Proclamação da Independência do Brasil

Proclamada por D. Pedro I, independência do Brasil traz diversas interpretações do século XIX aos dias de hoje
Por
Lara Tannus
Data de Publicação
Editoria
Hoje na História

 

Proclamação da Independência
Monumento à Independência e o Museu Paulista são um dos exemplos concretos de construção da memória da Independência (Arte: Ricardo Freire)


Não há dúvidas de que a conquista da Independência do Brasil foi um dos acontecimentos mais importantes da nossa história. A partir dessa data, o Brasil deixa de ser colônia portuguesa e adquire sua autonomia política.

Para Ana Teresa de Souza e Castro da Purificação, mestre em História Social pela FFLCH USP, o 7 de setembro deve ser visto como uma estratégia política que renovaria as relações já comprometidas entre Portugal e Brasil.

Assim, o tema se apresenta de maneira complexa no debate historiográfico da independência. “Temos hoje uma interpretação sobre a Independência do Brasil que transita e valoriza o processo vivido por todos os integrantes da sociedade, passando pelas questões que envolvem a construção da cidadania e também da identidade da nação tanto no passado, como nos dias atuais”, explica.  

Ao declarar independência, o governo brasileiro se deparou, segundo a pesquisadora, não só com a necessidade de consolidar uma unidade no território nacional, mas de lidar com os interesses populares. “Por trás disso tudo havia um governo que precisava se consolidar e uma sociedade que precisava reconhecer-se como pertencente a essa nação; era preciso construir a identidade do Brasil e do brasileiro”.

Nesse sentido, Ana Teresa comenta que a trajetória da construção de identidade se prolongou até o período republicano. Foram concretizadas  interpretações da independência na construção de monumentos, pinturas, esculturas e até na arquitetura. Alguns exemplos são o Monumento à Independência e o Museu Paulista que mostram “momento determinante de liberdade e ruptura com Portugal”.

Em sua pesquisa, Ana Teresa analisou livros selecionados do Guia de Livros Didáticos de 1998, evidenciando as várias interpretações passadas desde o século XIX. Ela explica que a memória do acontecimento não está limitada aos livros. “De fato, construímos e reconstruímos a memória sobre a Independência e damos novos significados às suas interpretações. Pesquisadores se debruçam sobre os documentos que, inéditos ou não, apontam elementos para que a história e a memória se movimentem e adquiram novos significados”.

Por fim, a pesquisadora nos chama a atenção para a memória coletiva da independência que construímos hoje. Comentando que as interpretações transitam entre passado e presente. “Isso que torna o tema tão atual e encantador”, finaliza.

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Ana Teresa de Souza e Castro da purificação defendeu a dissertação (Re)criando interpretações sobre a Independência do Brasil: um estudo das mediações entre memória e história nos livros didáticos, pelo Departamento de História da FFLCH USP.