paulo-SP
É necessário fazer inscrição?
Sem inscrição prévia
Descrição

CEstA Dupla com Ana Carolina Beserra da Silva e Laura Pereira Furquim
20/03/2026, às 17h30

Ana Carolina Beserra da Silva
Ana é bacharela e licenciada em história e finalizou recentemente o mestrado no Programa de Pós-Graduação em História Social (PPGHS/USP), com pesquisa voltada para documentos produzidos pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), em sua luta por território nas décadas de 1980, 1990 e 2000. É pesquisadora vinculada ao Centro de Estudos Mesoamericanos, Amazônicos e Andinos (CEMAA) e faz parte da equipe do Centro de Formação do Museu das Culturas Indígenas de SP (MCI).

Territorializações em disputa: estratégias de uma federação indígena no apagar das luzes da ditadura civil-militar na região do Rio Negro
Nesta apresentação, abordo o campo da História e a visibilização das estratégias de ação indígenas por meio da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), fundada em 1987 em um contexto de disputas territoriais na Amazônia. O Projeto Calha Norte, elaborado desde 1985, pelo Conselho de Segurança Nacional, visava à ocupação e ao suposto desenvolvimento da região, com implantação de infraestrutura militar e produtiva. Tal ocupação se dava de maneira concomitante à investida de grandes empresas minerais e empenhava-se na desmobilização da estrutura missionária salesiana pré-existente. Como estratégia de articulação e resistência contrária ao projeto militar, a Foirn se apropriou do léxico vinculado aos direitos fundamentais inscritos na Constituição de 1988 e de categorias do movimento ambientalista em busca de seus objetivos de reconhecimento do direito ao território. Para isso, construiu redes de alianças com organizações não governamentais, reivindicou o reconhecimento de Terras Indígenas e buscou autonomia e autossustentação por meio de projetos de valorização dos saberes indígenas, geração de renda, manejo e proteção territorial.

Laura Pereira Furquim
Laura é bacharela em História, doutora em Arqueologia pela USP, e pós-doutoranda no Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). Em sua trajetória buscou integrar fontes históricas e análises arquebotânicas e de resíduos orgânicos para abordar temas como o início do cultivo de plantas, a relação entre práticas de manejo e formas de socialidade, os sistemas alimentares pré-coloniais e os impactos da colonização europeia sobre a segurança alimentar indígena. Através das cerâmicas e das plantas arqueológicas, busca enxergar as relações entre pessoas, e destas com a floresta e o território. Esta abordagem levou-a a desenvolver colaborações com povos indígenas Tupi Kagwahiva no Sudoeste Amazônico, onde também trabalha em interlocução com Frentes de Proteção Etnoambientais (FPE/FUNAI) aplicando métodos arqueológicos para a ampliação da compreensão sobre a história e os modos de vida de populações indígenas em isolamento. Atualmente, desenvolve pesquisas sobre comidas e bebidas fermentadas na Amazônia Antiga, em colaboração com o projeto “Embiara: cosmologias e técnicas na Amazônia Indígena” (UFAM) e “Vozes da Amazônia Indígena: processos históricos da sociobiodiversidade frente aos desafios do Antropoceno” (MPEG).

Arqueologias do não-contato em territórios ocupados por povos "isolados" na Amazônia: o caso da padaria Katawixi
Esta apresentação aborda a arqueologia do não-contato em territórios ocupados por povos indígenas em isolamento voluntário na Amazônia, a partir do estudo da chamada “padaria Katawixi”. O trabalho investiga vestígios materiais associados à produção de pães-de-índio encontrados em contextos florestais recentes, interpretados como parte de práticas alimentares e mobilidades territoriais de grupos que evitam relações permanentes com a sociedade envolvente. A partir de abordagens arqueológicas, etno-históricas e arqueobotânicas, discute-se como esses vestígios alimentares revelam sistemas de conhecimento, técnicas de fermentação e formas de manejo da paisagem que permanecem ativos fora das redes de contato colonial e estatal. Ao tratar desses registros, a arqueologia do não-contato também enfrenta desafios éticos e metodológicos, buscando produzir conhecimento sem comprometer a autonomia e a segurança desses povos. O caso Katawixi evidencia como a arqueologia pode contribuir para reconhecer materialmente a presença contemporânea de povos isolados e apoiar a proteção de seus territórios.

Atividade presencial
Entrada gratuita, sujeita à limitação do espaço
Não há inscrições

Sede do CEstA: Rua do Anfiteatro, 181, Colmeia - Favo 8
Cidade Universitária, São Paulo-SP
www.cesta.fflch.usp.br
cesta@usp.br
Instagram: cestausp

Imagem
CEstA Dupla com Ana Carolina Beserra da Silva e Laura Pereira Furquim