Livro de docente de Geografia discute a escassez d’água

“O livro questiona a ideia fatalista e de que a água vai acabar e o mundo vai guerrear por ela, mostrando que tal perspectiva malthusiana não se sustenta nem conceitualmente, nem empiricamente”, comenta o autor e professor Luis Antonio Bittar Venturi
Por
Eliete Viana
Data de Publicação
Editoria

 

*Matéria atualizada em 25/04/2020, às 21h01

 

capa do livro
Imagem da capa do livro Water’s Flow of Peace, na qual mulheres estão transportando leite pelo rio Eufrates, na cidade de Deir Ez-Zor, Síria, já perto do Iraque - Foto: Acervo pessoal Luis Antonio Bittar Venturi

O professor Luis Antonio Bittar Venturi, do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, lançou o livro Water’s Flow of Peace, pela Cambridge Scholars Publishing, no Reino Unido, em março deste ano.

Fruto de pesquisa na Síria e em outros países do Oriente Médio, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a publicação apresenta os resultados da cooperação entre os Departamentos de Geografia da FFLCH USP, a Universidade de Damasco, Síria, e a Universidade de Cambridge, Reino Unido. Estas cooperações deram-se na forma de pós-doutoramento, quando Venturi utilizou a Bolsa de Pesquisa no Exterior da Fapesp.

Na obra, é refutado o paradigma malthusiano amplamente difundido - que prevê conflitos devido à escassez de água - mostrando que essa perspectiva não tem base empírica nem conceitual. E começa com a hipótese de que o compartilhamento da política da água e o uso da tecnologia podem anular o paradigma de escassez de água e conflito.



“O livro mostra que a água é muito mais um fator que promove acordos de cooperação entre os povos (são mais de 260 bacias internacionais, quase todas regidas por tratados e acordos de cooperação) e que as tecnologias disponíveis e o planejamento podem reverter qualquer situação de escassez hídrica natural. Traz também uma revisão conceitual sobre a água enquanto recurso inesgotável (dadas as quantidades existentes), reprodutível (pela aceleração do ciclo hidrológico nas usinas de dessalinização), naturalmente reciclável. Ao mesmo tempo, a água não pode ser considerada renovável (como fazem muitos livros didáticos), já que as quantidades existentes na Terra são praticamente as mesmas há cerca de 2 bilhões de anos, sem renovação de estoques”, destaca Venturi sobre as contribuições mais significativas que apresenta na obra.

 


A publicação está disponível em e-book e impressa. Posteriormente, será vendida nas principais livrarias do Reino Unido, mas, por enquanto, está a venda apenas pelo site: https://www.cambridgescholars.com/waters-flow-of-peace. E, em breve, ele estará disponível nas principais livrarias do Brasil também.

A primeira versão foi em português, com o título Água no Oriente Médio: o fluxo da paz, publicada pela Editora Sarandi, também com auxílio da Fapesp. A edição era limitada e a editora encerrou suas atividades, de modo que esta versão não está mais disponível.


*O texto foi atualizado para incluir:
1)a palavra NÃO na frase "Ao mesmo tempo, a água não pode ser considerada renovável"
2)E, em breve, ele estará disponível nas principais livrarias do Brasil também