Premiação que reconhece contribuições relevantes para o desenvolvimento da educação e da ciência no Brasil, o Prêmio Anísio Teixeira divulgou os nomes dos homenageados nas categorias Educação Básica e Educação Superior de 2026. Ao todo, 20 personalidades serão premiadas, dez em cada categoria. Entre elas estão dois professores da USP que receberão a honraria na categoria Ensino Superior: Arlindo Philippi Junior e Marilena de Souza Chauí. A lista foi publicada em portaria da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), no início de maio, neste link.
O Prêmio Anísio Teixeira é concedido a cada cinco anos e, tradicionalmente, homenageia dez personalidades por edição, sendo cinco de cada categoria. Neste ano, porém, em celebração aos 75 anos da Capes, a premiação contemplará 20 nomes. Os homenageados foram escolhidos após indicação dos respectivos Conselhos Técnico-Científicos. Em seguida, os nomes passaram pela deliberação do Conselho Superior da Capes e do Ministério da Educação, com aprovação final da presidência da instituição.
Segundo a presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho, celebrar o aniversário da instituição com o Prêmio Anísio Teixeira é uma forma de valorizar pesquisadores dedicados à transformação do País e ao fortalecimento da soberania nacional. “Ao homenagearmos esses 20 cientistas, reconhecemos trajetórias de excelência que fortalecem nossa soberania científica e pedagógica. É uma honra destacar nomes que personificam os ideais democráticos e inovadores de Anísio Teixeira”, afirmou.
Premiados
Marilena Chauí é uma das principais filósofas contemporâneas do Brasil, com uma trajetória marcada pela luta pela democracia e pelos direitos humanos. Possui graduação em Filosofia pela USP, com mestrado e doutorado pela mesma universidade. Foi professora titular em História da Filosofia Moderna pela USP (1986), e atualmente é professora sênior. Tem experiência na área de filosofia, com ênfase em história da filosofia, atuando principalmente nos seguintes temas: democracia, política, direitos, cidadania e luta de classes. A professora escreveu livros fundamentais como o clássico Convite à Filosofia, vencedor do Prêmio Jabuti de 1995, na categoria Didático de Ensino Fundamental e Médio. Seu trabalho e militância refletem a combinação entre rigor acadêmico, didatismo e engajamento político, consolidando-a como uma das principais pensadoras do cenário intelectual brasileiro.
Arlindo Philippi Junior possui mestrado e doutorado em Saúde Pública e Ambiental (USP), pós-doutorado em Estudos Urbanos e Regionais (Massachusetts Institute of Technology-MIT, dos Estados Unidos) e é livre-docente em Política e Gestão Ambiental (USP). Foi chefe de Departamento de Saúde Ambiental, presidente da Comissão de Pós-Graduação da Faculdade de Saúde Pública (FSP) e atualmente é chefe de Gabinete do Reitor da USP e coordenador da Cátedra Clima e Sustentabilidade do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP. Na Capes, foi membro do Conselho Superior, coordenador das áreas Interdisciplinar e de Ciências Ambientais, membro do Conselho Técnico-Científico de Ensino Superior e diretor de Avaliação.
O professor também foi membro do Conselho Diretor do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), diretor de Controle Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), superintendente da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e diretor de Planejamento Ambiental da Secretaria do Verde e Meio Ambiente de São Paulo. Foi finalista do Prêmio Jabuti em seis edições, tendo recebido o 1º lugar na categoria Educação e Pedagogia com a obra Práticas da Interdisciplinaridade no Ensino e Pesquisa, em 2016. Sua produção científica e tecnológica aborda os seguintes temas: política; planejamento e gestão ambiental; planejamento e gestão urbana e regional; saneamento e saúde ambiental; e indicadores de sustentabilidade.
Segundo o professor Arlindo, os princípios, propostas, trabalho e atuação de Anísio Teixeira sempre estiveram à frente de seu tempo e são referência para todos aqueles que se dedicaram e se dedicam à educação no País. “Receber o reconhecimento de nossa comunidade acadêmica para o Prêmio Anísio Teixeira de Educação Superior trouxe uma grande emoção e também o aumento da responsabilidade de honrar o seu legado no desenvolvimento da educação brasileira. Traz ainda a emoção de poder ter contado com a parceria de tantas pessoas que compartilharam sua generosidade e competência em atividades e realizações coletivas.” E continua: “O prêmio acrescenta à sua vida acadêmica e profissional na USP, na Capes, no CNPq, no MCTI, um reconhecimento aos anos dedicados ao ensino, pesquisa e extensão, devidamente compartilhados com a comunidade de colegas professores, pesquisadores, orientandos, alunos e servidores, a quem agradeço pela honra das parcerias”.
Também foram premiados na categoria Educação Superior a ex-professora da USP Anna Mae Tavares Bastos, atualmente na Universidade Anhembi Morumbi; Dalila Andrade Oliveira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Débora Fogel, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Dermeval da Hora Oliveira, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB); Josicélia Dumet Fernandes, da Universidade Federal da Bahia (UFBA); Keti Tenenblat, da Universidade de Brasília (UnB); Lydia Masako Ferreira, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); e Rita de Cássia Barradas Barata, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP).
Texto publicado no Jornal da USP com informações da Assessoria de Comunicação da Capes: https://jornal.usp.br/universidade/professores-da-usp-recebem-o-premio-anisio-teixeira-de-educacao-superior/