O intuito desta Rede é atuar em defesa das mulheres e da melhoria da sua condição na pandemia

Por
Eliete Viana
Data de Publicação
Editoria

 

Rede Brasileira de Mulheres


Nesta sexta-feira, dia 23 de abril, às 17h30, será realizado o webnário de lançamento da Rede Brasileira de Mulheres Cientistas para apresentar a iniciativa ao público em geral, com transmissão pelo canal da Rede no YouTube.

​​​​​​​Esta Rede é formada por mulheres cientistas brasileiras que têm o intuito de atuar em defesa das mulheres a partir de uma perspectiva que busca a atenção a algo praticamente ignorado no debate público: a condição das mulheres brasileiras na pandemia.

O lançamento oficial da Rede foi na segunda-feira, dia 19, com a divulgação de uma carta falando sobre a pandemia e a articulação das mulheres cientistas a respeito. Na ocasião, a Rede contava com 1.000 cientistas brasileiras que tinham assinado o documento. Neste grupo, quase 130 são professoras e pesquisadoras da USP e mais de 20 são da FFCLH. Neste momento, o número de mulheres já ultrapassou os 2 mil.

A FFLCH está representada por docentes e pesquisadoras dos Departamentos de Antropologia, Ciência Política, Geografia, História, Letras Modernas, Letras Clássicas e Vernáculas, Sociologia, e do Diversitas.

Entre elas está a professora Lorena Barberia, do Departamento de Ciência Política, que liderou o estudo que avaliou os riscos políticos e institucionais do Brasil causados pela crise promovida pela pandemia de Covid-19, e é uma das pesquisadoras do Observatório Covid-19 BR e coordenadora da Rede de Pesquisa Solidária. 
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Cientistas
A Rede está aberta à participação de mulheres cientistas brasileiras que vivem no País ou no exterior - Arte: Divulgação

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​​​​​​​Segundo a manifestação da Rede pela carta, a pandemia de Covid-19 e o agravamento das condições sociais, econômicas e psíquicas atinge de forma mais dramática as populações vulneráveis, em especial as mulheres. Pois, sobre elas recai o trabalho do cuidado em relação às crianças, idosos e enfermos, muitas vezes na condição de chefes de família.

Muitas mulheres tiveram que abandonar seus empregos para se dedicarem exclusivamente às suas famílias, enquanto outras viram se agravar a precarização que acompanha, na maioria dos casos, sua inserção no mercado de trabalho. Além disso, tem sido abundantemente noticiado o agravamento dos casos de violência doméstica e política contra as mulheres.

O documento lembra ainda que as cientistas são sub-representadas nas universidades e nas instituições de pesquisa brasileiras, segundo dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e, neste momento tão dramático, que afeta inclusive as produções científicas delas, elas buscam atuar em defesa das mulheres a partir de uma perspectiva que busca a atenção a algo praticamente ignorado no debate público: a condição das mulheres brasileiras na pandemia. Visto que há uma ausência completa de políticas públicas voltadas a apoiar as mulheres e meninas neste momento de crise humanitária.

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"A partir do que temos acumulado ao longo de uma vida dedicada à ciência, em diferentes áreas do conhecimento, consideramos estratégica a implementação de políticas dirigidas às mulheres em torno de seis grandes temas: Saúde, Violência, Educação, Assistência social e Segurança alimentar, Trabalho e emprego, Moradia e Mobilidade. As propostas para essas políticas já estão prontas. Há muito acúmulo de conhecimento, produção altamente qualificada e experiências em torno desses seis temas. O que queremos com nossa articulação é levar essas respostas para o centro do debate público, buscando uma abordagem integrada em torno das necessidades cotidianas das mulheres", destaca o texto da carta.

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​​​​​A Rede está aberta à participação de mulheres cientistas brasileiras que vivem no País ou no exterior. A adesão pode ser feita acessando a carta de lançamento da Rede e preenchendo o formulário disponível. Clique aqui para acessar.

Mais informações pelo site da Rede Brasileira de Mulheres Cientistas.